[QUADRINHOS] DC Comics arquiteta seu “renascimento”

De fato, essa semana que termina foi a semana que a DC Comics planejou: a editora com seus personagens foi o centro das atenções. A #DCWeek (semana DC) marcou o retorno de Arrow, The Flash, a exibição do especial dos filmes da DC com mais cenas de Batman vs Superman, primeiras cenas de Mulher-Maravilha, o lançamento do espetacular trailer de Esquadrão Suicida e a estreia de DC’s Legends of Tomorrow. Para fechar a semana, um rumor tornou-se real horas depois, a DC Comics está planejando algo e prepara seu “renascimento”.

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Vamos ao rumor: ontem, Rich Johnston (que “adora” a DC Comics), através do site de rumores notícias Bleeding Cool, revelou que a DC Entertainment pretende reiniciar toda a linha de publicações da DC Comics agora em junho de 2016 quando a numeração das edições chega a 52. E nós sabemos o quanto o número 52 é simbólico para a DC: ao final da  minissérie “52”, a Editora das Lendas estabeleceu seu  mulltiverso com 52 Terras paralelas; em 2011, o reboot lançou no mercado 52 títulos na linha “Os Novos 52”. Sendo assim, terminar a atual linha na edição 52, não seria algo descabido por parte da editora, mas sim, simbólico.
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Ainda segundo o site, a reformulação pretendida pela editora é aproximar o seu conteúdo daquilo que está sendo exibido nos cinemas e na TV. Dessa forma, títulos como Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Esquadrão Suicida, Arlequina, The Flash, Arqueiro Verde ganhariam maior destaque em 2016.

Mas para quem acompanha o mundo dos quadrinhos, em especial os seus bastidores, já esperava uma reação por parte da DC Comics em relação ao seu “faturamento” em 2015. No fechar das contas, a editora perdeu de lavada para a sua principal concorrente, a Marvel Comics. Enquanto a Casa das Ideias fechou o ano passado com 48,26% das revistas vendidas no mercado, a DC ficou com a fatia de 22,96%.

Agora vamos ao fato: horas depois da nota do Bleeding Cool, Dan Didio, seguido por Jim Lee, editores-chefes da DC, postaram a seguinte imagem em seus perfis do twitter:

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O rumor se confirmava, a DC Comics vai reagir e preparar seu “renascimento”.

Tentar e tentar, a gente sabe que isso a DC Comics é capaz. “Os Novos 52” em 2011 foi isso, uma tentativa de aumentar sua fatia no mercado e, nos primeiros meses, a editora conseguiu. Seus títulos ficaram no topo dos 10 mais vendidos, a DC vendia mais que a Marvel, porém a festa não durou pra sempre. Ano passado, após “Convergence”, foi lançada uma nova linha de títulos que apostava na diversidade de estilos, abordagens e público, a “DC You” que substituía “Os Novos 52”.

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No entanto as coisas não deram muito certo também e a DC Comics fechou 2015 num segundo lugar muito atrás do primeiro. “Renascimento” pode ser a reação dita por Rich Johnson, mas talvez não na maneira como sussurrou.

Assim como 52 tem uma simbologia para  editora, a palavra “renascimento” também nos remete a eventos da DC. A palavra foi usada para trazer personagens de volta como Hal Jordan – “Lanterna Verde: Renascimento” – e Barry Allen – “Flash: Renascimento”. E pelo andar da carruagem, a editora nessa altura do campeonato não iria apostar no retorno de um ou dois personagens mortos, mas sim “ressuscitar” toda sua linha, “DC Comics: Renascimento”.

E como acontecerá esse “renascimento”?

Não sei. A partir de agora tudo ainda é especulação e o que nos resta é especular também. Eu espero (e torço) para um relançamento e não um reboot. Zerar toda a numeração e lançar velhos e novos títulos com novas equipes criativas. A Marvel tem feito isso nos últimos anos e tem se mostrado uma boa estratégia. Ma claro que só zerar revistas não vale, é preciso segurar o leitor pela qualidade de suas histórias.

A DC Comics estava ensaiando uma estratégia semelhante no “DC You”. Além de novos títulos, a editora lançou muitas minisséries. Enquanto que os principais personagens continuavam com seus títulos mensais, vilões e personagens de segundo escalão ganharam títulos seriados. Para mim, é uma excelente forma de trazer o leitor, você já o traz sabendo que ele terá a disposição um título que tem início e fim, novas minisséries podem vir em seguida como nova numeração, diferente do ciclo eterno das mensais. “A Tropa dos Lanternas Verdes” que era uma mensal, hoje funciona como minissérie com constante renumeração.

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Apostar é o que a DC tem feito nos últimos anos e colhendo erros e acertos. Com o provável relançamento, a editora irá mesmo se aproximar do conteúdo do cinema e TV?

Não sei e espero que não. Os quadrinhos são a fonte para o que vemos nas séries de TV, no cinema e nos games, inverter essa ordem acaba com uma lógica criativa interessante. As revistas devem ser o portal de novas ideias, ao invés de ser o espaço onde se cria em cima de algo que está fazendo sucesso. Isso pode ser muito fácil e preguiçoso. As HQs devem ser o local de experimentação, as ideias e temas daquilo que um dia poderemos ver sendo adaptado em outras mídias.

Permita eu defender essa ideia com um exemplo: Arrow, mesmo muitos não querendo ou aceitando, é um sucesso. A série de TV trouxe atenção para o título do Arqueiro Verde que andava muito mal da pernas desde o início dos Novos 52. Jeff Lemire, Andrea Sorrentino e Marcelo Maiolo formaram uma equipe criativa de excelência e fizeram a melhor fase do Arqueiro Verde até então. Porém, os editores pediram ao Lemire que ele escrevesse histórias com conteúdo mais próximo de Arrow. O escritor tinha outras ideias com o personagem então resolveu pular fora e agora está na Marvel escrevendo o “Gavião Arqueiro” e “Extraordinários X-Men”.

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No lugar da antiga equipe criativa chegaram Andrew Kreisberg (produtor de Arrow) e Ben Sokolowski para escrever as novas histórias e o título do Arqueiro Verde então tornou-se uma extensão do seriado de TV. Poderia ser legal? Poderia, mas o título ficou desinteressante e o mais do mesmo daquilo que vemos toda semana em Arrow. Os quadrinhos devem ser o espaço onde as ideia tem que alçar voo e não recriar em cima das ideias (as vezes limitadas) das séries de TV ou do cinema.

Até que a DC Comics se pronuncie oficialmente a respeito do que será o seu “renascimento” (relançamento ou reboot) nos resta mesmo é aguardar. Porém o certo que algo está sendo feito. Ontem, mais uma vez o Bleeding Cool soltou outro rumor de que Scott Snyder está deixando o título principal do Batman para escrever Detective Comics. Dessa maneira, Snyder não deixará de escrever sobre o personagem, mas não ficaria sobre a pressão do título principal com seus eventos e tudo e teria mais espaço para experimentar no título secundário.

Renascer agora é o timing certo pra DC Comics, mas não apenas um renascimento financeiro, mas criativo também, mantendo o que tem dado certo até o momento e concertar o que deu errado. As séries de TV tem feito sucesso e há muita expectativa para o seu recém-criado universo cinematográfico. Os quadrinhos também tem (e devem) estar na onda que as outras mídias tem gerado, sem emular o que tem sido feito nelas.