[QUADRINHOS] Age of Ultron #3, The Superior Spider-Man #6 AU, Fantastic Four #5 AU

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Esta semana além da 3ª edição de Age of Ultron, começaram a sair os tie-ins da saga, com histórias do Quarteto Fantástico e do Homem-Aranha ambientadas no presente alternativo em que a trama central ocorre.

Mais detalhes sobre elas abaixo, com SPOILERS das edições comentadas. Confiram!

Age of Ultron 003-000Age of Ultron #3

Roteiro de Brian Michael Bendis
Desenhos de Bryan Hitch
Arte-final de Paul Neary
Cores de Paul Mounts

Eu não tiro a razão de quem está achando Age of Ultron uma saga lenta. De fato é uma história que, até o momento, está mais preparando conflitos e estabelecendo ambientação e atmosfera, do que partindo pra ação desenfreada e coordenação de várias frentes. Mas estas frentes estão sendo aos poucos reveladas. O que ocorre é que Brian Bendis não é um autor que gosta de espalhar múltiplas linhas narrativas em poucas páginas. Ele prefere fazer isto sem pressa, o que pode desagradar quem gosta de histórias mais frenéticas.

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Neste número os Vingadores discutem o plano do Capitão América pra infiltrar um dos membros de seu grupo na fortaleza de Ultron. Baseado no relato do Homem-Aranha, visto no número anterior, ele acredita que a melhor forma de fazer isto é fingir que um deles está interessado em vender o outro por proteção, como o Coruja e o Cabeça de Martelo tentaram fazer na primeira edição. Luke Cage e a Mulher-Hulk se oferecem para ser, respectivamente, o “vendedor” e a “mercadoria”. E boa parte da edição é basicamente Luke levando a Mulher-Hulk inconsciente para a Cidade de Ultron.

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A novidade da vez é a introdução de mais um grupo de heróis desgarrados, Hulk Vermelho, Pantera Negra e o não exatamente heróico Treinador. São eles os responsáveis pela ação desta edição, que é muito rápida, e planta uma semente que pode germinar idéias interessantes nos próximos capítulos: a cabeça roubada de um dos Zangões de Ultron. Para quem ela foi roubada? Alguém capaz de fazer engenharia reversa e descobrir alguma fraqueza que pode ajudar a derrotar Ultron? Se for este o caso, por enquanto eu aposto em Bruce Banner/Hulk.

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E o gancho final é daqueles que podem pegar de surpresa num primeiro momento, mas, se analisado levando em consideração os envolvidos, é bem lógico que ele esteja naquela posição central e naquelas condições. Ultron sempre foi uma espécie de filho que se sentiu traído pelo pai, Hank Pym, e não há forma mais cruel de vingar-se de seu criador do que deturpar sua criação, mesmo que esta em questão seja obra do filho, e não do pai. E vale lembrar que aquele personagem começou como um inimigo dos Vingadores, portanto, ele só está voltando às suas diretrizes primárias, embora haja sinais de que ele resistiu à reprogramação pela qual provavelmente passou.

Apesar do desenvolvimento lento, Bendis está escrevendo uma história envolvente. Pode não ser ainda o melhor momento do escritor com os Vingadores, mas, até aqui, não dá pra acusar a história de ser feita às pressas. Infelizmente não posso dizer o mesmo do trabalho de Bryan Hitch, que apesar de ainda mostrar-se imbatível ao retratar os cenários destruídos da Era de Ultron, apresenta sinais de cansaço e talvez um bocado de desleixo em algumas páginas. É de se pensar se isto não é reflexo da insatisfação que o desenhista vinha sentido em seus últimos trabalhos para a Marvel, que chegou a recusar a proposta de um projeto com o Homem-Aranha que ele e Joss Whedon (!) haviam apresentado para a editora.

SSM_6AU_TheGroup-000The Superior Spider-Man #5 AU

Roteiro de Christos Gage
Arte de Dexter Soy

Este tie-in, apesar de não contribuir para o avanço da trama central de Age of Ultron, serve para melhor integrar o Superior Homem-Aranha à saga. Nas edições escritas até agora por Bendis não há o menor indício de que o corpo de Peter Parker ainda está sob controle da consciência do Dr. Octopus, talvez porque as primeiras edições da saga foram escritas antes da Marvel topar a idéia da troca de mentes. Aqui Christos Gage justifica muito bem esta falta de indícios, além de apresentar boas idéias sobre a forma como o Octopus-Aranha usaria seus recursos e conhecimentos de cibernética para investir contra Ultron.

Primeiro é boa a sacada de Gage em deduzir que, passado um bom tempo como Peter/Aranha, Otto enxergaria as vantagens de continuar agindo como o “velho Homem-Aranha”, pelo menos diante de seus companheiros de equipe, para não despertar suspeitas. E como ele tem acesso a lembranças do herói, isto acaba facilitando na hora de incorporar algumas características de sua personalidade. O que não o impede de sentir-se limitado por toda a atuação que deve fazer quando está perto dos Vingadores.

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Outra boa idéia do roteirista é a de que Otto Parker, caso conseguisse salvar o mundo de Ultron, buscaria uma forma de usar a tecnologia do vilão para reconstruí-lo como uma versão melhor daquela que foi destruída. Isto vai de encontro a algumas especulações a respeito do final da saga, que pode ver a tecnologia do vilão sendo incorporada pelos Vingadores como uma versão purificada/domada da inteligência artificial.

Neste tie-in o máximo que o Octopus-Aranha consegue é assumir temporariamente o controle de alguns Zangões de Ultron usando seus robôs-aranha (aqueles que ele vem usando na série mensal para vigiar cada canto de Nova York) e seu controle mental sobre máquinas, desenvolvido ao longo dos anos por estar telepaticamente ligado a seus antigos tentáculos.

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No final a história funciona como um conto moral, no qual Otto Parker é forçado a engolir seu orgulho e reconhecer o valor de seus aliados. Pode não ser uma grande história, mas funciona dentro do janela de tempo limitada que o roteirista ganhou para desenvolver personagem e idéias sem afetar ou desviar-se da trama desenvolvida por Bendis na saga principal. E os desenhos de Dexter Soy, com leve influência de animes, são dinâmicos e expressivos, além de apresentar cenários detalhados e uma colorização que acerta a mão na hora de imprimir atmosfera à arte.

FanFour_5_TheGroup-000Fantastic Four #5 AU

Roteiro de Matt Fraction
Desenhos de André Araújo
Cores de Jose Villarrubia

Este tie-in serve especialmente para esclarecer uma dúvida que Age of Ultron despertou logo no início: em que ponto do tempo a dominação global de Ultron começou? A resposta é simples: no presente. Na verdade a própria numeração dos dois tie-ins que saíram esta semana já dão a dica de que a saga se encaixa bem no meio da fase Marvel Now. Portanto, podemos esperar, no final, algo que reverta boa parte deste cenário, e deixe tudo como já está, pois as próximas edições de Superior Spider-Man e Fantastic Four já se encaixarão, cronologicamente, após o ponto em que a Era de Ultron foi instaurada neste presente alternativo que a saga apresenta.

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Apesar de ser bem burocrático ao mostrar a queda do Quarteto Fantástico nesta realidade, Matt Fraction aproveita a história para plantar uma futura subtrama: a culpa do Coisa no acidente que deformou o Doutor Destino. Vejamos o que sairá disto nas próximas edições. Paralela à última missão do Quarteto acompanhamos um vídeo que eles deixaram para Franklin e Valeria se despedindo deles, que eu achei uma grande sacanagem. Por mais genial que seja a menina, e por mais poderoso que seja o garoto, não me parece do feitio do Quarteto deixá-los sozinhos à deriva num ponto desconhecido do universo. Dou um desconto por ser apenas uma situação que durará até a saga terminar, mas, ainda assim, dava pro Fraction pensar em algo mais plausível.

Mas o destaque da história é mesmo os desenhos de André Araújo, que, apesar do nome, não é brasileiro, mas português. Ele já havia desenhado o Quarteto Fantástico em FF #22 pré-Marvel Now, algo que faz de maneira bem caricata, que em alguns momentos funciona e em outros fica um tanto estranho. O ponto forte de seus desenhos é sua atenção aos detalhes, especialmente nos cenários, que remete ao trabalho de desenhistas europeus. Sua participação neste tie-in só faz lamentar ainda mais a escolha de Mark Bagley como desenhista da série mensal do Quarteto. Araújo merecia uma chance de destacar-se mais e aperfeiçoar seus desenhos num título mensal, e o do Quarteto seria um ótimo começo. Que a Marvel pense o mesmo num futuro próximo.

Na próxima semana: Age of Ultron #4.