[NGF RESENHA] Verões Felizes 3, de Zidrou e Jordi Lafebre

Saiba o que o Rodrigo Ferreira achou do 3º volume de “Verões Felizes“, lançado pela Editora SESI-SP.

Edição e mixagem: Rodrigo Ferreira

Músicas do vídeo:

  • Let’s Twist Again, composta por Kal Mann e David Appell, interpretada por Chubby Checker
  • Un clair de lune à Maubeuge, composta por Pierre Perrin, interpretada por Bourvil
Clique aqui para ler a versão em texto da resenha!

A família Faldérault está de volta, e com ela retornamos a 1962 para acompanhá-la em sua primeira viagem de férias à bordo de sua querida 4L vermelha, a Senhorita Estérel. Dessa vez, Pierre terá que contornar as muitas tentativas da mãe de Madeleine de sabotar seus planos, para se divertir com a esposa e suas duas filhinhas.

Quando li os dois primeiros volumes da série Verões Felizes, não economizei nos elogios ao trabalho da dupla Zidrou e Lafebre. A leveza e o humor do texto de Zidrou, combinado com os belos e expressivos traços de Lafebre, e com as lindas cores de Mado Peña, garantiram seu sucesso entre os leitores e a crítica. Parte disto se deve à escolha do tema: dramas familiares.

Embora o tom da série se incline mais para o humor, Zidrou foi capaz de alternar momentos engraçados com outros mais dramáticos, mostrando o quanto a família Faldérault tem em comum com a maioria das famílias do mundo, enfrentando problemas, limitações e defeitos que todos conhecemos.

Neste 3º volume, somos levados ao início dos anos 60 para acompanhar Pierre e Madeleine, as pequenas Julie e Nicole, e o casal Henry e Yvette – os pais de Madeleine – numa viagem até Saint-Étienne.

O que se destaca aqui nem é tanto a viagem em si, mas os problemas que Pierre e Madeleine enfrentam para fazer o que realmente desejam, a maioria deles causados pelas intervenções de Yvette, a mãe de Madeleine, que sempre arruma um jeito de frustar os planos do genro e da filha. Sabe aquelas situações em que você tem que engolir um bocado de sapos pra não provocar um conflito ainda maior caso reaja? São momentos assim que movem a história desse volume 3.

Dá pra sentir a crescente impaciência dos Falderáult conforme as frustrações se acumulam, e fica mais difícil tolerar as intervenções de Yvette durante a viagem. Mas isto não torna Yvette insuportável, pois parte das dificuldades que ela cria acabam gerando situações divertidas, como a que obriga o dono de um restaurante a fingir que não serve batatas fritas.

A outra parte da diversão deste volume vem das participações de Henry, o sogro de Pierre. Seu jeito calmo, suas conversas com um amigo que deixa sua netinha intrigada, e suas brincadeiras com Julie conquistaram minha simpatia. No final da leitura deu vontade de conhecer aquele senhorzinho bonachão (cuja inspiração veio dos avós de Jordi).

Como nos volumes anteriores, neste também há passagens mais dramáticas e melancólicas, que se aprofundam nas histórias pregressas dos personagens. Dessa vez são Yvette e Henry que ganham mais destaque, o que ajuda a entendermos os motivos que tornaram a mãe de Madeleine tão controladora. A rápida conversa entre Yvette e sua neta Julie, mais pro final do álbum, é uma das passagens mais belas e tocantes da história.

Provando que ainda têm muito o que contar sobre os Falderault, Zidrou e Lafebre conseguiram, novamente, produzir uma história que diverte e emociona. Sua leitura foi tão agradável quanto assistir um episódio de uma das minhas séries favoritas, e matar a saudade de velhos amigos. Parte da diversão que a leitura de Verões Felizes proporciona vem da brincadeira de procurar pistas sobre as origens de certos comportamentos e costumes dos personagens. A cada novo volume de Verões Felizes, os Falderault se tornam mais reais, mais tridimensionais e mais cheios de nuances, talvez porque eles são como muitos de nós: cheios de pequenos problemas, que não os impedem de viver alguns dias de felicidade, longe de casa e de parte desses problemas, como as melhores férias devem ser.

Se você ainda não leu as histórias da família Falderault, eis um ótimo momento pra começar a acompanhá-las. Todos os 3 volumes estão disponíveis para compra, e vale cada centavo pago para levar um pouco de arte, beleza e leveza pra sua vida, daquele tipo que só sentimos lendo obras feitas com bom humor e sensibilidade, como é o caso de Verões Felizes.

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SESI-SP

Tradução: Fernando Paz

Brochura

Capa comum

30,8 x 23,2 x 0,8 cm

64 páginas (couché 150 g/m²)

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One thought on “[NGF RESENHA] Verões Felizes 3, de Zidrou e Jordi Lafebre

  1. Parabéns pela resenha, Rodrigo.
    Sempre gosto do tom leve, alegre e espirituoso dos seus textos com esta proposta, e nessa versão em vídeo deu para sentir toda a energia na sua voz.
    Também quero parabenizar a edição que escolheu tão bem o plugin da locução e a trilha sonora.
    Fiquei com vontade de conhecer os três trabalhos de Zidrou e Lafebre. Com tempo, vou lê-los.
    Um abraço.

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