[QUADRINHOS] 8 Controvérsias Marcantes dos Quadrinhos

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Entre os leitores de quadrinhos de super-heróis existe uma parcela de fãs do gênero que está entre uma das mais reacionárias no que diz respeito a mudanças drásticas no rumo da vida de seus heróis preferidos. Abaixo falaremos de algumas das mais marcantes até hoje.

Este texto vem a calhar numa semana em que fãs dos super-heróis da Marvel viram anúncios de grandes mudanças nas vidas de três deles: Thor, Capitão América e Homem de Ferro. Enquanto os da DC receberam semana passada a notícia de que a Batgirl passaria por mudanças de visual e residência em outubro, mês que também promete grandes alterações na dinâmica das relações entre vigilantes e criminosos de Gotham City (fique por dentro de algumas delas aqui, aqui, e aqui).

Mas este texto não é pra falar do que ainda virá, mas do que já aconteceu com alguns dos heróis de ambas as editoras. Portanto, vamos ao que nos interessa:

A Noite Em Que Gwen Stacy Morreu

Amazing Spider-Man 121 The Night Gwen Stacy Died

Hoje a história é considerada um clássico, e a morte de Gwen Stacy é um dos capítulos mais relembrados da história do Homem-Aranha nos quadrinhos, tanto que acabou sendo adaptado para o cinema no filme O Espetacular Homem-Aranha 2. Mas, em 1973, a história de Roy Thomas, Gerry ConwayJohn Romita Sr., publicada em Amazing Spider-Man #121 (republicada recentemente no Brasil em Coleção Histórica Marvel: O Homem-Aranha n° 1, pela Panini Comics) enfureceu muitos fãs da personagem. O resultado foi que a Marvel recebeu por correio o correspondente ao que hoje em dia é xingar muito no Twitter. Um exemplo, retirado da sessão de cartas da edição seguinte à da morte da personagem: Como OUSAM matar Gwendolyn Stacy?! Seu bando de mercenários sádicos e desalmados. Não sou mais um True Believer!” (nota do tradutor: nome pelo qual Stan Lee se referia aos fãs do Universo Marvel). Reduza a 140 caracteres e substitua algumas palavras por palavrões, e você terá um autêntico fanboy revoltado do Twitter. 

Crepúsculo Esmeralda

Green Lantern 49 Emerald Twilight

Os anos ’90 não foram nada fáceis para alguns super-heróis da DC Comics. O Superman foi morto, o Batman aleijado, e, pra completar o quadro de grandes tragédias, Hal Jordan, o Lanterna Verde, tornou-se um vilão. Tudo começou com a destruição de Coast City, e a morte de toda a população da cidade natal de Jordan, durante a saga O Retorno do Superman. Isto o fez matar toda a Tropa dos Lanternas Verdes e os Guardiões do Universo, com o objetivo de roubar a fonte de poder dos anéis, a fim de desfazer a destruição e extermínio. Claro que não deu certo, ele tornou-se um vilão, enquanto Kyle Rayner, um novato, virou o novo Lanterna Verde. Isto, obviamente, enfureceu os fãs do personagem, que por 10 longos anos pressionaram a DC para voltarem com Hal Jordan do jeito que ele era. Alguns deles chegaram a se organizar num grupo chamado H.E.A.T. (Hal’s Emerald Advancement Team – Equipe do Progresso Esmeralda de Hal), que defendia “a preservação de personagens tradicionais dos quadrinhos” para “a apreciação de futuras gerações”. A ironia do caso é que Hal Jordan surgiu na Era de Prata como uma reinvenção do Lanterna Verde da Era de Ouro (que mais tarde passou a fazer parte do Universo DC como membro da Sociedade da Justiça, formada por heróis veteranos).

Esta história foi republicada em 2009 no Brasil no encadernado Lanterna Verde – Crepúsculo Esmeralda/Novo Amanhecer, pela Panini Comics.

Heróis Renascem

Heroes Reborn Marvel Comics

Nos anos ’90 a Marvel não andava bem das pernas tanto criativa como financeiramente. A solução encontrada foi passar para as mãos de Rob Liefeld e Jim Lee – dois nomes de peso do passado da editora, que no início dos anos ’90 fundaram a editora Image Comics – a tarefa de reformular alguns de seus personagens mais tradicionais. O resultado foi o relançamento de Quarteto Fantástico, Vingadores, Homem de Ferro e Capitão América num universo alternativo onde existiam apenas eles como super-heróis, logo após os mesmos morrerem na saga Massacre. Esse “reboot parcial” do Universo Marvel não foi muito bem recebido, e apenas um ano depois desfizeram a coisa toda, inventando a desculpa de que o universo pra onde todos aqueles heróis “rebootados” foram era um mundo criado por Franklin Richards, filho do Sr. Fantástico e da Mulher Invisível, que tem o conveniente poder de alterar a realidade como desejar. Ao descobrirem isto, os heróis que continuaram vivos no universo tradicional usaram os poderes do menino pra irem até o universo de Heróis Renascem, e resgataram os heróis que estavam presos lá. E tudo voltou a ser basicamente como era antes, mas nas mãos de caras mais competentes como Mark Waid (que passou a escrever Capitão América – cuja primeira fase escrita pelo Waid, pré-Heróis Renascem, foi republicada pela Panini Comics no encadernado Capitão América – Operação Renascimento, de 2009) e Kurt Busiek (que assumiu Vingadores e Homem de Ferro).

Vingadores: A Queda

Avengers Disassembled

Os Vingadores são um sucesso incontestável hoje, tanto no cinema quanto nos quadrinhos, e tudo isto se deve, em grande parte, a esta história. Escrita por Brian Michael Bendis 10 anos atrás, em Vingadores: A Queda os leitores viram a Feiticeira Escarlate enlouquecer e matar o Gavião Arqueiro, o Homem-Formiga, o Visão e o Valete de Copas enquanto, paralelamente, o Thor morria em Asgard com os demais deuses quando finalmente teve que enfrentar o apocalíptico Ragnarok. Como resultado os Vingadores se desfizeram, e em seguida formaram os Novos Vingadores, do qual passaram a fazer parte Wolverine e Homem-Aranha. Tudo isto foi muito controverso para – adivinham quem? isto mesmo: os fãs das versões tradicionais. Apesar de terem acusado Bendis de descaracterizar os personagens, e desrespeitar a continuidade, a história vendeu muito bem, e gerou uma série de outras histórias em quadrinhos igualmente bem sucedidas que expandiram a franquia na Marvel Comics, gerando inúmeras séries irmãs, dando margem para o surgimento dos Supremos no Universo Marvel Ultimate, que foi uma das bases conceituais para a criação do Universo Marvel Cinemático. OU SEJA, se não fosse pelo gordinho careca do Bendis, talvez não existisse o filme dos Vingadores tal qual o vimos 2 anos atrás.

A Ascensão de Arsenal

The Rise of Arsenal covers 1-4

Esta não foi a primeira vez que a DC lidou com temas mais maduros e complicados, que retrataram o embrutecimento de diversos de seus personagens, iniciado na minissérie Crise de Identidade, que levou às várias mortes e desmembramentos vistos na saga Crise Infinita, à violenta Clamor por Justiça, que antecedeu A Ascensão de Arsenal. Mas o que fez esta história se destacar negativamente foi a “sutileza” da história, que foi correspondente a pegar personagens de um desenho animado infantil e jogá-los num mundo extremamente violento e depravado. Não funcionou. Tanto que, não muito tempo depois, tudo que aconteceu nela foi descartado junto com várias subtramas do Universo DC pré-Novos 52.

Antes de Watchmen

Before Watchmen by Lee Bermejo

Já era esperada uma resposta nada acolhedora quando a DC anunciou que faria prequels de Watchmen, clássico de Alan Moore e Dave Gibbons. A história é considerada por muitos uma das grandes obras primas dos quadrinhos, alvo de incontáveis análises desde que foi lançada. Por isto, fazer histórias dentro daquele universo, e entregar a tarefa para outros escritores, soou quase como uma blasfêmia. Isto despertou discussões sobre os direitos dos criadores sobre obras criadas sob contrato e a comercialização da arte. Muitos já se posicionaram contra Antes de Watchmen antes que as primeiras edições sequer fossem impressas. De alguma forma parece que isto tudo repercutiu na opinião das críticas à obra, que foram bem modestas, assim como as vendas, o que tornou Antes de Watchmen, ao contrário de sua antecessora, uma obra esquecível.

Os Novos 52

New 52 Justice League by Jim Lee

Aqui foi quando a tradição cedeu, novamente, lugar à renovação, em grande parte por conta do velho problema das baixas de vendas. A DC não estava dando conta de competir com a Marvel, por mais que tentasse uma ou outra forma de chamar a atenção para suas séries e eventos, o que a levou a realizar um movimento mais arriscado: recomeçar do zero seu universo. Em 2011, tirando proveito de Ponto de Ignição, uma história menor do Flash, envolvendo um universo alternativo gerado por um erro que o herói cometeu ao voltar no tempo e impedir a morte de sua mãe, a DC aproveitou a desculpa da trama lidar com paradoxos temporais, e usou o fim da saga como desculpa pra gerar um novo Universo DC. Assim surgiram os Novos 52, e com eles muitas mudanças que acenderam a fúria dos fãs do universo tradicional da DC. Até hoje há muitas discussões acirradas entre os defensores do novo universo e os do anterior (que parecem se esquecer que a DC já fez isto quase 30 anos atrás, depois de Crise nas Infinitas Terras). Independente das reações, a estratégia funcionou, alavancando as vendas, e esta nova fase está prestes a completar 3 anos em setembro.

Um Dia a Mais

Spider-Man One More Day by Pasqual Ferry

Sim, aqueeela história do pacto com o Mephisto, cuja simples menção causa comichões em muitos fãs do Homem-Aranha. O lance é que a Marvel matou Gwen Stacy nos anos ’70 porque não queria que um de seus heróis mais populares se casasse e fosse feliz para sempre. Daí, caindo em contradição, décadas depois o casou com Mary Jane, apenas para, mais uns anos depois, Joe Quesada, então editor chefe da Marvel, achar que o herói tinha mais apelo aos nerds que o curtiam se ele fosse solteiro, mas que não seria muito legal se ele simplesmente se divorciasse. A solução? Botar a Tia May às portas da morte, e obrigar seu querido sobrinho a realizar um pacto com o capiroto em pessoa, que em troca de salvar a velhinha (que gênios da ciência como Tony Stark, Reed Richards e Hank Pym foram incapazes de salvar, apesar de ela estar morrendo por um ferimento DE BALA), pediu que Peter Parker abrisse mão de todas as lembranças coletivas de seu casamento com Mary Jane. E assim, o casamento deles foi apagado da continuidade da forma mais diabólica e cara de pau possível.

Anos se passaram desde então, e veio outra controversa história envolvendo o Cabeça de Teia: Homem-Aranha Superior, mas a que deixou o gosto mais amargo na boca dos fãs do Amigão da Vizinhança foi mesmo uma das desculpas mais esfarrapadas da história dos quadrinhos do que poderia ser facilmente resolvido num cartório. Mas este é o maravilhoso mundo dos super-heróis, meus caros, onde até mesmo o fim de um casamento tem que ser épico e extremamente trágico! Os fanboys chiitas agradecem por fornecer mais este motivo pra xingarem muito no Twitter e se embrenharem em discussões tórridas na internet que não levarão a lugar nenhum.

(o texto original de Erik Grove, para o site Bleeding Cool, serviu como base pra este texto, sendo parcialmente traduzido, adaptado e livremente reinterpretado por Rodrigo F. S. Souza)

2 thoughts on “[QUADRINHOS] 8 Controvérsias Marcantes dos Quadrinhos

  1. Alguém pode me explicar o que significa “Chiita dos quadrinhos”?
    Se é que isto tem significado.

    Ouvi esta frase num vídeo no tube!

    • Fã que reclama de tudo, geralmente sem justificar sua reclamação. “Chiita” porque a maioria dos que fazem isto agem como fanáticos religiosos, que não estão dispostos a discutir civilizadamente, e preferem atacar quem é contrário à sua opinião.

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