Não, Gradiente. Assim não.

g gradiente iphone

Tem coisa estranha na internet. Nos últimos dias, notícias sobre o tal iPhone da Gradiente começaram a pipocar pela rede, assim como as reações mais diversas das pessoas. O fato ganhou manchete até na mídia internacional.

Pra encurtar a história: A Gradiente entrou com pedido de registro da marca “G Gradiente IPHONE” em 2000, teve esse registro confirmado em 2008 e, nesse meio tempo, a empresa passou por uma profunda crise financeira. Agora, planejando reestruturação, alguém achou algum arquivo dentro de alguma pasta no fundo de um baú com o registro da marca feito há mais de 10 anos atrás e teve a sacada de mestre. É sério, eles fizeram até um vídeo bonitinho que explica a história.

Não vou entrar nos méritos jurídicos desse rolo todo, até porque lei é lei e não se argumenta. Juridicamente, o direito de uso da marca “G Gradiente IPHONE” é da empresa brasileira, e a Apple não pode registrar o seu “iPhone” aqui por ser fragmento de uma outra já registrada. Ou seja, a Apple está numa enrascada em terras nacionais, vai ter que abrir mão de uma grana violenta pra conseguir fazer um acordo e vender seus produtos sem problemas futuros.

O que eu não consigo aceitar é a postura da Gradiente. A empresa tenta se colocar como “vítima” ou como “boazinha”, e inclusive compara o seu produto ao da Apple dizendo que o outro é mais rápido e tem mais recursos. Também, em entrevista, o presidente da Gradiente disse que tudo foi “pura coincidência” e que sua marca não está tentando pegar carona no sucesso do iPhone. Tá bom, a gente acredita.

Eu lembro de uma época onde a Gradiente tinha um nome importante no mercado nacional e alguns de seus produtos eram bastante reconhecidos por sua qualidade e durabilidade. De uns tempos pra cá, vi a empresa se resumindo a apenas pegar produtos lá de fora, colocar uma etiqueta com sua marca e revender como se fossem criação sua. E, veja bem, isso é diferente do que a Apple faz, por exemplo: ela idealiza os produtos completamente e apenas os monta fora por questões de custo e competitividade.

No Facebook, a empresa escreve “aqui no Brasil a criatividade e inovação veio da Gradiente”. Inovação? Lançar um Android Gingerbread, sem suporte a multitouch, sem acesso ao Google Play, com tela de resolução 320×480 em 2012, um aparelho que nem há quatro anos atrás seria competitivo no mercado, ainda por R$ 599?

G Gradiente iphone

Oi, eu vim direto de 2008.

Torço muito pela volta de um nome nacional de peso no mercado de eletrônicos, pelo menos aqui dentro do país mesmo, mas dessa forma a empresa já surge sabotando sua imagem junto a quem entende de tecnologia e espera grandes feitos de uma empresa nacional. E olha que, pesquisando pra escrever esse artigo, ainda encontrei no site deles um set top box que roda Android e parece bem interessante… Falta ser melhor colocado no mercado, e ser realmente nacional.

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