[QUADRINHOS] Chico Bento Moço N.53 – Guardião da Floresta (Resenha)

A edição de Fevereiro de 2018 da revista/mangá Chico Bento Moço cometeu um erro bobo que prejudicou o andamento da historia. Não chega a estragar a leitura, mas desmerece/descredibiliza sua capacidade de se sustentar sozinha, algo que o roteiro da Petra Leão conseguiria facilmente se não fosse por uma referência muito gratuita.

A Nanda cita na página 11 o professor Milton Salamandra, e fala que ele escreveu o livro Animais Folclóricos e Onde Habitam. Tem como ser mais gratuito que isso? (Se você não entendeu a referência, precisa sair da sua caverna um pouco) E esse professor é relevante pra história, mas não dá pra levá-lo a sério, porque toda vez que eu olho pra ele eu vejo a cópia do Newt Scamander.

Sinopse: Chico, Zé Lelé e Rosinha estão guiando Nanda, uma colega da Rosinha, por uma parte pouco explorada das florestas da região, já que Nanda suspeita que nessa floresta vive uma criatura chamada de Mapinguari (um monstro do folclore), que pode ser um exemplar de uma espécie considerada extinta.

Avaliação:

Arte de Capa e Storyboard – A capa e a quarta capa são muito bonitas. O que deve ser reparado é que ambas (principalmente a quarta capa) passam a impressão da criatura ser maior do que ela é de verdade. Mas por a capa ser algo mais contemplativo, isso pode passar batido pra muita gente, e não chega a ser um problema. As ilustrações do miolo ficaram acima da média graças aos animais, a floresta e ao Mapinguari, que aliás tem um design diferente da descrição da lenda, e que na minha opinião ficou melhor. Na revista o Mapinguari é um Megatério (Um bicho-preguiça pré-histórico), mas ele parece uma mistura de Bicho-preguiça com Ratel e Torterra (é um Pokémon), e o original é isso: (1,7/2)

Enredo – O enredo, em alguns momentos, descreve a situação pelo ponto de vista da criatura e dos outros animais, que vai da curiosidade ao encontrar humanos até o risco de ameaça. Isso cria um elo de empatia do leitor com o Mapinguari. Ele é um monstro porque nós o vemos assim. Fora esse detalhe, o roteiro é simples e previsível. (1,4/2)

Criatividade e Coerência – Explorar a lenda do Mapinguari? Uma ótima ideia. É uma lenda desconhecida em muitas regiões, e já estamos acostumados com o Chico se envolvendo em problemas com criaturas folclóricas. Ele mesmo fala isso nessa edição. Mudar o design da criatura? Sem problema, liberdade criativa deixa mais autoral. Mas o que adianta esse esforço de pesquisa e essa criatividade toda, se não dá pra pensar em um personagem melhor que o Milton Salamandra? Ele tem até a mesma personalidade meio desajeitada do Newt Scamander. Tudo bem colocar referências, mas isso já é falta de respeito com o leitor.

Ainda devemos levar em consideração que a revista faz confusão na hora de explicar o Táxon LazarusNa página 16, o pensamento do Chico dá a entender que o Táxon Lazarus estuda os seres mitológicos e sobrenaturais como sendo animais raros, mas isso é Criptozoologia. Táxon Lazarus é um fenômeno paleontológico que leva em consideração a reaparição de um animal considerado extinto e apenas isso.

Também vale citar que a Nanda era morena em CBM 32 e agora ela está branca e loira, mas a personalidade dela é a mesma, e isso não atrapalha o desenvolvimento da personagem. (0,5/2)

Marketing – A capa é chamativa. Você passa na frente da banca e vê aquela criatura na capa. Esse elemento sobrenatural também chama atenção. (1,4/2)

Diversão – Uma história simples, com uma temática interessante, que busca uma abordagem diferente para explicar lendas folclóricas, mas que podia ter sido melhor explorada e de fator replay baixo. (1,2/2)

Nota Geral – 6,2/10

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