[QUADRINHOS] “Galícia – Capítulos 1 e 2” de Marsal Branco (resenha)

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Uma guerreira e um velho fazendeiro têm os destinos cruzados enquanto peregrinam por Galicia, um planeta cheio de perigos, em que deuses podem interferir na luta entre um humano e uma criatura mitológica, e onde nenhuma tecnologia funciona.

galicia capitulo 1 marsal branco resenha 1Sabe, eu respeito muito um artista que demonstra determinação em seu trabalho. E isto dá pra notar do início ao fim de Galicia observando os traços minuciosos que Marsal Branco usou para contar sua história. Sua inspiração inicial foram viagens que fez à Espanha, de onde pegou emprestados alguns nomes para locais do planeta alienígena onde se passa a HQ. Ainda há elementos de mitologias americanas pré-colombianas, mas a verdade é que tais elementos não importam tanto nestes dois primeiros capítulos.

Galícia possui diferentes narradores. Começa com o próprio planeta contando parte da história dos peregrinos que nele se aventuram; depois temos um trecho narrado pelos “deuses” que personificam algumas das forças da natureza daquele mundo; além de parte da história ser narrada enquanto um velho conta os feitos de Guine ao seu neto, várias décadas após os eventos; e mais adiante, no capítulo 2, descobrimos com Fermin um diário de bordo de um dos descobridores de Galícia. Tudo isto vai, aos poucos, situando o leitor a respeito da história e mitologia daquele mundo.

galicia capitulo 1 marsal branco resenha 3Como adiantei no parágrafo inicial, a história foca-se na dupla formada por Guine, a guerreira, e Fermin, o fazendeiro, conforme exploram juntos Galícia, tentando sobreviver aos ferimentos que ambos sofrem no capítulo 1.

Para dar forma e vida aos seus personagens e ao mundo que vai nos revelando a cada página, Marsal optou por usar o nanquim não somente para dar forma, mas também textura e peso a tudo que retrata. Sua arte lembra uma mistura de Moebius com Peter Chung, e gera um pouco de estranheza com suas figuras esguias e de anatomia distorcida. Mas acaba fazendo sentido, pois trata-se de um universo onde a humanidade colonizou outros planetas, e criou bioimplantes capazes de aperfeiçoar seus corpos.

Os dois capítulos iniciais de Galícia me deixaram curioso pra saber mais sobre o mundo e os personagens, mas também passaram a impressão de que funcionarão melhor quando reunidos com os capítulos restantes, que ainda não foram publicados. E, talvez pela narrativa um tanto “truncada”, devido à mudança de narradores em determinados trechos, não consegui me conectar com os personagens. Mais pro final do capítulo 2, quando parte de suas histórias começa a ser contada, é que comecei a me importar um pouco mais com eles, mas ainda não foi o suficiente. Talvez, quando os reler acompanhados dos capítulos posteriores, essa impressão se desfaça.

Marsal prometeu lançar o volume 1 de Galícia, que terá 110 páginas, no primeiro semestre de 2016. Até lá, resta acompanhar o andamento da produção na fanpage do projeto.


nota-3


galicia capitulo 1 marsal brancogalicia capitulo 2 marsal brancoPublicação independente

30 x 21 cm

16 páginas (capítulo 1)

24 paginas (capítulo 2)

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