[NGF do BEM] Depressão – Seja o Superman da História de Alguém!

Ter depressão não é passar por um dia triste.

Dias tristes são comuns, podem ocorrer por besteiras, e podem simplesmente deixarem de ser tristes quando você troca de canal, assiste a um filme diferente ou sai para beber com algum amigo.

Os dias tristes, se me permite dizer, caro leitor, é até muito bem-vindo, posto que sem dias tristes a vida seria um espaço nulo entre pré-nascimento e morte, todo preenchido pela mesma cor entediante.

Não há como negar que todas as formas de sentimentos são necessárias para uma mente saudável e em bom funcionamento. Por isso, agradeça pelos dias tristes.

O problema mesmo é quando um dia triste se torna uma semana, um mês, um ano… uma vida. Como a maior parte das pessoas que chegou até esse post, eu também já tive depressão.

Tudo começou quando eu tinha 14 ou 15 anos. Mas nunca acabou. Nunca conheci realmente o conceito de “dia triste” ou “dia feliz”, mas “épocas melhores” intercaladas com períodos de desespero. Aos 27 anos ainda faço tratamento e, sinceramente, não sei quando vou poder parar. Estou em um excelente período, mas a luta para manter a cabeça no lugar é constante.

Aos 18 anos, um amigo meu cometeu suicídio. Ele também tinha 18 anos de idade, e tinha um talento inenarrável para artes plásticas.

No mundo todo, a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio.

O resto dos deprimidos (em maior ou menor intensidade) apenas não têm coragem, ou sofrem de outras formas o mal mental que sempre transborda para o âmbito físico: não é raro que pessoas com depressão crônica ou aguda sofram com queda severa da imunidade, gastrite, bruxismo, fibromialgia, inflamações, insônia, dores de cabeça, enxaquecas e até AVC e infartos.


Eu mesma já tive problemas físicos por motivos de depressão e, acredite, você só nota a força da mente sobre o corpo quando se vê doente “sem razão aparente”.

A pergunta mais importante para fazer após essas considerações é: Por que, se há tantas pessoas querendo sumir, desaparecer, sublimar, ainda há tanto preconceito e desinformação sobre uma doença mental séria que pode afetar completamente a vida (e até a sobrevivência) de uma pessoa?

O Nerd Geek Feelings, embora seja um site voltado para notícias, humor e entretenimento, sempre bate na tecla da depressão. E isso por uma razão simples: Parece que essa praga se tornou o grande mal do século 21, afetando mais e com mais força do que afetou aos primeiros românticos (lá, junto de Goethe, junto de Álvares de Azevedo… junto dos grandiosos nomes da literatura).

Estamos na Era da informação. Sabemos hoje que a depressão mata mais que a maior parte das doenças que conhecemos. Se não estou errada, ocupa 3º lugar no ranking de causa de mortes por doenças.

Milhões são gastos todos os anos em campanhas, remédios, novas terapias, pelo governo, por pessoas, por ONGs… e ainda assim, há quem diga que isso não existe.

Por quê?

Eu não sei responder a essa pergunta, mas talvez só entenda a gravidade da depressão quem já teve ou tem o mal.

Bom, mas, me deixe interromper esse post para falar de uma coisa interessante: Em 2008, Grant Morrison e Frank Quitely produziram essa página.

Na história esta adolescente está fazendo um tratamento com um psicólogo para alguma depressão. Superman salva um trem que estava prestes a descarrilhar. Mas neste trem estava o psicólogo que estava indo ver sua paciente e ia se atrasar. No primeiro quadro ela está na beira de um prédio jogando um celular lá de cima e prestes a pular, por acreditar que seu médico estava mentindo, e inventando desculpa para não ir vê-la.

Superman ouve sua conversa no celular com a super audição e vai até ela. Ele poderia agarrá-la, poderia esperar ela pular, voar e agarrá-la no vazio. Mas ele resolve conversar com ela e oferece um abraço. Superman, um escoteiro de 76 anos que ainda me faz acreditar em heróis. Depressão é coisa séria, se achar que é seu caso procure ajuda.

Nos EUA uma paciente real de depressão mudou sua vida ao ler esta revista. O depoimento dela: “Eu venho lutando contra a depressão desde que tinha 10 anos de idade. Ela me deixou aleijada emocionalmente. Eu estava com 27 anos de idade, não tinha formação, estava desempregada. Então decidi que iria me matar após o Natal. Foi então que o namorado da minha irmã me emprestou esta revista.

Legal, né? 

Mas eu não citei o Superman por acaso. Talvez você esteja lendo isso e não sofra de nenhum mal psicológico. Talvez você precise ser o Superman. Mas, claro, eu preciso te convencer, né?

De acordo com a OMS, a depressão, até 2020 (dentro de 3 anos) será a doença mais incapacitante existente.

Atualmente, a maldita peste pós-moderna é responsável por roubar de suas vítimas algo em torno de 9,8% de sua vida. Se levarmos em conta que a depressão atinge cerca de 7% da humanidade atualmente (isso porque as estimativas foram feitas em países com alguma taxa de desenvolvimento menos terrível), podemos imaginar que há muitas e muitas vidas sendo jogadas fora, mesmo que sem suicídio.

Não bastasse transformar a vida do deprimido em um inferno, há também os efeitos colaterais.

A Depressão é responsável por retirar do mercado de trabalho milhares de profissionais todos os anos. No ano passado, 75,3 mil trabalhadores foram afastados em razão do mal, com direito a recebimento de auxílio-doença em casos episódicos ou recorrentes. Eles representaram 37,8% de todas as licenças em 2016 motivadas por transtornos mentais e comportamentais, que incluem não só a depressão, como estresse, ansiedade, transtornos bipolares, esquizofrenia e transtornos mentais relacionados ao consumo de álcool e cocaína.

No ano passado, mais de 199 mil pessoas se ausentaram do mercado e receberam benefícios relacionados a estas enfermidades, o que supera o total registrado em 2015, de 170,8 mil.

Entre 2009 e 2015 (únicos dados disponíveis), quase 97 mil pessoas foram aposentadas por invalidez em razão de transtornos mentais e comportamentais, com destaque para depressão, distúrbios de ansiedade e estresse pós-traumático. Ao todo, esses novos benefícios representam, hoje, uma conta de R$ 113,3 milhões anuais aos cofres públicos.
Os problemas periféricos não param por aí, por óbvio. Muitos relacionamentos terminam em razão da depressão, porque o polo não sofredor da doença simplesmente é incapaz de entender o porquê de tantos problemas “se tudo parece estar bem”. 

Por mais de três décadas, pesquisas indicam que pessoas que sofrem de depressão são menos satisfeitas com seus relacionamentos românticos.

Mas ainda há dúvidas de como esses dois fatores se inter-relacionam. Agora, um estudo conjunto de duas pesquisadoras, Lyne Knobloch-Fedders, da Universidade Northwestern, e sua irmã Leanne, da Universidade de Illionois, procura mostrar como a incerteza relacional pode trazer explicações para esses dois problemas associados:

“A incerteza relacional diz respeito a como determinados indivíduos são mais ou menos confiantes sobre suas percepções a respeito de um relacionamento interpessoal. As pesquisadoras apontam três fatores que contribuem para essa incerteza: primeiro (a) a “incerteza pessoal”, ou seja, as questões da própria pessoa sobre seu envolvimento emocional. Perguntas como “o quão certo eu estou de que esse relacionamento me satisfaz” dizem respeito a esse sentimento.

Já a (b) “incerteza do parceiro” envolve questões sobre deduzir o quanto o companheiro está envolvido com o relacionamento. E, finalmente, a (c) “incerteza vinculacional”, que é como a pessoa define o status do relacionamento e o nível do vínculo afetivo, ou seja, o quanto a pessoa deduz que o relacionamento durará. Essas foram as principais conclusões obtidas a partir do acompanhamento de casais que sofriam de depressão ou tinham problemas no relacionamento.

No estudo, aqueles indivíduos com sintomas mais severos de depressão se sentiam mais estressados dentro do relacionamento, de uma forma geral.

Entre homens e mulheres, quanto maior o nível da incerteza relacional, menores os níveis de satisfação com a relação. E, finalmente, as mulheres com sintomas depressivos apresentavam questionamentos nos três fatores detalhados na primeira fase do estudo, e isso era um indicativo direto da qualidade do relacionamento. Nos homens, apenas as questões levantadas pela “incerteza pessoal” já eram decisivas para determinar o nível de qualidade do relacionamento.”

Resumindo: a doença vem, bagunça a vida da pessoa, ela normalmente passa a ter problemas trabalhistas e ainda passa a ter problemas em sua vida sentimental. 

Mas ainda assim… É uma doença invisível; Invisível, mesmo que até o Superman se importe com ela; invisível, mesmo que você tenha os punhos marcados por cicatrizes; mesmo que você se cale no trabalho; mesmo que “Tudo bem” tenha virado o seu mantra superficial e seja extremamente contrastante com suas olheiras; invisível, mesmo quando tudo o que você faz é tomar remédios; invisível, mesmo no Setembro Amarelo, quando todos usam fitas amarelas de apoio, mas ninguém realmente se importa. Invisível até que alguém morra, até que haja luto por 2 ou 3 dias… e volte a ser invisível. 

Como Ser o Superman nessa história: 

Pode ser que o deprimido não seja você, mas alguém próximo a ti. Seguem dicas para que você não seja omisso em meio à depressão de alguém.

  • Estimule a pessoa deprimida a fazer exercícios. Se possível, faça alguma atividade junto com essa pessoa. Companheirismo conta muito nessas horas. Além disso, a prática de algum exercício físico não é apenas um convite à socialização e ao contato com novos ambientes. É mais do que comprovado que o exercício físico ajuda na depressão de forma química. Uma atividade física praticada de 3 a 4 vezes por semana, por mais de meia hora, pode fazer toda a diferença.
  • Dizia Nise da Silveira (o grande nome da Psiquiatria no Brasil) que é melhor dar pincéis do que remédios. Assim, tente estimular seu familiar, amigo ou parceiro a buscar uma válvula de escape artística. Se a pessoa em questão não tiver nenhum gosto por artes, tente assim mesmo inventar algum trabalho manual ou artesanal que lhe ocupe a mente.
  • O mundo nerd está repleto de refúgios e é assim que você vai poder ajudar, caso alguém bata à sua porta com depressão. Mostre ao depressivo que pequenas atividades como ir ao cinema, acompanhar uma série, ver mais filmes e ler livros são formas inusitadas de praticar uma faxina mental. O cérebro se desliga dos males do mundo e, consequentemente, da dor.
  • Nunca subestime a dor de ninguém. Uma pessoa com depressão pode estar realmente se sentindo como um vegetal, ou em completo desespero, ou pronta para fazer alguma besteira. Isso tudo sem que ela passe nenhum sinal visível. Um sorriso pode não significar nada para uma pessoa depressiva. Tome muito cuidado com atitudes estranhas, comportamento frio e objetivo, e até indiferença vinda de uma pessoa com histórico de problemas psicológicos.
  • Convide seu amigo/cônjuge/familiar para fazer algum trabalho voluntário. O voluntariado irá ocupar a mente do deprimido, além de fazer com que ele sinta que é capaz de ser um agente transformador no mundo. Poucos remédios são tão bons para a depressão quanto sarar as feridas alheias.
  • Tente manter o bom-humor e o clima de boa energia. Isso te faz mais forte e fortalece aqueles que precisam de você. Pode acreditar, é quase mágico.

Se os humanos não entendem depressão, talvez ser um Alienígena ajude. 

E mesmo que você não compreenda, não permita que pessoas perto de você passem por isso. 

Seja o Herói dessa história. Mais vidas do que você pensa podem estar nas suas mãos.