[PERFIL HQ] Steve Ditko

De onde vem os heróis? Em qual mente surge a inspiração para dar vida a uma ideia? Quem é o herói dos heróis? Essa semana demos adeus a um grande pai dos heróis, que através de suas criações nos proporcionou alegrias, tristezas, surpresas e um mix de emoções. Hoje, nosso Perfil HQ vai homenagear Steve Ditko!!! Um verdadeiro gênio nos quadrinhos!

Stephen J. Ditko nasceu em 2 de novembro de 1927 em Johnstown, Pensilvânia, filho de americanos de primeira geração da descendência eslovaca, era o segundo mais velho de cinco irmãos!

Ainda durante a escola, Ditko foi parte de um grupo de estudantes que criaram modelos de madeira de aviões alemães para auxiliar aeronaves civis da Segunda Guerra Mundial. Depois de se formar na Johnstown High School, ele se alistou no serviço americano para auxiliar no pós-guerra desenhando quadrinhos para um jornal do exército!

Ditko foi inspirado pelo amor de seu pai pelas histórias em quadrinhos de jornal, particularmente o Príncipe Valente de Hal Foster. Teve também um contato com heróis dos quadrinhos com a introdução do super-herói Batman em 1940 e por The Spirit de Will Eisner, surgido como Suplemento Dominical. Ao voltar para os Estados Unidos em 1950, se matriculou na escola de arte sob o G.I. Bill, pois seu grande ídolo o artista de Batman, Jerry Robinson, dava aulas por lá. Robinson viu no jovem um futuro promissor, e foi o responsável pelo contato inicial entre Ditko e Stan Lee, na época editor da Atlas Comics, atual Marvel Comics.

No início de 1953, Ditko começou a ilustrar profissionalmente as histórias em quadrinhos desenhando a estória de ficção científica do escritor Bruce Hamilton “Stretching Things” para a Stanmor Publications, que vendeu a história para Ajax / Farrell, onde finalmente encontrou a publicação Fantastic Fears # 5 (datada de fevereiro de 1954). O primeiro trabalho publicado por Ditko foi a sua segunda história profissional, o “Paper Romance” de seis páginas de Daring Love # 1 (outubro de 1953), publicado pela revista Key Gillmor Magazine.

Ditko encontrou trabalho nos estúdios dos célebres escritores-artistas Joe Simon e Jack Kirby, começando como finalista. Foi como assistente que ele teve acesso a várias histórias do Capitão América escritas por Kirby. Mas, nesse período, um artista que o influenciou bastante foi Mort Meskin, por quem tinha imensa admiração!

Ditko, então, começou uma longa associação com a editora Charlton Comics, que durou até 1986. Lá ele produziu ficção científica, horror e mistério. Além de co-criar o Capitão Átomo, com o escritor Joe Gill, em Space Adventures #33.

Ditko teve que se ausentar dos trabalhos por contrair uma forte tuberculose, indo para a casa de seus pais se tratar. Ao retornar para Nova York, ele começou a desenhar para a Atlas Comics, que mais tarde se tornaria a Marvel Comics. Lá, Ditko, junto com Stan Lee, foi responsável por muitas histórias clássicas de ficção científica da Casa das Ideias durante anos!

Apesar de, inicialmente, Stan Lee recorrer a Jack Kirby para criar o Homem-Aranha, a parceria não foi concretizada, por diferenças na concepção do herói. A ideia inicial para o Homem-Aranha, era a de um garoto órfão que encontraria um anel que o transformava em Homem-Aranha!

Lee, então, apresentou suas ideias para Steve Ditko, que desenvolveu um estilo visual que Lee considerou satisfatório, embora ele tenha substituído a capa original de Ditko por uma desenhada por Kirby. Ditko disse: “As páginas do Homem-Aranha que Stan me mostrou não eram nada como o personagem (eventualmente) publicado. Na verdade, os únicos desenhos do Homem-Aranha estavam na página 1, e na final, onde Kirby desenhou o cara pulando em você com uma arma de teia…”

Apesar de Lee ter criado o conceito do Homem-Aranha, foi Ditko o responsável pelo traje, o disparador de teia no pulso e o sinal de aranha, ou seja, responsável pelo Aranha que conhecemos, além de sua semelhança física com o personagem!

O Homem-Aranha estreou em Amazing Fantasy # 15 (agosto de 1962), sendo um sucesso de vendas. Ditko também ajudou na criação de diversos antagonistas, como Dr. Octopus, Duende Verde, Homem-Areia, Lagarto, passando a também ser creditado pelo método Marvel em 1965. Uma de suas obras mais célebres é a historia de Lee-Ditko, publicada em The Amazing Spider-Man # 33 (fevereiro de 1966), a terceira parte da história “If This Be My Destiny …!”, que apresentou a cena dramática do Homem-Aranha, através de sua força da vontade e de pensamentos de sua família, escapando de ser preso por escombros.

Depois de desenhar a edição final de The Incredible Hulk (# 6, março de 1963), Ditko criou o herói sobrenatural Doutor Estranho, em Strange Tales # 110 (julho de 1963). Ditko e Lee, pouco depois, relançaram o Hulk em histórias curtas na antologia Tales to Astonish, começando no número 60 (outubro de 1964). Ditko criou o antagonista principal do Hulk, o Líder, em # 62 (dezembro de 1964). Ditko também contribuiu para histórias do Homem de Ferro em Tales of Suspense # 47-49 (novembro de 1963 – janeiro de 1964)

Quando chegou ao fim a parceria Lee-Ditko, a dupla não se falava há algum tempo, tendo a arte e as mudanças editoriais tratadas através de intermediários. Com a saída da Marvel, Ditko trabalhou em personagens como o Besouro Azul (1967-1968), Questão (1967-1968) e Capitão Átomo (1965-1967), Voltando ao personagem que co-criou em 1960. Além disso, entre 1966-1967, ele desenhou 16 histórias, a maioria delas escritas por Archie Goodwin para revistas de quadrinhos de horror, trabalhando na Charlton, além de ter criado o personagem Questão para a editora. Ditko também trabalhou na DC por um curto período de tempo, fazendo apenas seis edições do próprio título de Creeper, Beware the Creeper (junho de 1968 – abril de 1969), mas deixando título do meio pro final – sendo incertas as razões de sua saída. Mas, enquanto estava na DC, Ditko indicou Dick Giordano, da Charlton, para a empresa, que veio a tornar-se um grande desenhista, arte-finalista, editor e, por fim, em 1981, editor-chefe da DC Comics.

Ditko aposentou-se dos quadrinhos principais em 1998. Em sua carreira recebeu 13 prêmios e honrarias, incluindo o Prêmio Inkwell do Hall da Fama de Joe Sinnott, em 2015.

Steve Ditko foi encontrado morto em seu apartamento no dia 29 de junho, mas sua morte foi confirmada pela polícia à revista ‘The Hollywood Reporter’ apenas na última sexta-feira, dia 6 de junho.


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