[QUADRINHOS] “Combo Rangers: Somos Humanos” de Fábio Yabu e Michel Borges (resenha)

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Algum tempo se passou desde que o Império Domao foi impedido de conquistar a Terra pelos Combo Rangers e diversos heróis da Cidade Nova. Mas isto apenas levou Giluke a empenhar-se na elaboração de um plano mais ardiloso que pode derrotar a equipe, privando-a de seus poderes. Eis a premissa de Combo Rangers: Somos Humanos, de Fábio Yabu e Michel Borges.

Antes que eu comece a falar da HQ em si, sinto que devo fazer um rápido disclaimer, e dizer que é difícil pra mim ser imparcial quando avalio uma história dos Combo Rangers. Não vou repetir aqui um discurso que já fiz antes, portanto, recomendo que (re)leia minha resenha de Combo Rangers: Somos Heróis (até porque você vai precisar relembrar o que rolou no volume anterior pra entender o que acontece neste). No lugar disto, direi apenas que fiquei muito contente em receber ontem a versão digital do volume 2, como todos os apoiadores do volume 1, quando ele ainda buscava financiamento no Catarse em 2013. E meu contentamento foi ainda maior quando comecei a ler, e já no prefácio da edição o Fábio me apronta uma dessas:

Depois dessa declaração apaixonada à Gica e ao heroísmo como objetivo de vida, ele e Michel Borges ainda dão um golpe direto na minha infância (e na de muitos de vocês) com essa sequência de abertura:

Não reconheceu? Então deixa eu ser bonzinho e refrescar sua memória:

Pois é!

Mas não é só de referências que vive Somos Humanos (embora haja uma quantidade caprichada delas, das quais falarei mais abaixo). E se você tirou uns minutinhos pra ler o prefácio do Fábio ali em cima, talvez já tenha sacado alguns dos temas abordados por ele neste 2º volume da trilogia prometida em 2013.

Pra quem não sacou, a Cidade Nova dos Combo Rangers é uma extrapolação super-heroica do que encontramos hoje, especialmente nas redes sociais: milhares de pessoas com opinião querendo mudar o mundo vomitando o que julgam verdades absolutas, usando as ferramentas tecnológicas que possuímos para espalhá-las por cada canto da internet onde sejam ouvidas, curtidas, e apoiadas.

Lendo o parágrafo anterior, você pode criar uma expectativa errônea em torno de Somos Humanos, portanto, deixa eu dizer logo que tudo isto é evocado pela história de maneira divertida, dramática, emocionante, e não-panfletária (imagem abaixo). O objetivo aqui não é te forçar a concordar com um ponto de vista, mas levá-lo(a) a pensar sobre o seu papel na sociedade, no mundo real, a partir de um mundo imaginário, colorido, e cheio de seres fantásticos e superpoderosos que têm uma ou duas coisinhas relevantes pra dizer a respeito do que você está fazendo com os SEUS poderes no NOSSO mundo.combo rangers somos humanos fabio yabu michel borges 1

E, por favor, não pense que este novo volume de Combo Rangers só tem isto de bom! Temos aqui uma aventura completa em todos os aspectos. Como adiantei acima, há passagens cômicas, dramáticas, e até mesmo trágicas. Aliás, uma, em particular, mostrando o sacrifício de um personagem, me deixou particularmente emocionado, não pelo sacrifício em si – que foi muito bem arquitetado pela dupla criativa – mas pela homenagem a uma das profissões mais injustiçadas no Brasil. Cheguei ao ponto de interromper a leitura e chamar a Raquel inbox, só porque eu precisava compartilhar aquela emoção com alguém. Poucas HQs conseguiram me deixar arrepiado ao ler uma de suas passagens, e fico contente em admitir que Somos Humanos é uma delas.

Mas, deixa eu dar um tempo pros méritos narrativos, e falar um pouquinho sobre como citar cultura pop em seu trabalho sem forçar a barra.

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Como todas as histórias dos Combo Rangers, Somos Humanos também tem sua quota de referências. Logo no início, e ao longo da história, há uma clara homenagem ao Reino do Amanhã, com os Combo Rangers tendo que lidar com o problema que eles mesmos causaram ao incentivar os habitantes de Cidade Nova a usarem seus poderes para fazer o bem. Este é um tema que também foi abordado por Mark Waid e Alex Ross no clássico da DC Comics. Aqui ele ganha uma roupagem mais leve, e mais sintonizada com o período em que vivemos, do qual falei mais acima.

E se você também entende um bocado sobre a Marvel Comics, como eu, vai sacar homenagens à Trilogia de Galactus, e à fase do Surfista Prateado da dupla Stan Lee e John Buscema; além de uma divertida homenagem a Watchmen; Vingadores; Power Rangers; ao filme Homem-Aranha 2, entre muitas outras, que não vou listar aqui, porque parte da graça é reconhecê-las durante a leitura. Importante dizer que nenhuma delas soa gratuita, pois foram discretamente usadas, e muitas delas têm relevância no desenrolar da trama, e no desenvolvimento dos personagens.

Tá, exceto esta, que foi gratuita. Mas eu curti, então, tá valendo! :P

Tá, exceto esta, que foi gratuita. Mas eu curti, então, tá valendo! 😛

Aliás, já que falei do elenco, caso você tenha sentido falta de mais participações do Luke no volume 1, saiba que ele é quase o protagonista do volume 2. São suas ações que movimentam todas as tramas, e a engenhosidade de seu plano para roubar os poderes dos Combo Rangers é um dos destaques da história. O outro é a maneira como eles lidam com os desafios que surgem enquanto estão sem os poderes.

Déjà vu.

Déjà vu.

Descontando tudo isto que já mencionei acima, essa nova aventura dos Combo Rangers se destaca das demais por representar um amadurecimento dos heróis e do seu criador. Fábio escreveu aquela que já considero a melhor história dos Combo Rangers. Há um equilíbrio realmente agradável de se ver entre os vários elementos narrativos e dramáticos aqui, com ação, drama e comédia surgindo na hora certa, e se intercalando de forma que o leitor não se cansa. Claro que parte do mérito disto é do Michel Borges, que conseguiu fazer um trabalho ainda melhor que o do volume 1, dando dinamismo, dramaticidade e humor a toda a história, que foi belamente colorida por Walmir Arcanjo.

Resumindo, Combo Rangers: Somos Humanos cumpre admiravelmente seu objetivo: desafiar os heróis com o intuito de torná-los mais fortes e melhor preparados para perseguirem objetivos maiores. E de quebra ainda aprendemos um bocado de coisas desses adolescentes com olhos de amêndoas e quatro dedos nas mãos, que apesar de viverem num universo mais fantástico que o nosso, conseguem ser tão humanos quanto nós. Talvez até mais.


nota-5


combo rangers somos humanos fabio yabu michel borges capaEditora JBC

Brochura

17 x 24 cm

132 páginas

À venda a partir de 7/12 (em breve atualizaremos com links para compra)

2 thoughts on “[QUADRINHOS] “Combo Rangers: Somos Humanos” de Fábio Yabu e Michel Borges (resenha)

    • Fico contente em saber que gostou da minha resenha, André! 🙂

      Também estou ansioso pelo próximo, que será o final dessa “trilogia”.

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