[QUADRINHOS] DC Comics: 3 formas da editora (e seus leitores) aproveitar o Mapa do Multiverso

Durante a Comic Con 2014a DC Comics divulgou a primeira imagem do Mapa do Multiverso, criado por Grant Morrison como um guia para si mesmo e para outros autores que resolvessem explorar o Multiverso DC.

O mapa inclui não apenas as 52 Terras paralelas que compõem o Multiverso, como também engloba outras dimensões essenciais para a cosmologia do Universo DC, como Apokolips, Nova Gênese, Inferno, Paraíso, a Fonte, a Força da Velocidade, entre outras. Deste então, ele tornou-se uma chave de interpretação das tramas atuais e futuras da editora, que incluem, claro, o evento Multiversity, comandado por Grant Morrison, atualmente em publicação.

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Sendo ele uma ferramenta que desmistificou a DC e os Novos 52 para novos e antigos leitores, vale a pena listar os benefícios que ele oferece, caso seja bem trabalhado pela editora e seus autores. Eis uma pequena lista de três deles:

1º) Ajuda os leitores a entenderem os quadrinhos da DC.

O mapa do Multiverso é uma ótima forma de ajudar os leitores a entenderem suas HQs, que é o exato motivo que levou a DC a fazê-lo. A editora sabe que ter uma representação gráfica de todas estas Terras e reinos ajuda os leitores a entenderem como tudo está conectado. Visualizar como a Muralha da Fonte está ligada à Força da Velocidade, por exemplo, realmente te ajuda a sacar a conexão melhor do que ler um personagem mencionando esta informação em alguma edição qualquer, ou ver o conceito desenhado em uma página que só interrompe o fluxo da história. Com décadas de histórias publicadas, a DC é uma das editoras mais confusas por conta de todas as suas Terras alternativas com versões diferentes dos mesmos personagens.

2º) O mapa deu à DC uma forma de conectar todas as suas propriedades criativas de mídias diversas.

Isto é algo que a DC e a Warner Bros. podem fazer se quiserem, e os fãs adorariam. Dá pra elas dizerem, de uma forma metatextual e metafísica, que TUDO que elas têm, seja uma série de TV, um filme, um video game, um desenho animado, ou um longa animado, ocorre em uma das diferentes Terras do Multiverso. E se Arrow e a nova série de TV do Flash ocorressem na Terra 45? E se o desenho animado da Justiça Jovem se passasse na Terra 37? E se o game e os quadrinhos Injustice: Gods Among Us fossem ambientados na Terra 25? E assim por diante. Seria ótimo se a DC e a Warner oficializassem isto.

3º) É um ponto de partida para autores e artistas planejarem histórias futuras.

Agora que o mapa existe, outras histórias podem partir dele. Digamos que um autor olhe pra ele e pense “E se houver lá fora Terras negativas, como Terra -1, e elas forem habitadas por fantasmas ou criaturas de sombras, ou algo assim?” E outro pensar: “Sabe o que existe além da Fonte..? Outro Multiverso com mais 52 Terras!” Aposto que neste momento alguém já está pensando no que vai acontecer depois de Multiversity, Blood Moon, ou assim que a próxima Crise terminar. O mapa do multiverso é basicamente um roteiro dos poderes criativos da companhia formada pela DC e a Warner, algo para o qual elas podem olhar, digerir, e imaginar seu próximo grande evento.

Resumindo, o mapa do multiverso é incrível, mas tudo dependerá de quão incrivelmente será usado no futuro. Ele não somente é um meio dos leitores se localizarem dentro do Multiverso DC, como uma fonte de ideias para autores, artistas e editores, caso eles o aproveitem bem. Resta-nos torcer para que este seja o caso nos anos vindouros.

(texto original de Hilton Collins para o Bleeding Cool, traduzido e adaptado livremente por Rodrigo F. S. Souza)