[QUADRINHOS] Age of Ultron #7

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Um mundo sem Hank Pym é o que encontramos em Age of Ultron #7. Quais surpresas aguardam Wolverine e Mulher Invisível neste novo Universo Marvel? Descubra algumas delas abaixo, com SPOILERS da edição.

Roteiro de Brian Michael Bendis
Desenhos de Carlos Pacheco (passado) e Brandon Peterson (presente)
Arte-final de Roger Martinez (passado)
Cores de José Villarrubia (passado) e Paul Mounts (presente)

Depois de Wolverine matar Hank Pym no passado na edição anterior, ele e a Mulher Invisível vão para o presente conferir o mundo que resultou dessa solução definitiva para a Era de Ultron. O que eles encontram não é exatamente o que esperam, pois mexer com a linha temporal não é uma ciência exata, e as variáveis são incalculáveis. Portanto, imprevisibilidade é o que não falta na jornada que a dupla faz em busca de respostas sobre o panorama do cenário que criaram.

As primeiras pistas já começam a surgir na Terra Selvagem, quando encontram um cemitério de naves alienígenas que, segundo a Mulher Invisível, podem ser sinais da nova versão da famosa Guerra Kree-Skrull desta linha temporal alternativa. Em seguida eles vão para Nova York, onde novas e surpreendentes descobertas são feitas. A começar por esta:

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Parece que, apesar de terem livrado o mundo da ameaça de Ultron, isto não criou uma Nova York mais segura. Ainda é cedo pra dizer se esta frota de aeroporta-aviões da S.H.I.E.L.D. faz parte apenas do horizonte novaiorquino, ou se é um panorama mais global. Na verdade faltam informações até pra afirmar que a organização existe. A julgar pelo que se vê no início e no final desta edição, mais provável que exista uma organização chamada I.R.O.N. (deixo por conta de vocês bolar um significado pra sigla).

A recepção logo vem sob a forma de um grupo bastante eclético de heróis, a versão dos Defensores desta nova realidade que, tão logo Wolverine e a Mulher Invisível invadem o espaço aéreo de Nova York, já parte pra cima deles. E é aí que a diversão começa pra valer!

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Uma das possibilidades mais bacanas que histórias envolvendo a criação de linhas temporais alternativas abre para o autor é a de atiçar a curiosidade e a imaginação do leitor. Pois bem, neste número só o visual dos heróis da imagem acima instiga-nos a tentar adivinhar o que aconteceu com cada um deles para terem estas aparências. Alguns deles assumiram até o codinome de outros heróis, como Scott Summers, o Ciclope do Universo Marvel tradicional, que virou o Cable nesta realidade, e Janet Van Dyne, que ao invés de ser Vespa, agora é a Capitã Marvel.

Também chama a atenção o número de membros que trazem cicatrizes em seu corpo. Steve Rogers, que nesta linha temporada é o Coronel América, perdeu um olho, supostamente lutando contra algo ou alguém com garras; Hulk tem marcas de queimadura no braço e no peito esquerdos; o Coisa parece que levou uns tiros de uma munição que deixou marcas profundas em sua couraça de pedras; e o Cable é outro que perdeu um olho (curiosamente o esquerdo, criando um “equilíbrio” entre ele e o Coronel América, que não tem o olho direito) e, suponho, o braço esquerdo (que pode ser uma prótese cibernética, ou sinal de uma infecção do mesmo vírus tecnorgânico que infectou seu filho, Nathan Christopher Summers, o Cable no Universo Marvel tradicional – mais sobre ele aqui).

E a própria seleção de membros mostra que a equipe não está pra brincadeira na hora de defender Nova York. Dois pesos pesados (Hulk e Coisa), um caçador/rastreador (Wolverine), dois disparadores de energia (Cable e Capitã Marvel), um supersoldado (Coronel América), um super-herói cósmico (Senhor das Estrelas) e um conjurador de magias (Doutor Estranho). A impressão que dá é que seus grupos originais (Vingadores, Guardiões da Galáxia, X-Men e Quarteto Fantástico) se desmantelaram ou sequer existiram, gerando este que é uma mistura deles.

A postura da equipe também sugere que este mundo sem Hank Pym exigiu medidas mais extremas para protegê-lo, o que é refletido tanto pela presença protetora e ameaçadora dos aeroporta-aviões nos céus da cidade, como em toda a desconfiança com a qual recebem Wolverine e a Mulher Invisível, que são logo acusados de serem Skrulls. Aliás, este último detalhe também parece indicar que a versão deles da Invasão Secreta pode ser mais recente que a ocorrida no universo tradicional, e que ela não terminou tão bem quanto a versão que conhecemos.

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O restante da edição é dedicada ao previsível quebra-pau entre a dupla de viajantes do tempo e os Defensores, que culmina na revelação do Homem de Ferro deste universo, o qual, a julgar por seus acompanhantes, parece ocupar uma posição literalmente superior aos demais, além de ser uma mistura de conceitos e personagens (mais detalhes sobre isto quando sair a próxima edição, que deve focar-se revelar mais sobre este novo Tony Stark).

E vale novamente um elogio pela equipe artística, e por mais uma ótima sacada no uso dos dois desenhistas e seus estilos distintos. A transição entre o passado e o presente ficou ótima! Tanto Carlos Pacheco quanto Brandon Peterson são caprichosos, cada qual à sua maneira. Gostei muito da panorâmica da Terra Selvagem que Pacheco fez no início da história, e a página final de Peterson – que eu preferi não incluir aqui pra não estragar seu impacto pra quem não leu – não deixou nada a desejar para as melhores páginas de Bryan Hitch, cujo estilo de diagramação ele continua emulando, mas agora tomando mais liberdades em sua caracterização dos personagens, linguagem facial e corporal.

Age of Ultron segue despertando o interesse do leitor graças ao ótimo jogo entre surpresas e complicações que Brian Bendis vem criando no decorrer da saga. Ótima surpresa pra quem esperava que a maior parte da história seria focada num cenário pós-apocalíptico. As viagens no tempo deram um ótimo gás à história, e ampliaram as chances do autor brincar imaginando novas combinações de acontecimentos, personagens e conceitos fundamentais do Universo Marvel. Que as próximas três edições sejam conduzidas com tanta segurança e desenvoltura quanto as que já saíram.

Semana que vem: Avengers Assemble #15 AU.