[QUADRINHOS] O Livro do Cemitério – Volume 1, de Neil Gaiman e P. Craig Russell (resenha)

No ano de 2016, tive o prazer de ler uma das premiadas obras de Neil Gaiman, O livro de cemitério. A editora Rocco me enviou atenciosamente a primeira edição com ilustrações de Dave McKean. A narrativa trata da trama sobre um bebê que tivera a família assassinada pelo misterioso “homem chamado Jack”. Sua inusitada fuga o leva a um cemitério transformado em uma reserva ambiental. Lá é encontrado pelos Owens, um simpático casal de fantasmas que decidem responsabilizar-se por ele. Silas, um morto-vivo vampiresco, torna-se um dos seus tutores, e quando o pequeno atinge a idade adequada, a senhora Lupescu (não vou dizer exatamente o que ela é para não estragar a surpresa, mas digo apenas para que preste a atenção no radical de seu nome) é responsável pelo ensino formal, para que ele evite os perigos do mundo dos mortos, como o exemplo dos gowls devoradores de pessoas.

O menino é educado entre túmulos e criptas, fazendo amizade com fantasmas de épocas como a antiga Roma e idade média. Por não saberem com qual nome os pais biológicos batizaram-no, o menino é conhecido apenas como Ninguém. O primeiro contato íntimo de Nin com o mundo dos vivos ocorre ao conhecer uma menina chamada Scarlet. Desde o primeiro instante, uma inocente e vibrante amizade floresce entre ambos, até chegar, como sempre, o outono e levar as folhas embora.

A adaptação de P. Craig Russel (que já trabalhou tanto na Marvel quanto na DC) é fidelíssima ao romance original. Sua adaptação de O livro do cemitério, juntamente com os ilustradores Kevin Nowlan, Tony Harris, Scott Hampton, Jill Thompson e Stephen B. Scott, dispõe, em delicado relevo, detalhes que, pessoalmente, me passaram despercebidos quando li. Menciono aqui, em especial, a relação entre Nin e Scarlet. Recordei no mesmo instante da maneira doce com que Gaiman narra a relação entre o protagonista do romance O oceano no fim do caminho e a pequena Lettie Hempstock.

Quanto à arte deste volume, não seria exagero dizer que está impecável, em especial por capítulos mudarem abruptamente de um estilo a outro, todavia, sem prejuízo algum para o leitor, a exemplo do capítulo 3 – Os sabujos de Deus. Mesmo quando a transição é de um estilo mais “barroco” e sólido como o de Harris, passando para um estilo fino, quase em refinada rasura, como o estilo de Scott Hampton (por sinal, traço perfeito para ilustrar a correria desesperada dos gowls, quando sequestraram Nin e o levaram ao outro mundo). A graphic novel é belíssima da capa à última página.

Espero que todos gostem desta notável edição publicada pela editora Rocco. Esperamos ansiosamente pelo próximo volume!


Editora Rocco

Tradução: Ryta Vinagre

Brochura

23,1 x 15,2 x 1,3 cm

192 páginas

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