[QUADRINHOS] “Post Mortem – Volume 1” de Pedro Ferreira (resenha)

post mortem pedro ferreira feat

Ahran é um habilidoso espadachim iniciado na arte da necromancia – a habilidade de reanimar e controlar os mortos – determinado a “resgatar” sua família, nem que para isto tenha que enfrentar bandidos sanguinários, e atravessar um oceano. Este é o protagonista de Post Mortem, primeira HQ do quadrinista e animador Pedro Ferreira.

Nem toda obra tem o compromisso de ser inovadora em sua narrativa, ou uma divisora de águas em sua premissa. Dito isto, Post Mortem, desde o início, não tenta passar uma pretensão que seu autor e desenhista não possui. O objetivo é claro: contar uma boa fantasia medieval que entretenha do início ao fim, e isto ele faz com precisão.

A história em si não é criativa em sua premissa, nem em sua execução. Mas isto não significa que ela deixe a desejar. O que chama a atenção logo nas primeiras páginas é o traço limpo e econômico de Pedro, que me fez lembrar o da série A Lenda de Korra. Certamente algo que ele desenvolveu em seu trabalho como animador. Por isto, as sequências de ação da HQ são muito bem conduzidas e decupadas, jamais deixando o leitor confuso em seu desenrolar. E estou falando de uma história que já começa com uma sequência de luta envolvendo mais de uma dezena de personagens se enfrentando:

Pedro também não decepciona nas cenas menos movimentadas. Aliás, a cadência da história como um todo me fez lembrar a de antigos faroestes, com suas sequências de ação intercaladas com cenas mais lentas e contemplativas, nas quais vamos acompanhando parte do cotidiano dos personagens. No caso de Post Mortem, isto é usado pelo autor para gerar no leitor empatia por seu protagonista ao observá-lo interagir com a família de Mirav, o guerreiro que serve como guia de Ahram até o porto de onde partirá para a próxima etapa de sua jornada.

Se a primeira metade de Post Mortem parece um faroeste antigo – daqueles estrelados por cavaleiros solitários que entram nas vidas de uma família tão subitamente quanto partem – do meio pro final ele é uma boa aventura no estilo capa e espada. O único elemento fantástico da história é a necromancia que Ahram usa nos combates, o que ele não faz com muita frequência, pois é uma habilidade que lhe cobra um preço alto.

No que diz respeito à narrativa, seu único aspecto que me incomodou e gerou alguma confusão foram os flashbacks que pontuam a HQ. Senti falta do emprego de alguma técnica de ilustração que os diferenciasse das cenas que se passam no presente. Além disto, a rápida sequência que abre a primeira edição, estrelada por um casal que não reaparece nas páginas seguintes, é um tanto deslocada, e não parece ter relação direta com nenhum dos eventos narrados.

Apesar dos probleminhas listados no parágrafo anterior, a média final é positiva, e os objetivos do protagonista me deixaram interessado nos próximos capítulos de sua jornada. Post Mortem é uma ótima estreia de Pedro Ferreira nos quadrinhos, onde espero ver mais de suas obras em breve.

Pedro está vendendo Post Mortem no FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos – que acontece em Belo Horizonte até amanhã. Se tiver a chance, passe por lá pra comprar um exemplar da HQ.

Leia aqui metade da primeira edição.


post mortem pedro ferreira capanota-4Publicação independente

23 x 16 cm

Brochura

62 páginas