[QUADRINHOS] “Fifo” de Guilherme de Sousa (resenha)

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Esta é a história de um menino e seu urso de pelúcia contra o fim do mundo. É também sobre o nascimento de um anti-herói improvável sob uma circunstância incontornável. E ainda é um conto sobre amizade, infância e amadurecimento.

fifo guilherme de sousa korja dos quadrinhos pagina 06Fifo é a terceira HQ lançada por Guilherme de Sousa, e a segunda ambientada no universo de A Última Bailarina (resenhada aqui). Como o título e a capa indicam, esta é a história de Fifo, um dos personagens daquela divertida reinterpretação de um apocalipse zumbi.

Enquanto seu trabalho anterior era cheio de humor, este tem uma pegada mais dramática, e um tom melancólico. Parte disto é devido à ausência de cores. Toda a história foi feita em tons de cinza, que remetem a filmes clássicos de terror, sendo a referência mais óbvia A Noite dos Mortos-Vivos.

Mas Fifo vai além de explorar um universo onde ocorreu uma epidemia de zumbis. Toda a trama é centrada na amizade entre o ursinho e o menino ao qual é dado de presente no início da HQ. Aliás, a história já começa com três quadrinhos que simbolizam o nascimento de Fifo no momento em que tem seu primeiro contato com seu dono e amigo.

Por ter optado em contar toda a história sem o uso de textos, Guilherme precisou exercer ao máximo sua capacidade de transmitir sentimentos, emoções, passagens de tempo e sequências de ação através de seus desenhos e diagramação. O que não o impediu de misturar gêneros. Assim, Fifo começa como uma “versão adulta” de Toy Story, que logo é invadida pelo terror desesperador de um filme de George Romero, para mais adiante virar uma jornada de crescimento estilo Conta Comigo, e uma história de vingança digna de um filme estrelado por Clint Eastwood.

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fifo guilherme de sousa korja dos quadrinhos pagina  23É notável a evolução da narrativa de Guilherme, que consegue nos cativar em poucas páginas, ao ponto de sentirmos a dor de seus personagens diante das perdas que vão sofrendo. O que A Última Bailarina tinha de verborrágico e engraçado, Fifo tem de envolvente e tocante.

Mesmo sendo uma história rápida de ler, há muitas nuances e pequenos detalhes em cada quadrinho que merecem uma releitura (eu mesmo a reli três vezes, e fiz algumas descobertas em todas elas). Demonstrando pleno domínio de sua narrativa gráfica, Guilherme de Sousa realizou em Fifo seu melhor trabalho. Já aguardo com ansiedade sua próxima HQ.

Que venham mais histórias de Fifo (uma continuação de A Última Bailarina seria bem-vinda), e mais criações desse talentoso artista!


fifo guilherme de sousa korja dos quadrinhos capanota-5Korja dos Quadrinhos

17 x 26 cm

40 páginas

À venda aqui.