[QUADRINHOS] A Terra dos Filhos, de Gipi (resenha)

Em mais um cenário pós-apocalíptico, Gipi desenvolve uma trama com dois irmãos que lutam para sobreviver e se encontrar em um mundo destruído e caótico, onde resquícios da nossa cultura virtual se fazem presentes nas falas e gírias de uma civilização cruel e despótica.

Em um mundo tão duro, faz-se necessário regras de sobrevivência, sendo estas ditadas pelo pai dos meninos, que lhes ensina com dureza, pois o mundo que ele conhecia e que era bom acabou e lhes restou viver naquela realidade. Todas as suas memórias, passadas e presentes, são escritas em um caderno, e seus meninos são aficionados pelo mesmo, mas são proibidos de pegá-lo.

Uma série de desventuras leva ao falecimento do pai, e é neste ponto que se inicia a luta pela sobrevivência, e uma busca por quem possa ler o conteúdo do tão proibido e misterioso caderno. Nesta jornada, os meninos acabam por descobrir que não se pode confiar demais nas pessoas, e o quão cruel pode se tornar um homem. Passando por grandes perigos, os dois enfrentam tudo e todos, em prol de suas vidas e do conhecimento, fora do barco em que eles viviam.

Gipi nos põe em contato com a rispidez e mazelas que os relacionamentos humanos podem se tornar, principalmente quando se perde a memória da civilização, e permitem-se viver como primitivos e com ignorância.

Este realmente é um quadrinho muito intenso, não só pelo cenário ou a história, mas por todo conjunto: a arte gráfica entra em harmonia com a narrativa, toda em traços finos e fortes – como se quisessem transparecer certa violência – tudo em preto e branco. A construção e ligação entre arte e narrativa proporcionam a melhor das experiências ao desfrutar de sua leitura.


Veneta

Tradução: Michele Vartuli

Brochura

28 x 20,8 x 2 cm

288 páginas

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