[QUADRINHOS] Convergence: um guia da próxima saga da DC Comics

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Em abril, a DC Comics interromperá a publicação de todas as suas séries mensais, e no lugar delas publicará Convergence, evento em 9 edições semanais que explorará parte do Multiverso DC, e mais 40 minisséries de 2 edições relacionadas à saga, que durará dois meses.

Cada semana lançará um conjunto de edições de cada minissérie, mais uma nova parte da minissérie principal do evento. Para ajudar os leitores a se prepararem para Convergence, o site CBR fez um guia de leitura, baseado na lista de lançamentos da DC anunciados para abril, imagens promocionais e informações já divulgadas pela editora.

Leia abaixo uma adaptação livre, e com vários acréscimos e observações minhas, do texto original de Josie Campbell.

Antes de começarmos, é importante lembrar que Convergence lidará com personagens de diferentes eras da DC, incluindo a era Pré-Crise nas Infinitas Terras, a Pré-Zero Hora e a Pré-Novos 52, ou seja, anteriores aos três principais reboots sofridos pelo Universo DC em seus quase 80 anos de existência.

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O que foram a Crise nas Infinitas Terras, Zero Hora e Ponto de Ignição?

Crise nas Infinitas Terras foi um evento em 12 partes, escrito por Marv Wolfman e desenhado por George Pérez que durou um ano, e explorou o Multiverso DC em larga escala pela primeira vez (antes disto houveram encontros ocasionais entre heróis de diferentes universos, mas nada comparável à proporção da saga). A Crise foi arquitetada como forma de comemorar os 50 anos da DC, e dar uma organizada nas várias incoerências cronológicas e contradições existentes em decorrência de um número absurdo de universos paralelos criados para a editora dar conta de lidar com seus vários heróis criados em diferentes períodos de sua história editorial. No final da saga todos os universos foram recombinados num único universo, e seus personagens remanejados numa só linha temporal, muitos deles passando por reformulações parciais ou completas de suas origens.

zero-hour-parallaxMas a Crise não resolveu totalmente os problemas de continuidade, o que levou a DC a realizar, pouco menos de 10 anos depois, em 1994, o evento Zero Hora. Em 5 edições, escritas e desenhadas por Dan Jurgens, Hal Jordan, então um Lanterna Verde enlouquecido, hospedeiro da entidade cósmica Parallax (algo que seria revelado apenas anos depois, em Lanterna Verde: Renascimento), tentou usar os imensos poderes que conseguiu acumular – ao extinguir todos os Lanternas Verdes e absorver a energia da Bateria Central de Oa, que servia de fonte dos poderes de seus anéis – para reiniciar o tempo e, com isto, apagar da existência o extermínio de toda a população de sua cidade natal, Coast City, ocorrido durante a saga O Retorno do Superman, quando o Super-Ciborgue lançou um ataque nuclear sobre a cidade (longa história…). Como consequência de Zero Hora, a história do universo DC foi “comprimida”, estabelecendo detalhes como situar a primeira aparição do Superman 10 anos atrás, e simplificar origens complexas demais de diversos heróis, como a do Gavião Negro, que era uma bagunça na época.

Depois de Zero Hora, de relevante para o Multiverso DC, ocorreu a Crise Infinita, escrita por Geoff Johns, cuja principal consequência foi desfazer a fusão de diversos universos num só, ocorrida na primeira Crise, recriando o Multiverso DC, que daí pra frente seria composto de 52 universos paralelos, um número que ainda vale, e foi recentemente catalogado por Grant Morrison em The Multiversity: Guidebook, onde o autor recontou resumidamente – e de uma forma bem mais fascinante e mitológica – tudo que este texto explicou até aqui (portanto, recomendo fortemente a leitura da edição, que já está disponível para compra em formato digital, ou em comic shops que vendem HQs importadas).

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Dois anos depois veio a Crise Final, saga escrita por Morrison que, teoricamente, deveria ser a última das crises do Multiverso (e na minha opinião, a melhor oportunidade que a DC perdeu de reiniciar seu universo). Na trama, Darkseid reencarna na Terra e, com isto, transforma o planeta numa “singularidade multiversal” – devido ao fato de ser, bem, UM DEUS de outra dimensão enfiado no corpo de um mortal, o que deve pesar muito (dimensionalmente falando…). Ou seja, basicamente a Terra transformou-se num tipo de “buraco negro” que começou a arrastar para si o Multiverso inteiro. A coisa toda ainda envolveu Mandrakk, um ser da raça dos Monitores – seres que viviam fora do Multiverso, cuja função era testemunhar e catalogar a história de cada um dos 52 universos – que queria alimentar-se de “histórias”, isto é, da matéria fundamental que compõe o Multiverso DC, num daqueles conceitos metaficcionais que Morrison adora usar em seus trabalhos. O que nos interessa saber aqui é que, no final da saga, a raça dos Monitores foi extinta, restando apenas o monitor Nix Uotan, filho de Mandrakk, só que “do bem.”

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O fim dos Monitores na conclusão de “Crise Final”

Daí veio a saga Ponto de Ignição, da dupla Geoff Johns (roteiros) e Andy Kubert (desenhos), que, em suma, girou em torno do Flash voltando no tempo, impedindo o assassinato de sua mãe pelo Flash Reverso, cuja consequência foi a criação de uma realidade paralela. Barry Allen logo se tocou que fez besteira, deu um jeito de voltar no tempo, impedir a si mesmo de salvar sua mãe e, com isto, bagunçar toda sua linha temporal. Só que, ao fazer isto, rolou uns paranauês envolvendo uma entidade chamada Pandora, que “mexeu uns pauzinhos cósmicos” pra história da Terra 0 – “sede” do universo DC principal – ser reformulada, gerando, com isto, os Novos 52, era atual do Universo DC.

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O Universo DC sendo reiniciado no final de “Ponto de Ignição”

Ufa..!

Agora que você já sabe o que rolou antes, vamos analisar o que já sabemos que ocorrerá em Convergence.

Convergence – 1ª Semana: O Retorno dos Favoritos dos Fãs

Toda a primeira semana de Convergence será ambientada na continuidade da era pré-Novos 52, e incluirá personagens da saga Ponto de Ignição, Capitão Cenoura e o Bando Zoológico (espécie de Liga da Justiça formada por animais antropomórficos) e os Extremistas (uma equipe de supervilões criada nos anos 90).

As principais atrações da 1ª semana são o retorno das Batgirls Stephanie BrownCassandra Cain na minissérie Batgirl; a volta de Oráculo, codinome usado por Barbara Gordon após ser aleijada pelo Coringa, e seu romance com Dick Grayson/Asa Noturna; e o retorno de Wally West, sua esposa Linda Park e seu casal de gêmeos supervelozes, apagados da continuidade com a criação dos Novos 52. Além deles, quem voltará também nesta primeira semana será Reneé Montoya como Questão.

Também retornam durante a semana 1 de Convergence o trio Hera Venenosa, Arlequina e Mulher-Gato, da série Sereias de Gotham, outra ideia descartada pelo reboot. 

Ainda teremos o título “The Atom“, estrelado pelo herói Eléktron, que abordará a morte de Ryan Choi, alter-ego do herói pré-Novos 52; “Justice League“, que explorará a perda de poderes sofrida por Jesse Quick durante sua gravidez; e “Titans“, que irá explorar as consequências da morte de Lian Harper, filha de Roy Harper, o Arsenal. Já o título “Batman e Robin“, também anunciado para esta semana, mostrará Batman (provavelmente Dick Grayson) e Damian Wayne enfrentando o Capuz Vermelho (possivelmente a versão criada por Grant Morrison durante sua fase como escritor do título da dupla). E, por fim, teremos o retorno do casal Lois e Clark na minissérie Superman, que estarão à espera de seu primeiro filho (!).

2ª semana: Um Evento para Todos

Além do retorno de personagens de Reino do Amanhã, e heróis da Wildstorm (como GEN13 e Deathblow), a 2ª semana terá minisséries estreladas por Aço e Superboy, respectivamente o substituto afro-americano do Superman durante a saga O Retorno do Superman, e o clone do Homem de Aço criado pelo Projeto Cadmus.

Outro personagem de um longo arco da década de 90 que retornará na semana 2 será o anti-herói Azrael, que assumiu o manto do Batman durante a saga Queda do Morcego, além da Mulher-Gato deste mesmo período, quando usava um colante púrpura inteiriço e um par de botas de cano longo (total anos 90, né?).

Também voltarão a aparecer nesta semana o Hal Jordan/Parallax, vilão de Zero Hora; o Lanterna Verde Kyle Rayner; Conner Hawke, filho de Oliver Queen; o Aquaman barbudo e com um gancho no lugar da mão esquerda dos anos 90, uma das versões mais populares do herói; o Esquadrão Suicida comandado pela versão gorda de Amanda Waller (que nos Novos 52 e na série Arrow ganhou uma versão mais magra e atraente); a Liga da Justiça Internacional cômica de Keith Giffen (responsável por sua fase mais popular ao lado de J.M. DeMatteis e Kevin Maguire); a Supergirl dos anos 90, segunda versão da heroína que era um alien transformo que assumiu a forma da falecida prima do Superman (fato ocorrido durante a primeira Crise), e que chegou a namorar Lex Luthor (longa história).

3ª semana: Um Multiverso da Era de Bronze

Esta marcará o retorno de vários heróis e vilões da era pré-Crise, também conhecida como Era de Bronze, que durou de 1970 a 1985. Além deles, veremos personagens do Universo Tangente (universo alternativo da DC criado nos anos 90); da série pós-apocalíptica Kamandi, criada por Jack Kirby em 1972; e os vampiros da realidade alternativa de Chuva Rubra” de 1991.

Os destaques da 3ª semana são Monstro do Pântano de Len Wein, co-criador do personagem, e os “Novos Jovens Titãs” de Marv Wolfman, responsável pela fase mais popular da equipe, formada por Asa Noturna, Estelar, Ciborgue, Donna Troy e Kid Flash.

As demais minisséries serão estreladas pela Mulher-Maravilha recém-saída de sua controversa fase sem poderes e sem uniforme do início dos anos 70; a Liga da Justiça de Detroit de 1984, uma tentativa frustrada da DC criar uma série mensal de um grupo de jovens heróis; o Flash Barry Allen, responsável pela introdução do conceito de Multiverso na clássica “Flash de Dois Mundos” de 1961; Gavião Negro e Mulher Gavião envolvidos na “Guerra Sombria dos Homens-Gavião” mencionada na série Kamandi em 1985; a reunião do Hal Jordan pré-Crise com seus substitutos Guy Gardner e John Stewart; os Renegados reunidos pelo Batman em 1983, que incluíam os heróis Katana e Geo-Força; e a Supergirl pré-Crise, Kara Zor-El, da época em que usava uma faixa vermelha na cabeça (e que assim morreu durante a Crise). 

A única minissérie sem relação direta com a Era de Bronze, e que será lançado na 3ª semana, é Superboy and the Legion of Super-Heroes, um título da Era de Prata da DC. Mas, importante lembrar que a Legião passou por uma reformulação na Era de Bronze, feita pela dupla Paul Levitz e Keith Giffen, responsável pela “Saga das Trevas Eternas“, quando a equipe enfrentou Darkseid.

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4ª Semana: Linhas Temporais Colidem

A semana final de Convergence explorará seu multiverso de opções, passando por elementos das eras de Bronze, Prata e Ouro, além de personagens originários da Fawcett Publishing, Quality Comics e Charlton Comics incorporados ao Universo DC, além do Universo Qward (o universo de anti-matéria, lar do Anti-Monitor, vilão da Crise original); da Gotham steampunk, do universo de “Entre a Foice e o Martelo” e da saga DC 1.000.000 (o Universo DC do século 853, criado por Grant Morrison). 

Também teremos na 3ª semana minisséries focadas no Sindicato do Crime da Terra 3 e na Sociedade da Justiça da América da Terra 2, duas equipes de vilões e heróis, respectivamente, que marcaram a criação das primeiras Terras paralelas do Multiverso DC. Além disto, a Sociedade da Justiça estrelou em 1963 as primeiras histórias da DC entituladas “Crise“, no arco em duas partes composto por “Crise na Terra Um” e “Crise na Terra Dois“, que mostrou o primeiro encontro da Sociedade com a Liga da Justiça. Enquanto o Sindicato do Crime estrelou em 1964 a história “Crise na Terra Três“, outro uso importante do Multiverso DC.

Outros destaques da 4ª semana serão as aparições das versões da Charlton dos heróis Besouro Azul, Capitão Átomo e Questão, que serviram de inspiração para os personagens de Watchmen criados por Alan Moore e Dave Gibbons, e recentemente para The Multiversity: Pax Americana, da dupla Grant Morrison e Frank Quitely; o Capitão Marvel da Fawcett; o Homem-Borracha, o Tio Sam e os Combatentes da Liberdade da Terra X, antigamente pertencentes à Quality Comics; a Helena Wayne da Era de Prata, filha de Bruce Wayne com Selina Kyle; a Poderosa da Era de Bronze; a Corporação Infinito, formada por descendentes dos membros da Sociedade da Justiça; os Sete Soldados da Vitória da Era de Ouro, que foi a segunda equipe de heróis da DC (sendo a Sociedade da Justiça a primeira).

A última minissérie ligada a Convergence será Booster Gold, estrelada pelo Gladiador Dourado, o herói viajante do tempo que é um dos poucos capazes de detectar alterações na linha temporal, e deve fazer a conexão entre Convergence e a série semanal Futures End, segundo Dan Jurgens, que criou o herói nos anos 80.

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Então, qual o significado de Convergence para o Universo DC?

A primeira possibilidade, levando em conta o destaque que o evento dará para personagens e eventos referentes às três vezes que o Universo DC sofreu um reboot, é que Convergence servirá para realizar um novo reboot. Mas esta é possibilidade mais extrema. A outra seria um reboot mais “leve”, em que ocorreria a reintrodução de personagens e tramas populares anteriores aos Novos 52. Mas, considerando que os Novos 52 já começaram a reintroduzir alguns deles, como Wally West e Stephanie Brown, esta possibilidade é discutível.

A segunda possibilidade seria a DC explorar mais o Multiverso daqui pra frente, algo já pode ser esperado, dada a atenção recebida por ele nas séries Futures End e Earth 2: World’s End e em Multiversity, onde Grant Morrison mapeou o Multiverso DC, criando, com isto, uma coerência cosmológica e mitológica até então inédita na DC. Fazendo os ajustes necessários, a DC poderia encaixar alguns destes personagens e linhas temporais no novo Multiverso, sem a necessidade de um novo reboot.

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A terceira possibilidade seria Convergence servir para oficializar uma política de continuidade mais flexível para os títulos da DC. Um exemplo é o que já encontramos nos títulos da linha Batman, em que séries como Batman, Batman e Robin, Batgirl e Mulher Gato, entre outros, focam em seus respectivos arcos, na maior parte do tempo ignorando os eventos da série mensal Batman, da dupla Scott Snyder e Greg Capullo, fazendo menção a ela só em edições pontuais ligadas a alguma grande mudança no status quo do personagem e dos demais ligados a ele, para, logo depois, seguirem com seus arcos, quase como se nada tivesse acontecido. Isto daria uma liberdade maior para os autores em seus respetivos títulos, além de permitir que a DC crie outros, ambientados em algumas das linhas temporais revisitadas durante Convergence. Assim, poderíamos ter, por exemplo, um título da Batgirl de Stephanie Brown, pré-Novos 52, ao mesmo tempo que teríamos um da Batgirl de Barbara Gordon pós-Novos 52, cada um ambientado numa linha temporal diferente, e assim por diante.

Se a DC aproveitará ou não esta chance pra dar uma nova organizada em seu Multiverso de possibilidades, e oferecer a seus leitores bons títulos, é algo que só descobriremos em maio, após o fim de Convergence. Até lá, o que nos resta é teorizar.

E você, o que está achando disto tudo? Diga nos comentários.

7 thoughts on “[QUADRINHOS] Convergence: um guia da próxima saga da DC Comics

  1. To torcendo muuuuuuito por um novo reboot, com 25 anos sendo dcnauta, esse Novos 52 foi a maior decepção que tive como leitor, ultrapassou até mesmo explicação ridícula de Parallax ser uma entidade e todo aquele bla bla bla ridiculo que criaram pra colocar o cara como Espectro, e depois ressucitar o figura de qualquer forma…

  2. Ótima saga para comemorar os 30 anos de Crise nas Infinitas Terras. Muitos consideram o Multiverso complicado, já eu não acho. O Multiverso é a solução para a infinita cronologia contínua das HQ’s

  3. Só uma pequena correção, no texto diz que os Combatentes da Liberdade da Terra X, antigamente pertenciam à Fawcett Comics, na verdade eram da Quality Comics, quando a DC comprou os direitos das personagens

  4. Eu achei muito bagunçado( não o post), não deu pra enteder muita coisa (até porque sou Noob nisso kkk, de tentar entender o universo da DC) e porque sou da geração Z, e é claro não peguei o ínicio desde os quadrinhos, e nem tem como agora ja q é muuuuuita coisa rsrsrsrs. Sempre assistia e assisto Liga da justiça, Justiça Jovem e etc… e amo isso, e foi dai que comecei a me interessar mais e mais por esse universo (e da MARVEL também… as duas são TOPS), e quanto mais eu assisto mais dúvidas surgem e por isso sempre procura pra tentar entender rsrsr. Mas enfim, gostaria de parabenizar este site… PARABÉNS… kkk, muito bom mesmo, ja me ajudou várias vezes.

    VLW
    Karol

  5. Que post perfeito, coisa linda de ver. Quem dera todos blogs tivessem essa mentalidade e inteligência.

    Top demais, obrigado e parabéns.

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