[QUADRINHOS] Age of Ultron #5, Avengers Assemble #14 AU e Ultron #1 AU

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Mais dois tie-ins de Age of Ultron saíram esta semana junto com o livro cinco da saga: Avengers Assemble #14 AU, que mostra os primeiros minutos da investida de Ultron contra o planeta do ponto de vista da Viúva Negra; e Ultron #1, que revelou como o andróide Victor Mancha, filho de Ultron, está lidando com o pós-apocalipse robótico causado pelo pai.

Confira abaixo análises de cada uma das edições. Os textos contém SPOILERS.

Age of Ultron 005-000Age of Ultron #5

Roteiro de Brian Michael Bendis
Desenhos de Bryan Hitch
Arte-final de Paul Neary
Cores de Paul Mounts

Brian Bendis chega à metade de sua épica despedida dos Vingadores revelando mais sobre a origem da Era de Ultron, e como o vilão alcançou sua maior realização.

Desde o final da edição 3 o sintozóide Visão tornou-se uma das peças-chave da saga, e nesta o autor escancara de vez o papel do personagem no sucesso da investida de Ultron. Começa com a cena de abertura, um episódio recente, que se passa durante a fase conhecida como Era Heróica, quando a vida da comunidade super-heróica voltou a ganhar tons mais otimistas depois de passar por um Reinado Sombrio. Um dos acontecimentos que marcaram esta fase revitalizadora, que se refletiu especialmente nas histórias dos Vingadores, foi a “ressurreição” do Visão. É justamente este ponto que as primeiras páginas deste número explora.

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Vale lembrar que a “morte” do Visão ocorreu na saga Vingadores – A Queda, primeira história da equipe escrita por Bendis, que encerrou uma era dos Vingadores e deu início à passagem de mais de 8 anos do escritor pelos principais títulos do grupo. Desde então o Visão foi dado como morto, tendo seu corpo avariado preservado para tentativas futuras de restaurá-lo e reativá-lo. Mesmo a união das mentes de Tony Stark, Hank Pym e Reed Richards não foi capaz de encontrar uma solução para o problema, cuja solução foi tão inesperada quanto a tragédia que o gerou.

Mesmo que Bendis não tenha planejado tudo, o modo como o autor tirou proveito de uma brecha que ele próprio criou – o auto-reparo do Visão no período entre A Queda e a Era Heróica – para explicar de que forma o Visão virou um conduíte de Ultron é uma das melhores sacadas da saga até o momento. Uma das passagens mais marcantes desta edição é justamente aquela em que Tony Stark se dá conta do quanto os Vingadores foram ingênuos em aceitar o Visão como membro, mesmo sabendo quem o criou e quanto tempo Ultron poderia esperar pra descobrir um meio de voltar seu “filho” contra seus maiores inimigos.

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E nesta edição, mais do que nas anteriores, o tempo não apenas se mostra fundamental para a construção da história, como Bendis brinca com ele. Este capítulo é cheio de auto-referências à fase do autor com os Vingadores, a começar pela nova parceria da equipe com Nick Fury, que acaba remetendo a outras parcerias marcantes entre eles, como a vista na mini-série Guerra Secreta e na saga Invasão Secreta, que já foi citada nos capítulos anteriores, e é novamente neste (o que parece indicar o quanto Bendis gosta dela, apesar das críticas que sofreu na época).

Outra brincadeira de Bendis com o tempo é a coleção de artefatos tecnológicos de heróis e vilões de Nick Fury. A idéia não é nada original, pois já foi usada diversas vezes em outras histórias. Mas brincar com a nostalgia de leitores veteranos de maneira criativa e funcional para a história é sempre uma boa jogada. Especialmente se isto faz leitores nerds colecionadores encontrarem um ponto comum entre eles e um cara durão e respeitável como o Fury.

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O dilema de voltar no tempo para impedir o nascimento de um grande mal que se abateu sobre todo o planeta também não é novidade, mas funciona muito bem do modo como Bendis elaborou para a saga. A discussão entre os heróis sobre as consequências de seus planos, que realmente podem ser catastróficas, é bem escrita, e cobre as implicações científicas e morais envolvidas. O que de fato chama atenção, pela ousadia e pelos riscos que corre de gerar furos no roteiro e paradoxos temporais, é a maneira como será feita a investida dos heróis contra Ultron: uma equipe de Vingadores liderada por Nick Fury vai até o futuro tentar destruir o vilão de uma vez por todas, e libertar o que sobrou do mundo de seu domínio, enquanto outra, liderada por Wolverine, sem que a primeira saiba, pretende voltar ao passado para impedir Hank Pym de criar a inteligência artificial maligna. Sim, o careca tá disposto a apostar alto neste seu último trabalho com os Vingadores.

Seja como for o desenrolar das próximas 5 edições, a metade final da saga promete ser mais movimentada e complexa. Felizmente Bendis vem conduzindo a história até aqui com segurança, e depois deste número fiquei com a impressão de que pode ser que estejamos diante de mais uma das grandes histórias do escritor protagonizada pelos Vingadores. Se este será seu canto do cisne, ou apenas uma história muito bem construída que se perdeu no final, só descobriremos em junho, com a conclusão de Age of Ultron. Como adoro histórias sobre viagens no tempo, torço muito para que Bendis acerte a mão nesta. Que Jack Kirby o abençoe!

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Roteiro de Kathryn Immonen
Desenhos e cores de Amilcar Pinna

Neste conto sobre a sobrevivência e a solidão de um mundo em que a maior parte da humanidade foi extinta, acompanhamos o drama do andróide Victor Mancha. Sua história não é muito diferente da premissa arquetípica do filho que se rebela contra o pai, no caso Ultron, seu criador, seguindo um caminho oposto ao de seu “genitor” como forma de compensar toda a destruição e morte provocadas por ele.

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A história de Kathryn Immonen tem pouca ação e muita reflexão em torno da verdadeira natureza de Victor, e da maneira como ele vem lidando com as perdas que sofreu durante o holocausto global perpetrado por Ultron. Uma das boas idéias é a versão menos super-heróica e mais realista dos Fugitivos, equipe da qual Victor era integrante. Mesmo que não admita, Victor tenta recriá-la com crianças e adolescentes sobreviventes do ataque de Ultron, para preencher o vazio deixado pela morte de seus companheiros (que aparecem em apenas uma página como projeções baseadas nas memórias de Victor). O grupo reunido por Victor acaba se parecendo mais com uma versão melancólica dos Garotos Perdidos de Peter Pan, do que com uma equipe de super-heróis adolescentes filhos de super-vilões, que era a premissa original dos Fugitivos. Uma pena que a autora não explorou mais este aspecto, o que atribuo ao número limitado de páginas.

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Na arte os desenhos do brasileiro Amilcar Pinna lembram uma versão “simplificada” do Moebius, com algumas feições e técnicas remetendo a Barry Windsor-Smith. O cara é bom, e merece uma chance em algum título, embora, baseado no que eu vi aqui, seu estilo pareça mais adequado para séries mais autorais.

É um bom capítulo complementar, apesar de pouco relevante para a saga principal, embora eu não descarte a possibilidade do personagem aparecer nos próximos capítulos dela. Mas vale uma olhada pela importância que Victor terá após Age of Ultron, na futura série Avengers A.I., anunciada para julho, que lidará com o papel das inteligências artificiais do Universo Marvel em face das consequências desta saga.

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Roteiro de Al Ewing
Desenhos de Butch Guice
Arte-final de Tom Palmer
Cores de Frank D’Armata

Diferente das sagas anteriores da editora, que pecava pelo excesso de tie-ins e edições especiais de gosto e relevância duvidosos, parece que a Marvel finalmente encontrou um modo mais elegante e econômico de expandir determinados pontos e subtramas sugeridos pela história principal com Age of Ultron. Até agora tivemos um tie-in que contou o destino final do Quarteto Fantástico nesta linha temporal; outro sobre uma missão solo do Homem-Aranha, que serviu para justificar o comportamento do herói na saga (ambos analisados por mim aqui); uma visão mais intimista do mundo devastado na história protagonizada por Victor Mancha, filho do vilão; e este que mostra os primeiros minutos da onda de extermínio global deflagrada por Ultron.

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A protagonista deste episódio é Natasha Romanoff, a Viúva Negra, que acaba sendo uma ótima escolha para servir de ponto de vista dos aflitivos momentos iniciais do ataque de Ultron. Semelhante a filmes como a refilmagem do clássico Guerra dos Mundos dirigida por Steven Spielberg, e Cloverfield, acompanhamos o apocalipse robótico do ponto de vista do homem comum. Apesar de uma ou outra cena aérea, a maior parte da história é composta de cenas no nível da rua, com Natasha, à paisana e sem seus equipamentos, fazendo o que pode pra salvar o maior número de pessoas enquanto tenta se desviar das rajadas pulverizantes disparadas pelos Zangões Ultron.

Mas as cenas de correria e desespero não teriam um efeito tão forte se não fossem precedidas pelas iniciais, que passam um bom tempo transmitindo ao leitor a sensação de estar acompanhando um dia pacato e agradável na vida de Natasha. Há um uso levemente excessivo de recordatórios para reforçar isto, mas nada que comprometa o resultado obtido, que é satisfatório, especialmente pelo talento de Butch Guice, muito habilidoso em seus recortes do cotidiano e na diagramação das páginas. A idéia de prolongar aquele momento de paz para que a violência do ataque se torne mais marcante é muito acertada, assim como a condução do suspense, que segue num crescendo de fragmentos de informações sobre o que está acontecendo no resto do país até a chegada do primeiro ataque.

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No final descobrimos como a Viúva Negra teve parte do rosto desfigurado e se uniu ao Cavaleiro da Lua, e entendemos o que gerou toda a amargura que pareceu dominá-la cada vez mais até chegar ao ponto em que a encontramos em Age of Ultron #2. Ótimo complemento para a saga. Vale a leitura.

Na próxima semana: Age of Ultron #6 e Wolverine and the X-Men #27 AU.