[NGF Recita] “Katmandu” de Grant Morrison

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Em 2011, Grant Morrison, um dos autores mais aclamados e experimentalistas de quadrinhos, lançou seu livro Superdeuses, onde não só analisou historicamente as diversas eras dos super-heróis no meio impresso e áudio visual, como propôs interpretações simbólicas e filosóficas dos mesmos, mesclando-as com trechos autobiográficos numa abordagem holística de sua relação com a 9ª arte.

Muitos resenhistas da obra consideraram suas análises de mitos modernos, como o Superman e o Batman, as partes mais relevantes do livro. De fato são os trechos de maior apelo e interesse entre aqueles que preferem encarar a obra como um estudo aprofundado da história dos super-heróis. Mas Morrison também a usou para relatar algumas experiências pessoais e muito subjetivas. Entre elas há um interlúdio, dividido em duas partes, no qual o autor relata uma experiência religiosa que teve próximo ao templo Shwayambunath de Katmandu, durante sua visita ao Nepal em 1994, quando tinha 34 anos.

Enquanto muitos preferem atribuir o relato a uma grande viagem psicodélica movida pelo haxixe que ingeriu na ocasião (fato que ele cita no relato), creio mais na hipótese de que foi um verdadeiro insight, que serve como chave interpretativa de toda a obra de Morrison nos quadrinhos, além de estimular diversas reflexões sobre a natureza da vida, do universo e até mesmo sua hipotética relação com o multiverso do qual faz parte.

O áudio abaixo foi gravado por mim a partir da leitura do texto de Morrison traduzido por Érico Assis para a edição de Superdeuses lançada no Brasil pela Seoman. Recomendo ouvi-lo com a mente aberta, e não considerá-lo de caráter doutrinador. Ouça com atenção, reflita a respeito, e use seu bom senso antes de criticá-lo (se assim o desejar). Boa viagem:Lex Luthor em Grandes Astros Superman


superdeuses grant morrison editora seomanSuperdeuses
Grant Morrison

SEOMAN
2012
Brochura
23 x 16 x 2,60 cm
496 páginas

Disponível nas seguintes lojas e livrarias: