[QUADRINHOS] Age of Ultron #4

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Roteiro de Brian Michael Bendis
Desenhos de Bryan Hitch
Arte-final de Paul Neary
Cores de Paul Mounts

Semana passada comentei para um amigo que Age of Ultron é o tipo de história que funcionará melhor quando for reunida num encadernado, pois seu ritmo não é o adequado para que ela seja dividida em edições, mesmo com periodicidade semanal. O principal motivo é que Brian Bendis não a escreveu se preocupando em enchê-la com cenas de ação, e terminar cada capítulo com um gancho pra deixar o leitor ansioso pelo próximo (com exceção do final da edição anterior). Ele pensou na saga como uma história para ser lida num tapa só, ou pelo menos esta é a impressão que ela vem passando. A edição que saiu hoje só aumentou essa minha suspeita.

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Age of Ultron parece seguir a estrutura da maioria das produções de Hollywood, que procuram dividir a história em três atos. O primeiro serve para apresentar os personagens, o cenário, a relação entre eles; o segundo para gerar conflitos e complicações; e o terceiro para resolver estes conflitos e amarrar as pontas soltas, geralmente num clímax seguido de um encerramento, que normalmente mostra como ficou a vida de todos aqueles que conseguiram sobreviver até a conclusão da história.

Da maneira como eu vejo, as três primeiras edições de Age of Ultron correspondem ao primeiro ato da história. Nelas tivemos o grupo principal de Vingadores, escondidos nos subterrâneos de Nova York, planejando uma ofensiva contra Ultron. Na segunda edição descobrimos outro grupo de sobreviventes em São Francisco, e na terceira o grupo de Chicago. Os finais da primeira e da segunda edição não apresentaram grandes ganchos, algo que só aconteceu na terceira, com a revelação de que o “cabeça” da Cidade de Ultron não é o dito cujo, mas o sintozóide Visão. Foi exatamente esta cena que marcou o final do primeiro ato de Age of Ultron.

Qualquer leitor, por mais desatento que seja, consegue notar a diferença entre o ritmo das três primeiras edições e o desta. Reparem como há mais ações paralelas, indicando uma preocupação maior em criar uma visão mais panorâmica da história, ao mesmo tempo em que ocorre um aumento da velocidade de seu avanço. Esta foi a primeira edição que Brian Bendis mostrou os três grupos de personagens introduzidos, respectivamente, em cada um dos três primeiros capítulos. Assim, temos a conclusão do plano de Luke Cage com a Mulher-Hulk na Cidade de Ultron; o Cavaleiro da Lua e a Viúva Negra descobrindo um plano de Nick Fury para destruir o vilão; e o Hulk Vermelho levando consigo uma peça que será fundamental para que tal plano seja posto em prática.

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Além desta convergência de linhas narrativas, temos o fator “viagem no tempo” finalmente introduzido na história, quando o Visão revela a Luke Cage exatamente de onde Ultron está comandando seu império. Mais um elemento o que promete tornar os próximos capítulos bem mais movimentados. E quem acompanhou os teasers que a Marvel soltou antes do lançamento da saga (especialmente este) já sabe que tudo vai se complicar ainda mais.

Curiosa também é a escolha feita por Bendis para o ponto de encontro dos três grupos de heróis: a Terra Selvagem, cenário do primeiro arco que escreveu para o título dos Vingadores, depois da saga Vingadores – A Queda, que encerrou a série anterior da equipe.

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Até aqui foi o melhor capítulo da saga, que consegue, graças ao talento de Bendis, fazer com que sintamos o peso do sacrifício de um personagem sem precisar mostrá-lo explicitamente, assim como a tristeza de seus companheiros por sua perda.

Neste número Bryan Hitch até caprichou mais na arte. As cenas de ação estão empolgantes, os personagens desenhados com mais cuidado e os cenários detalhados como de costume.

Confira os reviews anteriores aqui.

Semana que vem: Age of Ultron #5, Ultron #1 e Avengers Assemble #14 AU.