[QUADRINHOS] A homossexualidade de um dos X-Men originais e sua repercussão

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Pra quem não está sabendo ainda, esta semana saiu nos Estados Unidos a 40ª edição de All-New X-Men, e nela uma revelação inusitada para muitos: um dos X-Men originais é gay. Desde então a notícia vem repercutindo na internet.

É importante contextualizar o ocorrido: os X-Men foram criados por Stan Lee e Jack Kirby em 1963, concebidos como uma alegoria das minorias sociais vítimas de preconceitos. No caso deles, são pessoas nascidas com superpoderes, oprimidas pela sociedade por serem diferentes de um ser humano “normal”.

Nas décadas seguintes o grupo caiu nas graças de diversas minorias de nosso mundo, desde raças diferentes, até gêneros que vão além do heterossexual.

O que pegou alguns fãs dos quadrinhos de surpresa foi o fato de um dos X-Men originais – que recentemente, através de uma viagem no tempo, foram trazidos do passado para o presente na série All-New X-Men – revelar-se gay. No caso em questão, um herói que, ao longo de mais de 50 anos de existência, envolveu-se com pessoas do sexo oposto, embora em relacionamentos que pouco tempo duraram – o que pode ter sido um dos fatores que levaram Brian Michael Bendis, roteirista da história atual, revelar sua homossexualidade.

ATENÇÃO: daqui pra baixo lidarei com SPOILERS!

Antes de prosseguirmos, vejamos a tão debatida cena em que ocorre a revelação, desenhada por Mahmud Asrar:

 

Óbvio que isto gerou debates acalorados, especialmente porque Bobby Drake, o Homem de Gelo, já namorou com Opal Tanaka, as heroínas Polaris, Kitty Pryde e até com a vilã Mística durante um período.

Sobre isto, Axel Alonso, editor-chefe da Marvel Comics, afirmou à MTV que eles lidarão com esta diferença entre a versão mais jovem e a mais velha do personagem, que convivem no presente deste que seu “eu passado” veio para o tempo atual. 

Também é importante dizer que na própria edição esta questão é levantada por Bobby, quando se pergunta, algumas páginas depois das mostradas acima, como sua versão mais velha não é gay, a qual ele próprio responde: “Talvez porque ele não pôde lidar com o fato de ser mutante e gay numa sociedade que tem problemas [em aceitar] ambos? E que é mais fácil assumir um [lado] do que o outro?”

Já Bendis declarou que, apesar da forma como a revelação ocorreu, ela não pode ser levada ao pé da letra. Para reforçar isto, o autor salientou o seguinte em seu Tumblr:

Esta é uma história muito única porque um personagem, de uma época diferente e uma visão limitada do mundo [Jean Grey], está lendo a mente de outro personagem [Bobby]. Não é uma história tradicional sobre ‘sair do armário’, e ainda há o envolvimento de uma viagem no tempo.

bryan-singer on the set of x men days of future past

Ontem Bryan Singer, diretor de X-Men 1 e 2, Dias de Um Futuro Esquecido, e do futuro X-Men: Apocalipse, que é gay assumido, deu sua opinião sobre a história recente ao site Entertainment Weekly:

Conversei com Stan Lee uns anos atrás, durante um almoço. Perguntei a ele: ‘Você imaginou [os X-Men] como uma alegoria para os gays?’ […] E ele respondeu: ‘Claro.’ Ele deve ter dito isto pra ser educado comigo, mas eu acredito nele. Ele é um cara de mente muito aberta.

Quando perguntado se tal revelação afetaria sua abordagem do personagem no cinema, ele disse o seguinte:

Acho interessante que nos primeiros filmes ele desenvolveu um relacionamento com uma garota que era fisicamente incapaz de tocar. Há um subtexto aí. Não tenho certeza se fiz isto intencionalmente na época, mas há algo irônico sobre isto […] Estou me referindo ao relacionamento dele com Vampira, interpretada por Anna Paquin. E em X-Men 3, que eu não dirigi, o Homem de Gelo tem um relacionamento com Kitty Pride, que voltei a abordar em ‘Dias de Um Futuro Esquecido‘, o que foi outra coincidência, pois Ellen Page recentemente assumiu que é gay. O que torna toda a situação ainda mais irônica.

Sobre a cena dos quadrinhos em que a revelação ocorre, Singer disse que:

[Ela] foi evidentemente voltada para o humor. Isto sempre foi algo muito específico dos X-Men, que se relaciona com a comunidade LGBT. Você nascer numa família ou numa vizinhança com a qual não se identifica. Uma pessoa com uma determinada religião ou raça nasce numa comunidade com crenças ou atributos físicos similares. Mas uma pessoa LGBT nasce num mundo — para usar um exemplo usado pelos X-Men — como um mutante. E é claro que os pais, irmãos e irmãs podem não ser mutantes. E eles sentem um tipo único de solidão.”

E você, o que achou de tudo isto? Diga nos comentários.

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