[QUADRINHOS] Marvel NOW! – Iron Man #9, Superior Spider-Man #9, Indestructible Hulk #7, All-New X-Men #11 e Thanos Rising #2

marvel_now_logo24A ascensão de um psicopata cósmico em Thanos Rising #2; a batalha mental de Peter Parker contra Otto Octavius em Superior Spider-Man #9; Tony Stark começa a desvendar sua origem secreta em Iron Man #9; Hulk e Thor contra os Gigantes de Gelo de Jotunheim em Indestructible Hulk #7; e os X-Men originais perdem um de seus integrantes em All-New X-Men #11.

Contém SPOILERS das histórias edições citadas acima nas análises abaixo. 

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Thanos Rising #2

Roteiro de Jason Aaron
Desenhos de Simone Bianchi
Cores de Ive Svorcina

Depois de perder seus melhores amigos no desabamento de uma caverna na edição anterior, e entregar-se a seus impulsos assassinos, vingando-se dos lagartos que devoraram seus restos mortais, a busca de Thanos por respostas sobre sua verdadeira natureza e seu destino tomou um novo rumo.

Desde a tenra idade Thanos exibiu um intelecto que o destacava de seus colegas de escola, passados mais alguns anos ele ultrapassou os conhecimentos de seus professores. Para isto ele passou a dissecar praticamente todas as formas de vida existentes na lua de Titã para ampliar seus conhecimentos científicos. Disto resulta sua insatisfação pelo número a cada dia mais limitado de fontes de informação.

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É esta insatisfação crescente de Thanos o estopim para sua conversão num sociopata, cada vez mais sádico em suas indagações, que hora ele justifica como busca intelectual, e, mais pro final da história, como uma necessidade de extravasar um amor imenso que ele afirma possuir e alega impossibilitado de transmitir, embora nem ele pareça crer em sua capacidade de amar alguém.

Mas, se por um lado é difícil imaginar o jovem Thanos amando alguém, fica claro que o assassinato, disfarçado de investigação científica, é sua declaração de amor à sua musa inspiradora e guia em sua escalada rumo ao seu destino como o Titã Louco que terá seu nome temido por todo o Universo Marvel: a Morte. Sua personificação em forma de garota continua presente em seus momentos de entrega à sua maior fonte de prazer. E neste capítulo Thanos começa a intuir a verdadeira identidade de sua confidente, e a desejá-la como amante.

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Mas antes disto Thanos cruza mais uma linha fundamental para escalada de sua fome por conhecimento e poder, ao fazer suas primeiras vítimas humanas: um casal de jovens namorados. A escolha é significativa, pois sugere que ele está em busca da bioquímica  responsável pelo surgimento do amor, que por sua vez antecede a concepção da vida (ele sequestra o casal pouco antes de terem uma relação sexual).

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A abordagem escolhida por Jason Aaron vem se mostrando muito acertada. Ao detalhar a formação do quadro psicológico singular de Thanos, baseando-se no que se conhece da psique de sociopatas e serial killers, e extrapolando a partir disto, ao imaginar tal indivíduo num cenário de escala cósmica, o autor deu mais tridimensionalidade ao vilão, e motivações mais profundas e consistentes. No lugar da caricatura megalomaníaca de outrora, um ser em busca de respostas a respeito de si mesmo, movido por uma necessidade de encontrar seu lugar, um rumo para sua vida, e algo que ele acredita ser o amor, quando na verdade pode ser um embuste de princípios fundamentais do universo para que ele assuma sua posição como instrumento catalizador de mudanças em sua configuração cósmica.

Simone Bianchi continua justificando sua escolha como artista mais adequado para a história. Há uma inquietação e horror subjacente em cada página que desenha, que contribuem muito para tornar esta mini-série um marco na trajetória de Thanos nos quadrinhos.

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Superior Spider-Man #9

Roteiro de Dan Slott
Desenhos de Ryan Stegman
Cores de Edgar Delgado

Por mais raiva que esta história desperte nos leitores que gostam de Peter Parker como Homem-Aranha, acredito ser inegável a inteligência com a qual Dan Slott conduziu mais este ponto de virada na fase Superior do herói, e o mais importante, como ele deixou margem para que o aparentemente irreversível possa ser desfeito no futuro.

Pra começar, o autor toma como base um dos melhores filmes sobre batalhas num cenário mental: Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Nele Joel Barish, o protagonista interpretado por Jim Carrey, luta contra o processo a que se submeteu para apagar as memórias de seu último relacionamento amoroso, quando se arrepende da decisão que tomou bem no meio da “formatação” de sua mente. O diretor do filme criou representações visuais bem criativas para transmitir ao espectador a forma como Joel via suas lembranças sendo apagadas dentro de sua mente, às vezes com o simples recurso de apagar as luzes de determinados pontos do cenário, correspondentes a um “bloco” de lembranças, em outras desfocando parte do cenário. Mas a metáfora visual que mais guarda semelhanças entre o filme e esta história do Homem-Aranha é uma das últimas “sequências mentais” do filme, quando Joel vê as primeiras lembranças de seu amor por Clementine (interpretada por Kate Winslet) literalmente desmoronarem ao seu redor, quando a casa em que o casal se conheceu começa a ser invadida pelo mar que a cerca, e a ter seus pedaços carregados pelo oceano, que pode ser interpretado como o inconsciente.

O que Slott fez nesta edição foi pegar emprestada esta estrutura do filme dirigido por Michel Gondry a partir do roteiro do genial Charlie Kaufman, e adaptá-la a uma história em quadrinhos do Homem-Aranha. E o resultado é muito satisfatório.

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O autor têm consciência de que está escrevendo uma história de super-heróis, e sabe que, por convenção, é preciso acontecer um confronto mais “físico” entre o herói e o vilão. Daí entra outro momento inspirado de Slott, quando Peter ataca o Dr. Octopus com lembranças de seus amigos, familiares e aliados, que por sua vez são contra-atacados por memórias dos inimigos do Homem-Aranha. Vale a pena prestar atenção em como, e sob as mãos de quem, cada um dos entes queridos de Peter são “mortos”: reproduzindo suas mortes originais, que agora cumprem a função de apagá-los da memória.

Depois do “round” em que os golpes são dados com lembranças, segue aquele em que Peter e Otto se despem de seus alter-egos, dando lugar a suas personas super-heróicas. A batalha entre o Espetacular Homem-Aranha (Peter) e o Superior Homem-Aranha marca outra ótima sacada de Slott no roteiro. Ao mesmo tempo que vemos os Aranhas desferindo socos e chutes um contra o outro, estes são potencializados pelas verdades duras que um joga na cara do outro. Na verdade a força bruta graficamente representada é apenas um aspecto superficial do embate retórico que ocorre entre os personagens, cada um investindo em argumentos cada vez mais incisivos e indefensáveis. É quando a batalha de egos fica mais feroz, e um vencedor surge.

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Creio que nesta altura, e levando em conta a rapidez com que spoilers desta importância se espalham, não será nenhuma grande surpresa revelar que Peter Parker perde a luta, e é “apagado” do cérebro de seu corpo original. Mas afirmo que isto não é motivo para crer numa situação irreversível.

Analisemos o que foi mostrado nesta edição. Logo na recapitulação das edições anteriores, é dito que o Peter Parker que Otto tenta deletar é o subconsciente de Peter, cuja origem tem relação com sua última tentativa de retomar o controle de seu corpo, quando sua mente ainda estava presa no corpo deteriorado do Dr. Octopus (em Amazing Spider-Man #700). Em sua investida antes de “morrer” no corpo de seu inimigo, Peter usou o mesmo aparelho que Octopus empregou para trocar suas mentes, e conseguiu criar uma cópia de sua mente em seu antigo cérebro. Esta cópia da consciência de Peter não conseguiu assumir todo o controle, e por isto foi “rebaixada” a subconsciência, tornando-se indetectável para Otto até a última edição. Ele só localizou Peter com a ajuda do scanner neurolítico, que conseguiu aprofundar-se mais na sondagem de sua mente.

Conforme Peter tem seu ambiente mental “apagado” no decorrer desta edição, as memórias desmoronam sobre si mesmas, culminando na sequência final, quando elas desabam sobre o rapaz, soterrando-o, e “apagando” sua existência da mente de Otto Parker. Porém, volto a dizer que ele é o subconsciente de Peter. O fato de ele ser enterrado sugere um novo “rebaixamento”. Qual “camada” da mente que vem abaixo do subconsciente? O inconsciente!

O que Slott fez foi, novamente, deixar uma ponta solta para que Peter pudesse voltar ao controle de seu corpo no futuro. Apesar de soar, numa primeira leitura, como uma solução definitiva e inescapável, Peter Parker poderá literalmente renascer dos escombros de suas memórias, e de alguma forma reconstruí-las, talvez com uma ajuda externa. Especulo que seu retorno envolverá algum telepata mutante, que conseguirá detectá-lo lá no fundo, e ajudá-lo a restaurar sua integridade mental.

Apesar de muitos leitores odiarem o que Dan Slott está fazendo com o Homem-Aranha, não dá pra acusá-lo de ser desleixado na execução de suas idéias. O modo como ele planejou este novo ponto de virada é mais uma prova do cuidadoso trabalho que vem realizando, pelo menos no que diz respeito a evitar que a volta de Peter soe forçada demais quando inevitavelmente ocorrer. As “peças” para a restauração de Peter como Homem-Aranha continuam lá no fundo de seu cérebro, apenas esperando que sejam descobertas e novamente reunidas. Resta saber como isto ocorrerá. E até que isto aconteça, sugiro  continuar acompanhando de perto a trajetória do Superior Homem-Aranha, que agora terá de lidar com uma existência tão independente quanto desprovida de um suporte para sustentar suas mentiras. Ou será que ele continuará tendo acesso a lembranças de Peter mesmo depois de apagá-las? Talvez ele tenha criado um novo problema ao solucionar outro.

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Iron Man #9

Roteiro de Kieron Gillen
Desenhos de Dale Eaglesham
Cores de Guru eFX

E começa o arco que revelará “A Origem Secreta de Tony Stark”! Bom, mais ou menos. A verdade é que este é apenas um prólogo para a história, que começará pra valer na próxima edição. Nesta tivemos apenas uma palhinha do que vai rolar, mas já chego lá.

Pra quem ainda não sabe, agora o Homem de Ferro faz parte dos Guardiões da Galáxia, sendo sua entrada para a equipe uma das consequências da nova fase do personagem, que desde a edição 6 está explorando outros mundos do Universo Marvel.

As três edições anteriores o mostraram às voltas com uma confusão envolvendo os Voldi, aliens adoradores da Fênix, que o acusaram de matar sua deusa ao fragmentá-la durante a saga Vingadores vs X-Men (mais detalhes sobre isto aqui).

O que ocorreu de realmente importante para o arco atual nas edições anteriores foi o primeiro encontro do Homem de Ferro com 451, um arquivista rigelliano que, graças a um bug em seu sistema, não segue sua programação original. Ao contrário de outros arquivistas – cuja existência é destinada a registrar dados sobre o universo, retornar para seu mundo de origem, transferi-los para um servidor central, e ter sua memória formatada para repetir o mesmo ciclo indefinidamente – 451 jamais teve a memória apagada, o que resultou num imenso acúmulo de dados, e numa mudança de diretriz: ao invés de apenas registrar, ele passou a sentir a necessidade de agir, causando mudanças que ele julga benéficas para o universo como um todo. Acontece que para isto ele está disposto a realizar grandes sacrifícios pelo bem-estar cósmico. Um exemplo é o que ele fez na edição anterior, quando roubou o dispositivo que mantinha os Voldi indetectáveis para a sondagem de entidades cósmicas poderosas. Desprotegidos, os Voldi foram descobertos e totalmente extintos pelos Celestiais, que detectaram sua presença e os eliminaram de mesma forma que nós matamos mosquitos que sugam nosso sangue para sobreviver (os Voldi usavam a energia dos Celestiais da mesma forma que usamos a eletricidade, só que sem a autorização deles). Mais de 600.000 voldis foram exterminados.

Todo este plano do 451 foi posto em prática com a ajuda involuntária do Homem de Ferro, que agora sente-se na obrigação de capturar o robô e puni-lo por tal crime.

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Na maior parte desta edição acompanhamos uma parceria entre o Homem de Ferro e um robô caçador de recompensas gigante conhecido como Death’s Head (Cabeça da Morte, em tradução livre), que o ajuda a localizar 451. Algumas piadinhas sobre quão furtivo pode ser um robô gigante num ambiente fechado depois, e Tony Stark é traído por seu parceiro, e capturado por 451.

O que realmente interessa acontece no final, quando 451 retira de seus arquivos um rolo de filme antigo que… Bom, vejam por si mesmos:

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Isto mesmo, um robô alienígena tem um filme gravado por Howard Stark para seu filho, nosso querido Tony Stark. Algumas páginas depois descobrimos que o vídeo foi filmado pelo próprio 451, que aparece ao lado de Howard no final do trecho apresentado nesta edição, e que provavelmente terá outras partes reveladas na próxima.

A idéia lembra um bocado os vídeos da Iniciativa Dharma da série Lost, que revelavam alguns segredos relacionados à organização e à ilha onde se passava a história. Porém, segundo Kieron Gillen, uma das referências para este novo arco é outra série também cheia de mistérios e conspirações: Arquivo X. E o pouco que foi visto aqui já sugere pelo menos uma semelhança entre as histórias: acordos entre figuras poderosas da Terra e alienígenas. Outra informação revelada pelo autor em entrevistas é que a história envolverá os greys, raça alienígena muito citada em livros e revistas de ufologia, que ganhará uma versão reimaginada para o Universo Marvel.

Enquanto a próxima edição não sai, resta ao leitor especular sobre as implicações do pouco que foi visto, e continuar acompanhando pra descobrir quão profundo será o impacto das próximas revelações na vida de um dos heróis mais conhecidos do Universo Marvel atualmente.

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Indestructible Hulk #7

Roteiro de Mark Waid
Desenhos de Walter Simonson
Cores de Andres Mossa

Entre uma batalha retumbante de Hulk e Thor contra os Gigantes de Gelo, e uma tentativa de invasão dos guerreiros de Jotunheim à Terra – usando o portal aberto pela equipe de Bruce Banner para entrar no reino asgardiana – , o que chama mais atenção neste número é a descoberta de que Banner e seus colegas cientistas voltaram no tempo por acidente, o que explica o visual retrô e o comportamento exibido pelo Deus do Trovão na edição anterior e nesta.

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Pois é, mais um título da Marvel embarcando na nova onda das viagens no tempo. Semana passada a editora anunciou que Battle of the Atom, a primeira saga mutante desta nova fase da Casa das Idéias, envolverá viagens temporais. E já foi revelado que em Indestructible Hulk #11 o Gigante Esmeralda enfrentará uma crise temporal proveniente da conclusão de Age of Ultron, outra história que tem sua parcela de viagens pelo tempo. Se tudo isto desembocará numa saga maior, uma possibilidade na qual muitos estão apostando (conforme apontei no review de Thor – God of Thunder #7), é um mistério que ainda levará um tempo pra ser solucionado.

Até o momento nada indica que este arco de Indestructible Hulk faz parte de um  hipotético cronograma dos arquitetos da editora, e não parece que ele terá grandes repercussões para o restante do Universo Marvel. Mas descobriremos isto com exatidão somente no próximo número, com a conclusão da história.

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Fora isto, a edição não apresenta nada além do esperado. Temos Mark Waid novamente exibindo sua competência na criação de histórias leves, divertidas e bem contadas, e o talento de Walter Simonson nos desenhos, cujo Thor carismático e jovial casa muito bem com o tom levemente nostálgico da história, assim como suas crepitantes cenas de ação. Há ainda um mistério em torno de uma das integrantes da equipe científica de Bruce Banner, mas as informações ainda são muito escassas para comentar algo a respeito. O jeito é esperar o desenvolvimento desta subtrama.

All-New X-Men 011-000All-New X-Men #11

Roteiro de Brian Michael Bendis
Desenhos de Stuart Immonen
Arte-final de Wade von Grawbadger
Cores de Marte Gracia

Apesar de ter diminuído o impacto que a revelação das primeiras páginas desta edição poderia ter – ao revelar em Uncanny X-Men #5 a identidade do integrante dos X-Men originais que debandou para a equipe de Ciclope – Brian Bendis não deixou a peteca cair, e criou um ótimo arranca-rabo verbal e físico entre as duas equipes de X-Men, provocado pela decisão do Anjo em sair da equipe.

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Além de repercutir muito bem a nova complicação criada, o autor ainda aproveitou para expôr as fragilidades dos jovens X-Men, como no momento em que Jean Grey, desesperada por cogitar os efeitos que a saída do Anjo terá em sua equipe, volta novamente a abusar de seus poderes telepáticos, o que torna os ânimos ainda mais exaltados.

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Apesar de todo o bate-boca girar em torno da saída do Anjo, Jean acaba se tornando o centro das atenções por isto, o que novamente reforça a idéia de que ela é a principal protagonista da série até aqui. Não é à toa que mais tarde Bendis decide dedicar mais algumas páginas a ela, quando Kitty Pryde resolve dar um ultimato à garota.

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Paralelo a tudo isto continuam as armações da nova Irmandade de Mutantes Malignos, que andam cometendo vários crimes se disfarçando dos X-Men originais, o que culmina no final da história, que promete mais um encontro explosivo entre os jovens X-Men e outra equipe de super-heróis do Universo Marvel. Prato cheio para Brian Bendis, que até agora não decepcionou em nenhum dos confrontos que armou nos dois títulos mutantes que está comandando.

E na semana que vem teremos: Avengers #11, Secret Avengers #4, Uncanny Avengers #8, Thor – God of Thunder #8, Wolverine #3, Uncanny X-Force #4 e Fantastic Four #8. Até lá!