[QUADRINHOS] Marvel NOW! – Iron Man #10, Nova #4 e FF #7

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Os mistérios em torno do nascimento de Tony Stark começam a ser revelados em Iron Man #10; em Nova #3 o herói enfrenta os temíveis Chitauri, e descobre algo que pode mudar a visão que tinha de seu pai; e o novo Quarteto Fantástico tenta resgatar Bentley-23 das mãos do Mago na Zona Negativa em FF #7, mas antes disto têm que lutar contra a mentalmente controlada Medusa e Blastaar!

Saiba mais sobre cada uma das edições nos reviews abaixo, com SPOILERS.

Iron Man v5 010-000Iron Man #10

“The Secret Origin of Tony Stark – Part One”

Roteiro de Kieron Gillen
Desenhos de Dale Eaglesham
Cores de Guru eFX

Sei que muita gente mal começou a ler este arco – que promete revelar segredos sobre o nascimento de Tony Stark – e já está torcendo o nariz para as insinuações de Kieron Gillen sobre a influência que seres alienígenas tiveram sobre a cura para seja lá qual for a condição que quase impediu o nascimento do futuro Homem de Ferro. Não vejo grandes problemas no uso destas idéias até o ponto em que a história foi contada. Além de bem escrito, este primeiro capítulo leva em consideração diversos elementos já presentes no passado do personagem e, especialmente, no de seus pais.

Não posso dizer com 100% de certeza se algum autor da Marvel já explorou tanto a história de Howard e Maria Stark, mas creio que um dos que mais fizeram isto em tempos recentes foi Jonathan Hickman nas duas mini-séries entituladas S.H.I.E.L.D.. Nelas, Howard é um agente da organização, e lida com ameaças alienígenas e viajantes no tempo, entre outras, ao lado de Nathaniel Richards, pai de Reed Richards, líder do Quarteto Fantástico (e este é um resumo bem simplista que nem de longe faz juz à complexidade da história das minis, cuja leitura volto a recomendar aqui). Portanto, não foi nenhuma piração do Gillen envolver os pais de Stark com alienígenas. Ele apenas aproveitou a deixa, e incrementou o que já fora estabelecido por Hickman.

Mas voltemos a Tony. Conforme visto no final de Iron Man #9, o arquivista rigelliano 451 revelou que havia uma ligação entre ele, Howard Stark e uma cura que permitiu salvar sua vida antes de nascer. Há poucas pistas sobre qual era a doença que o bebê Tony tinha, e muitas falas intrigantes sobre sua concepção. Uma delas está neste rápido diálogo entre Howard e Maria:

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Pela expressão de Maria, e a ênfase que ela dá à palavra child (criança), fica a impressão de que ela corrigiu Howard quando ele fala de seu filho (son). Ainda não sei o que deduzir deste trecho. Seria uma pista de que Howard já sabia que seria um menino e ela não? Vale lembrar que durante seu tempo na S.H.I.E.L.D. ele chegou a viajar no tempo algumas vezes. Outra passagem curiosa a respeito dos eventos que envolveram o nascimento de Tony é a fala do 451 que encerra esta edição, outra que não sei bem como interpretar.

Portanto nos concentremos no restante do que acontece aqui. Temos na história um trecho em que Howard procura a ajuda de vários especialistas em várias áreas da ciência e das artes místicas, mostrando que o cara era muito bem relacionado. Há particularmente uma cena que se destaca (pelo menos pra mim), que é a do quarto quadrinho da página abaixo, em que ele aparece conversando com um membro da S.H.I.E.L.D. na Cidade Eterna, sede da organização que um dia se tornará aquela que conhecemos hoje (nas mini-séries de Jonathan Hickman o autor ainda não deixou clara a ligação entre esta S.H.I.E.L.D. e a atual – a segunda mini não foi concluída até o momento). Acredito que Gillen esteja sugerindo que todos estes contatos que ele têm são decorrentes do tempo em que trabalhou para esta organização secreta, que remonta à época do Antigo Egito, e que já contou com figuras influentes da história da ciência entre seus membros, como Galileu Galilei, Leonardo da Vinci e Isaac Newton (e esta é mais uma razão pra você correr logo atrás destas mini-séries, e não esperar que eu escreva mais detalhadamente sobre elas aqui).

Iron Man v5 010-008

Mais bacana ainda é a releitura que Gillen faz dos Greys, que dentro do Universo Marvel é uma raça alienígena de trambiqueiros que comandam um cassino em Las Vegas, ironicamente chamado de Área 52 (e se você não pescou a referência, está no site errado). O lance é que Howard chega até um dos grays que está afim de passar a perna em seu chefe, que por sua vez está em posse de um arquivista rigelliano, sim, ele mesmo, o 451! Como eu disse no review da edição anterior, os arquivistas rigellianos são bancos de dados inteligentes que saem pelo universo recolhendo informações, e repassando-as para a vasta central de dados de Rigel-3. 451 é um pária entre eles, pois possui uma falha que o faz teimar em não liberar suas informações para seus criadores. Assim, ele tornou-se um rebelde, e saiu pelo universo recolhendo mais informações, e interferindo em vários eventos com base no que aprendeu, tudo em prol de um bem maior – e estou falando de um bem em escala cósmica – que o leva a cometer alguns extermínios de raças alienígenas inteiras, quando acha que isto vai beneficiar o resto do universo.

Bom, acontece que 451 é o único que tem acesso a informações que podem ajudar Howard a salvar seu filho, mas, para que ele as obtenha, precisa resgatar 451 das mãos dos Grays. É aí que entra a mistura de Onze Homens e Um Segredo e Arquivo X – que foi a forma como Gillen descreveu este arco da série. Howard reúne uma galera cheia de talento e estilo para ajudá-lo a roubar o cassino alienígena. Entre seus membros mais conhecidos estão o Tenente Thaddeus E. “Thunderbolt” Ross (que no presente é o General Ross, alter ego do Hulk Vermelho, que por muito tempo foi o nêmesis de Bruce Banner, nosso querido Hulk) e “Dum Dum” Dugan, o ruivo bigodudo com pinta de escocês (apesar de ser americano e descendente de irlandeses) com chapéu coco e eterno parceiro de Nick Fury (o original, não o sósia do Samuel L. Jackson).

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O restante da edição trata da operação de roubo realizada pelos Stark Seven (referência a Oceans’s Eleven, o título original de Onze Homens e Um Segredo), que é bem resolvida em poucas páginas, provando o talento da dupla criativa em condensar acontecimentos que poderiam perfeitamente ocupar uma edição inteira.

Mesmo sendo a edição em que Tony Stark menos aparece, esta é uma das melhores histórias escritas por Kieron Gillen para o título, e ajuda muito o autor contar com os desenhos de Dale Eaglesham, bem mais cuidadoso ao desenhar expressões faciais, corporais, figurinos e cenários que seu antecessor, o mediano Greg Land. É um trabalho que dá gosto de ver, e faz torcer para que ele continue no título após a conclusão desde arco. E a Guru eFX faz um ótimo trabalho ao diferenciar sutilmente as cores das cenas do presente das que compõem o flashback que ocupa a maior parte da edição.

Muita gente vai chiar e achar a trama uma “blasfêmia marvelística”, mas eu digo que isto é mais o fanboy conservador extremista falando mais alto do que o bom senso. A história começou bem, e Kieron Gillen é um escritor que já se provou talentoso, por isto, creio que não decepcionará nesta que ele promete ser a história mais influente que já escreveu para a Marvel. Estou muito curioso pra ver suas repercussões nos próximos meses.

Nova v5 004-000Nova #4

“Chapter Four: Betrayal”

Roteiro de Jeph Loeb
Desenhos de Ed McGuinness
Arte-final de Dexter Vines
Cores de Marte Gracia

Novamente usando uma narrativa ágil e descolada, Jeph Loeb prossegue o arco de origem do mais jovem portador do título Nova (até onde eu sei). O deslumbramento do protagonista diante de seus novos poderes é contagiante, e os desenhos de Ed McGuinness reforçam sua empolgação e fascínio, assim como as belas cores de Marte Gracia.

Nova v5 004-004

De interessante neste número temos uma cena da primeira edição que é revisitada e recontada sob o ponto de vista de Titus, antigo companheiro de Jesse Alexander – pai de Sam (pra quem não se lembra) – quando eram integrantes da tropa dos Supernovas. É através dele que descobrimos que Jesse não era tão idealista quanto suas histórias levavam a crer. Ou tudo pode ser um jogo do vilão para manchar a imagem que o garoto tem do pai. Jogada bem bolada que faz o leitor ficar mais interessado ainda em saber que fim levou Jesse, o que ele andou aprontando, e o que ele tem a dizer sobre tudo isto (caso ainda esteja vivo).

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Chama a atenção também a coincidência que ocorreu esta semana. Tanto em Nova #3 como em Iron Man #10 tivemos a participação de um arquivista rigelliano. Enquanto no título do Homem de Ferro o arquivista 451 tem um papel mais central e atuante, aqui um outro, que não é identificado, é a fonte de informações usada por Titus e os Chitauri para a construção de um Nulificador Supremo (Ultimate Nullifier, no texto original), uma arma capaz tanto de destruir como de criar um império galáctico inteiro.

Muita gente critica Jeph Loeb pela qualidade duvidosa de seus trabalhos mais recentes nos quadrinhos, mas creio que em Nova o autor voltou a acertar a mão. Suas histórias para o título não chegam a ser geniais, mas nem por isto deixam de ser muito agradáveis e envolventes, especialmente devido ao carisma do protagonista, e à ótima equipe artística. Mais um exemplar que não decepciona da muito bem arquitetada nova fase de títulos cósmicos da Marvel.

FF v2 007-000FF #7

Roteiro de Matt Fraction
Desenhos de Michael Allred
Cores de Laura Allred

Nesta edição mais um mini-arco de FF é encerrado com a operação do novo Quarteto Fantástico na Zona Negativa, onde enfrentam o Mago, Blastaar e Medusa para resgatarem Bentley-23.

Desta vez vou direto ao ponto: esta é a última review que escrevo sobre FF! Se depois das seis reviews das edições anteriores eu não te convenci a ler esta que é uma das séries mais geniais e engraçadas da Marvel de todos os tempos (sim, ouso dizer isto!), eu não sei mais o que dizer. Já estou soando repetitivo, e não fazendo juz à genialidade do trio Fraction e Allreds.

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Apenas leia mais esta edição (e se não leu as anteriores tem o link logo ali em cima para baixá-las), e tenha um dia mais feliz. E volte a lê-las quando tiver um dia “daqueles” em que tudo dá errado, pois garanto que vai lhe tirar sorriso do rosto, e tornar seu coração mais leve, porque estamos diante de uma série em quadrinhos feita com muito amor pelos personagens e pelas maluquices que povoam seu mundo. É assim que todo quadrinho que se preze como fonte de entretenimento deveria ser.

Próxima semana: Avengers #12, Young Avengers #5, Fantastic Four #8 e, talvez, Superior Spider-Man #10 (dependendo da relevância da história)