[CINEMA] O Doador de Memórias: Liberdade, pensamento e reforma.

É incrível o que aprendemos com coisas novas, se nos deixamos experimentar. Nesta semana que passou, estava eu aqui em casa, sem estar fazendo muita coisa, quando me deparei com a programação que se iniciava: o filme “O Doador de Memórias” baseado no livro “O Doador”, de Lois Lowry.

Confesso que não me interessei pelo título do livro quando este foi lançado, e muito menos pelo filme. Mas, decidida a ver tudo que ainda não vi (e porque nada mais tinha a fazer rsrs), me sentei confortavelmente e passei parte da minha noite vendo-o.

Olha, agora me pergunto o motivo pelo qual não o fiz antes. O filme é muito intrigante, é um drama de aspirações filosóficas complexas, levantando a questão do papel do Estado na sociedade como suposta forma de proteção do indivíduo contra si mesmo. Obviamente, o filme tem proporções moderadas, e não se tornou um complexo debate de ideias, mas possui o mérito de observar todos os seus personagens com um curioso respeito: não existem vilões tradicionais, apenas pessoas que tomam decisões questionáveis por acreditarem ser o melhor para a sociedade.

Em minha opinião, se não fosse este debate filosófico, o filme seria idêntico a “Jogos Vorazes” e à série “Divergente”, pois sempre há aquele desejo de uma sociedade perfeita, sem crimes, dividida em “clãs”, “castas”, “grupos”, cada um tendo sua função, sem que se possa escolher, mudar ou refazer. E, obviamente, tem que existir um personagem principal que tem força e rebeldia suficiente para desafiar o sistema. Contudo, posso dizer que o filme é surpreendentemente ótimo, e mesmo com todos os clichês, a trama te envolve em seus altos e baixos.

Bem, em uma visão geral, o filme traz um mundo dividido em comunidades. Habitantes vivem uma realidade ideal, sem doenças nem guerras, sem preconceitos nem relações afetivas, sem cores e também sem sentimentos e emoções. Dentre eles apenas uma pessoa é encarregada de armazenar todas as memórias para que o passado não os influencie. De tempos em tempos essa tarefa muda de mãos e agora o escolhido é o jovem Jonas.

Com a celebração da formatura veio as atribuições, cada qual em sua função, determinada pelos anciãos, que os observa desde o nascimento, identificando suas habilidades natas.

Como já foi dito, Jonas foi determinado para ser o novo Recebedor de Memórias e inicia seu cargo com certo receio. Mas ao chegar à residência do Doador, e ao receber as primeiras memórias, se vê instigado a continuar. Ao entrar em contato com o que havia de melhor no mundo, Jonas não consegue entender o motivo de as coisas não serem mais da mesma forma, ou de as pessoas de sua sociedade serem privadas de uma existência tão fascinante e intensa, e a cada memória, sua visão se abre, e muda completamente sua percepção sobre a vida na cidadela.

Depois de tantas coisas boas, o doador lhe mostra o motivo pelo qual os anciãos privaram a sociedade de tudo. E Jonas fica horrorizado ao vivenciar cenas de guerra, violência e morte. Contudo, uma questão é levantada: “Será que essa privação compensa? Ou bem, será que as coisas maravilhosas há muito perdidas, como o amor, a família, a verdadeira amizade, não bastam para viver feliz e sobrepassar as adversidades do mundo?” Assim sendo, o jovem toma a decisão de libertar a sociedade das vendas do medo dos anciãos.


Compre aqui o livro de Lois Lowry.

Compre aqui o filme.