[QUADRINHOS] Marvel NOW! – Avengers #11, Uncanny Avengers #8, Secret Avengers #4, Thor – God of Thunder #8, Wolverine #3 e Uncanny X-Force #4

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Esta semana em Marvel NOW! tivemos: os Vingadores tentando descobrir o que a I.M.A. está tramando em Avengers #11; Thor e Solaris desvendando parte dos planos dos Gêmeos do Apocalipse em Uncanny Avengers #8; a guerra fria entre a S.H.I.E.L.D. e a I.M.A. começando a esquentar em Secret Avengers #4; o jovem Deus do Trovão sentindo na pele como é a vida de um escravo de Gorr em Thor – God of Thunder #8; o velho Carcaju arrumando mais uma equipe pra sua “coleção” em Wolverine #3; e o fim do primeiro arco de Uncanny X-Force sob o comando de Sam Humphries.

Mais detalhes sobre cada uma das edições logo abaixo, com SPOILERS.

Avengers v5 011-000Avengers #11

“Wake The Dragon”

Roteiro de Jonathan Hickman
Desenhos de Mike Deodato
Cores de Frank Martin

Não dá pra ganhar todas. Depois de 10 edições cheias de mistérios intrigantes e envolventes, e todo um cuidadoso trabalho para elevar a amplitude de atuação dos Vingadores, Jonathan Hickman escreveu sua edição mais “fraca”. Felizmente, mesmo quando fica abaixo de sua média, o autor consegue bons resultados.

Eu entendi qual foi a intenção de Hickman com esta edição. Com uma sequência de histórias enigmáticas, tensas e, por vezes, herméticas, parece que ele sentiu-se na obrigação de escrever uma trama mais leve, descontraída e livre das tramas pretensiosas que vem marcando a passagem do autor por Avengers. Daí o fato de termos a edição com mais passagens de humor da série desde que ele assumiu seu comando, o que em alguns momentos funciona e em outros nem tanto.

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Uma das tentativas de humor que particularmente me incomodou foi na cena em que a Viúva Negra explica a seus companheiros seu plano para retirar informações do alvo de sua missão. Mesmo sacando que Hickman escreveu esta cena pra não ser levada a sério, ela soou mais como uma descaracterização da personagem, pois fica claro que a heroína está se levando a sério ali. Se houvesse uma pequena frase ou expressão no final que desse a entender que ela estava brincando, mesmo que de um jeito mórbido, a cena funcionaria de outra forma, e seria mais aceitável. Mas estamos falando de uma espiã com décadas de experiência (pode não parecer, mas ela é mais velha que sua aparência revela), e o plano que ela propõe soa descuidado demais pra alguém assim.

Por outro lado o autor acerta na dose de absurdo e ridículo das passagens protagonizadas por Míssil e Mancha Solar.

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No geral este capítulo arranha superficialmente uma subtrama introduzida em Avengers #4, relembrando o leitor de que a I.M.A. possui uma das bombas de criação de Ex Nihilo. Aparentemente isto tem relação com a trama que Nick Spencer vem desenvolvendo em Secret Avengers, e pode ser uma ponta solta criada por Hickman para que Spencer desenvolva quando ele entrar como co-escritor de Avengers durante a saga Infinity.

Felizmente, pra compensar a queda de qualidade do roteiro, temos mais um trabalho brilhante de Mike Deodato nos desenhos, que capricha tanto nas sequências de luta de Shang-Chi, quanto nas sutilezas de expressões faciais e corporais de cada um dos personagens, as quais, somadas ao excelente trabalho de colorização de Frank Martin, ganham ainda mais expressividade, além de ter a ambientação dos cenários e o clima de cada cena enriquecidos pelos tons muito bem escolhidos.

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Uncanny Avengers 008-000Uncanny Avengers #8

Roteiro de Rick Remender
Arte de Daniel Acuña

Rick Remender começa a amarrar as várias tramas que espalhou durante as sete primeiras edições com outras que criou em sua passagem por Uncanny X-Force (pré-Marvel NOW!), e a misturá-las com um arco clássico dos X-Men (Dias de Um Futuro Esquecido). Resumindo: não tem como não ficar ainda mais empolgado com a complexa e intrigante saga que está construindo em torno dos Gêmeos do Apocalipse, as manipulações temporais de Kang, e toda a crise que ambos, direta e indiretamente, criaram para os Fabulosos Vingadores (chamarei a equipe assim de agora em diante pra não ficar toda hora me referindo a ela como Vingadores do Destrutor).

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Revelar um pouco mais sobre os Gêmeos sem entrar em detalhes foi uma ótima estratégia, pois além de atiçar o interesse do leitor por mais informações sobre eles, tornou mais claras suas motivações. Fora isto, todo o lance do casal de irmãos ter uma visão mais privilegiada do tempo e da cadeia de acontecimentos que estão tentando impedir – mesmo de formas extremas e cataclísmicas – torna-os mais complexos, sem partir para o excessivamente dramático. O melhor exemplo disto é a passagem em que Eimin e Uriel visitam Akkaba, e revelam-se mais sensíveis e sensatos do que supunhamos em sua primeira aparição na edição anterior.

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A dupla de novos vilões definitivamente domina a maior parte da edição, transformando os Vingadores em meros peões de seu jogo meticulosamente armado, gerando intrigas e, ao mesmo tempo, novas oportunidades para que Remender teste novas combinações, como a dupla formada por Thor e Solaris. Além disto, a sequência em que ele testa as habilidades de combate e sobrevivência do Capitão América é tensa e muito bem executada.

Com a pisada que deu no acelerador, Remender fez desta uma das edições mais frenéticas de Uncanny Avengers, dosando com muita precisão e organicidade as trocas de informações entre os personagens. Segredos são revelados, enquanto outros são mantidos e alguns compartilhados com poucos, gerando um clima de desconfiança e apreensão que fazem bem a uma história que pede urgência nas tentativas de solucionar as múltiplas crises que ocorrem, e conflitos internos que aumentam ainda mais as dificuldades de resolvê-las.

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Sem dúvida um dos títulos mais viciantes da Marvel atual. Difícil acabar uma edição sem ficar ansioso para que a próxima chegue logo. Palmas para o excelente contador de histórias que Rick Remender vem se tornando a cada novo trabalho, que mais uma vez se beneficia com a arte bela e vibrante de Daniel Acuña. Série tão indispensável quanto Avengers e New Avengers. Lendo estas três vocês já estarão muito bem servidos de Vingadores. Embora eu também recomende muito a leitura do título de que falarei logo abaixo…

Secret Avengers 04-000Secret Avengers #4

“Mission 004: Tehran”

Roteiro de Nick Spencer
Desenhos de Luke Ross

E continua a guerra fria entre a I.M.A. e a S.H.I.E.L.D.! Desta vez a organização comandada por Andrew Forson surpreende com seu novo ataque, ao usar a robôs da série Patriota de Ferro para eliminar vários potenciais alvos dos Estados Unidos em sua guerra contra o terrorismo. Isto deixa a S.H.I.E.L.D. numa posição delicada que põe em prova a capacidade de liderança e o jogo de cintura político de Daisy Johnson, diretora da organização, que precisa lidar com o problema sem criar múltiplos incidentes internacionais.

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Todo o trabalho de coordenação entre as diversas frentes envolvidas, somado aos diálogos em que estratégia e inteligência caminham juntos, contribuem para tornar Secret Avengers uma excelente série de espionagem, que não se sustenta apenas com cenas ação e super-heroísmo, embora encontremos um pouco de cada uma em todas as edições. O domínio narrativo e a fluidez com a qual Nick Spencer trafega entre uma subtrama e outra, introduzindo novos jogadores, enquanto prossegue na tarefa de amadurecer ambas as organizações em torno das quais gira a série, é algo que dá gosto de ver. Nota-se que o autor segue um estilo que é uma mescla da meticulosidade de Jonathan Hickman, com o talento para elaborar histórias com uma pegada mais “realista” adaptada ao universo super-heróico de Ed Brubaker, uma combinação que a cada edição Spencer encontra novos modos de fazer com que funcione cada vez melhor.

Vale a pena prestar atenção nas pequenas ironias da história deste número, como a revelação de que os Patriotas de Ferro são montados numa fábrica da China, provavelmente para poupar alguns milhões de dólares aos Estados Unidos ao tirar proveito da conhecida mão-de-obra barata/semi-escravidão do país, ao mesmo tempo que denuncia quão dependente é a “ superpotência” americana da força de trabalho de outra superpotência, a cada dia mais temida no cenário global.

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Outro ótimo momento de ironia bem elaborado é todo o esquema de contrainformação armado pela S.H.I.E.L.D. para reverter o enrosco político criado pela I.M.A. a favor dos Estados Unidos, usando o Hulk como peão para criar uma história a ser vendida para o mundo, a fim de evitar um possível ataque nuclear do Irã. E tanto o uso do Gigante Esmeralda como da inteligência de Bruce Banner, que desvenda o funcionamento dos Patriotas de Ferro, são outras ótimas sacadas de Spencer. Até aqui o autor foi um dos que melhor exploraram o novo status do cientista e sua maldição monstruosa no Universo Marvel.

A verdade é que Secret Avengers deveria se chamar S.H.I.E.L.D., tamanho é o foco do título na organização, com sua equipe de agentes secretos ligados aos Vingadores funcionando como coadjuvantes que cumprem o propósito de atrair a atenção de leitores que não conhecem tão bem os demais membros da organização de manutenção da paz global. Nick Spencer vem fazendo um excelente trabalho ao tornar Maria Hill, Daisy Johnson, Phil Coulson e Nick Fury Jr. tão interessantes quanto seus pares mais famosos. E Luke Ross continua provando-se um ótimo parceiro criativo para o escritor, com seu estilo que oscila entre o fotorrealista (nas sequências de diálogo) e o “tradicional” (nas de ação), adequando-se perfeitamente às exigências da trama. As cores de Matthew Wilson também merecem elogios, especialmente por todo o cuidado com o qual colore os closes desenhados por Ross, realçando sua expressividade.

Thor - God of Thunder 008-000Thor – God of Thunder #8

“Godbomb: Part Two of Five”

Roteiro de Jason Aaron
Desenhos de Esad Ribic
Cores de Ive Svorcina

Por mais épico que seja o tom adotado por Jason Aaron pra contar a saga de Thor versus Gorr através dos tempos, o autor ainda aproveita cada chance que encontra para se divertir com a proporção dos poderes e cenários de sua história, e com as situações possíveis dentro da premissa que armou. Neste número, por exemplo, com a ajuda de Esad Ribic, ele reforça a inteligência, digamos, pouco desenvolvida do jovem Deus do Trovão através do ar abobalhado que as bochechas e os lábios levemente flácidos dão ao personagem, lembrando aqueles valentões com muitos músculos e pouco raciocínio. O contraste é ainda maior quando acompanhamos seu primeiro encontro com suas netas, que se mostram mais sensatas que ele.

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Fora isto, o autor continua acertando a mão no uso de palavras vigorosas e imponentes em seus recordatórios, combinando perfeitamente com o tom majestoso da trama, que desta vez são usados para salientar quão grande e traumática foi a ruína dos deuses que servem de escravos a Gorr.

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Thor - God of Thunder 008-007cEm seguida temos um ótimo diálogo entre o jovem Thor e o filho de Gorr, que explica os motivos por que seu pai quer eliminar todos os deuses da existência, além de revelar que herdou os poderes do Carniceiro de Deuses.

Mais tarde o herói descobre que os deuses escravos de Gorr têm um plano para destruir a bomba que o vilão pretende usar para acabar com todas as divindades do universo. Novamente agindo sem pensar, ele toma o plano para si, e resolve jogar “futebol americano” com os berserkers negros de Gorr.

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O melhor fica para o final, que prepara aquela que promete ser uma das melhores edições da série. Desta vez não deu pra resistir à tentação de compartilhar a última página final:

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Wolverine-v5-003-(2013)-(Digital)-(Nahga-Empire)-01Wolverine #3

“Hunting Season – Part 3 of 4”

Roteiro de Paul Cornell
Desenhos de Alan Davis
Arte-final de Mark Farmer
Cores de Matt Hollingsworth

Depois de ter enchido as duas primeiras edições de perseguições frenéticas, e pesado a mão nos mistérios um pouco além do recomendável, Paul Cornell escreveu aqui sua história mais apreciável.

Investindo mais na criação de um grupo de coadjuvantes que ajudarão Wolverine a desvendar alguns dos segredos que cercam a enigmática ameaça que vem enfrentando desde a primeira edição, o autor pareceu mais descontraído aqui, o que refletiu no comportamento de Logan. Levando em conta quão à vontade Wolverine sente-se em seu “ramo de trabalho” após tantos anos de super-heroísmo, Cornell brincou um pouco com algumas peculiaridades da vida do protagonista, tanto no diálogo trivial do início da edição – quando ele insiste em falar de seu rápido encontro com o Vigia na última edição -, como na inevitável piada sobre a quantidade de equipes de super-heróis das quais Wolverine é integrante (tá certo que a piada já está desgastada, mas ainda rende se bem encaixada na história).

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Neste número muita atenção foi dada à origem, forma e conteúdo da bala alienígena que atingiu Wolverine na última edição. Quando é extraída de seu ombro descobre-se que está vazia. Mas eu não apostaria que ela estava assim quando o atingiu. Pela ponta em forma de agulha dá pra especular – com boas chances de acerto – que ela foi usada pra injetar algo no corpo do herói mutante, e não creio que vá demorar muito até descobrirmos os efeitos disto. O autor ainda tomou o cuidado de esclarecer alguns pontos obscuros de sua trama, desfazendo parte da confusão que criou na edição anterior (especialmente em suas primeiras páginas).

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A história termina com mais uma cena que deixa o leitor se perguntando o que diabos está acontecendo, e antes disto vemos mais um bocado do competente trabalho de Alan Davis desenhando boas cenas de ação. Aos poucos as intenções de Cornell vão tomando forma, por isto já posso dizer que meu interesse no desenrolar deste primeiro arco aumentou depois desta edição.

Uncanny X-Force 004-000Uncanny X-Force #4

“Street Fighting Man”

Roteiro de Sam Humphries
Desenhos de Ron Garney (mundo real) e Adrian Alphona (paisagens mentais)
Arte-final de Scott Hanna
Cores de Marte Gracia e Israel Gonzalez

Não há muito o que escrever sobre esta. O final do primeiro arco não esclarece muito a respeito do primeiro inimigo enfrentado por esta nova (e até então incompleta) X-Force, gerando perguntas a respeito da natureza e identidade da entidade que controlou Bishop, mas que não chegam a ser envolventes o bastante pra despertar um interesse maior por ela.

Mais interessante é a expectativa de ver a união de todos os membros no próximo arco, e a promessa de conflitos internos interessantes, que foi uma das melhores sacadas da “temporada” anterior de Uncanny X-Force escrita por Rick Remender.

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Os desenhos de Ron Garney deram uma melhorada neste número, mas o que realmente me interessa saber é se teremos alguma edição futura desenhada por Kris Anka, desenhista das belas capas da série, e criador do design dos uniformes de todos os integrantes desta X-Force. Infelizmente a participação de Adrian Alphona nos desenhos desta edição durou poucas páginas, mas já serve de consolo saber que a próxima será totalmente desenhada por ele.

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Por enquanto Uncanny X-Force é um título de leitura rápida, que vem mantendo uma média boa, mas que ainda precisa amadurecer bastante pra se destacar no meio de tantas outras séries de excelente qualidade que a Marvel está publicando atualmente. O design estiloso das capas e dos uniformes são um ótimo apelo visual, só resta a Sam Humphries elaborar tramas mais envolventes e elaboradas, e menos superficiais e clichês. Ainda tenho esperanças de que melhore, pois não acredito que a Marvel correria o risco de ter uma de suas marcas que mais cresceram nos últimos anos enfraquecida por um autor sem competência para preservar sua força.

Próxima semana: Nova #4, Captain America #7, FF #7 e Iron Man #10,