[MÚSICA] Como a Música Mexe com Sua Vida.

A vida gira em torno das mais diversas tecnologias.

Estamos no século XXI e já falamos em Singularidade – estado em que a inteligência artificial será completamente autônoma – sem que isso pareça ficção científica. Aliás, há quem afirme que já vivemos a singularidade.

E é nesse contexto de avanços tecnológicos que temos experimentado o conforto de ter nas mãos o controle de nosso entretenimento.

Mesmo que você não aprecie cinema, não curta games, não goste de séries e tenha horror a livros, é certo que você ouve música. Seja no celular, no iPod, no MP3 (ainda vendem mp3 players?), o indivíduo da atualidade tem trilha sonora para tudo na vida.

Falo por experiência própria; quem me conhece sabe que eu ouço música para tudo. Até mesmo para estudar e dormir.

O que muitas pessoas não sabem é o quanto as músicas podem influenciar no humor, desempenho intelectual e até mesmo no desempenho físico de qualquer ouvinte.

O DOPPING AUDITIVO

Talvez você nem se dê conta disso, mas ao praticar qualquer atividade física sua playlist fica, com certeza, repleta de músicas agitadas.

Isso tem uma razão clara: o som que você escuta é capaz de estimular seu sistema límbico a ponto de gerar maior carga de adrenalina, dopamina e outras substâncias que favorecem sua atuação.

Não por acaso, há uma proibição expressa para atletas no que tange à música: durante uma competição de atletismo, por exemplo, o esportista não pode usar nenhum aparelho reprodutor de música.
Isso explica bem, aliás, porque algumas pessoas, como eu, usam suporte de telefone para corrida.

Tente correr dez quilômetros sem música (e desacompanhado), e você vai ver que a missão beira o impossível.

A MÚSICA DIRIGE O FILME

Ao assistir o maravilhoso e intenso filme Mother!, notei algo muito peculiar: em cena alguma há uma trilha sonora, efeitos ou sons além das falas e dos barulhos produzidos pela atuação dos personagens.

Nesse contexto, conseguimos mesmo ouvir a respiração nervosa da Jennifer Lawrence o tempo todo.

Mas por que o diretor escolheu não colocar música em um filme tão bem elaborado?

A resposta é simples: Darren Aronofsky não queria dirigir os sentimentos do espectador em relação a cada cena do filme. A intenção era realmente que houvesse crueza nas cenas.

Da mesma forma, Interestelar utiliza o som para dirigir as emoções dos espectadores para cenas de intensidade dramática incrível (mas que talvez não tivesse a menor graça se não houvesse som).

O poder de uma trilha sonora é tamanho que você pode mudar até um gênero de filme mudando sua trilha.

Duvida?

Dê uma olhada no Loki “divando” com ESSA música.

Se não foi o suficiente, tente esta cena.

Agora essa: Como poderia ser o Trailer Fofinho de O Iluminado?

A verdade é que, por mais que você não se dê conta, você é um refém mental daquilo que ouve. E isso é muito bom, caso seja usado a seu favor!

EFEITO MOZART

Após diversas pesquisas realizadas em crianças e adolescentes de idades variadas, psicólogos chegaram a uma conclusão curiosa: a música instrumental tem um poder especial para alguém que está estudando.

Mais do que isso, a música clássica (as mais conhecidas), por terem notas já familiares aos ouvintes, provoca efeitos ainda melhores no quesito concentração.

Mas você quer saber qual é realmente o tipo de música que pode ser considerada uma espécie de Dopping mental?

Mozart.

Pois é. Dentre todos os autores de músicas clássicas, Mozart se destaca por ter notas mais altas, mais ágeis, mas não tão rápidas e nem tão agudas a ponto de tirar o foco do ouvinte.

Assim, Mozart te mantém alerta estudando e mantém seu foco.

Se você não gosta muito de Mozart, pode tentar autores mais agradáveis, como o nosso contemporâneo Yann Tiersen. Mas o efeito Mozart é comprovado: quem escuta Mozart estuda melhor e se concentra mais.

Pesquisas comprovam que ouvir certas músicas de Mozart ativa os neurônios e melhora a inteligência. O primeiro indício do que viria a ser chamado “Efeito Mozart” surgiu em 1989, quando o neurobiólogo americano Gordon Shaw simulou a atividade cerebral em um computador. Em vez de imprimir um gráfico dessa simulação, ele decidiu transformá-la em sons. E, para sua surpresa, o ritmo do som cerebral se mostrou muito parecido com a música barroca. “Não é uma música tão bonita quanto a de Mozart, mas seu estilo é bem distinto, fácil de reconhecer”, disse ele. Foi aí que pensou em testar qual seria o efeito das obras do compositor no cérebro do ouvinte. Em outras palavras, será que esse tipo de composição musical de alguma forma amplia a atividade das células nervosas cerebrais? Os resultados foram muito positivos nos testes de Q.I. A partir de então, experiências distintas feitas por colegas de outras universidades chegaram a resultados diferentes. Algumas não produziram nenhum “efeito Mozart”, enquanto outras confirmaram o trabalho de Shaw. Nascia assim a polêmica.

O tira-teima veio mais recentemente, quando Shaw e colegas usaram aparelhos de ressonância magnética para mapear as áreas do cérebro que são ativadas pela música – ressonância magnética funcional. Percebeu-se então que, além do córtex auditivo, onde o cérebro processa os sons, a música também ativa partes associadas com a emoção e, com Mozart, o cérebro todo se “acende”. Apenas ele ativa áreas do cérebro envolvidas com a coordenação motora, visão e outros processos mais sofisticados do pensamento. Infelizmente, tal aparelho não explica a razão desse fenômeno.

De todo modo, esse trabalho científico provou indubitavelmente que o ensino da música aumenta muito a capacidade mental das crianças. Se elas forem apresentadas a Mozart bem cedo, quando ainda estão desenvolvendo sua rede neural, o resultado positivo pode durar para toda a vida, alegam os especialistas. A composição usada como carro-chefe das pesquisas é a Sonata para dois pianos, em Ré Maior, K.448. Há grande destaque, também, para os Concertos para violino nºs 3 , em Sol Maior K.216 e nº 4, em Ré Maior K.218.

VIA: Concertino

ROCK É VIDA

Existe uma razão pessoal para esse tópico: eu gosto de rock.

Mas, em minha mais legítima defesa, estudos realizados pela University of Warwick, da Inglaterra  concluíram que os jovens mais inteligentes ouvem rock and roll para lidar com as pressões associadas a serem talentosos. Existe no imaginário popular uma ideia de que o rock determina sinal de delinquência e pouca habilidade acadêmica, no entanto, a pesquisa da universidade inglesa concluiu que jovens roqueiros surgem rotineiramente como pessoas brilhantes e talentosas.

É claro que depende do Rock.

A banda irlandesa U2, por exemplo, foi cotada como uma das autoras de músicas mais poderosas para o cérebro.

Por que isso acontece?

O desempenho físico aumenta inegavelmente em razão do ritmo do Rock. Com batidas ágeis e precisas, com cadência e notas que sobem várias oitavas, o rock bem elaborado não deixa seu cérebro simplesmente ficar letárgico. O som agitado “empurra” seu cérebro a funcionar, nem que seja pra acompanhar a música com o pé.

Ninguém se segura quando alguém toca Rock.

O efeito mental estaria relacionado ao Rock mais clássico, que não possuiria (em tese) tantas mudanças de tempo e intensidade. The Doors, por exemplo, faz o tipo de Rock que não te deixa dormir, mas não te agita como um Slipknot, por exemplo.

Há ainda outros fatores curiosos relatados por pessoas que gostam desse estilo de música: o Rock n’ Roll dá a seus ouvintes uma estranha, mas satisfatória, sensação de poder. Essa sensação, ainda que de caráter puramente químico/psicológico, ajuda na autoestima e na pró-atividade.

Ou seja: ouça Rock! Vale a pena.

Vale dizer que Rockeiros têm destaque no mundo dos intelectuais. Claro que isso não comprova nada, mas é uma curiosidade.

  • Bryan Keith Holland, vocalista da banda de rock californiana Offspring, é mestre em biologia molecular.
  • Thomas Baptist Morello, o Tom Morello, compositor das músicas da banda Rage Against The Machine, é formada em Ciência Política, em Harvard. Inclusive as letras da banda refletem bem o academicismo de Morello.
  • Freddie Mercury tinha formação superior em Design Gráfico.
  • Bryan May, guitarrista do Queen formou-se em Ciências Físicas e Matemática Imperial, em Londres. Em 2007, ele concluiu seu doutorado em astronomia, recentemente contribuiu para a chegada da sonda New Horisons em Plutão.
  • Todos os integrantes da banda brasileira Engenheiros do Havaí são formados em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Humberto Gessing (vocal) e Carlos Maltz (baterista) montaram a banda durante uma greve de professores. O nome da banda é uma piada sobre o estilo dos arquitetos.
  • Arnaldo Antunes, hoje mais atuante na MPB, um dos criadores da abanda de rock Titãs, estudou Linguística na Faculdade de Letras da USP, e então não é novidade alguma neste detalhe, atrelado a seu talento natural, ser atualmente um dos principais letristas da música brasileira.
  • John Lennon era formado em Artes Gráficas pelo Liverpool Institute of Arts, de Liverpool.
  • Greg Graffin, do Bad Religion, que também gravou dois álbuns solos, formou-se em Antropologia e Geologia na Universidade da California, e concluiu doutorado em palenteologia evolucionária na Cornell University.
  • Rivers Cuomo, vocalista da Weezer, graduou-se em PHI Beta Kappa,como bacharel em Artes. Estudou também Letras na universidade de Harvard, mas abandonou o curso no final para se dedicar à banda.
  • Bruce Dickinson, líder do Iron Maiden, além de piloto de avião, é historiador. Em 2011 ele recebeu título Honoris de doutorado pela Universidade Queen Mary College, de Londres, pela sua contribuição à indústria musical.
  • Dave Rowntree e Alex Jones, baixista e baterista, respectivamente, da banda inglesa Blur, participaram da missão especial Beagle 2 (missão da Inglaterra para buscar sinais de vida em Marte). Dave formou-se em Ciências de Computação na Politécnica de Thames. Alex é astrofísico e trabalha com o Departamento de Astrofísica na conceituada Universidade de Oxford.

SOM E FÚRIA

Você conhece o Haka?

O Haka é uma espécie de dança/rito utilizado na cultura Maori e Samoana para despertar os guerreiros para a guerra.

Hoje em dia, você encontra apresentações dessa invocação de força em partidas de Rugbi em que a Nova Zelândia esteja jogando.

Mas qual o sentido de cantar e bater braços e pernas?

Causar fúria…

A música, além de tudo, pode ser uma boa causadora de fúria.

É o mesmo mecanismo que ocasiona a liberação de adrenalina para a prática de um esporte.

As batidas ritmadas e o volume alto de um som podem causar um estresse fora do comum.

Não por acaso, o batalhão de choque das polícias militares marcham vigorosamente e batem com força em seus escudos.

Guerreiros medievais tinham tambores e marchavam também para causar esse efeito.

A música, acredite, pode ser uma injeção de energia.

 

OUVINDO ENYA

Se seu objetivo, contudo, é relaxar, você já deve saber que músicas instrumentais bem calmas e em um volume discreto fazem um efeito interessante.

Ou você acha que todas as lojas de produtos naturais têm fãs de Enya?

Claro que não. Possivelmente os funcionários dessas lojas devem ficar com sono após algumas horas de trabalho naquele embalo de ninar neném.

As músicas chamadas de “Nova Era” (Enya, Enigma, Moby, Era e etc) são sons capazes de modificar seu estado de espírito para uma forma mais tranquila, à medida que o som vai casando com sua respiração. Para todos os efeitos de qualquer música, respiramos no ritmo da música que ouvimos.

Assim, músicas suaves geram respiração mais lenta, mais oxigenação e consequente sentimento de calma.

Então, meus caros: quer controlar melhor seus pensamentos ou até mesmo os pensamentos daqueles que estão à sua volta (crianças, por exemplo)? Use música.

Posso garantir: é infalível.

 


Raquel Pinheiro (Raposinha) é míope profissional, CANCERIANA, redatora, revisora, tradutora, escritora, professora de língua inglesa, viciada em café e artista plástica. Além disso é troll nas horas vagas e é viciada em cheirar livros.