[QUADRINHOS] Klaus: A origem do Papai Noel (segundo Grant Morrison)

klaus grant morrison resenha 1

Depois de reformular o Homem-Animal, reinventar o Superman, e reconstruir o Batman, este ano Grant Morrison voltou seu talento para uma figura mitológica mais antiga que os heróis da DC: o Papai Noel.

Unindo-se ao artista Dan Mora, Morrison resolveu contar a sua versão da origem do bom velhinho, e com ela explicar de onde vieram os vários elementos que compõem seu mito.

Klaus é o correspondente ao clássico Batman: Ano Um, revelando os primeiros passos da construção de uma figura lendária que faz parte do imaginário coletivo mundial.

Até o momento saíram 2 das 6 edições da minissérie. São elas que analisarei a seguir.

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O Noel badass de Klaus.

O que posso dizer dos capítulos já publicados é que são histórias bem rápidas de ler, e estão longe do hermetismo de alguns dos trabalhos mais recentes de Grant Morrison. Com exceção de uma sequência mais psicodélica da primeira edição (já falo mais sobre ela), a narrativa é bem linear.

Nestes dois primeiros números, Morrison apresentou o protagonista mais sob o ponto de vista dos habitantes de Grimsvig, uma cidade norueguesa dominada pelo despótico Lord Magnus. Dono das minas de carvão que são a principal fonte de renda dos habitantes de Grimsvig, Magnus é um sujeito tão mal que não permite que as crianças da cidade tenham brinquedos. Todos são confiscados e dados de presente a Jonas, seu filho mimado e birrento que nunca está satisfeito com nada.

Jonas, o moleque riquinho que você vai adorar odiar.

Jonas, o moleque riquinho que você vai adorar odiar.

Klaus chega ao local para vender carne e peles de animais caçados por ele – que segue o perfil do homem solitário e misterioso que anda pelo mundo sobrevivendo do que retira da natureza, sem maiores pretensões além disto – e encontra o cenário descrito acima. Inicialmente ele prefere ir embora sem questionar, mas tudo muda quando um dos soldados de Magnus bate numa criança. Daí o sujeito vira um bicho, enfrenta os soldados, é quase morto por eles, e salvo no último instante por Lilli.

Esta é Lilli:

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Sim, isto mesmo, Klaus, o futuro Papai Noel, tem uma loba de estimação! Eis um sujeito respeitável, pra dizer o mínimo.

Mas nem tudo é aventuresco e badass em Klaus. Esta não seria uma história de Grant Morrison se não tivesse algum elemento transcendental. Neste caso estou falando da sequência em que Klaus realiza um ritual xamânico para invocar espíritos:

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Daí pra frente descobrimos como ele constrói seus brinquedos, e acompanhamos sua primeira entrega de presentes para as crianças de Grimsvig.

Acho importante apontar para um elemento recorrente na obra do Morrison: a presença de seres mercuriais, que já apareceram na série Os Invisíveis, e foram citados no relato de sua experiência mística em Kathmandu (ouça aqui uma leitura dela, presente no livro Superdeuses). Em Klaus, são eles que ajudam o futuro Papai Noel a criar os brinquedos com os quais presenteia as crianças.

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Klaus está longe de ser uma HQ revolucionária, mas sua proposta, pelo menos pra mim, foi o suficiente pra despertar meu interesse. Além dos roteiros de Morrison, outro atrativo da minissérie é a bela arte de Dan Mora, que dá conta de traduzir visualmente todas as ideias do autor, desde dar vida a uma vila norueguesa da idade média, até embates com animais e homens nos quais Klaus se envolve nos dois primeiros números, além, é claro, da belíssima e alucinante sequência psicodélica.

Morrison e Mora conseguiram criar um entretenimento divertido e despretensioso em torno de um personagem que todos nós conhecemos, mas não da forma como é apresentado em Klaus. Será interessante acompanhar a transformação de um guerreiro viking, que age como um Robin Hood às avessas, com a sede de justiça do Batman, num santo capaz de viajar o mundo e entregar presentes para as crianças que se comportaram bem durante o ano.

Olha, é o Bat..! Opa! Foi mal, Noel. Te confundi com outro cara... :/

Olha, é o Bat..! Opa! Foi mal, Noel. Te confundi com outro cara… :/

Infelizmente não há previsão de que Klaus seja publicada no Brasil. Quem sabe até o próximo Natal alguma editora não traga a história para os leitores daqui?


nota-4


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