[QUADRINHOS] Age of Ultron #9

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Roteiro de Brian Michael Bendis
Desenhos de Carlos Pacheco (passado) e Brandon Peterson (presente)
Arte-final de Roger Bonet (sobre o lápis de Carlos Pacheco)
Cores de Jose Villarrubia (passado) e Paul Mounts (presente)

As duas últimas edições de Age of Ultron serviram pra mostrar que, por melhor que seja sua intenção na hora de voltar no tempo e matar um personagem-chave que será responsável pela criação do maior mau que assolou o mundo, as coisas podem dar estupidamente erradas a ponto de criar um mundo ainda pior do que aquele cujo surgimento você tentou impedir.

Atenção: o texto abaixo contém SPOILERS.

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Esta edição começa logo depois de mais uma grande ruína que se une àquela vista no início da saga. Wolverine acorda com uma das pernas totalmente destruída; seu fator de cura gasta 5 dias para reconstruí-la praticamente do zero; ele enfrenta uns destinobôs mágicos de Morgana le Fey, que aparentemente tornou-se a nova dona dos Estados Unidos; e tem uma conversa rápida com um moribundo Tony Stark, que o adverte dos riscos de mexer com o tempo.

É nesta última conversa que Brian Bendis retoma uma teoria que já vinha pincelando em trabalhos que fez anteriormente no Universo Marvel, mais especificamente em edições dos Vingadores onde Tony Stark, Reed Richards e Hank Pym discutiam a hipótese do tempo ser muito mais que uma dimensão que compõe o tecido multidimensional que forma o universo, mas um organismo. É uma idéia que esbarra no misticismo e flerta com a religiosidade, mas bem interessante dentro do contexto no qual se encaixa, pois estamos falando de um universo ficcional habitado por super-cientistas, super-soldados, magos supremos, telepatas – estes dois últimos muito conhecidos por constantemente viajarem pelo Plano Astral – e assim por diante. Portanto, considerar o universo como um organismo não chega a ser tão absurdo assim.

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E, sendo o tempo um organismo, quanto mais mexemos com ele, quanto mais o ferimos, maiores são os riscos de afetarmos sua saúde e, por consequência, a saúde do universo. Daí temos o momento mais dramático do diálogo/monólogo entre Wolverine e Tony Stark: O que acontece se você matar o tempo? Garanto que correr para as colinas não vai adiantar nada, porque, bem, eu, você e todos nós estaremos não apenas ferrados, mas seremos apagados da existência, juntamente com todo o universo. Portanto, o melhor a fazer é não ferrar com o tempo, porque ele com certeza vai ferrá-lo de volta, e provavelmente em dobro.

Disto resulta que a maior parte da edição é sobre o Wolverine voltando ao ponto em que estava no final de Age of Ultron #6, ou seja, prestes a matar Hank Pym, encontrando ele mesmo em plena tentativa de assassinato, só pra impedir-se de cometer a burrada que deu origem ao mundo que vimos nas edições 7 e 8. O resto da história é uma longa conversa entre os dois Wolverines (!), Hank Pym, e a Mulher Invisível sobre como resolver de uma vez por todas o problema Ultron.

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A solução encontrada já foi rapidamente sugerida na edição anterior, e envolve a arriscada estratégia de deixar que tudo que ocorreu desde a criação de Ultron até os dias de hoje ocorra, com exceção do momento em que a inteligência artificial maligna lançou seu ataque de dominação e extermínio global.

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Como é de praxe, Brian Bendis faz um ótimo trabalho ao escrever uma longa conversa cuja leitura é tão agradável quanto o encadeamento de idéias que formam o plano para desfazer o nó temporal feito ao longo de toda a saga. É uma solução elegante, que ainda deixa espaço para uma implementação de última hora, que por sua vez deve ser o mote para a nova fase dos principais personagens da saga após o seu desfecho.

Age of Ultron termina em três semanas, e o que está sendo prometido para sua conclusão é um bocado de surpresas. Da minha parte, torço para que Bendis não tenha inventado mil firulas de última hora, especialmente depois de conduzir a história muito bem até aqui, sem grandes tropeços, e com uma segurança poucas vezes encontrada em sagas que coordenou e escreveu anteriormente para a Marvel.

Dia 26 de junho: Age of Ultron #10.