[QUADRINHOS] Marvel NOW! – Nova #3, Savage Wolverine #4, Superior Spider-Man #8, Captain America #6, Cable and X-Force #7 e Iron Man #8

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O treinamento de Nova com Gamora e Rocket Raccoon, dos Guardiões do Universo; Wolverine contra gorilas gigantes na Terra Selvagem; o Superior Homem-Aranha prestes a descobrir o que anda rondando seu cérebro; começa o ataque final do Capitão América contra Arnim Zola na Dimensão Z; Cable recebe uma visita do papai Ciclope; e Tony Stark banca o gladiador em outro planeta (mas o que importa mesmo é o que virá a seguir em sua série solo).

Mais detalhes nas análises abaixo, com SPOILERS das edições comentadas.

Nova v5 003-000Nova #3

Roteiro de Jeph Loeb
Desenhos de Ed McGuinness
Cores de Marte Gracia

Personas super-heróicas fazem bem a adolescentes frustrados com o rumo de suas vidas. É o que vem acontecendo com Sam Alexander desde a edição anterior. Primeiro teve toda a empolgação de descobrir que o capacete herdado de seu pai dá super-poderes ao usuário. Agora ele já começou a se “soltar” mais em seu “diálogo” com o Vigia. Sua verborragia e piadinhas podem ser atribuídas ao  nervosismo de estar vivendo uma experiência nova, mas, a julgar pelas cenas de seu treinamento no final da edição, parece que o herói seguirá os moldes do Homem-Aranha.

Gosto de seu encontro enigmático com o Vigia, a entidade cósmica cuja função é apenas observar a vida na Terra, com uma atenção maior às atividades dos super-heróis do planeta. Ele parece, mais do que nunca, impedido de interferir nos eventos que estão prestes a ocorrer ao planeta, por isto não diz uma palavra, mas, como sempre, este detalhe não o impede de influenciá-los indiretamente. A forma como ele passa adiante sua mensagem para o Nova é bem pensada.

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Outra conversa bacana é a que Sam tem com a mãe, que além de revelar sua descendência mexicana – uma etnia pouco presente em quadrinhos de super-herói, o que por si só rende alguns pontos para Jeph Loeb pela escolha – , deixa no ar a suspeita de que ela sabia do passado super-heróico de seu marido, e desconfia do que está ocorrendo com Sam.

Mas a “nata” da edição é mesmo a volta de Gamora e Rocket Raccoon, que trazem um bocado de esclarecimentos sobre o que de fato está rolando. Descobrimos, por exemplo, que 3 bilhões de vidas dependem de Sam tornar-se um Nova apto para o serviço que a dupla tem para ele: impedir que os Chitauri (sim, aqueles aliens horrorosos criados especialmente pro filme d’Os Vingadores, e que só agora fazem sua estréia nas HQs) usem a Terra para testar o Nulificador Supremo (Ultimate Nullifier, no original) que adquiriram recentemente.

É curiosa a explicação dada por Raccoon sobre o por quê de ser a Terra o planeta escolhido para o test-drive: como os terráqueos vivem metendo o bedelho em conflitos de outras raças alienígenas do universo, acharam que seu planeta seria a melhor escolha, pois mataria dois problemas de uma só vez. Pra quem não pescou ainda o que Loeb fez aqui, ele basicamente comparou os heróis da Terra aos Estados Unidos, que vivem interferindo em diversos conflitos internacionais (claro que a comparação ganha mais força quando consideramos que a maioria dos super-heróis da Marvel são norte-americanos).

Por fim temos o treinamento relâmpago do Nova com Gamora e Rocket Raccoon, que não dão mole pro moleque.

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Como nota de rodapé, gostaria de apontar sobre o quanto a “herança” que Jesse deixou para Sam lembra a situação em que o pai de Shinji Ikari mete o filho no início do anime Evangelion. Nele, Gendo, seu pai, entrega ao filho um “robô” que apenas o moleque pode pilotar para salvar o mundo de “aliens”. Outra semelhança, desta vez com o Lanterna Verde Kyle Rayner, é o lance de Sam ser o último último remanescente da Tropa Nova (na época que Kyle foi escolhido, a Tropa dos Lanternas Verdes foi destruída por Hal Jordan, dominado por Parallax). Se são referências conscientemente usadas por Jeph Loeb, ou apenas coincidências, não dá pra saber. Mas ambos são temas que eu particularmente aprecio, e que se encaixam na proposta do título, que continua agradando.

Savage Wolverine 004-000Savage Wolverine #4

Roteiro e desenhos de Frank Cho
Cores de Jason Keith

Nesta edição Wolverine enfrenta gorilas gigantes enquanto Shanna é ressuscitada, e ganha alguns poderes de brinde. Mas o que realmente chamou minha atenção foi a rápida aparição do Homem-Coisa na floresta misteriosa da Ilha Proibida.

O Homem-Coisa é um personagem que muitos consideram um plágio descarado do Monstro do Pântano, algo que numa pesquisa no Google você descobre que não é tão preto no branco assim. O Homem-Coisa apareceu pela primeira vez em maio de 1971, apenas 2 meses antes da primeira aparição do Monstro do Pântano nos quadrinhos. Só isto já complica um pouco a definição de qual é plágio de qual, ou se é mais uma daquelas sincronicidades tão comuns nos vários ramos da criatividade humana em que uma idéia muito boa acaba se manifestando quase ao mesmo tempo em mentes diferentes. Seja lá o que realmente rolou naquela primavera, o que importa é que ganhamos dois monstros estilosos que gostam de viver nos pântanos.

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Homem-Coisa fazendo uma visita ao Monstro do Pântano.

A origem do Homem-Coisa está relacionada a energias místicas e mutação genética por compostos químicos. Antes de ser um monstro ele era o bioquímico Ted Sallis, que criou uma fórmula capaz de proteger qualquer pessoa de substâncias tóxicas. Como efeito colateral de seu uso ela causava mutações monstruosas no usuário. Graças a isto a organização I.M.A. (Idéias Mecânicas Avançadas) ficou interessada em obtê-la, mas ele não estava interessado em vender sua criação, especialmente para uma organização criminosa. Claro que a I.M.A. não gostou de ter sua proposta recusada, e armou uma emboscada para Ted, que percebeu a tempo, injetou a fórmula em seu corpo, fugiu de carro. O automóvel acabou caindo num pântano, que coincidentemente era onde ficava uma fonte de energias dimensionais chamada Nexo das Realidades, um ponto do espaço para o qual todas as realidades convergem. A mistura da fórmula com as energias da singularidade dimensional o transformaram no Homem-Coisa, tornando-o um guardião do Nexo.

Apesar de seu visual lembrar muito o Monstro do Pântano da DC, seus poderes diferem um pouco. Pra começar, seu comportamento é fortemente afetado pelos sentimentos das pessoas ao seu redor (medo, por exemplo, faz com que ele secrete uma substância altamente inflamável de suas mãos), tem superforça e a capacidade de restaurar seu corpo completamente. Este último poder talvez explique as propriedades restaurativas da seiva usada pelo chefe da tribo dos neandertais para trazer Shanna de volta à vida.

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Especulo que o Homem-Coisa original pode ter perdido uma parte de seu corpo numa visita que fez à Terra Selvagem, e as energias provenientes da máquina que mantém o Caminhante Sombrio preso na montanha no centro da Ilha Proibida de alguma forma estimulou esse fragmento a reconstruir o corpo do qual fazia parte, preservando suas propriedades restaurativas, porém sem o menor resquício de consciência, impedindo-o de ser mais do que uma “árvore” com uma forma muito estranha.

A ressurreição de Shanna lhe faz muito bem. Além de agora ter um “tradutor universal natural”, que lhe permite entender todas as línguas faladas na Terra Selvagem, sua força ficou dez vezes maior do que antes, o que é muito útil na hora de correr pra impedir o Wolverine de fazer uma cagada.

E já que finalmente falei do protagonista, Wolverine com sede de vingança é a melhor forma de botá-lo em ação, o que rende mais algumas ótimas sequências de ação desenhadas por Frank Cho, com ele partindo pra cima da tribo de neandertais, e se envolvendo numa luta literalmente selvagem contra esse trio simpático aí embaixo:

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Acho que depois das imagens que ilustram este review não preciso falar muito dos desenhos de Cho. No lugar disto novamente elogiarei o trabalho que ele vem fazendo como escritor, na hora de transmitir ao leitor as sensações de Wolverine durante e após as lutas, através dos recordatórios sucintos e certeiros, como na cena após o quebra-pau com os gorilas, em que ele lista todos os danos sofridos por seu corpo durante a peleja.

Na próxima edição termina o arco de Frank Cho no título, o que é uma pena pra quem curte o trabalho dele. A boa notícia é que, a julgar pelo gancho final, o clímax promete ser tão divertido quanto foram as quatro primeiras edições. Continua sendo minha série favorita do Wolverine, até a do Paul Cornell começar a fazer um pouco mais de sentido.

2013-04-18 12-27-28 - Superior Spider-Man #8-000Superior Spider-Man #8

Roteiro de Dan Slott
Desenhos de Humberto Ramos
Arte-final de Victor Olazaba
Cores de Edgar Delgado

Se depois do número anterior você esperava um quebra-pau histórico entre o Superior Homem-Aranha e os Vingadores, vai ficar decepcionado com esta edição. Eu esperava uma luta um pouquinho maior do que as duas páginas que ela dura, mas isto passou longe de me decepcionar, pois o restante da história compensa.

Muitos leitores não estão gostando, mas acho divertido ver Octopus subestimando a inteligência de seus adversários com sua arrogância habitual. Vê-lo chamando os Vingadores de “macacos que apertam botões” pela inépcia da equipe em enxergar algo que lhe parece muito óbvio me diverte. O que acontece é que, após submeter o Aranha a uma série de exames, os Vingadores deixam passar batida uma anomalia que aparece em suas ondas cerebrais (para a sorte de Otto, os cérebros da equipe, como Tony Stark e Hank Pym, estão ausentes). Eis a chave para o acontecimento bombástico que ocorrerá na edição 9.

Outro momento engraçado é a tentativa desesperada de Peter Parker psicografar uma mensagem para os Vingadores enquanto Otto está distraído.

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Antes disto o Homem-Aranha tem um novo confronto com o Cardíaco, a fim de recuperar um aparelho importante para ajudá-lo a detectar com mais precisão a natureza da anomalia cerebral. A luta não tem nada de mais, e sim o que ocorre como consequência dela: um grande passo de redenção para o Octopus-Aranha. Ver o Homem-Aranha realizando uma cirurgia delicada numa garotinha, mesmo com o corpo controlado por Otto, é uma cena inusitada, e com ela Dan Slott ganhou mais alguns pontos a seu favor, pois é uma idéia muito boa.

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Mas o melhor mesmo fica para o final deste número, quando Slott, que já provocou muito os leitores ano passado com as brincadeiras que fez antes da troca de mentes ser revelada, torna tudo ainda mais trágico e urgente com a possibilidade que lança para a próxima edição. Aparentemente eu estava errado em minha teoria envolvendo clonagem. Parker-ectomia será a solução! Vejamos o que/quem sairá disto.

Captain America v7 006-000Captain America #6

Roteiro de Rick Remender
Desenhos de John Romita Jr.
Arte-final de Tom Palmer, Klaus Janson e Scott Hanna
Cores de Dean White

Rick Remenber continua investindo em cenários e situações perturbadoras, e no efeito que o tempo passado na Dimensão Z teve sobre o Capitão América. Neste número ele anda sobre os corpos descartados de clones de si mesmo sem hesitar, e é impiedoso em seus ataques às mutações de Arnim Zola.

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O vilão, por sua vez, tem sua megalomania e complexo de deus ainda mais expostos em dois momentos importantes de caracterização de personagens: na confissão de Jet Black logo no início da edição, e na cena em que Zola manipula o corpo de uma phrox. A primeira é mais significativa por revelar parte da educação/lavagem cerebral a que submeteu sua filha. Para Jet, fazer o bem e ter algum tipo de desejo sexual são pecados. Na “religião” distorcida sob a qual foi criada, livrar-se das pulsões e do ímpeto de fazer o bem é purificar-se de desejos contrários à vontade de seu pai e deus.

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Com uma história cada vez mais sombria e aterrorizante, um herói à beira de enlouquecer, e seu filho adotivo prestes a tornar-se mais um inimigo num mundo que desde o primeiro dia se mostrou extremamente hostil, Remenber continua mestre em bolar desafios aparentemente intransponíveis a seus protagonistas. Não tem como não ficar curioso sobre como tudo isto terminará, e de que que maneira o final de toda esta fase na Dimensão Z afetará o comportamento e atuação do Capitão América no Universo Marvel (que, vale lembrar, também teve sua mente apagada pelo Doutor Estranho em New Avengers #3). O autor já garantiu que não estamos vendo uma realidade alternativa, portanto, tudo que está acontecendo terá consequências no futuro do personagem. Resta-nos continuar acompanhando, o que não é nenhum sacrifício, pois as histórias estão muito boas, com enérgicos desenhos de John Romita Jr., ricamente pintados por Dean White, um dos melhores coloristas em atividade nos quadrinhos.

Cable and X-Force 07-000Cable and X-Force #7

Roteiro de Dennis Hopeless
Desenhos de Salvador Larroca
Cores de Frank D’Armata

A verdade é que me dispus a escrever novamente sobre Cable and X-Force apenas por conta do encontro entre pai e filho que ocorre nesta edição. Porém ele passa longe de ter um propósito maior que o de chamar a atenção para o título e impulsionar suas vendas. O negócio é tão mão explorado que o autor nem se deu ao trabalho de bolar uma explicação sobre como Ciclope descobriu onde estava Cable.

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E basicamente não passa disto…

O resto da edição é a série sendo o que é de melhor: divertida, despretensiosa e bem desenhada. A missão de resgate a um alien preso numa instalação secreta, cuja presença no planeta pode ameaçar a vida de milhões, e possivelmente botará a equipe em rota de colisão com os Vingadores de Alex Summers (do título Uncanny Avengers), pode ter alguma relação com a saga Infinity. Mas ainda é cedo pra afirmar qualquer coisa. Talvez seja só mais uma forma da Marvel aumentar a relevância de seu lado cósmico, sem pretensões de incluir o título no crossover que começa em agosto.

Seja como for, Cable and X-Force é uma série que ainda entretém, e cuja leitura eu recomendo, apesar da picaretagem feita nesta edição.

Iron Man v5 008-000Iron Man #8

Roteiro de Kieron Gillen
Desenhos de Greg Land
Arte-final de Jay Leisten
Cores de Guru eFX

História divertidinha a desta edição, que fecha o segundo arco de Kieron Gillen no título, importante para levar o herói a uma nova fase, na qual ele dará um tempo para a Terra e explorará o universo ao lado dos Guardiões da Galáxia (que devem fazer algumas participações especiais aqui). Recomendo a quem não está lendo voltar a acompanhar a série (ou começar a fazer isto, caso não esteja), pois no próximo número começa um arco que promete contar “A Origem Secreta de Tony Stark”. Há suspeitas de que ele terá ligações com duas das mini-séries mais intrigantes escritas por Jonathan Hickman para a Marvel. Se isto acontecer, volto a escrever mais detalhadamente sobre este título (e dou um jeito de arrumar mais um bocado de tempo livre pra escrever sobre as mini-séries S.H.I.E.L.D.).

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Greg Land aprendendo a diagramar com Chris Bachalo.

E na próxima semana tem: Avengers #10, New Avengers #5, Uncanny Avengers #7, Guardians of the Galaxy #2, Young Avengers #4, Uncanny X-Men #5, FF #6 e Fantastic Four #7.