[PROMOÇÃO] Concurso Cultural “Doctor Who”: RESULTADO!

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Hoje Doctor Who completa 52 anos, o que significa que também é dia de revelarmos o resultado de nosso concurso cultural, que nada mais foi do que uma forma de comemorarmos o aniversário da série com a ajuda da imaginação de alguns de nossos leitores.

Depois de ler e analisar todas as 20 fanfics que recebemos, chegamos aos finalistas! Sem muita enrolação, aí vão eles:

3º lugar: “Pesadelos” de  Mayara Souza

2º lugar: “O Planeta Vazio” de Gilberto Varis

1º lugar: “A Nova Companion” de Mariana Ueno

Parabéns! Entraremos em contato contigo por e-mail, Mariana! 🙂

Leiam abaixo a fanfic vencedora:


A Nova Companion

Por Mariana Ueno

Capítulo 1

Fazia sol em Londres. Era início da manhã e as ruas estavam cheias de pessoas apressadas em direção aos seus compromissos. Tão apressadas que nem perceberam o senhor alto, de paletó preto, calças xadrez e cabelos grisalhos no meio delas.

Ninguém, exceto uma pessoa.

Fazia alguns minutos que aquela garota estava de olho naquele excêntrico senhor. Porém, não era exatamente nele que ela estava interessada, mas sim no objeto que ela o vira usando antes. Ela não sabia o que era, mas queria muito descobrir, principalmente depois de vê-lo usando tal objeto comprido e metálico perto do beco em que vivia.

Enquanto isso, o Doutor continuava a caminhar. A atmosfera da Terra estava com os níveis de oxigênio mais baixos do que o normal, e a TARDIS concluíra que o ponto de partida dessa alteração se encontrava em Londres. Essa era a única pista que ele tinha, por isso, o máximo que ele podia fazer era sair por aí investigando qualquer coisa que soasse suspeita.

A menina continuou seguindo aquele homem, despistando habilmente das pessoas que andavam pela rua. As necessidades da vida fizeram com que poucas pessoas fossem mais rápidas do que ela, por isso, ela o alcançou em poucos segundos e chegou perto o suficiente para ver aquele curioso objeto dentro do bolso de seu paletó. Ela viu que ele parecia distraído, então, enfiou a mão em seu bolso, pegou o objeto, e saiu como se nunca tivesse estado ali.

O Doutor, irritado por não ter achado nada de importante até agora, decidiu usar a chave de fenda sônica para escanear o local. Ele pôs a mão no bolso para pegá-la, mas percebeu que não havia nada ali.

– Mas o quê? – Exclamou ele espantado. – Eu juro que tinha deixado ela aqui!

Sua chave de fenda havia simplesmente desaparecido. Mas como? Ela deveria ter caído, pois ele perceberia se tivesse sido roubada. O Doutor saiu correndo de volta para a TARDIS a fim de rastrear a localização da sua chave de fenda antes que ela caísse em mãos erradas e causasse algum desastre. Afinal, qualquer coisa nas mãos de um humano poderia causar um desastre.

Capítulo 2

– Senhoras e senhores! Aproximem-se e vejam a mágica acontecer bem diante de seus olhos!

A garota se encontrava de pé no meio da praça. Uma roda de pessoas começou a se formar em volta dela, curiosos com o objeto que ela agitava no ar e que emitia um som agudo.

– Não tenham medo, podem chegar mais perto. – Incentivava ela. – Vamos, quero que observem esta maçã. – Dizia ela pegando uma maçã do bolso do casaco. – Ela não está com uma cara muito boa, não é? Mas não se preocupem, posso fazer ela se tornar tão fresca como se tivesse acabado de ser colhida. E isso apenas com esta vara!

Todos a olhavam sem entender, então ela apontou a chave de fenda sônica para a maçã que, para a surpresa de todos, se tornara vermelha e brilhante em um piscar de olhos.

Muitos bateram palmas, impressionados com o que viam, e alguns olhavam um tanto incrédulos para a maçã.

– Não está acreditando, não é? – Disse a garota a um menino logo a sua frente. – Pegue um pedaço e me diga o que acha, então.

Ela deu a maçã para o menino, que mordeu um pedaço temendo o que pudesse acontecer. Mas, para sua surpresa, ela estava incrivelmente doce.

– Está docinha! – Exclamou ele animado.

Com isso, as palmas aumentaram e a menina tirou a boina de sua cabeça e a estendeu para o público. As pessoas, ainda admiradas, jogavam moedas e notas dentro da boina.

Aos poucos, o público foi se dissipando até que a praça ficasse vazia. A garota carregava a boina com as mãos, muito satisfeita com o tanto de moedas que conseguira.

Então, ela ouviu um som desconhecido. Parecia um barulho de motor, mas ela não sabia dizer de onde vinha. No entanto, antes que pudesse partir, uma grande caixa de madeira azul apareceu bem diante de seus olhos.

Poucos segundos depois, a porta se abriu e um homem surgiu. Ela teve que conter um grito quando percebeu que era o homem do qual tinha roubado aquele objeto mágico.

– Droga! – Resmungou ela.

Capítulo 3

– Onde ela está? Foi você quem pegou a minha chave de fenda sônica? Vamos, responda! – Esbravejou o Doutor para a garota assim que saiu da TARDIS.

Ele a fitava com um olhar zangado. Suas sobrancelhas grossas a intimidavam, como se elas próprias pudessem interrogá-la. Ela ainda estava abismada com a caixa azul que aparecera, por isso, a única coisa que conseguia fazer era olhar para a caixa, depois para o Doutor, e assim repetidamente.

– E então? Vai ficar parada aí como um weeping angel abandonado ou vai dizer alguma coisa? – Perguntava ele impaciente.

– Como foi que me achou? – Perguntou ela se rendendo à curiosidade.

– Acha que nasci ontem? Rastreei o sinal da chave de fenda sônica na TARDIS e ela me trouxe até aqui. Agora, vamos! Onde foi que você a colocou?

– Como sabe que fui eu? – Retrucou ela sem entender metade do que ele dissera.

– Não tenho tempo para brincadeiras! Vamos, me devolva antes que os níveis de oxigênio do planeta caiam ainda mais!

O que diabos aquele velho estava dizendo? O que aquele objeto mágico tinha a ver com esse tal de oxigênio… e o que diabos era TARDIS?

– Olha, eu não estou entendendo nada desse seu papo, então eu vou andando e…

– Não dê uma de espertinha! – Interrompeu ele. – Vocês, humanos, acham que podem me enganar?

– Bom, eu sou humana e você levou um bom tempo para me encontrar, então, acho que sim. – Retrucou ela rindo e tirando a chave de fenda do bolso.  

O Doutor tomou a chave de fenda das mãos da menina e soltou um grunhido.

– Devo estar ficando velho. – Suspirou ele.

– Eu não diria “estar ficando velho”, uma vez que o senhor já É velho. – Interrompeu a menina. – Mas que papo é esse de atmosfera mudando? E como foi que coube nessa caixa? – Perguntou ela apontando para a TARDIS estacionada atrás dele.

– Por que quer saber?

– Porque eu vi você bisbilhotando meu beco de manhã. Foi assim que vi essa varinha mágica. – Disse ela. – O que estava fazendo no meu canto?

– A TARDIS sinalizou alterações na atmosfera, então rastreei o ponto de origem e ela se materializou naquele terreno ao lado do beco. – Respondeu ele. – E isso não é uma varinha mágica! – Acrescentou indignado.

– Bom, se você diz. Mas, enfim, está falando da fábrica abandonada?

– Fábrica abandonada?

– Parece que fui mais esperta que você de novo, não é? – Respondeu ela dando um sorriso malicioso.

O Doutor arqueou as sobrancelhas, mas antes que ele pudesse responder, um grito ecoou por toda a praça em que estavam.

– O que foi isso? – Perguntou a garota assustada.

– Não sei, mas vou descobrir. – Respondeu ele enquanto corria para dentro da TARDIS.

A garota estava confusa. Quem era aquele homem? Como ele cabia dentro daquela caixa? O que estava acontecendo com os níveis de sei-lá-o-quê da Terra? Ela tinha que descobrir.

Então, sem pensar duas vezes, ela saiu correndo e entrou na caixa azul antes que ela desaparecesse.

Capítulo 4

– Minha nossa! – Exclamou a menina ao se deparar com o interior da caixa.

O lado de dentro era enorme. Como isso era possível? Ela mal conseguia se desgrudar da porta de tão impressionada que estava.

A iluminação era fraca e tinha um tom azulado, emitido por círculos presentes nas paredes de metal, além de um tom alaranjado que saía de um grande cilindro no centro da sala. Esta, era circular e ocupada por vários consoles, cheios de botões e luzes.

O Doutor se encontrava no meio da sala, tão concentrado que sequer notou a presença da menina. Em seguida, ele puxou a alavanca no console e o cilindro começou a subir e descer. Ele, então, deu a volta no console e se deparou com a visitante em sua porta.

– O que está fazendo aqui? – Perguntou ele. – Como se roubar minha chave de fenda não bastasse, agora invade minha TARDIS?

A garota abriu a boca para responder, mas gritou ao sentir o solavanco da TARDIS se desmaterializando.

Levou alguns segundos até que a TARDIS se materializasse e o cilindro parasse de mexer. A menina se levantou e o Doutor a afastou para o lado, abriu a porta e a primeira coisa que viu foi uma concentração de pessoas a alguns metros de distância.

– Ei! Espere! – Exclamou a garota após o Doutor correr em direção à multidão.

Os dois se aproximaram da multidão e foram se desviando das pessoas, até se depararem com uma cena que dificilmente sairia de suas mentes.

Era um corpo. Estava completamente branco, como se fosse feito de mármore e também estava repleto de manchas roxas. Os olhos estavam terrivelmente arregalados e a boca aberta, como se tentasse gritar.

– O que aconteceu? – Perguntou o Doutor.

Ao lado do corpo encontrava-se um rapaz transtornado com o que via.

– Eu não sei o que houve! Estávamos andando e… e de repente, Julian começou a sufocar. – Explicou ele. – Achei que fosse sua asma, mas então a pele começou a ficar branca, e… e-essas manchas apareceram até que ele… ele caiu duro no chão!

O Doutor sacou a chave de fenda sônica e escaneou o corpo que jazia no chão.

– Hum, interessante. – Disse ele algum tempo depois.

– Como pode achar isso interessante? – Perguntou a garota indignada.

– Essas manchas. – Disse ele, ignorando a bronca da menina. – Parece que quem fez isso com este pobre humano deixou uma assinatura.

– Como assim?

– O assassino deixou sua marca registrada no rapaz, cérebro de pudim! – Retrucou ele. – Não percebe? Podemos encontrar quem fez isso a partir dessa marca!

Nisso, o Doutor se levantou e preparou-se para voltar para a TARDIS.

– Espere! – Interrompeu o rapaz. – Sabe o que aconteceu com ele?

– Sim, seu amigo foi assassinado. – Respondeu o Doutor como se não fosse nada preocupante.

– Assassinado? Mas… mas como sabe disso? Quem é o senhor? – Perguntava ele cada vez mais confuso e assustado.

– Agente John Smith, da Scotland Yard. – Respondeu ele mostrando um pedaço de papel envolto em uma carteira de couro. – Fui informado de que casos como esse estão se espalhando pela cidade.

– Quer dizer que… isso aconteceu com outras pessoas? – Perguntou ele.

– Sim, mas não sei dizer com quantas ao certo, preciso investigar.

– Mas… mas o que vai acontecer com Julian? – Perguntou o rapaz prestes a chorar.

– Bom, não há muito o que ser feito, não é?  – Retrucou ele.

E sem dizer mais nada, o Doutor saiu de volta para a TARDIS.

– Ei, espere! – Exclamou a menina.

– O que você quer? Não vê que estou ocupado?

– Quero saber o que está acontecendo! Você me aparece falando de mudança no clima e depois um cara aparece morto. Acha que vou ficar aqui e fingir que nada disso aconteceu?

– Você não tem nada a ver com isso! – Exclamou ele.

– É claro que eu tenho! – Devolveu ela. – Além disso, tudo isso começou no meu beco, se não está lembrado.

O Doutor bufou, impaciente com a insistência da garota. Ele ainda não estava pronto para receber alguém na TARDIS, mas acabou cedendo.

– Ah, está bem, você pode ir.

– Então o que estamos esperando? Vamos voltar para a caixa mágica! – Exclamou ela deixando o Doutor para trás.

Ele apenas colocou a mão no rosto, soltando resmungos inteligíveis.

Capítulo 5

– Bem que eu estava desconfiando! – Disse o Doutor empolgado.

– Desconfiando do quê?

– Disso! – Respondeu ele apontando para a tela e dando um largo sorriso de satisfação. – Nosso humano teve todo o ar sugado de seu corpo!

– Mas como é possível alguém ser morto desse jeito?

– Pensei que soubesse, mas… não tem como ser o que estou pensando. – Disse ele mais para si do que para ela.

– O que não pode ser? – Perguntou ela.

– Existe uma espécie… os Detróxi. Oriunda do planeta Detrox V, na constelação de Belmurus. – Começou ele.

– De-o-quê? – Perguntou ela confusa.

– Detróxi. Preste atenção, cérebro de pudim. Enfim, Belmurus é uma constelação distante da Terra. – Começou ele, sem se importar se ela entenderia ou não o que ele estava dizendo. – Mas eles foram extintos na Guerra do Tempo. Não há como terem escapado.

A garota apenas balançou a cabeça, concordando com o Doutor.

– Os Detróxi se alimentam de oxigênio. – Continuou ele. – Isso explica as alterações na atmosfera. A Terra, cheia de oxigênio em sua composição, é um prato cheio para eles.

– Quer dizer que há alienígenas querendo comer nosso planeta? – Perguntou ela.

– O seu planeta. – Respondeu ele dando uma risada irônica. – E, caso alguém não o impeça, sim, ele devorará os principais gases da sua atmosfera, matando todos sufocados.

Ela engoliu em seco. Como reagir sabendo que uma criatura desconhecida estava à solta por aí se deliciando com a atmosfera terrestre e matando pessoas?

– O que vamos fazer?

– Tenho que rastrear algum sinal dele. – Disse ele digitando rapidamente várias palavras. – Vamos ver se encontramos algo nessa fábrica que você mencionou.

Então, ele digitou as coordenadas, que apareceram no visor, e o cilindro no centro do console começou a se mexer novamente.

Pouco tempo depois, a TARDIS já se encontrava em um canto do beco da garota.

– O que eram aquelas manchas roxas? – Perguntou a menina.

– Não sei. Ah, odeio não saber das coisas, apesar de sentir um tanto empolgado com isso, já que acontece tão pouco. – Comentou ele.

– Humildade também não acontece muito com você, não é? – Retrucou ela.

– Não me amole, cérebro de pudim. – Resmungou ele. – E, aliás, não está com medo disso tudo? Você deve ter no máximo uns dezesseis anos terrestres.

– Não é a primeira vez que vejo gente morta. – Respondeu ela. – A diferença é que elas estavam na cor normal.

O Doutor se sentiu um tanto surpreso com a indiferença da garota. Ele não tinha ideia de quem ela era e como fora parar em um beco. Ele olhava a garota maltrapilha, extremamente magra e os cabelos curtos e castanhos, vestindo um casaco marrom duas vezes maior do que ela, uma bermuda preta e uma boina cinza amarrotada, e só conseguia pensar em sofrimento.

– Bom, vamos entrar. – Disse ele se levantando e indo em direção ao portão principal da fábrica.

– Espere! Conheço uma entrada melhor.

A garota puxou o Doutor pela mão e o levou até uma pequena porta escondida atrás de uma caçamba de lixo. Ela girou a maçaneta endurecida pela ferrugem e a abriu.

– Eu durmo aqui quando chove. – Comentou ela guiando o Doutor pela entrada escura.

Os dois adentraram a fábrica, tendo apenas a luz do dia que entrava pela porta parcialmente aberta para guiá-los. Ninguém sabia o que esperar daquele lugar, por isso, estavam cautelosos e andavam silenciosamente.

Fazia anos que ninguém frequentava aquele lugar que um dia fora uma fábrica de tecidos. Toda a maquinaria ainda estava lá, enferrujada pelo tempo. Alguns tinham interesse em adquirir o terreno no qual a fábrica se encontrava, porém, ali se concentrava um grande número de moradores de rua, inclusive a garota. Por isso, não valia a pena investir naquele local.

O Doutor tirou a chave de fenda sônica do bolso e escaneou o local aparentemente vazio. A ponta da chave de fenda era a única fonte de luz naquele momento, e o zunido que ela emitia era o único som presente.

– Encontrou algo? – Sussurrou a garota.

Antes que o Doutor pudesse dizer alguma coisa, duas luzes vermelhas surgiram no fundo da sala, fazendo o coração dos dois acelerarem.

– O que será isso?

Mas antes que o Doutor pudesse dizer algo, uma voz grave surgiu, perguntando em um tom ameaçador:

– Quem… está… aí?

Capítulo 6

Os corações dos dois aceleraram-se ainda mais. Eles não conseguiam ver de onde vinha a voz. Os dois ficaram imóveis, na esperança de que o dono da voz achasse que era apenas um engano.

– Vamos, apareça! Sei que estão aí! – Exclamou ele.

Ainda sem dizer nada, as luzes se acenderam, revelando o galpão cheio de maquinarias, somente as maquinarias. Não havia ninguém além dos dois ali.

– O que aconteceu? Está vazio!

– Acho que não está tão vazio quanto pensa. – Disse o Doutor receoso.

Nisso, vários pontos vermelhos e luminosos surgiram e, aos poucos, criaturas gasosas começaram a se formar bem diante de seus olhos, como grandes bolhas de ar.

Eram transparentes. Era possível ver o conteúdo interno de seus corpos, mas não havia ossos ou órgãos. Tudo o que tinham era uma espécie de gás amarelado e opaco.

– O que são essas coisas? – Perguntou a garota sem acreditar no que via.

– Silêncio! – Bradou uma das bolhas. – Como ousam invadir a nova colônia Detróxi?

– O que fazem aqui na Terra? – Perguntou o Doutor. – Como foi que saíram de seu planeta?

– Como pode um humano saber de nossa existência? – Perguntou a criatura.

– Não sou humano. – Retrucou o Doutor. – Eu sou o Doutor.

– Doutor?! – Exclamou a criatura. – Um Senhor do Tempo! A raça insolente que destruiu nosso planeta na Guerra do Tempo!

Nisso, o gás de dentro dos Detróxis começou a se agitar e a ficar vermelho e seus olhos emitiam uma luz cada vez mais intensa. Estavam com raiva.

De repente, o gás de seus corpos começou a se espalhar pela sala e a porta pela qual os dois entraram se fechou com um estrondo.

– O que está acontecendo? – Perguntou a garota apavorada.

– Querem nos matar sufocados! – Exclamou o Doutor pegando a chave de fenda sônica do bolso.

O gás se espalhava e entrava em suas narinas e em seus olhos. O Doutor se esforçava para não sufocar. Do lado dele, a garota já não conseguia respirar. O Doutor só pôde ouví-la caindo no chão, inconsciente.

– Cérebro de pudim! – Exclamou ele em meio a tosse. – O que pretende fazer? – Perguntou o Doutor ao Detróxi.

– Não podemos permitir que um Senhor do Tempo permaneça vivo! Você e seu povo têm que pagar pelo que fizeram! – Exclamava o Detróxi cheio de ódio.

Com isso, o gás passou a ficar cada vez mais denso. O Doutor não sabia como escapar, mas tinha que pensar em algo rápido antes que ele acabasse desmaiado que nem a garota.

Mais como uma tentativa desesperada do que como um plano cuidadosamente elaborado, o Doutor apontou a chave de fenda para o teto acima dos Detróxi. Ele o olhava fixamente e apontava a chave de fenda firmemente, como se o seu esforço fosse transferido para ela.

O Doutor já estava perdendo suas forças. No entanto, para sua surpresa, o teto começou a tremer e um grande pedaço do mesmo caiu em cima de alguns dos Detróxis.

Nisso, o gás começou a se dissipar, e o Doutor recuperou o fôlego. Mas ele não tinha muito tempo, pois os Detróxi não demorariam muito para sair dos escombros ilesos.

O Detróxi líder ficou ainda mais furioso com o que acontecera e rugiu. O Doutor concluiu que era hora de sair dali, então, pegou a garota e saiu correndo antes que os Detróxi voltassem a espalhar seu gás.

Capítulo 7

– O… o que houve? – Perguntou a garota recuperando a consciência.

– Por um momento, os Detróxis foram mais espertos do que nós. – Respondeu o Doutor sentado em uma poltrona. – Mas digamos que consegui atrasá-los um pouco.

A garota se levantou e percebeu que estava dentro da caixa azul. Ela não se lembrava de como fora parar ali.

– Mas o que nós vamos fazer? Temos que pará-los antes que matem mais gente!

– Você eu não sei, mas eu voltarei para lá com um plano mais elaborado. – Respondeu ele. – Pode ficar aqui na TARDIS enquanto se recupera, só não roube nada.

– Como assim? O que quer que eu faça?

– Quero que não me atrapalhe! Teria sido mais fácil sair dali sem você pendurada no meu ombro. – Resmungou ele levantando abruptamente da poltrona.

– Não pode me deixar aqui plantada enquanto você salva o dia!

– Mas eu nem te conheço! Você só está aqui porque roubou a minha chave de fenda!

– Não vai me deixar aqui, quero ir com você! – Exclamava ela batendo os pés.

– Eu já disse que não!

Então ele a pegou pelo braço, levou-a até a porta e a jogou para fora da TARDIS.

– Tire suas mãos de mim! – Mandava ela tentando se livrar do Doutor.

– É para o seu próprio bem! – Exclamou ele fechando a porta na cara dela.

– Doutor, abra essa porta! – Exclamou ela batendo na porta.

No entanto, a TARDIS se desmaterializou, deixando a menina sozinha no meio da praça de onde eles haviam partido.

O Doutor tentava se acalmar. Ele vivia se encontrando naquele impasse. Mas ele ainda não sabia lidar com aquilo sem sentir-se culpado depois. Isso o fazia lembrar de quando fizera o mesmo com Rose no Satélite 51 e Clara em Trenzalore. Ah, Clara. A cicatriz provocada pela sua perda ainda era fresca em seus corações.

Tentando não se abalar novamente com isso, o Doutor apenas digitou as coordenadas da fábrica no console da TARDIS e partiu, pois, era isso que ele sempre fazia.

Capítulo 8

Ao chegar na fábrica, o Doutor pousou a TARDIS em um canto do beco e saiu apenas para encontrar um cenário de caos e horror.

Pessoas corriam desesperadamente, enquanto outras caíam de joelhos, sufocadas por um gás tão denso que as pessoas não conseguiam enxergar o que estava a sua frente.

– Não pode ser! – Exclamou o Doutor.

O Doutor correu para dentro da fábrica. Os Detróxi haviam posto o seu plano em prática e, se ele não fosse rápido, Londres inteira morreria sufocada em questão de horas.

Ainda sentada no chão da praça, a garota estava revoltada com o Doutor, mas mesmo assim, pensava em algum plano para ajudá-lo. Não tinha ideia de como acabar com aquelas criaturas, afinal, não dava para surrar gases. Estava há um bom tempo pensando no que fazer, então, teve uma ideia repentina, se levantou e correu em direção à fábrica.

– O que estão fazendo?! – Questionou o Doutor assim que entrou na fábrica.

Mas, assim que terminou de falar, ele arregalou os olhos ao se deparar com uma bolha gigantesca ocupando metade do galpão.

Os Detróxi haviam se tornado uma só criatura.

– Chegou bem a tempo de presenciar nossa ascensão, Senhor do Tempo. – Disse a bolha.

– O que estão fazendo? O que querem com a Terra? – Perguntou ele.

– Tivemos que procurar uma colônia para os Detróxi sobreviventes. – Respondeu a criatura. – Após vasculhar diversas galáxias, encontramos este pequeno planeta com gases que poderiam nos sustentar por gerações!

– Mas descobriram que já estava habitado. – Interrompeu o Doutor.

– Sim. Mas isso não foi um problema, pois, assim como o planeta, os seus habitantes possuíam gases dentro de seus corpos. E, convenhamos, eles são apetitosos. – Acrescentou ele em tom sádico.

O Doutor soltou uma expressão de nojo.

– Infelizmente não posso deixar que prossiga com seus planos.

– Bom, isso não importa. O que importa é que estamos prontos para pôr nosso plano em prática. Em breve, todos os humanos estarão mortos e a Terra será nossa! – Bradou o Detróxi. – Mas antes… vão meus amigos. Acabem com o Senhor do Tempo!

Os Detróxi se separam do corpo do líder, voltando ao seu tamanho original, e avançaram em direção ao Doutor, deixando-o sem saber o que fazer.

Capítulo 9

Com os Detróxi avançando em sua direção, o Doutor correu para fora da fábrica. A confusão na rua ainda permanecia, sendo que havia mais corpos caídos do que antes. Gotículas de suor caíam da testa do Doutor e seus corações batiam aceleradamente, enquanto sua mente trabalhava para elaborar algum plano para deter os Detróxi.

Enquanto isso, os pequenos Detróxi corriam pelas ruas, invadindo, com um olhar voraz, os corpos que ainda corriam.

A garota finalmente chegara ao local da fábrica e se deparou com o mesmo cenário caótico que o Doutor encontrara ao chegar.

– Doutor! Onde você está? – Perguntava ela.

Ela continuava a correr em busca do Doutor. No entanto, um pequeno Detróxi a viu e avançou em sua direção.

– Não! – Gritou ela apontando o cano do extintor que segurava para o Detróxi.

O Detróxi parou, curioso com o objeto que ela lhe apontava. Ela, aproveitando a oportunidade, acionou o extintor e atingiu em cheio o Detróxi.

Ele engoliu a fumaça, achando que se tratava de oxigênio. Entretanto, arregalou os olhos ao perceber que se tratava de gás carbônico pressurizado.

– Sua… sua… – Dizia ele com a voz rouca, tentando avançar para cima da menina.

A garota continuava a lançar a fumaça do extintor para cima do Detróxi, que sufocava cada vez mais e murchou até se desintegrar no ar.

Ela, impressionada com o fato de seu plano ter dado certo, desligou o extintor e correu novamente em busca do Doutor.

– Doutor! Doutor, eu sei como detê-los! – Gritava ela.

O Doutor, ouvindo os gritos da garota, olhou para trás e estranhou ao vê-la armada com um extintor, soltando fumaça para todos os lados.

– Um extintor?! – Exclamou ele.

– Sim! Podemos sufocá-los com isso! – Respondeu ela.

O Doutor, abismado com a resposta da garota, pegou o extintor de sua mão e avançou até o líder dos Detróxi, visivelmente atordoado ao ver seus companheiros derrubados por um simples extintor.

– Acha que pode nos derrotar tão facilmente? – Vociferou ele.

– Quase me convenceu do contrário. – Respondeu ele. – Mas vocês mexeram com o planeta errado, pois ele está sob minha proteção!

Então, o Doutor ligou o extintor, atingindo o Detróxi líder. Ele, de início, engoliu o gás, mas, assim que o fez, sentiu um enorme mal-estar.

– O… o que está…

– Não deveria ter o olho maior do que o estômago. – Disse a garota com uma expressão sarcástica no rosto.

O Detróxi tentou avançar para cima do Doutor. Mas não conseguiu, pois estava cada vez mais sufocado e seu corpo se contraía cada vez mais.

– Não… sabe… o… que… lhe… aguarda. Isso… ainda… não… acabou! – Ameaçou o Detróxi.

Então, ele murchou e se desintegrou, restando apenas um grito rouco ecoando pelo ar.

Ainda impressionados, os dois saíram da fábrica e viram que o gás se dissipara e as pessoas já haviam voltado a respirar normalmente.

– Como sabia o que aconteceria? – Perguntou o Doutor ainda sem entender.

– Na verdade, eu queria enchê-los de gás até que explodissem, por isso peguei o extintor, mas ele fez exatamente o contrário. – Respondeu ela confusa com o que acontecera.

– Extintores contêm gás carbônico. – Explicou ele. – Ele apaga o incêndio justamente por retirar o oxigênio. Ao usá-lo nos Detróxi, você retirou todo o conteúdo de seus corpos, por isso murcharam até sumirem. Até que você não é tão cérebro de pudim assim.

– Ah, o meu nome é Allison, caso se canse de me chamar de cérebro de pudim. – Respondeu ela sorrindo.

– Bom, então bom trabalho… Allison. – Disse ele.

– O que vai fazer agora? – Perguntou ela curiosa.

– Primeiro, limparemos essa bagunça. – Respondeu ele. – E depois, não sei. Há muito o que se explorar.

– Será… será que eu poderia… você sabe, ir com você? – Perguntou ela.

– Seria perigoso. – Respondeu ele sabendo do que ela se tratava. – É melhor ficar aqui.

– Tem certeza?

– Sim. – Respondeu ele.

– Entendo. – Disse ela desapontada. – Mas foi uma aventura e tanto!

Nisso, ela o abraçou, deixando-o desconcertado.

Afastando a garota, ele apenas entrou em silêncio na nave e fechou a porta.

– Adeus, Doutor! Até logo! – Disse ela acenando para ele.

Ela ficou até que a TARDIS se desmaterializasse e, assim que a nave sumiu de suas vistas, pôs a mão no bolso e tirou a chave de fenda sônica de dentro.

– Vamos ver quanto tempo ele leva desta vez. – Disse ela dando meia-volta, enquanto jogava a chave de fenda e pegava-a no ar.

Em poucos segundos, ela ouviu o som da TARDIS se materializando de volta atrás dela e soltou um enorme sorriso.