[QUADRINHOS] Marvel NOW! – Avengers #12, Superior Spider-Man #10, Uncanny X-Men #6, Young Avengers #5 e Fantastic Four #8

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A Escolinha dos Vingadores Para Crianças Deusas da Terra Selvagem em Avengers #12; o primeiro dia de Otto Octavius livre da influência de Peter Parker  em Superior Spider-Man #10; os X-Men versus Dormammu no Limbo em Uncanny X-Men #6; o fim (?!) da luta entre os Jovens Vingadores e as hordas de pais zumbis da Mãe em Young Avengers #5; e Ben Grimm visita o passado de sua saudosa Rua Yancy em Fantastic Four #8.

Mais detalhes sobre cada uma das edições nos reviews abaixo, que contém SPOILERS das HQs comentadas.

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“Evolve”

Roteiro de Jonathan Hickman
Desenhos de Mike Deodato
Cores de Frank Martin

Uma das lições que um leitor de quadrinhos de longa data fatalmente aprende é que não se deve confiar totalmente nas capas. Muitas vezes as editoras prometem algo eletrizante, explosivo e surpreendente nelas, MAS!, quando finalmente lemos a história, não há nem metade do que a capa havia prometido. Já passei por diversas decepções resultantes de capas que me deixavam ansioso pra ler a edição assim que ela saísse. Felizmente isto não é uma regra, e vez ou outra a capa promete exatamente aquilo que ela cumpre, e, em casos mais raros, chega até mesmo a superar as expectativas e surpreender o leitor.

Três meses atrás a capa que ilustra este review chamou muito a minha atenção. Desde então a elegi uma das melhores capas do ano, e sem dúvida a melhor capa de Avengers desde que o título foi zerado para o lançamento dentro da fase Marvel Now! É uma bela capa que evoca muitas coisas. Desde alegria, infância, um dia perfeito, um momento de pura diversão, arrebatamento, um daqueles instantes da vida em que tudo se encaixa de maneira sublime. Dustin Weaver foi muito feliz ao desenhá-la, naquele que considero seu melhor trabalho como capista, e tão feliz quanto foi Justin Sponsor no uso de cores que trazem à tona tantas sensações e sentimentos.

E cá estou, três meses depois, tendo acabado de ler pela segunda vez esta edição para resenhá-la  – como sempre faço com todas as edições antes de escrever sobre elas – e fico muito contente em dizer que as expectativas geradas três meses atrás foram atendidas e superadas.

Avengers #12 apresenta a fascinante interpretação de Jonathan Hickman dos membros, digamos, divinos dos Vingadores. Vemos Thor, Hipérion e Capitã Universo se unindo para solucionar um “problema” que surgiu como resultado de uma das bombas de criação de Ex Nihilo, a que caiu na Terra Selvagem. O Homem de Ferro explica que cada uma das crianças nativas afetadas pela bomba tornaram-se o que resumidamente pode ser considerado um ser vivo perfeito. Elas não se cansam, não têm fome nem sede, e não param quietas um minuto, tudo devido a uma fonte de energia aparentemente infinita, embora não seja possível detectar de onde vem e pra onde vai esta energia. São o ápice da capacidade de sobrevivência da vida. Disto surge a pergunta cuja resposta os Vingadores tentam encontrar ao longo de toda a edição: “Quando você não precisa de nada, você sonha com alguma coisa?”

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A idéia encontrada é ao mesmo tempo simples e muito boa: separar as crianças em grupos, cada um sob a responsabilidade de um vingador, para ensinar-lhes lições que ajudem-nas a aprender valores que despertem o desejo de realizar algo no mundo e pelo mundo, apesar de não precisarem dele para sobreviver.

A parte divertida da história é observar como alguns dos Vingadores lidam com a tarefa, e se mostram claramente inaptos como professores. Os destaques ficam para a “não-aula” do Gavião Arqueiro e da Mulher-Aranha, e para o Homem-Aranha tentando ensinar o conceito de confiança para a molecada.

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Mas a história pertence mesmo a Thor e Hipérion, os dois que melhor compreendem a condição daquelas crianças. Ambos, em seus respectivos mundos, são deuses que viveram muito tempo entre os mortais, e sabem o que é sentirem-se intocáveis e ao mesmo tempo compadecer daqueles que sofrem enquanto eles dificilmente sentem dor. A forma como eles tentam passar adiante seus ensinamentos, e a maneira como Jonathan Hickman – desta vez com a colaboração de Nick Spencer nos roteiros – amarra tudo com a rápida e providencial aparição da Capitã Universo, é o que faz valer ainda mais esta edição. É um belo e profundamente filosófico momento de uma bela e filosófica fase dos Vingadores nos quadrinhos.

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Ao lado da dupla de roteiristas temos mais um trabalho de encher os olhos do desenhista brasileiro Mike Deodato, que nesta altura dispensa elogios, assim como as cores de Frank Martin, que já é um dos melhores de seu ramo nos quadrinhos.

Vale ainda uma nota sobre a entrada de Nick Spencer como co-roteirista da série. Neste número houve uma passagem de bastão entre ele e Jonathan Hickman, que se ausentará da série pelas próximas edições e durante toda a saga Infinity, que começa em agosto e vai até novembro. Nada a temer aqui no que diz respeito à qualidade das histórias. Spencer vem realizando um ótimo trabalho na série Secret Avengers – cheguei até a comparar seu modo de contar histórias com o de Hickman, pois ambos tendem a usar idéias ambiciosas, e um estilo que caminha entre o hermético e o profético. Portanto, considero uma ótima escolha para um substituto temporário.

Com 12 edições já lançadas – que normalmente corresponderiam a um ano de histórias, não fosse pela estratégia arriscada, e até aqui bem executada, de tornar Avengers uma série quinzenal – volto a afirmar que estamos diante de uma das melhores fases dos Vingadores nos quadrinhos. Não me recordo de nenhuma outra que contou com uma sequência tão bem selecionada de desenhistas de alto nível combinados com roteiros de qualidade correspondente. Algo grande está se construindo aqui, algo destinado a tornar-se um futuro clássico da editora. Temos uma saga surgindo no horizonte, e mesmo que ela tenha o sugestivo e grandioso nome de Infinito, eu aposto que ela é apenas uma parte de uma narrativa ainda maior, com pretensões mais elevadas.

Avengers me faz sentir hoje o mesmo que eu sentia quando tinha 10 anos e, passando por uma banca de jornais, a capa de uma HQ despertava minha curiosidade e me deixava louco pra descobrir como era sua história, a ponto de me fazer acordar bem cedo no dia seguinte – depois de conseguir alguns trocados com meu pai no dia anterior – só pra comprá-la, e ter em minha coleção mais um portal para um dos muitos mundos fantásticos e imaginativos existentes nos quadrinhos.

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Superior Spider-Man 010-000The Superior Spider-Man #10

“Independence Day”

Roteiro de Dan Slott
Desenhos de Ryan Stegman
Arte-final de Ryan Stegman e Cam Smith
Cores de Edgar Delgado

Enfim livre das memórias e da influência de Peter Parker, Otto Octavius pode dedicar 100% de seu tempo à tarefa de tornar-se, de fato, um Homem-Aranha Superior. E o cara já começa sua nova fase com tudo! No primeiro dia já dá conta de derrubar os chefes de três famílias criminosas de Nova York.

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Mas não é só isto, a liberdade recém conquistada de Otto o ajuda a ser bem sucedido em melhorar outros aspectos de sua vida. Além de ir muito bem numa prova de seu doutorado, ele tem um ótimo jantar em família com a Tia May, o Sr. John Jonah Jameson e J. Jonah Jameson Jr. No caso desta cena, ela fica bem divertida quando May põe em discussão as últimas atitudes do Homem-Aranha, rendendo mais um daqueles momentos inusitados para fãs de longa data do teioso: Jameson defendendo ferrenhamente o herói, enquanto o pai o acusa de fascista.

Porém, talvez o momento de maior virada na vida pessoal de Otto Parker seja este:

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Só lembrando que eu apostei nisto na review da edição 6. Eu particularmente gosto do casal. Em tempos de Tyrion conquistando multidões de admiradores(as) como um dos personagens mais carismáticos de Game of Thrones, pode ser a hora perfeita para a Marvel apostar na idéia de Otto Parker namorando uma anã. Fica a minha torcida para que boas histórias surjam deste romance inusitado.

E é aí que as boas notícias terminam, pois no decorrer da edição uma ameaça espreita nas sombras, reunindo recursos para tornar-se um futuro problema para nosso herói. Seu excesso de confiança cria um ponto cego que permite o ressurgimento de um antigo mal sem que ele sequer suspeite, algo que promete esquentar ainda mais as próximas histórias, e culminar em outro ponto de virada na série, prometido para a edição 14.

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Sim, é a última página, mas não é como se eu estivesse estragando uma grande surpresa.

Lamento muito por aqueles que não deram uma chance pra essa fase do Aranha, pois Dan Slott continua conduzindo-a com segurança. Nesta edição ele conseguiu abordar praticamente todas as subtramas que espalhou nas edições anteriores, mostrando com isto que sabe muito bem como coordená-las e pra onde quer levar cada uma delas. E os desenhos de Ryan Stegman, que em algumas páginas lembram muito o ótimo Greg Capullo, ajudam a tornar a leitura ainda mais apreciável (embora a arte-final  oscile de qualidade em alguns trechos, mas nada que comprometa o resultado final). Por tudo isto, The Superior Spider-Man continua superando-se a cada nova edição, contra todas as apostas de detratores e haters de plantão.

Young Avengers v2 005-000Young Avengers #5

“The Art of Saving The World”

Roteiro de Kieron Gillen
Desenhos de Jamie McKelvie
Arte-final de Mike Norton
Cores de Matthew Wilson

Kieron Gillen encerra seu primeiro arco em Young Avengers confirmando-se como o autor que melhor conversa com um público leitor tão jovem quanto os protagonistas de sua série. Sem dúvida um dos títulos mais cativantes, divertidos e arrojados da Marvel atual, Young Avengers toca em temas caros e pertinentes relacionados à juventude, adaptando-os para uma fantasia com toques de ficção científica e aventura.

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Esta edição começa com Wiccano sentindo-se culpado pelo problema que gerou ao tentar ajudar Hulkling a ter sua falecida mãe de volta, lá na primeira edição. Vendo-se incapaz de fazer qualquer coisa para reverter a situação, ele flerta com o suicídio, após descobrir na edição anterior que uma das formas de expulsar desta dimensão a Mãe – o parasita interdimensional que vem infernizando sua vida e a de seus companheiros – é matar o responsável por invocar o feitiço que o trouxe para a Terra, ou seja, ele mesmo.

Mas Gillen é o tipo de autor que não gosta de carregar muito no drama, e logo dá uma equilibrada nele voltando a focar-se no sempre divertido Loki. Aqui ele finalmente retoma a trama que encerrou sua passagem pelo título Journey Into Mystery, quando o Kid Loki teve seu corpo dominado pelo antigo Loki. Aparentemente agora o vilão, apesar de ter controle sobre o corpo de sua versão jovem e “do bem”, é atormentado por um resquício da consciência de sua versão anterior, o que o faz desistir de usar os poderes que tomou emprestado de Wiccano para ganhos próprios. É ele o grande responsável por ajudar os Jovens Vingadores a vencerem a hordas de pais zumbis controlados pela Mãe, o que rende mais uma página dupla esperta e estilosamente diagramada por Jamie McKelvie:

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Young Avengers é como sair por aí com amigos legais, inteligentes e talentosos, e enfrentar juntos os problemas do mundo como se tudo fosse uma grande aventura, e todos os desafios fossem jogados na sua frente para fazê-lo sentir-se um pouco mais formidável e cheio de vida ao final deles. É uma série em quadrinhos pra quem gosta de sentir-se bem e mais disposto ao final da leitura, porque é exatamente isto que eu sinto ao final de cada edição. Não importa se você tem 20, 30 ou 40 anos, se você gosta de quadrinhos de super-heróis, desse escapismo divertido, de apaixonar-se e torcer por seus personagens, esta é a HQ que está procurando.

Espero ter convencido alguns de vocês de que a série é uma das maiores merecedoras de sua atenção como leitores de quadrinhos, pois encerro aqui minha cobertura dela, com a conclusão do primeiro arco. Continuem lendo, pois garanto que não vão se arrepender.

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Uncanny X-Men v3 006-000Uncanny X-Men #6

Roteiro de Brian Michael Bendis
Arte de Frazer Irving

Tentei resistir à tentação de voltar a escrever sobre Uncanny X-Men antes do arco atual terminar, mas não consegui, porque está bom demais!

Nesta edição os X-Men procuram um jeito de sair do Limbo – a dimensão infernal anteriormente governada por Illyana – agora sob o domínio de Dormammu (ou a Coisa-Grande-Com-Cabeça-Pegando-Fogo, segundo Benjamin Deeds), para onde foram transportados no final da edição anterior, quando Magia perdeu o controle de seus poderes.

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O melhor da história é acompanhar as reações dos novos mutantes diante da situação em que se meteram. Sem treinamento, com poderes mutantes recém-manifestados, o medo deles rende as falas e diálogos mais engraçados da edição.

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Tão divertida quanto é a estratégia usada por Emma Frost – com a ajuda das Irmãs-Cuco – para transformar os novatos em guerreiros experientes em questão de segundos, dando início à primeira missão oficial (e improvisada) dos novos mutantes.

Paralelo à trama principal, acompanhamos os esforços de Maria Hill, comandante da S.H.I.E.L.D., para melhorar sua compreensão e supervisão da revolução mutante iniciada por Ciclope, e sua investigação para descobrir quem foi responsável pelo ataque de Sentinelas visto na edição 1. O final da história vai fazer muitos leitores das antigas sorrirem de alegria quando descobrirem que mutante ela contratou como agente da organização, que logo pode ganhar uma força tarefa mutante sob seu comando.

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E o trabalho de Frazer Irving deve ser elogiado. Acertando tanto na criação do cenário infernal do Limbo, como na sequência ensolarada que abre a edição, o uso que ele faz das cores é tão excepcional quanto sua interpretação dos personagens, cujas expressões faciais levemente caricatas reforçam sua expressividade, além de contribuir muito para tornar as cenas de humor ainda melhores. E se há um ponto positivo do trabalho de Brian Bendis que se mantém constante desde o início da série é o bom humor bem dosado, e muito bem executado. Definitivamente um must-read!

Fantastic Four v4 008-000Fantastic Four #8

“The Mobsters Are Due On Yancy Street!”

Roteiro de Matt Fraction
Desenhos de Mark Bagley
Arte-final de Mark Farmer e Joe Rubinstein
Cores de Paul Mounts

Aos poucos Matt Fraction vai incrementando e se aprofundando em seu retrato da família mais famosa dos quadrinhos de super-heróis. Desta vez temos uma edição inteiramente dedicada a Ben Grimm, o Coisa, que não poderia se passar em outro lugar que não fosse a famosa Rua Yancy. O detalhe não é o onde, mas o quando: a Nova York dos anos 30.

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O que começa como a forma que Ben encontrou de aproveitar o dia anual em que ele volta à sua forma humana – graças a uma cura desenvolvida pelas crianças da Fundação Futuro – se revela um plano para impedir o surgimento de um dos primeiros vilões do Quarteto Fantástico, responsável por cegar um dos maiores amores de sua vida (e se você ainda não pescou a referência, estou falando do Mestre dos Bonecos e de sua sobrinha, a escultura Alicia Masters). Porém, antes de pôr seu plano em prática, Ben conhece um casal que está sendo intimidado por uma gangue de mafiosos que andam subornando a comunidade judaica local em troca de proteção. E quando é revelada a identidade da mulher, o leitor que já conhece o Quarteto há algum tempo sabe o porquê de Ben ter desistido de seu plano para ajudá-los (é a famosa Tia Petúnia, afinal!).

É uma história simples, mas muito bem escrita. A boa sacada do roteiro de Fraction foi usar o recurso da viagem no tempo para explicar a origem histórica da famosa e divertida Gangue da Rua Yancy, recentemente reimaginada pelo autor nas páginas de FF, onde rendeu umas boas e sonoras risadas pra quem acompanha a série. Aqui o tom é mais dramático, e levemente melancólico.

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Outra ótima surpresa foi a maneira que o autor encontrou de aproveitar uma idéia que plantou em Fantastic Four #6 AU – tie-in da saga Age of Ultron – que será o mote da próxima edição. Por enquanto parece que as histórias do Quarteto se concentrarão mais nas consequências de suas viagens pelo tempo, e um pouco menos no problema de saúde de seus membros, embora não dê pra descartar a chance de ele ressurgir na hora mais inconveniente possível, complicando ainda mais seja qual for o problema que estiverem enfrentando no momento.

Fantastic Four ainda não voltou a ser um título tão imaginativo quanto foi nas mãos de Jonathan Hickman, mas também não vem dando nenhum motivo para não ser lido. Matt Fraction entende os personagens, e sabe utilizar cada um deles. Quem prefere histórias menos intimistas e mais frenéticas tem a opção de seguir a “série irmã”, FF, onde Fraction escreve com maior descontração, deixando suas idéias mais malucas fluírem livremente.

E não se esqueçam!

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E na próxima semana: X-Men #1, Savage Wolverine #5 e New Avengers #6.