[NGF ENTREVISTA] Kaji Pato, autor do mangá “Quack”.

Nota do editor: depois de resenhar os volumes já lançados do mangá Quack, Emanuel Victor entrevistou o autor da obra. O bate-papo, na íntegra, você confere a seguir:


Legenda: Emanuel / Kaji Pato


Em primeiro lugar gostaria, em nome de toda a equipe do site Nerd Geek Feelings, te agradecer pela entrevista.

Eu quem agradeço. Adoro sites como o de vocês, e adoro esse contato gostoso com leitores e fãs!!!

1 – Quando eu vi seu mangá pela primeira vez, o design me lembrou dos mangás de One Piece, do mangaká Eiichiro Oda. Então eu gostaria de te perguntar: tem alguma obra ou algum autor em que você se inspira?

Com certeza!!! Sou bastante inspirado em Hayao Miyazaki e sua grande obra, Nausicaä! Princesa Mononoke também me inspira pra dedéu!!!

Gosto da Narrativa inteligente do Yoshihiro Togashi, criador de Yu Yu Hakusho e Hunter x Hunter.

E no traço, acho que sou bastante influenciado pelo Akira Toriyama, na época de Dragon Ball clássico (eu não curto muito o Z).

2 – Qual é seu personagem favorito de Quack? E por quê?

Essa é uma pergunta meio difícil. Os personagens de Quack são inspirados em pessoas que eu conheço. Amo muito todos eles, mas acho que o principal, Baltazar, é sem dúvida o personagem com quem eu mais sonho conversar e conhecer!!! O pato é legal também. Apesar de todos gostarem mais dele, eu curto mais o Baltazar!!!

3 – Quais são as principais dificuldades de tentar publicar uma obra assim no Brasil?

Pouts! A dificuldade, para mim, não está em publicar, mas sim em divulgar! A editora Draco faz uma tiragem pequena à medida que o público vai aumentando, e meu ganho com Quack é proporcional a esse público. Só que Quack, para mim, é amor verdadeiro, então eu faço com a convicção de que um dia o público crescerá o bastante para fazermos tiragens maiores.

Quero que Quack renda um bom público para que ele possa ter uns 20 volumes. Agora, se eu vou viver disso ou não, tô nem aí… Faço ele porque eu amo ele. O dinheiro vai ser consequência de uma viagem muito louca com esses dois (Baltazar e Colombo). Tirando isso, as outras dificuldades são as mesmas de outros países: evoluir o roteiro, ajustar para a cultura, aprimorar técnica, e por aí vai…

4 – Quack tem dois volumes publicados e um terceiro em pré-venda. Quantos volumes pretende publicar?

A primeira saga terá dentre 10 a 13 volumes. Conversei com meus editores e eles disseram que esse seria um número bom para eu fechar uma história. Mas eu gostaria de contar a história inteira que está nos meus sonhos. Para isso eu precisaria de mais uns 10 volumes para a segunda saga. Praticamente, como disse na pergunta anterior, a luta em Quack é encontrar um público que mantenha o Quack até o final verdadeiro da história.

5 – Perguntas Rápidas (Eu tenho o hábito de perguntar isso para as pessoas):

Um filme favorito?

Rocky – O lutador

Uma jogo favorito?

Star Fox do SNES

Um anime favorito?

Hunter x Hunter (2011)

Um mangá favorito?

Vagabond de Takehiko Inoue

Um herói favorito?

Vash The Stamped de Trigun

Um vilão favorito?

Yagami Raito de Death Note

6 – Você já imaginou a possibilidade de um dia Quack virar um anime?

Não só imaginei como já anoto algumas coisas para esse projeto futuro. Gostaria que Quack fosse o começo de um sonho não só meu, mas de todos aqueles que vivem dentro da chama, ainda acesa, do quadrinho e mercado brasileiro. Quack é o meu manifesto de fé para os futuros mangakás brasileiros das próximas gerações.

7 – Por que Kaji Pato?

Carlos Antunes Siqueira Júnior (CASJ), esse é meu nome. Ao pedirem que eu colocasse um apelido ofensivo na minha camiseta de formandos da oitava série, eu botei essas iniciais como forma de protesto contra o bullying que sofria. Mais tarde vieram me chamar de Kaji, no curso de desenho. Soube que Kaji significa “incêndio” em japonês. O elemento fogo sempre me cativou, pois sou uma pessoa que, apesar de não pensar muito, sou de agir bastante.

Mais tarde, em 2013, coloquei o “Pato” no nome para participar do concurso da JBC. Gosto do pato, pois ele é um animal desacreditado e usado como símbolo pejorativo. Mas o animal voa, anda e nada. Além de ter um controle de rota incrível quando vai fazer viagens migratórias. Os patos são realmente incríveis, apesar de ninguém botar fé neles. Depois disso, quis de todo meu coração usar o pato como um símbolo pessoal, reflexo de minha filosofia.

8 – Gostaria de falar alguma coisa para os leitores de site?

Bem, você que lê quadrinhos e assiste séries de animação ou não, quebre os preconceitos para com o material nacional. Devido à permanente ilusão que o material estrangeiro nos transmite, somos aliciados a admirar apenas aquilo que soa exótico e desconhecido. Tudo o que é brasileiro, regional, familiar, etc, acaba sendo entendido como algo de baixa qualidade ou ridículo.

Vamos largar esse senso comum. Vamos dar valor aos grandes mestres que temos aqui, na nossa cultura, no nosso linguajar. Muitos dizem que Quack é um grande achado, que é inovador usar gírias populares no quadrinho. Eu acho isso triste.

Deveria ser comum produzir obras que soassem familiares  para o nosso contexto. Deveria ser comum criar histórias ambientadas no nosso país… Mas isso soa cafona para a maioria, ou pelo menos para uma grande parte. Fazer mangá não é sinônimo de cultura Nipônica. O Mangá é uma escola de arte!

Uma escola tão rica que possui suas características tão marcadas que vão além dos simples olhos grandes. Eu sou a favor da abertura da consciência, aproveitando toda nossa essência HUE BR.

POWWW, vamos fazer mais mangá BR HUE!!!!! É ele que nóis qué!!!! BIRRLLLL

Obrigado Nerd Geek Feelings! Vocês são foda!!!

Muito obrigado pela entrevista. Toda a sorte e sucesso do mundo. E você que é foda cara!!!! BIRRLLLL!!!!!!