[QUADRINHOS] Marvel NOW! – Avengers #8, New Avengers #4, Indestructible Hulk #5, Captain America #5, Savage Wolverine #3, The Superior Spider-Man #6, Nova #2

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Semana de muitos lançamentos da Marvel Now, todos variando entre muitos bons e excelentes, fazendo desta uma das melhores “safras” recentes da editora. Leia abaixo os reviews de cada uma das edições, todos com SPOILERS!

Avengers v5 008-000Avengers #8

Roteiro de Jonathan Hickman
Desenhos de Dustin Weaver
Cores de Justin Ponsor

Então acontece que Kevin Connor, um típico nerd que passou a vida inteira sendo ignorado, e provavelmente zuado em diversas ocasiões, é o novo Estigma, o mais poderoso sistema de defesa vivo do planeta contra seja lá o que for aquela geléia macrocósmica vista no início de Avengers #7. O garoto está assustado com sua transformação, confuso por ter atraído a atenção Vingadores, e aterrorizado pelos mais de 3000 mortos resultantes do despertar de seus vastos poderes. Estigma é poderoso o bastante para lançar o Hulk pra fora da órbita da Terra com um só golpe, e não sentir nada quando Thor o ataca com seu martelo, e Hipérion com sua visão de calor. Baita problema o que os Vingadores têm em suas mãos, certo?

 

 

Obviamente que a situação logo foge do controle, e a maior parte desta edição é sobre os Vingadores tentando acalmar o rapaz enquanto levam uma surra dele, até o Máscara Noturna entender porque o Estigma está tão descontrolado, e puxá-lo pro canto para uma conversa. Este “canto” é o Superfluxo visto no início da edição 7, e a conversa traz mais esclarecimentos relacionados à origem do Sistema criado pelos Construtores, ao papel do Estigma, e ao porquê de apenas dois avatares terem se manifestado na Terra, quando normalmente surgiriam mais deles.

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Hickman continua jogando com conceitos absolutamente fascinantes, como o dos sistemas de preservação do equilíbrio do universo que entraram em conflito; o do avatar criado num sistema e requisitado pelo de um nível superior, após sofrer um “upgrade”; e o Evento Branco imperfeito gerado como consequência destes conflitos, fazendo de toda a situação que está se armando ao redor da Terra e do Universo 616 mais preocupante para os Vingadores, mesmo que eles ainda não saibam quão preocupados eles deveriam estar. É tudo tão gigantesco que fica difícil imaginar menos do que uma mega-saga envolvendo todo o Universo Marvel para dar conta de lidar com todas as frentes que o autor vem estabelecendo nesta série e em New Avengers, que no caso será a Infinity, que já começa a em maio.

Mas antes de entrar de cabeça nas questões cósmicas que vem plantando na série, Hickman está fazendo um excelente trabalho de escalonamento da urgência da crise que os Vingadores estão combatendo desde a primeira edição, embora eles não sabiam que tudo faz parte de uma só rede de crises intimamente relacionadas. Breves diálogos de respiro entre uma batalha e outra vem sendo a forma usada pelo autor para tornar palpável esta ansiedade crescente diante do desconhecido, a ameaça mais constante desta nova fase dos Vingadores.

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Após esta edição a tendência dos Vingadores é crescer ainda mais como frente de defesa da Terra, e provavelmente mudar seu modo de atuação. Talvez uma coordenação maior entre as outras equipes que usam a marca, talvez a adição de novos membros a esta equipe principal, que já é bem ampla e variada. A única certeza é que tudo está prestes a se tornar maior, e por todo o controle e segurança que demonstrou até aqui na expansão e ramificação de suas idéias, Hickman só vem aumentando as expectativas e a ansiedade dos leitores em torno de Infinity. Sem exageros é a mega-saga Marvel mais aguardada por este que vos escreve, algo que não acontecia há anos, e estou muito certo de que não me decepcionarei, como não venho me decepcionando com esta série que, repito, está destinada a entrar para história do grupo como uma das melhores fases dos Vingadores, algo que já vem sendo desde o início.

Julgo importante comentar também uma das notícias mais importantes da semana: o anúncio de uma graphic novel dos Vingadores escrita por Warren Ellis e desenhada por Mike McKone. Pode ser que o projeto não tenha relação direta com o que está acontecendo na cronologia atual, mas é muito sedutora e promissora a possibilidade de Ellis envolver-se com alguma série mensal da equipe, agora que Hickman está desenvolvendo conceitos que o escritor inglês plantou em newuniversal (como eu deixei evidente no review que fiz da edição anterior). Talvez Ellis até resolva concluir a mini-série newuniversal – Shockfront, dando uma conclusão à sua versão do Novo Universo, quem sabe amarrando-o com a trama maior que Hickman vem desenvolvendo em Avengers e New Avengers. Vale apontar que na sequência inicial de Avengers #7, quando o Curador lista os universos destruídos, não consta na relação o número do universo criado por Ellis em newuniversal (no caso ele é representando pela Terra-555). Ou seja, Hickman deixou espaço para que aquele mundo volte a aparecer. Tudo depende da vontade de Ellis revisitá-lo. Considere-me na torcida desde já.

New Avengers v3 004-000New Avengers #4

Roteiro de Jonathan Hickman
Desenhos de Steve Epting
Arte-final de Steve Epting e Rick Magyar
Cores de Frank D’Armata

Este é um capítulo de refazimento e preparação, em que todos estão reunindo suas melhores cartas, pois o jogo ficou ainda mais arriscado após perderem na edição anterior Manopla do Infinito, a maior esperança que tinham de evitar o pior sem grandes sacrifícios. Resta agora aumentar as apostas.

Uma bomba de anti-matéria capaz de destruir um planeta inteiro, uma arma gigante carregada de energia solar, um feitiço tão poderoso que exige o sacrifício de quarenta e uma almas (!), incluindo a do seu conjurador, um nulificador supremo que mata seu usuário e destrói tudo num raio de cem milhas. Estas são as armas que os Illuminati têm em seu arsenal para enfrentar o Grande Destruidor que ameaça acabar com todo o Multiverso. E como se a preocupação não fosse grande o suficiente, eles ainda têm que encarar o Galactus de um outro universo nesta edição, quando ocorre uma nova Incursão. É pouco ou quer mais?

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O Martelo do Sol.

É preciso atentar para as sutis dicas visuais que Jonathan Hickman vem dando, especialmente através das cores de Frank D’Armata, sobre a ligação do que estamos vendo nas páginas de New Avengers com o que está rolando em Avengers. Nesta edição, e nas anteriores, onde os Illuminati tiveram que lidar com Incursões, reparem na coloração rosada do céu que remete ao Superfluxo visto nas primeiras páginas de Avengers #7 e nas últimas da edição 8. A Incursão, portanto, é um fenômeno que ocorre no ponto de intercessão entre dois universos, que por sua vez é o Superfluxo.

Uma Incursão: quando o Superfluxo dá seu aceno para dois universos.

Uma Incursão: quando o Superfluxo dá seu aceno para dois universos.

Outro ponto curioso é quando Terrax revela aos Illuminati que seu mestre, Galactus, além de ser uma constante universal, que deve estar presente no final de todos os universos, ainda está fazendo um favor para eles sempre que consegue destruir suas respectivas Terras, pois são elas o ponto de ruptura dos mesmos, a partir dos quais uma reação em cadeia de destruição mútua se inicia quando se chocam uma com a outra no ponto de Incursão, apagando da existência seus universos.

As deliberações entre os Illuminati continuam sendo um dos pontos fortes da série, quando, ao mesmo tempo, constatamos quão brilhantes e inteligentes são aqueles indivíduos, e quanto risco eles correm por confiar em suas capacidades de conter um problema que vem se tornando cada vez maior e mais crítico para ser resolvido por seu  círculo restrito de homens, por mais geniais que eles sejam nas áreas que dominam. Parte do prazer de ler New Avengers é acompanhar a dinâmica desses caras tão acima da média tratando de questões que deixariam qualquer pessoa normal prestes a surtar, enquanto eles sempre aparecem com uma nova idéia mais arriscada e “fora da caixa”.

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Felizmente, com tantos caras focados na resolução de problemas sérios, Hickman sabe que precisa de uns alívios cômicos pontuais, e ele aproveita excepcionalmente bem a personalidade intempestiva e o sarcasmo de Namor, e o bom humor de Tony Stark/Homem de Ferro, mesmo diante das piores situações, para aquela quebrada na tensão, fazendo da leitura mais aprazível.

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Novamente o autor dá um show de como armar uma situação inescapável devido à sua proporção, sem abrir totalmente o jogo e enfiar mil informações na cabeça do leitor. Vem sendo um prazer acompanhar New Avengers porque Hickman não está com pressa pra fazer tudo explodir ao mesmo tempo. Ele entende perfeitamente que é na ansiedade pela chegada de algo enorme, que ainda estamos tentando conceber em sua totalidade, que ele garante o interesse de quem está disposto a vê-lo mover cada peça com precisão cirúrgica. Mais um pequeno grande momento de um escritor no auge de suas habilidades.

Indestructible Hulk 005-000Indestructible Hulk #5

Roteiro de Mark Waid
Desenhos de Leinil Francis Yu
Arte-final de Gerry Alanguilan
Cores de Sunny Gho

Neste número, após ser deixado pra afogar numa fossa oceânica na edição anterior, Hulk se une à aliança rebelde lemuriana para ajudá-la a recuperar seu reino das mãos de Attuma.

Dando um tempo para a reformulação da persona de Bruce Banner e do papel de Hulk no Universo Marvel, Mark Waid decidiu neste capítulo focar mais na resolução da trama iniciada no anterior, o que não o impediu de criar algumas cenas muito inspiradas. A melhor delas é a de quando Banner encontra mais um jeito de transformar-se no Hulk. Sacana e libidinoso, o Banner de Waid começa a manifestar aqui características da versão do personagem desenvolvida por Mark Millar nos dois volumes d’Os Supremos que escreveu para a linha Ultimate (pra quem não sabe, os Supremos é uma versão menos moralista e mais cínica dos Vingadores de um universo paralelo). Isto enriquece o trabalho que Waid vem fazendo com o personagem, e o torna mais interessante, complexo e, acima de tudo, divertido…

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… especialmente para Bruce Banner.

Inspirado também está Leinil Yu, que desenha Mara e Canor como versões high-tech alienígenas de índios norte-americanos (e, no caso da esposa do líder dos rebeldes lemurianos, com alguns traços latinos, sendo o mais evidente a bunda, que o desenhista faz questão de pôr em destaque duas vezes no decorrer da história – sobre o que, eu não tenho reclamações), discretamente sugerindo o tema arquetípico trabalhado por Waid: o herói estrangeiro/forasteiro/alienígena que se apega aos nativos e os ajuda a combater seus inimigos.

A trama em si gira em torno de Hulk e os rebeldes tentando impedir que Attuma tome posse de uma arma que poderá destruir Atlantis, converter o Oceano Atlântico em ácido (!), e no processo matar a maior parte da população do mundo. Claro que tudo dá certo no final, mesmo depois de Banner ser engolido por uma besta subaquática e dar conta de dar porrada em Attuma mesmo estando dentro do bicho!

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Sim, eu adoro estes exageros absurdos quando eles combinam com o tom da história, como é o caso aqui.

É uma pena que o próximo arco de Indestructible Hulk não contará com os desenhos de Yu, que vem melhorando consideravelmente nas últimas edições, e pegou muito bem o jeito de desenhar essa versão mais descontraída de Banner, a ferocidade do Hulk e os cenários majestosos onde o Verdão vem realizando suas missões para a S.H.I.E.L.D.. Fica a expectativa de que a combinação Waid + Simonson + Hulk + Thor seja = mais uma sequência de histórias tão divertidas e revigorantes quanto foram as cinco primeiras. Confio no taco de Waid, mas infelizmente não posso dizer o mesmo de Walter Simonson, desenhista que foi responsável por uma das melhores fases de Thor nos quadrinhos, mas cujo traço caiu um bocado de qualidade nos últimos anos. De qualquer forma, torço para que ele me surpreenda.

Captain America v7 005-000Captain America #5

Roteiro de Rick Remender
Desenhos de John Romita Jr.
Arte-final de Tom Palmer e Scott Hanna
Cores de Dean White e Lee Loughridge

Rick Remenber continua seu exercício criativo de testar os limites da resistência do Capitão América jogando contra ele todo o seu arsenal de idéias insanas nas quais vale tudo, desde monstruosidades que são versões distorcidas do herói, até uma parcela de seu inimigo vivendo em seu peito e ameaçando consumir sua mente, enquanto ele vê seus aliados em um mundo de pesadelo egotista sendo devorados pela ambição violenta de um gênio insano. Arnim Zola, assim como/graças a Remenber, sabe mexer com a cabeça do herói.

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Se tem uma característica dos trabalhos do autor que sobressai é sua habilidade de criar situações extremas para seus heróis, nas quais os desafios físicos e psicológicos são igualados e amalgamados numa só forma. Neste número o Capitão enfrenta clones de si mesmo bombardeados com “raios gama negativos” que são mais do que a explicação científica para sua origem, mas uma metáfora para a composição simbólica da essência daquelas criaturas: a personificação do pior que o Capitão América poderia ser, caso  tivesse seus valores deturpados a partir da fonte de suas capacidades e personalidade. Zola com isto atormenta o herói externa e internamente. No mundo exterior Zola o aterroriza com uma dimensão inteira controlada por ele, enquanto o vírus de consciência, inoculado no Capitão na primeira edição, cumpre a função de bombardeá-lo internamente com sugestões sedutoras, a fim de que ele tome um caminho de perversão que o afastará ainda mais de suas virtudes.

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O reencontro de Ian e Jet.

Também merece atenção o jogo que é feito com os irmãos que viveram mais de uma década separados na Dimensão Z: Ian e Jet. Cada um foi criado sob a influência de uma figura paterna que tornou-se fundamental na formação de suas virtudes e vícios. Se analisado mais amplamente, todo este primeiro arco da série é sobre as diversas influências que moldam o caráter de indivíduos em formação. Passando pela infância de Steve Rogers; pelo passado de Zola, antes de transformar-se fisicamente no monstro que já era internamente; e pelo crescimento de Ian e Jet, o autor vem traçando, implícita ou explicitamente, o quadro psicológico de cada um deles, ao mesmo tempo que os joga em situações nas quais a violência física funciona como expressão de seus anseios desesperados de alcançar objetivos que se tornaram uma obsessão. Assim temos o desejo de Steve voltar para a Terra, o de Ian de sobreviver, o de Jet de se vingar, a de Zola de dominar. Além deles, se encaixa no tema central do arco o caso do pai de Steve Rogers, que o herói defende no final como vítima das circunstâncias. E o que o Capitão faz em seguida é representativo não apenas do tamanho de sua determinação, mas também é a última pincelada que Remenber dá na grande metáfora que é a Dimensão Z. Substitua nas últimas falas do personagem a palavra “monstros” por “fraquezas” ou “demônios interiores”, e o que o autor está fazendo aqui se tornará mais claro.

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John Romita Jr. continua sendo um parceiro criativo valioso para Remenber, tornando cada golpe desferido mais dilacerante, cada monstruosidade mais repugnante e ameaçadora, e a Dimensão Z tão áspera e retorcida que a impressão passada é a de que, se o Capitão América esbarrar em qualquer canto do cenário, isto será o bastante para arrancar-lhe um naco de carne. E Dean White, um colorista que tem consciência de que cada desenhista pede um determinado tipo de colorização, dá continuidade à textura sugerida pelos traços de Romita, criando uma integração perfeita entre suas cores e a arte finalizada. Desta vez Lee Loughridge, seu parceiro de colorização, não comprometeu o resultado final, e seguiu uma paleta parecida, embora não apresente o mesmo cuidado no uso de texturas que White tem.

Savage Wolverine 003-000Savage Wolverine #3

Roteiro e desenhos de Frank Cho
Cores de Jason Keith

Frank Cho me surpreendeu nesta edição com sua explicação sobre a origem do Caminhante Sombrio (tradução livre de Dark Walker), aquele monstro de pedra que aparece na primeira edição e pode ser visto de vários pontos da Ilha Proibida onde Wolverine, Shanna e Amadeus Cho estão presos.

Amadeus Cho não poderia estar mais feliz com sua recém-adquirida/forjada divindade. Além de cair nas graças da tribo responsável por proteger a ilha (a mesma que matou os agentes da S.H.I.E.L.D. na primeira edição), logo ele descobre as voluptuosas vantagens de ser considerado um deus.

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Mas o foco de sua conversa com o chefe dos neanderthais é mesmo a procedência do monólito monstruoso que se avoluma no centro da ilha e a máquina que mantém o local isolado do resto do mundo. Uma história bem interessante, por sinal, que envolve um Celestial – uma das entidades cósmicas mais poderosas do Universo Marvel, pra quem não sabe – e um monstro que parece diretamente saído dos Mitos de Cthulhu, o tal Caminhante Sombrio. Tão intrigante quanto é a maneira como tais revelações mudam a interpretação do leitor sobre os atos de violência dos neanderthais vistos nas duas primeiras edições. De repente Wolverine e Shanna se revelaram mais insensatos do que eles sequer desconfiam.

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E já que mencionei o casal, enquanto Amadeus Cho tenta entender racionalmente o que está rolando ali, Wolverine e Shanna continuam mestres em sua especialidade: arrumar confusão com cada nativo da Ilha Proibida. Mas desta vez as coisas não saem tão bem quanto antes, que torna a situação ainda mais complicada.

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Savage Wolverine prossegue como uma série que agrada o leitor em várias frentes: tem ficção científica, terror, violência, fanservice, dinossauros, monstros gigantes, titãs cósmicos. Frank Cho parece muito à vontade nos roteiros e, mais ainda nos desenhos. Nesta edição ele recupera o fôlego da primeira, e não há uma página que pareça feita às pressas, como ocorreu em algumas do número anterior. Tá dando gosto acompanhar.

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Roteiro de Dan Slott
Desenhos de Humberto Ramos
Arte-final de Victor Olazaba
Cores de Edgar Delgado

Um ponto que está bem bacana neste Homem-Aranha bad ass são os motivos que Dan Slott vem encontrando para levar o personagem a cometer atos de violência desmedida, ao mesmo tempo que retoma temas que tornaram o herói tão querido do público nerd ao qual ele foi direcionado em suas primeiras histórias na década de 1960.

Algumas das melhores histórias do Homem-Aranha em início de carreira focavam no detalhe de Peter Parker ser um sujeito que sofria bullying no colégio onde estudava, o que ele enfrentava fazendo, no máximo, alguns comentários sarcásticos contra seus agressores, mas raramente partindo pra ignorância. Ele só ganhava a chance de extravasar parte da raiva que sentia quando era zuado pelos valentões mais tarde, ao lutar com bandidos. Slott, ciente disto, trouxe de volta este ponto de grande apelo junto ao seu público-leitor, algo que já vinha fazendo nas edições anteriores, mas que ficou mais evidente nesta, cuja trama é toda armada em torno do tema bullying em suas diversas manifestações.

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A história já começa com J. Jonah Jameson sendo humilhado publicamente pela dupla Screwball e Jester, criminosos que filmam suas brincadeiras de mal gosto e soltam na internet em busca de curtidas e números de acesso. Claro que tem um esquema maior por trás de seus crimes, cuja finalidade não é só roubar uns minutos preciosos da vida de pessoas procrastinando na internet. Mais tarde vemos Anna Maria Marconi, a professora particular anã de Otto Parker (introduzida na edição anterior), sendo ofendida por valentões da universidade onde estuda, o que desperta em Otto a memória de quando foi humilhado por um moleque ainda garoto (revisitada na edição durante sua luta contra a dupla de vilões). Logo o tema se ramifica em toda a história, ampliando as chances do leitor identificar-se um pouco mais com o Octopus-Aranha, e tornar os atos que comete nesta edição mais compressíveis (embora não justificados).

Aliás, um ponto que chama atenção neste número é a crescente admiração de Otto Parker por Anna, o que me fez considerar a possibilidade de que Slott está mexendo as cordinhas pra transformar os dois num casal. Isto combinaria muito bem com o fato de Otto identificar-se com minorias sociais vítimas de preconceito, além de passar uma mensagem bacana para os leitores. Ver Peter Parker namorando uma anã, mesmo com o corpo sob o domínio do Dr. Octopus, seria bem inusitado, além de ter chances de render boas histórias.

Vai dizer que também não ficou curioso(a) pra vê-los como um par romântico?

Vai dizer que também não ficou curioso(a) pra vê-los como um par romântico?

Este número também dá prosseguimento à questão levantada na edição anterior. Depois de matar um criminoso, como os outros super-heróis de Nova York passaram a enxergar o Homem-Aranha? A breve reunião dos Vingadores para debaterem sobre a continuidade ou não do herói como membro da equipe é bem escrita, e surpreende um pouco o fato de Wolverine ser quem bota um pouco de bom senso na cabeça dos outros membros. Porém ele não esperava ter que reconsiderar sua própria opinião diante do que o Octopus-Aranha faz no final, quando novamente perde o controle na hora de fazer justiça.

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Aos poucos o “Superior” Homem-Aranha vem mostrando que não é tão superior assim ao seu antecessor, pelo menos não no que se refere ao equilíbrio emocional. Se de um lado ele vem implementando ótimas idéias para melhorar a performance de sua jornada de combate ao crime, e ajudando a incrementar a vida de Peter Parker, do outro a imaturidade e impulsividade de seus atos violentos estão manchando uma reputação que o Homem-Aranha construiu ao longo de anos agindo como Amigão da Vizinhança. Até quando os novaiorquinos continuarão acreditando que um de seus maiores defensores é digno deste apelido é o que definirá o momento exato de sua queda. Isto, claro, se ele conseguir se safar do que o aguarda na próxima edição.

Nova v5 002-000Nova #2

Roteiro de Jeph Loeb
Desenhos de Ed McGuinness
Arte-final de Dexter Vines
Cores de Marte Gracia

Jeph Loeb segue neste número a velha rotina do herói que está aprendendo a usar seus poderes recém-adquiridos. Como eu havia observado no review da 1ª edição, o autor sabe usar clichês, e aqui ele repete a dose, e o faz de maneira muito acertada.

Mas antes de descobrir as vantagens do legado que seu pai lhe deixou, Sam Alexander tem que engolir em seco todas as repreensões ditas e pensadas a respeito de Jesse. Primeiro vem seu encontro com Gamorra e Rocket Raccoon, dos Guardiões da Galáxia, logo no início, que já representa um baque nas antigas crenças do garoto de que seu pai mentia quando contava sobre todas aquelas aventuras dos Novas Negros em outras galáxias enfrentando alienígenas esquisitos. Depois vem a parte em que Sam descobre que aquele capacete que o pai guardava na casinha do quintal não era só um brinquedo.

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Por mais que já tenhamos visto diversas vezes um herói novato todo empolgado quando descobre que é capaz de voar, é sempre bacana quando um escritor e seu desenhista conseguem capturar muito bem o espírito daquele momento, tornando-o tão empolgante para o leitor quanto é para o protagonista. Ed McGuinness tem um traço ágil que funciona com perfeição durante toda a sequência em que Sam sai voando pela cidade, primeiro descontroladamente, e depois assumindo o controle do vôo.

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Outro acerto do desenhista é sua versão do Vigia, que tem seu lado alienígena mais salientado do que na maioria das versões anteriores da entidade cósmica. Quase sempre ele foi desenhado como um homem gigante com um cabeção. Aqui ele ganha traços faciais que remetem ao visual clássico dos greys (pra quem não sabe de quem estou falando, é só lembrar dos aliens cinzentos, cabeçudos e olhudos da série Arquivo X, ou, mais recentemente, o alien do filme Paul).

Edição muito rápida de ler, mas relativamente calma no desenvolvimento da história de Sam. Há um cuidado em contar sua origem sem apressar-se em botá-lo de cara para enfrentar algum vilão cósmico. Vejamos se o “contato imediato” que ocorre no final deste número terá um desenlace interessante na próxima edição.

E estejam aqui na próxima semana para: Guardians of the Galaxy #1, Uncanny X-Force #3, Young Avengers #3, Uncanny Avengers #5, FF #5 e Journey Into Mystery #650.