[QUADRINHOS] A Canção do Cão Negro, de Cesar Alcázar e Fred Rubim (resenha)

Anrath, o Cão Negro de Clontarf, agora comanda o navio que tomou do falecido Ild Vuur. Um ano de relativa paz se passou, até que o passado voltou a persegui-lo sob a forma de vingança. Cabe ao guerreiro sobreviver a mais este desafio, além de resistir às tentações de um ser mítico.

De início, o que posso dizer sobre este 2º volume dos Contos do Cão Negro é que achei boa a sacada da história se passar um ano depois do primeiro álbum, que é o mesmo tempo que passou desde o lançamento dele pela AVEC Editora em 2016. Só este detalhe já ajuda o leitor a imergir no universo criado por Cesar Alcázar e Fred Rubim.

A Canção do Cão Negro é uma história mais brutal que O Coração do Cão Negro (que resenhei aqui). Sua violência é mais gráfica e crua (tem flechada no olho, cabeça despedaçada por pedra, entre outras barbaridades), combinando com o período histórico retratado. É o tipo de história que agradará quem acompanha a série Vikings.

Mas isto não significa que o altruísmo perdeu seu espaço neste novo capítulo da vida de Anrath. Na missão inicial do novo volume, acompanhamos ele e sua tripulação resgatando escravos de asseclas de Ild Vuur, o viking morto pelo Cão Negro no volume anterior.

Em seguida o herói é tentado pela chance de mudar de vida, o que reforça sua tragédia como guerreiro cuja violência o persegue. E é isto que acontece quando amigos Ild Vuur atacam o navio que Anrath tomou do viking, forçando-o a retirar-se para uma ilha, que esconde em suas entranhas rochosas uma entidade cujo poder novamente tenta persuadir o herói a seguir um caminho mais pacífico. Claro que, como uma boa aventura de espada e magia, tal proposta cobra um preço.

O que se destaca neste 2º volume dos Contos do Cão Negro é a qualidade do texto e da arte. Enquanto Alcázar é preciso e sucinto na escolha de cada palavra, Fred brilha ao retratar a ação. Seu traço rústico é perfeito para a violência visceral da história. Em sequências “mudas”, como a do ataque inicial, ele reforça seu talento como narrador visual. Mais tarde ele se permite diagramações elegantes e eficazes, como a que mostra os dois lados do “campo” de uma batalha naval em páginas justapostas. Além do óbvio espetáculo visual da página dupla que marca o impiedoso ataque ao navio de Anrath.

Nos trechos de teor mais intimista ou erótico, Rubim também acerta no tom de sua narrativa, criando um contraste marcante entre as passagens mais lentas e as mais frenéticas da trama. Essa oscilação ondulante do ritmo parece ecoar o mar que rodeia a ilha onde Anrath foi emboscado, sendo mais um mérito do ótimo roteiro de Alcázar.

Com doses bem distribuídas de ação, terror e erotismo, A Canção do Cão Negro é uma leitura ainda melhor e mais fluida que a do 1º volume. Aqui Alcázar e Rubim demonstram o quanto estão afinados entre si, prometendo histórias cada vez melhores nos próximos volumes da série. Desde já aguardo ansioso por novos capítulos da vida do Cão Negro de Clontarf.

Nota 4 de 5


AVEC Editora

Editor: Artur Vecchi

Projeto gráfico e diagramação: Vitor Coelho

Revisão: Gabriela Coiradas

Brochura

28 x 21 x 0,6 cm

64 páginas

Compre aqui.

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