[QUADRINHOS] Age of Ultron: Uncanny Avengers #8 AU e Fearless Defenders #4 AU

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Sem uma nova edição da saga principal, que volta dia 3 de junho, tivemos mais dois tie-ins: em Uncanny Avengers #8 AU, os Gêmeos do Apocalipse aprendem uma lição ao visitarem o mundo sem Hank Pym criado por Wolverine em Age of Ultron #6; já em Fearless Defenders #4 AU visitamos a capital do império europeu de Morgana le Fay e o Doutor Destino ao lado da guerreira deusa Hipólita e Caroline le Fay.

Mais detalhes sobre as edições abaixo, com SPOILERS.

Fearless Defenders4AU-000Fearless Defenders #4 AU

Roteiro de Cullen Bunn
Desenhos de Phil Jimenez
Arte-final de Karl Kesel e Aaron McConnell
Cores de Antonio Fabela

O que há pra ser dito deste tie-in é jogo rápido. A história é centrada em Hipólita e Caroline le Fay, respectivamente uma das heroínas e a vilão da série Fearless Defenders, cujas duas primeiras edições eu resenhei muito forçosamente, pois a série é muito fraca. A trama ocorre na linha temporal criada por Wolverine e Susan Richards ao matar Hank Pym no passado em Age of Ultron #6, mais especificamente na Latvéria dominada por Morgana le Fay, mãe de Caroline e, nesta realidade, esposa do Doutor Destino.

De interessante na edição temos alguns poucos vislumbres dos resultados da guerra entre a Latvéria e Asgard, citada em Age of Ultron #8, mas poucos detalhes a respeito dela são revelados. A história é mesmo sobre a origem de Hipólita e Caroline.

Quando a cena mais bacana de sua história é uma establishing shot que não dá em nada, é porque você não está isto fazendo direito.

Quando a cena mais bacana de sua história é um plano geral que não dá em nada, é porque você não está sabendo escrevê-la.

Cullen Bunn é um roteirista que não consegue envolver o leitor com seus personagens, todos artificialmente concebidos. É tudo ou muito forçado ou esquemático demais. Neste tie-in sai o fraco Will Sliney, que desenha a série regular, e entra o normalmente muito bom Phil Jimenez, mas nem isto ajuda. Jimenez já foi comparado no passado ao excepcional George Pérez, mas aqui ele faz seu trabalho mais “piloto automático” de todos que já vi do desenhista. Suas diagramações são convencionais e preguiçosas, o que prejudica ainda mais qualquer possibilidade da leitura ser minimamente agradável.

Meu conselho: não perca seu tempo lendo isto como eu fiz!, que pra piorar ainda perdi uns preciosos minutos lendo as edições 3 e 4 de Fearless Defenders pra me inteirar do que andou acontecendo na série, tudo pra eu não ficar boiando sobre qualquer possível referência que o autor fizesse a ela – que continua tão fraca quanto em sua estréia.

Em compensação…

Uncanny Avengers8AU-000Uncanny Avengers #8 AU

Roteiro de Rick Remender e Gerry Duggan
Desenhos de Adam Kubert
Cores de Frank Martin

Rick Remender e Gerry Duggan fizeram este que desde já considero o melhor tie-in da saga até aqui. Este é o tipo de edição que não desperdiça o tempo do leitor com uma história que no final vai encerrar-se em si mesma quando Age of Ultron terminar. Com muita esperteza a dupla deu um jeito de equilibrar elementos da saga atual com outros do arco que está rolando agora em Uncanny Avengers. A idéia é ao mesmo tempo simples e muito bem bolada: Kang, o Conquistador parte do futuro onde está criando Eimin e Uriel, os Gêmeos do Apocalipse, e resolve dar uma aula prática para que eles aprendam a matar um de seus futuros inimigos quando chegar a hora. Pra isto ele volta no tempo e entra na linha temporal alternativa que surgiu em Age of Ultron #7.

O melhor dessa sacada narrativa é que ela permitiu a Remender elucidar mais alguns detalhes sobre o passado do Gêmeos, e ao mesmo tempo explorar mais um pedaço do mundo resultante da morte de Hank Pym na saga principal.

Mesmo sendo uma linha temporal alternativa, alguns conflitos que o autor vêm apresentando em Uncanny Avengers persistem, e são reforçados quando retrabalhados dentro de uma realidade mais dura que aquela vista na série. Destrutor, por exemplo, é o líder dos Morlocks – mutantes que vivem nos esgotos de Nova York devido à sua aparência “não-palatável” para seres humanos normais. Enquanto isto o Coronel Rogers – o Capitão América desta linha temporal – vai até o esconderijo de seu ex-companheiro mutante atrás de um morlock que está sendo acusado de assassinato no “mundo da superfície”. Como se não bastasse os ânimos inflamados que marcam o encontro – que é apresentado numa bem arquitetada diagramação de Adam Kubert, que vai tornando o debate entre o Rogers e Summers mais claustrofóbico a cada quadrinho – os Gêmeos entram no meio da discussão pra matar o Coronel, que é apresentado a eles como um representante da raça que será a responsável pelo futuro hediondo reservado aos mutantes, onde passaram sua infância. Daí o caldo entorna de vez, dando início ao uma caçada pelos túneis dos morlocks.

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Adam Kubert e sua diagramação claustrofóbica.

Apesar de Destrutor, Vampira e o Coronel Rogers terem participações importantes na edição, a história é mesmo sobre os Gêmeos, suas forças e fraquezas, e suas diferentes personalidades. Dá pra notar que Uriel é mais clemente para com seus inimigos, e capaz de sentir um mínimo de compaixão por eles, chegando ao ponto de ficar tentado a poupar a vida de Vampira – que consegue compreender suas motivações, e compadecer-se por ele, após uma tentativa de absorver seus poderes. Em contrapartida, Eimin é mais fria, mais inclinada a obedecer cegamente as ordens de Kang – e é claro que devemos levar em consideração o fato de ela ter sido literalmente cegada por seu pai adotivo como punição por uma lição que não aprendeu.

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A crueldade do treinamento dos Gêmeos por Kang também tem mais alguns detalhes revelados, assim como o período em que os irmãos passaram no futuro em que os mutantes eram caçados por humanos comandados pelo Massacre/Caveira Vermelha visto no flashforward do final de Uncanny Avengers #4, mas nada explícito por enquanto.

E para a felicidade dos leitores que adoram caçar easter eggs, Remender e Duggan abusaram das habilidades de Kubert e lotaram uma splash page inteira com eles. Boa caçada pra vocês! ;D

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Adoro a decoração do teto!

Novamente não decepcionando, Rick Remender ensina como se faz um bom tie-in sem que ele pareça mais um caça-níquel – complementa Age of Ultron e desenvolve o arco atual de Uncanny Avengers. Leitura indispensável para quem está acompanhando tanto a saga como a série dos Vingadores escrita por ele.

A seguir: Age of Ultron #9.