[QUADRINHOS] Marvel NOW! – X-Men #1, New Avengers #6, Savage Wolverine #5, Indestructible Hulk #8, Captain America #7

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A reestréia do título X-Men, agora com uma equipe formada apenas por heroínas mutantes; os Illuminati finalmente são forçados a tomar medidas extremas para salvar a Terra em New Avengers #6; Wolverine, Shanna, Amadeus Cho e Hulk contra o Caminhante Sombrio em Savage Wolverine #5; Bruce Banner tenta encontrar uma forma de voltar para o seu mundo e o seu tempo em Indestructible Hulk #8; e o Capitão América continua sua operação para resgatar Ian da fortaleza de Arnim Zola em Captain America #7.

As análises detalhadas das edições citadas acima você encontra abaixo, acompanhadas de SPOILERS.

X-Men-v4-001-(2013)-(Digital)-(Nahga-Empire)-01X-Men #1

“Primer – Part 1 of 3”

Roteiro de Brian Wood
Desenhos de Olivier Coipel
Arte-final de Mark Morales e Olivier Coipel
Cores de Laura Martin

A idéia desta série, pelo menos inicialmente, é que as histórias girem em torno de uma equipe de heroínas mutantes, o que esta primeira edição cumpre muito bem. Com exceção do único personagem masculino que ganha falas e alguma importância na história, a maior parte dela é dedicada às X-Women (e talvez a Marvel só não tenha concordado com este título por não ser uma marca tão forte quanto X-Men, embora fosse o mais adequado aqui).

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Tudo começa com Jubileu – sim, aquela mesma garota que tinha poderes de soltar fogos de artifício no desenho animado da década de 1990 – fugindo da Europa para os Estados Unidos carregando um bebê que sobreviveu a uma explosão causada pela queda um meteoro (!). Mais adiante na história descobrimos que este meteoro escondia a fonte da ameaça que será enfrentada pela equipe neste primeiro arco: uma cepa de bactérias que na verdade compõem um mesmo ser vivo chamado Arkea.

Arkea, por sua vez, é irmã de John Sublime, outra cepa de bactérias com bilhões de anos de vida, capaz de assumir o controle de hospedeiros humanos, que tem como principal objetivo extinguir a raça mutante, basicamente porque é a única que ele não pode infectar e controlar. Sim, o conceito é meio viajado, mas creio que basta dizer que Sublime foi criado por Grant Morrison durante sua passagem pelo título New X-Men (que não existe mais). Brian Wood pegou este conceito e o expandiu, estabelecendo que Sublime, nos primórdios da vida na Terra, teve uma “irmã gêmea bacteriana” que ele tirou de seu caminho para evoluir e prosperar.

Mas, voltando às X-Women, durante sua viagem de volta aos Estados Unidos, Jubileu desconfia que está sendo seguida por alguém, e decide buscar abrigo na Escola Jean Grey Para Estudos Avançados. Isto deixa suas colegas X-Men preocupadas a ponto de resolverem mandar uma equipe para descobrir o que está acontecendo, e protegê-la.

Disto resulta a seguinte divisão: Tempestade, Vampira e Kitty Pryde vão ao encontro de Jubileu, enquanto Rachel Grey e Psylocke ficam cuidando da escola, que recebe a visita de John Sublime. É a partir desta visita que o leitor descobre a natureza da ameaça que vem se aproximando no horizonte, e que tem ligação com o bebê que Jubileu traz consigo, o qual é um hospedeiro de Arkea, que é capaz de controlar qualquer tipo de tecnologia.

A história é introdutória, e concentra-se mais em estabelecer o cenário, pouco explorando cada uma das personagens, o que deve acontecer nas próximas edições. A única cena de ação é a que Vampira, Kitty e Tempestade precisam parar um trem em movimento em rota de colisão com outro, após o primeiro ser desviado por Arkea por motivos não muito claros até o momento, que está longe de ser espetacular.

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De início o que mais chama a atenção, e desperta o desejo de continuar acompanhando a série, são os desenhos de Olivier Coipel, um artista que sempre foi muito competente, cujos traços finos, delicados e elegantes são perfeitos para retratar personagens femininas. Espera-se que Brian Wood, um escritor do qual li poucos trabalhos, mas que costuma manter um bom nível de qualidade em suas histórias, consiga tornar uma equipe totalmente formada por heroínas relevante o suficiente para entrar no rol dos ótimos títulos de heróis mutantes sendo publicados pela Marvel atualmente, como Uncanny X-Men, All-New X-Men e Wolverine and The X-Men. É um bom começo para um título que pode crescer muito se bem conduzido.

New Avengers v3 006-000New Avengers #6

“Blue Hell”

Roteiro de Jonathan Hickman
Desenhos de Steve Epting
Arte-final de Rick Magyar com Steve Epting
Cores de Frank D’Armata

A capa desenhada por Jock já diz muito do que esta edição trata: os Illuminati finalmente cruzam a linha, após serem tentados com a possibilidade nas edições anteriores, e destroem uma Terra paralela para salvar a deles.

Claro que antes do “prato principal” ser servido há muita discussão entre os membros da equipe, e um bocado de explicações alarmantes entregues pela Cisne Negro sobre a novidade do momento: a Incursão Azul.

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Diferente da Incursão Vermelha, que, segundo Cisne Negro, é a correta e totalmente aprovada pelo Rabum Alal – o culpado por essa festa de destruição de universos que vem rolando desde o início da série – uma Incursão Azul é artificialmente provocada por uma raça alienígena conhecida como Cartógrafos (Mapmakers, no original). Os caras basicamente agem como uma nuvem de gafanhotos, esgotando todos os recursos vitais de uma Terra, até encontrarem outra de um universo paralelo. Daí, provocam a destruição da Terra morta e pulam fora dela, indo pra uma novinha em folha, que no caso mostrado neste número é a dos Illuminati.

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A Incursão acontece na Latvéria, o que rende umas cenas rápidas do Doutor Destino e seu filho, Kristoff Vernard, lutando contra alguns Cartógrafos, enquanto os Illuminati refletem e debatem sobre a melhor solução para a crise atual. Claro que no fim das contas eles têm que bancar o Galactus e detonar o mundo paralelo, que não tinha mais nada a perder, pois era uma Terra morta, com apenas uma fagulha de calor em seu núcleo.

Esta edição marca o final do primeiro arco da série sob o comando de Jonathan Hickman, que, embora não apresente grandes novidades e conceitos explodidores de cabeça como nas edições anteriores, consegue segurar fácil o interesse do leitor pelo desenrolar dessa história toda envolvendo Grandes Destruidores, Incursões e Gemas do Infinito desaparecidas. Neste número, não satisfeito com tudo que já espalhou por sua complexa rede narrativa, que inclui o título Avengers, o autor ainda abre mais duas subtramas: uma envolvendo um acordo entre Cisne Negro e Terrax, cujos termos desconhecemos; e outra em torno de um artefato que o Doutor Destino descobre no meio dos destroços da batalha contra os Cartógrafos. Como se tudo isto não bastasse, o próximo arco será desenhado por Mike Deodato, que vem fazendo um de seus melhores trabalhos nas páginas de Avengers. É pouco, ou quer mais?

Savage Wolverine 005-000Savage Wolverine #5

“Savage – Part 5”

Roteiro e desenhos de Frank Cho
Cores de Jason Keith

Broxante!

Depois de 4 edições gerando expectativas em torno do temível Caminhante Sombrio, o bicho simplesmente se liberta, cospe no chão e sai voando?!!

Mas, não nos adiantemos! Antes disto rola a obrigatória meia hora de ranger de dentes, grunhidos, músculos tensionados, garras e peitos de fora (não, infelizmente a Shanna não está inclusa nesta lista) entre Wolverine e Hulk; uma luta entre o Hulk e um gorila gigante que aparece do nada só pra “causar”; e – aquela que é a melhor cena da edição (e daí já dá pra deduzir o nível de decepção que a história causou em mim) – Hulk sendo derrotado pelo Caminhante Sombrio com um simples tapa:

No final ficamos com uma pergunta que, se respondida, não será pelas mãos de Frank Cho, pois os escritores e desenhistas dos próximos arcos do título serão outros, e provavelmente criarão tramas tão “fechadas” quanto a deste arco inicial, e sem relação direta com ele. E, sinceramente, depois da forma como foi encerrada a trama do aspirante a Cthulhu, e da maneira como Frank Cho IGNOROU COMPLETAMENTE a menção feita ao Homem-Coisa na edição anterior, não dá pra se importar muito com o chefe do Caminhante – um bicho de design horroroso que é só mais um entrando na onda do Galactus. Isto tem grandes chances de terminar em outra história mais cagada do que escrita. Então é melhor encerrar por aqui mesmo.

Mas antes, um pouco mais de Shanna, mostrando como se chama a atenção de um gorila gigante com muita fúria e pouco amor pra dar:

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Resumindo: valeu pela trama que não se levou totalmente a sério, e pelos desenhos do Frank Cho, apesar de ele ter feito mais bonito nas edições anteriores (leia-se: apareceu mais a Shanna nelas).

Indestructible Hulk 008-000Indestructible Hulk #8

“Gods and Monster”

Roteiro de Mark Waid
Desenhos de Walter Simonson
Arte-final de Bob Wiacek
Cores de Jim Charalampidis

Nesta edição Mark Waid uniu, de maneira muito equilibrada, todas as melhores idéias que veio inserindo no decorrer dos números anteriores, uma “estratégia narrativa” que está transformando a série numa das melhores de super-heróis sendo publicadas pela Marvel. Tivemos o foco na dramática condição de Patricia, uma das assistentes de laboratório de Bruce Banner; a ciência ocupando novamente um papel de destaque em dois momentos da história; e, claro, um bocado de porradaria pra lembrar o leitor de que ainda é uma série do Hulk. Falemos sobre cada uma delas.

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Desde que começou a escrever Indestructible Hulk e, mais especificamente, desde que bolou a idéia de Bruce Banner agora ser um cientista engajado em criar soluções para grandes problemas do mundo, Mark Waid prometeu cercá-lo de um elenco de novos personagens que não estariam ali só de enfeite. É nesta edição em especial que o autor começou a trabalhar com mais atenção e dedicação estes personagens. O primeiro deles é a Dra. Patricia Wolman, uma bióloga que, conforme foi revelado nesta edição, sofre de uma doença degenerativa cerebral. Sem esperanças de encontrar uma cura para sua condição crônica, e com medo de sofrer com os sintomas, ela já cogitou várias vezes suicidar-se, mas teme deixar o pai sozinho e com dificuldades financeiras, pois ela gastou a maioria de suas economias em sua busca para diagnosticar sua doença e encontrar um tratamento para ela. Sem dúvida é um grande começo para pôr em prática as pretensões que Waid tem com relação ao lado cientista de Bruce Banner, que já afirmou em edições passadas que escolheu cada membro de sua equipe científica por motivos específicos que só ele conhece.

Assim, temos mais uma subtrama interessantíssima em andamento, pois certamente não será a última vez que veremos o problema de Patty ser abordado na série, e, pelo menos pra mim, não há dúvidas de que ele será o alvo de uma das pesquisas da equipe de Bruce Banner.

Outro ótimo momento deste número é a rápida, e muito inventiva, explicação científica sobre o funcionamento do Mjolnir, o martelo mágico de Thor. É daqueles repentes de criatividade que valem por si mesmos, apesar de não ter nenhuma funcionalidade na trama:

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Mais tarde é que Waid bota seus conhecimentos científicos em ação, dando embasamento à idéia bolada por um dos assistentes de Banner para extrair o Eiderdürm – o metal supercondutor que era o principal objetivo de sua expedição científica – usando um processo de separação eletrostática com a ajuda de um campo eletromagnético gerado pelo Mjolnir:

Nerd o suficiente pra você?

Nerd o suficiente pra você?

O restante da edição, como já adiantei no início, mostra mais um combate entre Hulk, Thor, os Gigantes de Gelo de Jotunheim, e um esquadrão da S.H.I.E.L.D., pra fazer a alegria de quem gosta de um bocado de ação.

Mark Waid continua mestre em escrever roteiros redondos, bem estruturados, e perfeitamente adaptados aos seus parceiros artísticos, enquanto Walter Simonson faz a alegria dos apreciadores de seu trabalho com suas diagramações dinâmicas, e recursos narrativos simples, porém sofisticados (adoro a solução encontrada por ele, no início da história, para ilustrar o contato telepático entre um gigante de gelo disfarçado de humano e seu chefe), além, obviamente, de seu traço marcante, que transborda potência e virilidade, totalmente adequado para uma história estrelada por Thor e Hulk. É tanta virilidade em ação, que uma hora ela se esgota:

Hulk em seu segundo momento constrangedor da semana (vide Savage Wolverine #5).

Hulk em seu segundo momento constrangedor da semana (vide Savage Wolverine #5).

Com mais um arco terminado em alta, Mark Waid promete para o próximo um encontro entre o Hulk e o Demolidor, outro herói cujo título – muito elogiado e premiado – ele escreve para a Marvel. Ótimo momento para você dar um jeito de ler todas as excelentes 26 edições que ele já escreveu para o Homem Sem Medo (ou, no meu caso, as 14 edições que faltam pra eu alcançar a última que saiu lá fora). Garanto que valerá o tempo investido!

Captain America 007-000Captain America #7

“Ashes of Our Fathers”

Roteiro de Rick Remender
Desenhos de John Romita Jr.
Arte-final de Scott Hanna e Klaus Janson
Cores de Dean White

Três são os principais destaques deste número: o flashback inicial de uma conversa entre Steve Rogers e Ian; o confronto entre o Capitão América e Jet Black; e a revelação do que consiste o plano de expansão do império de Arnim Zola.

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O flashback das primeiras páginas, uma conversa em tom confessional entre pai e filho, desde já figura entre os melhores momentos de Rick Remender na série. O autor consegue dar um novo sentido para os flashbacks da infância e adolescência de Steve Rogers, vistos no primeiro arco da série, amarrando-os com a situação que ele vêm enfrentando desde a primeira edição na Dimensão Z. Todos os elementos narrativos funcionam em uma harmonia que dá gosto de ler e ver, desde a linguagem corporal e facial de John Romita Jr., até as belíssimas cores de Dean White, que dão à sequência um tom acolhedor, justificado na história por ela se passar durante um final de tarde tranquilo.

Em seguida a história volta ao presente pra acompanharmos a continuação do plano de infiltração do Capitão América na fortaleza de Arnim Zola para resgastar Ian. Novamente Remender transmite com facilidade o estado físico e psicológico do protagonista através dos recordatórios pungentes e sucintos.

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O segundo momento-chave da história é o novo embate entre o Capitão América e Jet Black, filha de Arnim Zola, que, conforme foi revelado na edição anterior, venera o pai como um deus. Desde seu primeiro encontro com o herói na edição 5 ela vem passando por um conflito interno entre as crenças doutrinadas por seu pai, e a moralidade e virtudes que descobriu ao ver o modo como o Capitão América age no campo de batalha. Muito perspicaz, Steve capta a hesitação da personagem, e tira proveito disto para instigá-la a voltar-se contra Zola.

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A virada de jogo é temporária, pois Zola põe em prática sua operação de expansão, que consiste no plano mais megalomaníaco de sua carreira. É aqui que Rick Remender volta a investir no bizarro para salientar a insanidade do vilão, que ainda guarda uma carta na manga para tentar quebrar o que resta do espírito esperançoso de Steve Rogers, mote do próximo número, que promete ser um dos mais dramáticos da série.

Muitos podem não gostar do traço de John Romita Jr. – um desenhista que há muito tempo gera discussões acaloradas com relação à qualidade de seu trabalho, que eu particularmente admiro muito – mas é inquestionável o respeito e admiração de Rick Remender por seu protagonista, que é proporcional à quantidade e intensidade de desafios que vêm lançando contra ele durante as 7 edições já lançadas. É a partir de histórias assim que um herói prova e reforça sua relevância junto a um público formado tanto por leitores veteranos como por novos leitores. Uma fase revigorante, e muito bem arquitetada e escrita, é o que estamos vendo aqui.

Próxima semana: Thanos Rising #3, Iron Man #11, Superior Spider-Man #11, All-New X-Men #12 e Avengers #12