[QUADRINHOS] Marvel NOW! – Thanos Rising #1, Superior Spider-Man #7, All-New X-Men #10 e Indestructible Hulk #6

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A estréia de Thanos Rising, que contará a origem do vilão da próxima saga da Marvel nos quadrinhos e nos cinemas; o bate-boca do Homem-Aranha com os Vingadores em The Superior Spider-Man #7; a visita de Ciclope e seus X-Men à Escola Jean Grey, onde apresenta uma proposta que vai abalar ainda mais os X-Men do passado em All-New X-Men #10; e Walter Simonson assume os desenhos de Indestructible Hulk, quando Bruce Banner tem um encontro com Thor que põe em perigo sua equipe científica.

Os textos a seguir contém alguns SPOILERS das edições comentadas.

Thanos Rising 001-000Thanos Rising #1

Roteiro de Jason Aaron
Desenhos de Simone Bianchi
Cores de Simone Peruzzi

Com a expectativa gerada por sua rápida aparição no final do filme dos Vingadores, era esperado que a Marvel desse mais atenção para o vilão Thanos. É importante para a editora que o personagem seja reapresentado agora, quando está passando por um período de reestruturação de seus títulos, toda planejada para atrair novos leitores, aproveitando o interesse de muitos daqueles que assistiram o filme. Portanto, não foi nenhuma grande surpresa o anúncio de uma mini-série que recontaria sua origem e os fatos mais importantes de sua trajetória até o presente, assim como não o foi a confirmação de que Thanos será um dos principais vilões de Infinity, próxima saga da editora que começa a sair em agosto.

Thanos Rising foi planejada para cumprir a dupla função de resumir a história do personagem e enriquecê-la com novos detalhes. Para a tarefa foi escolhido o escritor Jason Aaron e o desenhista Simone Bianchi, dupla que não decepciona neste começo.

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Aaron consegue evitar as armadilhas de uma história de origem, como tornar a narrativa episódica, por exemplo. Um seguimento flui naturalmente para outro sem soar abrupto, mesmo quando uma cena ocorre anos antes ou depois da anterior, uma habilidade que o autor já vem demonstrando no título Thor – God of Thunder. Além disto, Aaron também procura não se aprofundar em toda a complexa mitologia por trás da origem da aparência de Thanos, que tem ligação com os Eternos e os Deviantes, duas raças criadas pelas entidades cósmicas conhecidas Celestiais. Isto talvez seja abordado nas próximas edições, mas fica claro que o autor está mais preocupado em fazer com que o leitor entenda bem mais o processo de formação da personalidade e das motivações de Thanos do que sua constituição genética. A decisão é muito apropriada para uma história voltada para quem não leu histórias anteriores do personagem.

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Baby Thanos.

Um dos temas trabalhados por Aaron neste primeiro capítulo é a influência do destino na vida de Thanos. Já no dia de seu nascimento ele é visto por sua mãe, Sui-San, como um monstro que traz em seus olhos a presença da morte, o primeiro indício da relação que será formada entre o titã e este contraponto fundamental da vida.

Outro ponto interessante é justamente a relação entre o Thanos e a Morte, seja ela o conceito metafísico, ou a personificação do mesmo, que assume a aparência de uma colega da escola que Thanos frequenta em sua adolescência. E o fato de ser ela que o procura e o “corteja” é uma ótima ironia, se considerarmos que estes papéis se inverterão no futuro, quando Thanos fará de tudo para agradar sua maior paixão.

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A maneira como Aaron trabalha o ambiente escolar de Thanos também merece atenção pelo modo como o autor brinca com as expectativas do leitor. O futuro vilão é retratado como um adolescente muito inteligente e talentoso, que chama a atenção de todos da escola por sua aparência, muito diferente do padrão dos titãs. Por isto, quando Thanos é abordado por um grupo de garotos pela primeira vez, o leitor já espera a típica situação em que o protagonista sofrerá algum tipo de bullying. A grande sacada de Aaron foi entender que ele está mostrando uma sociedade intelectual e socialmente mais avançada e tirar proveito da tensão inicial, levando o leitor a apostar num rumo para situação criada, para logo em seguida reafirmar que não apenas Thanos, mas todos os adolescentes daquele mundo são diferentes dos que conhecemos. Através de um dos clichês mais conhecidos de histórias ambientadas em escolas, Aaron sutilmente dá uma pequena lição sobre como o preconceito pode rapidamente ceder espaço para a tolerância e compreensão. 

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Na arte o estilo de Simone Bianchi se mostra perfeito para retratar paisagens e criaturas alienígenas graças à estranheza que seu traço sempre possuiu, mesmo ao desenhar seres humanos. E as cores de Simone Peruzzi enaltecem a qualidade dos desenhos, com um excelente trabalho na criação de texturas e efeitos de iluminação que não somente realçam a tecnologia de Titã e a imponência do traje de Thanos, mas torna a cena de encerramento mais dramática e impactante, além de contrastar ainda mais os dias ensolarados e arejados de Thanos, antes de sua “transformação”, com a podridão esverdeada da caverna que prenuncia a primeira comunhão do jovem titã com a Morte.

SupSpiderMan_7_TheGroup-000Superior Spider-Man #7

Roteiro de Dan Slott
Desenhos de Humberto Ramos
Arte-final de Victor Olazaba
Cores de Edgar Delgado

O Superior Homem-Aranha enfrenta o Cardíaco, um vigilante que mantém uma clínica clandestina equipada com aparatos tecnológicos de última geração roubados por ele a fim de ajudar pessoas sem condições de bancar seus caros tratamentos e cirurgias. Acontece que Otto Parker não sabe desse lado filantrópico do Cardíaco (o que soa como um furo no roteiro de Dan Slott, pois, se ele tem acesso às lembranças de Peter, como não sabe disto?), e parte violentamente pra cima dele, como vem fazendo ultimamente com vários de seus inimigos. A diferença desta vez é que Peter está começando a ganhar mais controle sobre o seu corpo, e consegue impedi-lo de espancar mais um criminoso.

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Dan Slott continua explorando o descontrole do Superior Homem-Aranha na hora de punir seus inimigos, o que acaba soando repetitivo desta vez. Outra deficiência do autor aparece nos balões de pensamento expositivos, usados para apresentar o Cardíaco, um personagem pouco conhecido. Apesar disto, ele consegue despertar o interesse do leitor pelo anti-herói, através do altruísmo de suas motivações.

Mas o melhor da edição fica para o final, centrado no encontro do Homem-Aranha com os Vingadores, que o convocam para esclarecer o que anda acontecendo com o herói que o fez mudar tanto sua forma de combater seus adversários. A discussão fica feia, o herói apela, e o que era esperado para este número acaba ficando para o próximo: o quebra pau entre o Aranha e a equipe. Como a Marvel já prometeu que a edição 9 será um ponto de virada para a fase Superior, espera-se que a próxima prepare o caminho para ela.

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Com Otto já desconfiado do que aconteceu com ele durante a luta (neste número Peter é ouvido duas vezes por Octopus), e mais pessoas estranhando o comportamento do herói, o Octopus-Aranha pode ser forçado a tomar medidas mais extremas para garantir o controle sobre o seu corpo, ou, se for mais sábio e menos impulsivo, encontrar uma forma de se controlar mais na hora de fazer justiça. Seja lá qual for a medida que tomará, por enquanto tudo aponta que ela ocorrerá na já muito aguardada Superior Spider-Man #9.

All-New X-Men 010-000All-New X-Men #10

Roteiros de Brian Michael Bendis
Desenhos de Stuart Immonen
Arte-final de Wade von Grawbadger
Cores de Marte Gracia e Rain Beredo

Pois é, cá estou novamente falando de All-New X-Men, que continua sendo uma das melhores séries da equipe em publicação. A última edição sobre a qual escrevi foi a quinta, que encerrou o primeiro arco da série. Em seguida, da edição 6 à 8, Brian Bendis focou mais nos esforços dos X-Men do passado para se adaptarem ao presente, e na edição 9 o autor começou a preparar um futuro confronto entre eles e a nova Irmandade de Mutantes Malignos, comandada por Mística e Dentes de Sabre. Mas o que realmente me levou a escrever sobre a série mais uma vez foi a cena que encerrou a edição anterior: a chegada de Ciclope e seus X-Men à Escola Jean Grey, exatamente o mesmo gancho deixado no final de Uncanny X-Men #3.

Graças a Brian Bendis, Ciclope vem aos poucos tentando limpar sua imagem aos olhos do mundo e da comunidade mutante. A visita que vemos nesta edição é parte de sua estratégia para restabelecer o respeito que um dia teve de seus companheiros e amigos, que praticamente o “excomungaram” após a morte do Professor Xavier por suas mãos. Sua defesa contra a acusação de ser o responsável por esta tragédia recente é um dos pontos altos da edição, e um dos motivos pelo trabalho de Bendis em All-New e Uncanny X-Men já ser tão elogiado, apesar de estar escrevendo há pouco tempo os personagens.

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Não há como ficar indiferente diante das palavras de Ciclope neste número, que a cada novo embate verbal tem se superado em se mostrar o lado mais racional da disputa, aquele que analisa o adversário muito bem antes de argumentar, que o estuda para desarmá-lo diante de qualquer palavra mais enérgica e menos razoável que atire contra ele. Reparem como, por mais que tentem, os X-Men de Wolverine não conseguem rebater as declarações de Ciclope. Eles bem que tentam pintá-lo como um vilão, mas é difícil não dar razão a ele quando expõe, de maneira muito realista, a situação atual de sua raça. É um banho de água fria o que Ciclope dá em todos. Tanto é que poucos ousam dizer alguma coisa, e quem mais se manifesta é justamente aquele que é o alvo dos poucos ataques, dos quais se desvencilha com uma desenvoltura invejável. E Stuart Immonen é muito feliz em captar a essência do texto de Bendis, por exemplo, carregando nos traços rústicos de Wolverine, que em alguns quadrinhos se parece com um homem das cavernas. Muito perspicaz seu trabalho aqui!

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O outro objetivo desta nova cartada de Ciclope é o que gera a discussão que toma conta do restante da edição: convidar alunos a Escola Jean Grey para se transferirem para a Escola Xavier criada por ele e sua equipe de X-Men. Os efeitos deste convite certamente serão objeto de novos debates nas próximas edições de All-New e Uncanny X-Men, além de afetarem profundamente a relação entre as duas Escolas e a equipe dos X-Men do passado, já que, apesar de não ficar explícito neste número, Bendis afirmou que é um de seus membros que escolheu se unir aos X-Men de Ciclope. A identidade será revelada somente na próxima edição (e não tem como não adorar/odiar Bendis por este gancho).

Portanto, se não estiver acompanhando este título ainda, comece agora! Fazia tempo que os X-Men não passavam por uma fase tão bem conduzida como esta.

Indestructible Hulk 006-000Indestructible Hulk #6

Roteiro de Mark Waid
Desenhos de Walter Simonson
Cores de Andres Mossa

Começa um novo arco de Indestructible Hulk, e Mark Waid continua a mostrar quão longe Bruce Banner está disposto a ir em busca de soluções para alguns dos grandes problemas da humanidade, nem que para isto ele tenha que usar uma lasca do martelo de Thor para iniciar uma exploração científica em outra dimensão. O que espera Banner e sua equipe de cientistas do outro lado do portal pode não ser exatamente o que ele espera.

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A Marvel não poderia ter escolhido desenhista melhor para uma história em que Banner, sua equipe científica e Thor se encontram cercados por Gigantes de Gelo num ambiente hostil como Jotunheim. O traço solto, cheio de linhas de tensão e movimento que transmitem com eficiência o impacto dos golpes, o dinamismo de saltos e objetos arremessados, a explosão energética de portais dimensionais e martelos encantados, é o que justifica a escolha de Walter Simonson. Além disto, o desenhista é ninguém menos que o responsável por uma das melhores e mais queridas fases de Thor nos quadrinhos, e merece as comparações já feitas entre ele e Jack Kirby pelas razões expostas acima.

Mark Waid sabe aproveitar muito bem seus parceiros criativos. Nesta edição ele cria uma situação divertida e inusitada que dá a Simonson a chance de desenhar Thor com o mesmo visual que usava na época que escreveu e desenhou as aventuras do Deus do Trovão.

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Mas além de garantir a quota de Gigantes de Gelo sendo despedaçados pelo Mjölnir e pelos punhos do Hulk, Waid também começa a desenvolver os cientistas escolhidos por Bruce para compôr a equipe de seu laboratório. Por enquanto nada muito aprofundado, só uma cena de abertura protagonizada pela Dra. Patricia Wolman. Mas levando em conta que a equipe é separada de Banner no final da história, podemos esperar mais cenas focadas nos esforços dos três cientistas para sobreviverem em Jotunheim sem o apoio de super-heróis. Pelo menos este parece ser o plano de Waid ao fazer isto.

O que realmente importa é que o título continua tão bom quanto no início, e merece figurar na lista de leituras de qualquer um que aprecie quadrinhos de super-herói bem escritos. Bruce Banner é um personagem tão interessante quanto seu monstro interior e tão digno de nossa atenção quanto ele, e isto é o que Mark Waid vem provando em suas histórias até aqui.

Na próxima semana: Wolverine #2, Secret Avengers #3, Uncanny X-Men #4, Uncanny Avengers #6, Fantastic Four #6, Thor – God of Thunder #7Avengers #9.