[QUADRINHOS] Multiversity: Tudo que já sabemos sobre o novo trabalho de Grant Morrison para a DC Comics

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(Texto original de Vaneta Rogers, traduzido e adaptado livremente por Rodrigo F. S. Souza)

Quando Multiversity de Grant Morrison for lançada em agosto lá fora, já teremos ouvido falar dela por muito tempo, pois ela foi mencionada pela primeira vez há cinco anos atrás.

Morrison deu várias pistas em diversas entrevistas sobre a história em 10 edições que explorará o Multiverso DC.

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Página de Pax Americana (lápis de Frank Quitely)

De acordo com as informações reveladas até agora, das 10 edições de Multiversity, duas servirão de abertura e encerramento, sete delas se passarão em pelo menos sete Terras alternativas do Multiverso DC, e uma será um guia informativo sobre o Multiverso. A estrutura se assemelha a outro trabalho de Morrison para a DC, o evento multisséries Sete Soldados da Vitória.

Morrison disse ano passado ao Newsarama que a história incluirá mais do que somente sete Terras, pois ela é sobre “todas as 52 [Terras do Multiverso DC]. Parte de Multiversity será um guia do Multiverso que o mapeará, e também contará uma história. Então há também este aspecto de mapas e diagramas.”

Cada uma das edições da série será supostamente desenhada por um artista diferente – com pelo menos sete delas focando em terras diferentes. Até agora a DC revelou os nomes de apenas alguns artistas, incluindo Chris Sprouse, Karl Story, Ben Oliver, Frank QuitelyCameron Stewart. A página de The Multiversity #1 liberada na última semana também revelou que Ivan Reis, Joe Prado e Nei Ruffino fazem parte da equipe artística.

História Épica

De acordo com o que Dan DiDio, co-editor da DC, comentou em 2009 ao Newsarama, a DC queria esperar que Morrison definisse o Multiverso.

“Eu gostaria que as pessoas pudessem sentar e ter uma conversa com Grant sobre o Multiverso,” DiDio disse. “É tão claro na mente dele o que ele quer que [o Multiverso] seja. E as mudanças são tão importantes, tão dramáticas, e tão sutis, que se não forem feitas do jeito certo, soará como mais do mesmo. Mas se feita da forma como ele as discute, pode torná-las extraordinariamente especiais. No momento não há por que termos mais encarnações de nossos personagens voando por aí em diferentes mundos. Precisamos que eles sejam extraordinariamente especiais. E vale a pena esperar que uma pessoa como Grant faça esse tipo de coisa.”

A história fará parte do Universo DC, mas não irá interagir extensivamente com os heróis dos Novos 52, de acordo com comentários de Morrison ao iFanboy. “Felizmente pra mim as mudanças dos Novos 52 não afetarão muito, porque os mundos paralelos ainda estão lá fora e não lidamos com o Universo DC em Multiversity,” disse Morrison. “Bem, há uma pequena… uma pequena menção ao Universo DC, mas na verdade a história é ambientada em um monte de mundos completamente diferentes e nenhum deles foi afetado pelo que aconteceu nos Novos 52, graças a Deus.”

Multiversity seguirá mais a linha de Sete Soldados da Vitória, eu acho,” Morrison disse em setembro de 2011 ao Newsarama. “Estou muito satisfeito com isto. Gastei muito tempo com ela. E acho que é a melhor coisa que eu fiz até hoje. Se eu parar depois de Multiversity, já terá sido o suficiente.”

Em 2012, Morrison contou ao The Hollywood Reporter que haveriam histórias complementares em cada edição – mas na época ele mencionou um número diferente de edições, portanto a estrutura pode ter mudado.

Porém, um ponto interessante que ele mencionou em várias entrevistas na época, é que cada edição apresentará histórias em quadrinhos sobre as aventuras dos heróis da edição anterior. Ele deu um exemplo:

“Se há uma guerra através de múltiplas realidades paralelas, uma das formas de elas contatarem umas as outras é publicando histórias em quadrinhos que as outras possam ler e saber o que está acontecendo,” Morrison disse. “Então em cada realidade paralela você verá alguém lendo a história em quadrinhos que você leu um mês antes e descobrindo o que aconteceu com os caras bons, dando a eles uma chance de derrotarem os caras maus na edição seguinte. Eles estão meio que passando adiante, numa corrente, suas próprias aventuras.”

Eles alertarão cada novo mundo de “uma gigantesca ameaça cósmica que eu acho que é a coisa mais aterrorizante que alguém já criou numa história em quadrinhos,” disse Morrison ao Crave Online.

De acordo com descrições feitas por Morrison nos últimos anos, entre as Terras visitadas em Multiversity estarão a Terra Primordial, o Mundo do Trovão, Pax Americana, a Sociedade dos Super-Heróis, o Mundo Nazista, e muitas e muitas outras.

Terra-23

The Multiversity #1, páginas 14 e 15 (desenho de Ivan Reis).

The Multiversity #1, páginas 14 e 15 (desenhos de Ivan Reis).

Quando perguntado pelo Newsarama sobre Multiversity há cerca de um ano atrás, Morrison mencionou que “o Superman visto em Action Comics #9 é da Terra-23” [saiba mais sobre ele nesta matéria], e que ele é o “protagonista de Multiversity.

O Superman da Terra-23 tem a pele negra, e é originário de uma ilha de Krypton, o que faz dele essencialmente uma versão negra do Homem de Aço. Sendo ele inspirado no presidente Barack Obama, este Superman da Terra-23 tem como identidade secreta Calvin Ellis, que em seu mundo é presidente dos Estados Unidos. O personagem apareceu pela primeira vez em Crise Final #7 (janeiro de 2010), mas já teve sua própria aventura pós-Novos 52 em Action Comics #9 [publicada no brasil em Superman #9 de fevereiro de 2013].

De acordo com uma entrevista ao Crave Online, a edição ambientada na Terra-23 mostrará como a Liga da Justiça do Multiverso foi reunida, e Morrison espera que isto inspire alguém a continuar a história de Calvin. “Aposto que [Calvin Ellis] ganhará sua própria série,” Morrison disse. “Você verá em Multiversity que ele é ótimo, e que merece uma série própria.”

O Mundo do Trovão

Primeiro vislumbre da Terra-5, o Mundo do Trovão, em 52 #52 (2007).

Primeiro vislumbre da Terra-5, o Mundo do Trovão, em 52 #52 (2007).

Desenhada por Cameron Stewart, a edição do Mundo do Trovão focará na versão clássica do Shazam/Capitão Marvel. De acordo com comentários antigos de Morrison, será uma história para todas as idades, que ele comparou várias vezes a um filme da Pixar – dizendo que ele espera que a história tenha apelo com audiências modernas embora ele não esteja tentando tornar o personagem “inovador.”

Morrison disse no passado que a história se chamaria, “Capitão Marvel e o Dia Que Nunca Existiu!,” e que “é [sua] versão definitiva da família Marvel.”

Em seu último anúncio, Morrison mencionou “a legião dos Silvanas,” presumivelmente se referindo ao arqui-inimigo do Capitão Marvel, o Doutor Silvana.

A primeira arte liberada da edição mostra o que parece ser o mago Shazam sentado dentro do que parece ser a Pedra da Eternidade, com os sete pecados mortais próximos a ele.

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Página de Thunderworld (arte de Cameron Stewart).

Terra Primordial No anúncio de Morrison, ele disse que esta edição seria estrelada pelo “último e maior super-herói da Terra Primordial – você!”

Como fãs de longa data da DC sabem, a Terra Primordial é o mundo onde os leitores vivem, uma parte do Multiverso DC onde os heróis de outros mundos existem apenas em histórias em quadrinhos. No passado os heróis do Universo DC até mesmo viajaram para a Terra Primordial, onde se encontraram com os escritores e editores de suas histórias [nota do tradutor: sendo um dos casos mais conhecidos o do Homem-Animal, que encontrou-se com o próprio Grant Morrison na última edição da série do herói escrita pelo autor].

Morrison indicou no passado que a história da Terra Primordial seria “a primeira história em quadrinhos assombrada do mundo.” E também disse anteriormente que ela seria estrelada por uma nova versão do super-herói Ultraa. (Em histórias da Era de Prata da DC, Ultraa era um alienígena que foi enviado num foguete para a Terra Primordial, semelhante ao Superman. Porém, Ultraa decidiu que nossa Terra não estava pronta para super-heróis, e voltou com a Liga da Justiça para a Terra do Universo DC).

Embora este último anúncio não mencione Ultraa, Morrison provavelmente estava se referindo à ambientação da história da Terra Primordial quando disse que“Multiversity é mais do que uma série em quadrinhos em várias partes, é uma experiência em escala cósmica, que mexe com sua alma, e te põe na linha de frente da Batalha Por Toda a Criação contra os destruidores demoníacos conhecidos como Gentry [n.t.: a tradução mais próxima seria ‘aristocratas’] .

“Mas tenha cuidado! O poder tem um custo, e no coração deste conto épico a amaldiçoada e maligna história em quadrinhos chamada ‘Ultra Comics’ o espera,” ele disse. “Quão protegida está sua mente?”

Pax Americana

Vislumbre da Terra-4 em Crise Final #7.

Vislumbre da Terra-4 em 52 #52 (2007).

Desenhada por Frank Quitely, a história de Pax Americana mostrará a versão de Morrison para os personagens da Charlton (companhia comprada pela DC em 1983). Eles são mais conhecidos por terem influenciado a criação de Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons.

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Capa não-finalizada de Pax Americana (lápis de Frank Quitely)

A versão de Morrison deste mundo, que ele disse que será a Terra-4, modernizará os personagens da Charlton ao mesmo tempo em que manterá em mente o tema de Watchmen. Morrison disse anteriormente que a história incluirá suas versões do Besouro Azul, Questão e Capitão Átomo.

“Pensamos que seria apropriado reimaginar e atualizar as técnicas narrativas claramente auto-reflexivas de Alan Moore e Dave Gibbons e aplicá-las a uma história totalmente nova, que se pergunta ‘E se Watchmen fosse feita agora, no cenário político contemporâneo com os personagens da Charlton no lugar de seus análogos?'” Morrison disse em uma entrevista à revista Comic Heroes do Reino Unido.

Página 14 de Pax Americana (lápis de Frank Quitely)

Página 14 de Pax Americana (lápis de Frank Quitely)

“É uma história totalmente nova,” Morrison disse ao Crave Online. “Começa com o presidente sendo assassinado ao contrário. É onde ela começa. Tem um símbolo da paz em chamas – Watchmen tinha a cara sorridente, certo? Pegamos isto e pusemos o Rutles no papel dos Beatles [n.t.: Rutles era um grupo musical que parodiava os Beatles]. Estamos pegando o símbolo da paz, que é o equivalente à cara sorridente, e botando fogo nele, que é o equivalente ao sangue. Há uma citação de Delmore Schwartz que diz ‘o tempo é um fogo no qual queimamos, o tempo é uma escola onde aprendemos.’ A história se chama ‘Na Qual Queimamos.’ Ela mostra de trás pra frente a vida de um homem, mas começa com a morte do presidente. É tudo ao contrário. O presidente é baleado do espaço. Daí corta para o personagem Pacificador da Charlton amarrado, e um bando de homens olhando pra ele e dizendo ‘nós não entendemos, rebobinamos e avançamos a fita, por que você fez isto, Chris? Por que você matou o presidente?’ Isto nas quatro primeiras páginas. Elas contam toda a história desta iniciativa super-humana. Meio que pega o que Watchmen foi e a encaixa no clima político atual, e isto muda tudo. Estamos substituindo aqueles personagem pelos originais, então temos o Capitão Átomo em pessoa no lugar do Dr. Manhattan, e isto muda tudo. A história é sobre um homem que descobre quem ele realmente é, e há um momento ‘Rosebud’ no último quadrinho do final. E isto é tudo que quero dizer a respeito.”

Página 11 de Pax Americana (lápis de Frank Quitely)

Página 11 de Pax Americana (lápis de Frank Quitely)

Morrison também disse diversas vezes que a arte desta edição seria distribuída numa grade de oito quadrinhos, similar ao rígido sistema usado em Watchmen.

De acordo com o artigo do Hollywood Reporter, Morrison disse que “Não é uma tentativa de ser como Watchmen. Está mais para um eco da técnica narrativa de Watchmen.”

A Terra Nazista

No anúncio atual, Morrison fala sobre o “Novo Reichsmen Nazista da Terra-10.” Acreditamos que isto tenha relação com uma história da Glasgow Comic Con 2012, quando o Comics Anonymous noticiou que uma história chamada “Masterman” incluiria uma versão fascista da Liga da Justiça.

Numa entrevista ao Zap2it ano passado, Morrison indicou que uma edição exploraria como seria o Superman caso sua espaçonave tivesse pousado num território ocupado pelos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial.

Vislumbre da Terra-10 em 52 #52 (2007).

Vislumbre da Terra-10 em 52 #52 (2007).

“Imagine que você é o Superman e que durante os 25 primeiros anos de sua vida você trabalhou para o Hitler,” Morrison disse, “Daí você se toca de que ‘Oh meu Deus, é o Hitler!’ … Ele não é só um Superman Nazista, é um Superman Nazista que sabe que toda a sua sociedade, embora se pareça com uma utopia, foi construída sobre os ossos dos mortos. E por fim que isto está errado e deve ser destruído.”

De acordo com antigos comentários de Morrison, a edição mostrará a versão nazista do Homem de Aço lutando contra inimigos que ele descobre que estão do lado certo, e ele se dando conta de que os princípios com os quais foi criado estão errados.

Os Justos

Outra citação da Glasgow Comic Con 2012 é sobre Os Justos. Morrison descreveu a Terra-11 deles como um mundo que tem “jovens celebridades.”

O anúncio da semana passada incluía a menção dos “super-filhos do Superman e do Batman,” e Morrison disse anteriormente que os descendentes dos super-heróis têm habilidades incríveis nesta terra, mas que a geração anterior tornou o mundo tão utópico que os mais jovens não têm pra onde canalizar suas energias [n.t.: ou, sendo mais direto, não tem super-vilões em quem bater].

Morrison também disse que a segunda – e a terceira geração de heróis dos anos 1990 aparecerão neste mundo, incluindo Conner Hawke, Kyle Rayner, e Walker Gabriel.

Sociedade dos Super-Heróis

Vislumbre da Terra-20 em Superman Beyond #1 (2008).

Vislumbre da Terra-20 em Superman Beyond #1 (2008).

Na Glasgow Comic Con de 2012, Morrison mencionou a Sociedade dos Super-Heróis, que são de uma terra que tem uma versão pulp dos personagens da DC. Em outras entrevistas ele descreveu este mundo como um onde uma grande guerra mundial ocorreu, empobrecendo a população da Terra.

Numa entrevista de 2009 ao CBR, ele chamou este mundo de Terra-20 e disse que nele “[tem um] cara que parece o Doc Savage transformado no Doutor Destino que se une ao Poderoso Átomo, o Homem Imortal, a Senhora Gavião e seus Gaviões Negros e Abin Sur, o Lanterna Verde.”

Uma Infinidade de Personagens

Além dos personagens que tentamos associar a comentários antigos de Morrison, o escritor também mencionou outros personagens no anúncio que fez semana passada, incluindo a Liga da Justiça Vampira da Terra-43, os Cavaleiros da Justiça da Terra-18, o Super-Demônio, os furiosos Retalhadores da Terra-8, os Cavaleiros Atômicos da Justiça, o Dino-Tira, a Irmã Milagre, e Lady Quark. Ele também mencionou no passado que os leitores verão o Capitão Cenoura, um dos personagens favoritos do Bando Zoológico.

“Haverão alguns personagens novos,” Morrison disse ao iFanboy. “Porque o que estamos fazendo não são apenas versões do Multiverso dos personagens da DC, mas também versões de outros personagens de todas as outras companhias de quadrinhos existentes. Então temos versões do multiverso de personagens da Image e da Marvel… Antigamente a DC faria sua própria versão dos Vingadores, que seriam heróis “de outro lugar” com um Thor que era um tipo de Thor Aborígene. Então peguei essa ideia, o tipo de coisa que a DC e a Marvel costumava fazer, tipo o Esquadrão Supremo, e meio que dei uma atualizada nisto. Portanto, sim, tem tudo isto. Múltiplas versões de todo mundo, incluindo nós.”

O personagem aborígene australiano que Morrison mencionou, chamado Trovejante, foi descrito pelo autor como “um cara grande e durão.”

“Ele tem um machado e uma lança de raios,” ele disse, chamando-o de “um personagem estilo Thor – um ser muito poderoso e divino com um jeito particular de falar que acho que será reconhecido pelos australianos.”

“Estou pegando várias histórias de sonhos [aborígenes] e transformando-as em ficção científica para a história de fundo do personagem,” comentou.

Fonte: Newsarama