[QUADRINHOS] Marvel NOW! – Parte 5: Cable and X-Force #1, Avengers Arena #1, Fantastic Four #2 e Iron Man #4

Esta semana tivemos as estréias de dois títulos capitaneados por Dennis Hopeless: Cable and X-Force e Avengers Arena. Fora eles, saíram Fantastic Four #2 e Iron Man #4. Até aqui foram os lançamentos mais fracos de Marvel NOW!, descubra o por quê abaixo.

SPOILERS podem aparecer a qualquer momento. Considerem-se avisados.

Cable and the X-Force 01-000Cable and X-Force #1

Roteiros de Dennis Hopeless
Desenhos de Salvador Larroca
Cores de Frank D’Armatta

Cable, ah Cable!, como eu gosto de contar sua história..!

Era uma vez um rapaz chamado Scott Summers, que por acaso era um mutante com poderes de lançar rajadas de energia pelos olhos conhecido como Ciclope. Um dia ele conheceu uma mulher chamada Madelyne Pryor, que era muito parecida com sua falecida namorada Jean Grey, uma mutante que possuía poderes telepáticos e telecinéticos. Eles se apaixonaram, se casaram, e tiveram um filho. Batizaram-no de Nathan Christopher Summers. Christopher porque era o nome do pai de Scott, e Nathan veio de Nathaniel.

Madelyne Pryor apresenta o recém nascido Nathan para os X-Men (em sentido horário a partir do canto superior esquerdo: Rachel Summers, que na épora era a Fênix, Vampira, Tempestade, Ccilpe, Kitty Pryde, Wolverine, Colossus e Noturno)

Madelyne Pryor apresenta o recém nascido Nathan para os X-Men (em sentido horário a partir do canto superior esquerdo: Rachel Summers, que na época era a Fênix, Vampira, Tempestade, Ciclope, Kitty Pryde, Wolverine, Colossus e Noturno)

Senhor Sinistro, o homem que arquitetou o nascimento de Nathan Summers.

Senhor Sinistro, o homem que arquitetou o nascimento de Nathan Summers.

Nathaniel Essex era um cientista do século 19 fascinado pela Teoria da Evolução de Charles Darwin, do qual foi contemporâneo. Um dia ele conheceu o primeiro representante do próximo passo da evolução humana, En Sabah Nur, o mutante Apocalipse. Tornando-se desde então obcecado por estudar indivíduos da nova raça que substituiria os homo sapiens, Nathaniel fez um pacto com o mutante “imortal” (ele nasceu na época do Antigo Egito, onde chegou a ser escravo antes de manifestar seus poderes) para tornar-se também um ser imortal, e assim acompanhar a humanidade dando este novo passo evolutivo. O experimento o transformou naquele que seria conhecido anos depois como Senhor Sinistro. Acontece que nesta mesma época Nathaniel também conheceu outros dois mutantes vindos do futuro, Scott Summers, o Ciclope, e Jean Grey, que então usava o codinome Fênix (embora não tivesse mais os poderes da entidade cósmica, apenas telepatia e telecinese). Ele presenciou o casal usando seus poderes, e seu fascínio pelos mutantes aumentou ainda mais, a ponto de recolher amostras do material genético de ambos para fazer experimentos.

Ok, voltemos mais uma vez para Scott e Madelyne, quando ela descobriu que, na verdade era uma clone de Jean Grey (!), criada pelo Senhor Sinistro usando o material genético recolhido da ex-namorada de Scott (daí ela tirou o primeiro nome de seu filho, embora na época que o batizou isto provavelmente era uma informação gravada em seu subconsciente), justamente com o propósito de seduzi-lo e ter um filho com ele. O objetivo de Sinistro era usar os poderes da criança para matar seu mestre, Apocalipse, pois segundo seus cálculos, a combinação dos genes de Scott e Jean resultaria num mutante com poderes que superariam os de Apocalipse.

Nathan recém infectado com o vírus tecnorgânico.

Nathan recém infectado com o vírus tecnorgânico.

Claro que En Sabah Nur (adoro dizer este nome!) descobriu as intenções de Sinistro, e deu um jeito de estragar seus planos. Para isto sequestrou Nathan, e o infectou com um vírus tecnorgânico que converteria todo o seu corpo em máquina, matando-o no processo. Detalhe: não existia uma cura para a doença. Porém, Apocalipse não contava com a intervenção de uma viajante do tempo, vinda de 2000 anos no futuro, que ofereceu a Ciclope a chance de salvar seu filho. Para isto ela teria que levar a criança para o tempo de onde veio, quando existiria meios de curar a criança da infecção. Ciclope aceitou a oferta e perdeu seu filho, mas não por muito tempo.

Momento clássico: Ciclope entrega Nathan para a Irmã Askani levá-lo para o futuro.

Momento clássico: Ciclope entrega Nathan para a Irmã Askani levá-lo para o futuro.

A viajante era membro de um grupo chamado Askani, fundado por Rachel Summers, filha de Scott e Jean em um futuro alternativo (o mesmo de onde foi enviada a mente da versão futura de Kitty Pride para o presente na famosa saga Dias de Um Futuro Esquecido, a história que introduziu as viagens no tempo como um dos temas mais presentes nas histórias dos X-Men, e que servirá como base para a continuação do filme X-Men: Primeira Classe). Rachel chegou a fazer parte dos X-Men do presente, e também de um grupo britânico de mutantes, o Excalibur, até uma série de eventos levá-la a abandonar o presente, e cair num futuro 2000 anos adiante, onde encontrou um mundo dominado por Apocalipse, o que a fez reunir um grupo para combatê-lo. Décadas de luta se passaram sem que ela conseguisse dar um fim ao vilão, e Rachel ficou conhecida como Mãe Askani por ser a primeira integrante do grupo que criou. Vendo-se incapaz de derrotar Apocalipse, e lembrando-se de que possuía um irmão no passado longínquo da era em que estava, com poderes latentes capazes de superar os seus (além de telepata e telecinética como sua mãe, ela ainda possuía uma fração dos poderes da entidade Fênix), Mãe Askani pediu para uma de suas seguidoras voltar no tempo e trazer Nathan para o futuro antes que perecesse vítima do vírus tecnorgânico, a fim de salvá-lo e transformá-lo no guerreiro destinado a matar Apocalipse.

Após salvá-lo da infecção, Mãe Askani providenciou um meio do garoto ser criado por pais adotivos, que na verdade era um casal de clones especialmente criados para conter as mentes de Scott Summers e Jean Grey, que foram transportadas do presente para o futuro. Assim, o garoto foi criado e ensinado pelos pais a usar seus poderes tanto para conter o avanço do vírus (a doença nunca foi totalmente curada, mas impedida de alastrar-se através do uso constante da telecinésia de Nathan) como para defesa e ataque em combates, da infância à adolescência, até atingir um nível de poder suficiente para enfrentar e matar o então decrépito Apocalipse no futuro.

Ciclope, Fênix e o jovem Nathan enfrentando juntos Apocalipse no futuro.

Ciclope, Fênix e o jovem Nathan enfrentando juntos Apocalipse no futuro.

Mas sua missão não estava terminada. Após derrotar seu maior inimigo no futuro, o garoto treinou para ficar mais forte, aprendeu táticas de guerrilha e tornou-se um soldado, e com recursos que ele julgou suficientes, voltou no tempo, já adulto, para impedir a ascensão de Apocalipse no presente, e assim evitar que o mundo chegasse ao ponto em que estava 2000 anos depois.

Este, meus caros, é Cable! Depois de sua vinda para o presente ele chegou a ser líder do grupo de adolescentes conhecido como Novos Mutantes, que logo foi rebatizado de X-Force, a fim de adequar-se à nova abordagem de liderança, pois Cable enxergava nos jovens mutantes potenciais soldados de sua tropa particular destinada a derrotar Apocalipse no presente. Muito aconteceu desde então, Apocalipse ressurgiu, depois de um tempo sumido, e deu início ao plano que o tornaria o regente do mundo. Nesta época estava previsto para acontecer o grande sacrifício para o qual Cable foi preparado durante sua vida inteira. Porém, no último instante, quando ele já havia aceitado que morreria para derrotar seu maior inimigo, Ciclope, seu pai, tomou o lugar do filho, e morreu (o que, obviamente, não durou muito, já que meses depois Scott ressurgiu, assim como Apocalipse). Com isto Cable se viu sem propósito, chegou a ser integrante dos X-Men, e depois formou uma dupla com Deadpool que não durou muito. Mais tarde perdeu seus poderes telepáticos e telecinéticos numa tentativa de usá-los em sua totalidade para forçar a humanidade a alcançar a tão sonhada paz mundial, o que o levou a confrontar-se com os X-Men, a S.H.I.E.L.D., e por fim o Surfista Prateado (!). Tudo isto fez com que ele esgotasse seus poderes, que continuaram apenas num nível puramente instintivo, contendo o avanço do vírus tecnorgânico.

Cable e a primeira formação da X-Force.

Cable e a primeira formação da X-Force.

Daí veio a saga Complexo de Messias, em que Cable encontrou um novo propósito: proteger a vida da primeira mutante a nascer no mundo depois que a Feiticeira Escarlate lançou um feitiço global que eliminou o gene mutante da humanidade (com exceção do presente em pouco menos de 200 indivíduos por razões que jamais foram totalmente esclarecidas).

Cable e Hope.

Cable e Hope.

Na época Cable foi perseguido por outro viajante do tempo, Bishop, que viera de um futuro onde uma grande tragédia foi supostamente causada pela Messias Mutante, como ficou conhecida a tal criança cujo nascimento deu início a uma série de eventos que geraram um cenário mundial onde os mutantes eram caçados e marcados como gado. Bishop queria evitar que este futuro ocorresse matando a menina. Para fugir de Bishop, Cable lançou-se no fluxo temporal, e caiu num de diversos futuros para os quais se transportou com a criança. Isto deu início a um longo jogo de gato e rato entre Cable e Bishop, que no final acabou preso em um futuro remoto, enquanto Cable voltou com a menina, já crescida e batizada de Esperança, para o presente. Acontece que chegando aqui vários grupos foram atrás da garota, sabendo o quanto ela seria importante para o futuro dos mutantes, e depois de muita bagunça (e pra encurtar esta história, que já está longa demais!), Cable se viu numa posição em que teria que sacrificar sua vida para salvar Esperança, e assim o fez, quando aparentemente teve seu corpo despedaçado enquanto usava seus poderes psiônicos recém recuperados para manter um portal temporal aberto.

Claro que sua “morte” não durou muito, e foi revelado que ele havia, na verdade, se perdido no fluxo temporal, até cair num futuro semelhante àquele onde viveu sua infância e adolescência, e reencontrou Blakesmith, um velho amigo, que o informou de que Esperança seria morta pelos Vingadores, após estes descobrirem toda a crise que teria início quando a Força Fênix voltasse a visitar a Terra e a usasse como hospedeira de seus poderes cósmicos (a história se passa meses antes de Vingadores vs. X-Men). Para impedir que isto acontecesse, Cable usou o pouco que ainda restava de seus poderes para viajar de volta no tempo (telepatas mutantes têm este dom latente, que os permite projetar suas mentes para trás e para adiante no tempo, mas apenas os mais poderosos, como Cable e Rachel, são capazes de transportar seus corpos através do fluxo temporal). A viagem esgota os poderes de Cable, mas não o impede de derrotar e capturar vários Vingadores, e a mostrar que está disposto a matá-los se necessário. Mas antes que isto acontecesse ele foi impedido por Ciclope e Esperança, que de quebra ainda salvou a vida de Cable, seu pai adotivo, usando seus poderes (cada vez mais potentes pela influência da proximidade da entidade Fênix da Terra) para curá-lo de uma vez por todas do vírus tecnorgânico, que desde sempre o impediu de usar 100% de seus poderes telecinéticos. Cable, apesar de curado, entrou em estado de coma, ficou um tempo na clínica da ilha mutante Utopia, até a saga Vingadores vs. X-Men, que gerou muita destruição no lugar devido aos combates entre os dois grupos. De alguma forma, no meio da confusão que seguiu-se, Cable despertou e fugiu do lugar, e desde então não se tem mais notícias dele, até agora…

Hope fechando um longo ciclo na vida de Cable ao curá-lo do vírus tecnorgânico.

Hope fechando um longo ciclo na vida de Cable ao curá-lo do vírus tecnorgânico.

E FINALMENTE chegamos a Cable and X-Force…! que não é lá grandes coisas…

Pra começar, Dennis Hopeless é um escritor que nunca vi tão gordo. Até aqui nada contra, pois sempre há a chance do cara ser bom e nos surpreender, o que infelizmente não é o caso aqui. Ele começa a história mostrando a nova X-Force de Cable já formada, composta por Dominó, Colossus, Forge e Dr. Nemesis se encontrando com a equipe de Vingadores liderada por Destrutor (que está sendo apresentada no título Uncanny Avengers, do qual já falei nas partes um e três desta série). Pra quem não sabe ou não se lembra, Destrutor é Alex Summers, irmão de Ciclope e, portanto, tio de Cable. Daí que isto gera um diálogo um tanto estranho em que Alex dá uma de tiozão pra cima de um sobrinho que é claramente mais velho e tem mais experiência que ele, e o repreende como se tivesse pego em flagrante um moleque que acabou de quebrar o vidro da janela do vizinho com a bola de futebol. A cena não dura muito, e não passa disto. Depois dela a história volta no tempo e começa a apresentar uma trama que já virou rotina nos títulos de equipes da Marvel NOW!: o processo de recrutamento dos membros.

Você sabe que está perdendo uma discussão quando seu sobrinho do futuro te responde assim.

Você sabe que está perdendo uma discussão quando seu sobrinho do futuro te responde assim.

Tudo bem que é necessário que o leitor novato, ou mesmo para o veterano que já não acompanha o universo mutante há algum tempos, se habitue aos personagens, mas a história aqui é bem arroz com feijão. Vemos Cable visitando seu amigo Forge, um mutante cujo poder é, basicamente, inventar máquinas. Isto mesmo, ele é muito bom em criá-las, e só. E como Cable, desde que foi curado do vírus tecnorgânico, perdeu a mobilidade do braço esquerdo (o mesmo que, por décadas, foi muitas vezes confundido com uma prótese cibernética), agora ele precisa de uma espécie de exoesqueleto que o ajude a movê-lo. Forge o constrói, e como o próprio Cable faz questão de salientar, é um dos acessórios mais esteticamente horríveis e desajeitados que o personagem já utilizou (e estamos falando de um cara que já usou ombreiras enormes e empunhou trabucos que tinham quase o tamanho de seu corpo).

Cable e suas "arminhas" e ombreiras iradas.

Cable e suas “arminhas” e ombreiras iradas.

Depois passamos rapidamente por uma missão da mutante Dominó, que é uma versão espiã da Feiticeira Escarlate, só que sem toda a vastidão de seus poderes. Ela tem a capacidade de alterar as probabilidades a seu favor, mas ele funciona mais como um reflexo condicionado que de alguma forma afeta tudo que pode se voltar contra ela, fazendo com que ela consiga se livrar de várias enrascadas, mas não permite que ela faça coisas aparecerem do nada, nem alterar toda a realidade como sua “prima” com complexo de deusa apagadora de genes mutantes.

E também vemos o rápido recrutamento do Dr. Nemesis, que é talvez o cientista mais metido a gostosão e insuportável já criado para uma HQ da Marvel, e é só isto que vocês devem saber sobre ele (sério, nunca fui com a fuça do personagem, e não tenho o menor interesse de conhecê-lo mais a fundo).

Paralelo a tudo isto, acompanhamos como anda a vida de Esperança, que desde o final de Vingadores vs. X-Men, quando restaurou o gene mutante de milhões de seres humanos com o uso da Força Fênix, está numa situação muito parecida com a de Cable, andando por aí sem saber ao certo o que fazer da vida depois que seu maior objetivo foi cumprido. Com isto sua maior motivação é reencontrar Cable, que ela considera seu pai adotivo. Isto acontece ainda nesta edição, o que nos poupa de várias edições nos enrolando com esta subtrama desinteressante. Ponto para Hopeless!

Daí, quando chegamos nas últimas páginas sem saber porque estamos acompanhando estes personagens tão sem propósito, e sem saber qual é o maldito plano que Cable insiste em esconder dos demais – o que é muito irritante, diga-se – rola um gancho que aponta para a primeira missão do grupo, que misteriosamente tem conexões com uma visão que Esperança teve algumas páginas antes, quando acessou a mente de Cable durante uma de suas enxaquecas repentinas (outro efeito colateral da cura do vírus tecnorgânico, que pode indicar que seus poderes telepáticos estão voltando a se manifestar). E é isto!

Edição bem morna, que poderia se beneficiar dos traços de Salvador Larroca, um cara que mandou muito bem quando estava no título do Homem de Ferro ao lado de Matt Fraction, mas que aqui parece ter feito tudo às pressas. Pra compensar um pouco, Frank D’Armata faz seu já competente trabalho de colorização, mas isto não é o bastante pra tirar da boca o gosto amargo de termos lido uma história que está tão sem rumo quanto seus protagonistas.

Enfim, o jeito é dar uma olhada nas próximas edições pra saber se isto foi só uma primeira impressão que se mostrou apenas incompleta e sem contexto, ou o início de mais uma série mutante dispensável, algo que, infelizmente, não falta na Marvel. Espero que melhore, pois Cable merece um título à altura de sua jornada até aqui (ou uma nova chance de morrer heroicamente e descansar em paz de uma vez por todas, antes que baguncem ainda mais sua história, já complicada demais).

Avengers Area 001-Zone-000Avengers Arena #1

Roteiros de Dennis Hopeless
Desenhos de Kev Walker
Cores de Frank Martin

Avengers Arena é sobre um bando de adolescentes com super-poderes sequestrados por um vilão e aprisionados em algum lugar desconhecido para lutarem entre si até que reste apenas um vivo. Sim, talvez você já tenha assistido um filme disto, ou lido o mangá no qual ele foi baseado, ambos chamados Battle Royale (Batalha Real aqui no Brasil). Recomendo muito o primeiro filme, que é cruelmente divertido e cheio de violência gráfica, e garotas japonesas morrendo das formas mais horríveis (incluindo Chiaki Kuriyama, o que já é motivo o suficiente para assisti-lo), já esta HQ…

Avengers Area 001-Zone-002

Radiação vs X-23, a clone adolescente fêmea de Wolverine (sim, você leu isto)

Verdade seja dita, Hopeless pode ter tirado a sorte grande ao receber a chance de trabalhar com personagens do 4º escalão da Marvel, alguns deles totalmente desconhecidos da maioria dos leitores do Universo Marvel, ou suficientemente inexpressivos pra pouco importarmos com eles. Nesta primeira edição o escritor dá mais atenção para Radiação e seu namorado, Vigoroso, que parece uma versão adolescente bombada do Caveira Vermelha. Ela é uma garota que emite constantemente radiação de seu corpo, o que a obriga a usar um macacão amarelo que a isola do resto do mundo. O único capaz de entrar em contato direto com ela é o Caveir…, digo, o Vigoroso, que tem uma pele hiper resistente que, paradoxalmente, o impede de sentir qualquer coisa, mas, a julgar pelo codinome do rapaz, e pela cena que ele protagoniza com a garota logo no início da edição, isto não o impede de fazê-la “sentir coisas.” São os dois que realmente despertam o mínimo de interesse por parte do leitor, já que os demais, num total de 16 adolescentes com superpoderes, pouco fazem além de serem coadjuvantes com falas sem personalidade, ou meros figurantes nesta primeira história.

Vigoroso em cena pós-demonstração de seu "vigor".

Vigoroso em cena pós-demonstração de seu “vigor”.

O vilão não poderia ser mais adequado: Arcade, um sujeito que já deu algum trabalho para os X-Men, mas que nunca foi mais do que o inimigo tapa-buraco que os escritores escolhiam quando não queriam usar os mais manjados. Aqui ele demonstra poderes que jamais manifestou antes, o que deixa um mistério no ar pra ser resolvido nas próximas edições. Ele não apenas sequestra o bando de adolescentes, como serve para o autor da história confessar que tirou a premissa justamente de Battle Royale (o que soa um tanto redundante, pois a capa da edição é claramente uma homenagem ao filme, como vocês podem concluir observando a figura abaixo).

Vai dizer que "Kitano contra 42 estudantes" já não é motivo o bastante para assisti-lo?

Vai dizer que “Kitano contra 42 estudantes” já não é motivo o bastante para assisti-lo?

Infelizmente Arcade não tem a presença do lendário Takeshi Kitano, que realmente toca o terror no filme que serviu de base à premissa dessa série em pouquíssimas e memoráveis aparições. Aqui o vilão apela pra muita pirotecnia até chegar ao desfecho, quando finalmente mostra que não está brincando, e dá um soco no estômago do leitor, garantindo que todos ali podem morrer a qualquer momento.

Arcade se achando o fodão. No lugar dele Kitano já teria dispensado os efeitos especiais, e plantado um tiro na testa de algum dos adolescentes pra encerrar o papo furado.

Arcade se achando o fodão. No lugar dele Kitano já teria dispensado os efeitos especiais, e plantado um tiro na testa de algum dos adolescentes pra encerrar o papo furado.

Os desenhos de Kev Walker são simpáticos apenas, e em algumas páginas dão uma decaída que acusa um traço ainda sem estilo definido, o que é compensado pelo bom trabalho de colorização de Frank Martin.

Pode ser uma série divertida, mas espero que o autor consiga criar mais conexões entre os leitores e alguns dos personagens envolvidos, ao invés de contentar-se apenas com embates sangrentos entre indivíduos para os quais não damos a mínima até aqui.

FF_2_TheGroup-000Fantastic Four #2

Roteiros de Matt Fraction
Desenhos de Mark Bagley
Cores de Paul Mounts e Will Quintana

Esta segunda edição, vista ao lado de FF #1 (da qual falei aqui), soa um tanto redundante. Nela Fraction mostra um pouco mais da chegada do Homem Formiga, Medusa, Mulher-Hulk e Darla, a futura Sra. Coisa, para substituir o Quarteto Fantástico durante sua ausência da Terra. É uma espécie de versão estendida da primeira edição de FF, mas que pouco acrescenta ao que já sabíamos. Tem uma ou outra cena divertida, como o Coisa disputando levantamento de peso com a Mulher-Hulk, e rolando uma leve tensão sexual entre eles (o que me fez ter uma vontade um tanto estranha de ver como os dois funcionariam como um casal em algum momento), e o Tocha Humana tentando convencer Darla a ficar no lugar dele enquanto o Quarteto sai de férias pelo que ele promete que não será, pra quem ficar na Terra, mais do que 4 minutos (enquanto pro Quarteto se passará um ano, graças às maravilhas das viagens espaço-temporais).

Agora imagine estes dois transando. Sim, eu sou doente...

Agora imagine estes dois transando. Sim, eu sou doente…

Uma história morna, que ainda tem o “fator Mark Bagley” pra impedir que a experiência de lê-la seja um pouco mais prazerosa. Eu sinceramente não entendo porque jogaram o desenhista num título que nem está sendo publicado quinzenal ou mesmo semanalmente, como vem ocorrendo com alguns títulos da Marvel NOW! Assim como um dia foi Jack Kirby, e como é o caso de John Romita Jr., Bagley é conhecido por sua rapidez, mas, ao contrário de seus colegas de profissão, seu traço deixa muito a desejar tanto nas expressões faciais, como no tipo de narrativa usada, que simplifica demais a ação ao ponto de gerar confusão (pegue, por exemplo, a cena desta edição em que o Homem-Formiga aumenta de tamanho pra recolher uma amostra de células dentro do corpo de Reed: ela foi desenhada de maneira tão desleixada que demorei pra entender o que exatamente aconteceu ali). Depois de uma fase brilhante como foi a do Jonathan Hickman, que contou com ótimos desenhistas como Steve Epting, Barry Kitson e Dale Eaglesham, entre muitos outros tão competentes quanto, o Quarteto merecia uma reestréia com uma arte à altura da importância que voltou a ter nos últimos anos. Faltou bom senso da parte dos editores na hora de escolher alguém que dê conta do recado aqui.

Mas gostei da homenagem da dupla criativa a uma das criações mais insanas e divertidas do Rei Jack Kirby: Devil Dinosaur (porque não há nada mais legal do que um macaco pré-histórico montado num tiranossauro rex)

Mas gostei da homenagem da dupla criativa a uma das criações mais insanas e divertidas do Rei Jack Kirby: Devil Dinosaur (porque não há nada mais legal do que um macaco pré-histórico montado num tiranossauro rex)

Apesar de tudo, ainda acredito que tem chances de melhorar nas próximas edições, agora que Fraction livrou-se da tarefa de armar toda a situação que levará os dois grupos a viverem cada qual suas aventuras. Que na próxima edição tenhamos um pouco mais de ação e acontecimentos mais relevantes.

Iron Man 004-Zone-000Iron Man #4

Roteiros de Kieron Gillen
Desenhos de Greg Land
Cores de Guru eFX

A idéia central deste primeiro arco de Kieron Gillen com o Homem de Ferro é jogar o herói em direções diferentes em cada edição, obrigando-o a enfrentar situações igualmente diversas que o obriguem a todo momento a reconstruir-se, literalmente, dependendo do tipo de desafio que encontra. Mas esta variedade  não diz respeito apenas ao tipo de desafio físico enfrentado, mas também ao tipo de embate ideológico e moral.

Na segunda edição vimos Tony Stark confrontar um grupo de cavaleiros de armadura high-tech que visava iniciar uma nova versão dos Cavaleiros da Távola Redonda; na terceira tivemos um traficante de drogas que tentava curar o câncer da filha usando a tecnologia Extremis; já nesta ele encara um culto tecno-religioso que acredita na vinda de uma tal de “infinita escuridão”, que precisará de mulheres cujo corpo seja resistente o bastante para receber e germinar sua “semente.” Para garantirem que a tal entidade tenha o receptáculo adequado para encarnar em nosso plano de existência, os cientistas do culto usam o Extremis para aperfeiçoar e fortalecer o corpo de doze mulheres, o que obriga Tony a preparar-se para enfrentar várias usuárias da tecnologia.

Basicamente é uma mistura de ficção científica com terror lovecraftiano, e algumas doses de humor (como a cena em que Tony vê um monte de inscrições que lembram a escrita élfica, e diz que odeia Tolkien). Para ajudar a criar o clima ideal a história se passa nas catacumbas de Paris, em corredores apertados forrados por crânios humanos, o que torna peculiar a presença da armadura mais robusta do Homem de Ferro, grande e forte o suficiente para, segundo ele, agüentar uma luta com o Hulk (curiosamente está previsto um confronto entre ele e o Gigante Esmeralda na edição 2 de Indestructible Hulk, que sairá na próxima semana, e talvez envolva o uso da armadura vista aqui).

Homem de Ferro contra os vasos humanos da escuridão infinita (dá um baita título de história isto)

O Homem de Ferro contra os Receptáculos Humanos da Escuridão Infinita (belo título para uma história)

Porém, o acontecimento mais marcante desta edição foi prejudicado pela arte claramente feita às pressas de Greg Land, quando Tony se vê forçado a tomar uma medida mais definitiva e trágica para livrar-se das hospedeiras do Extremis. Ficou muito estranha a forma como ele desenhou a sequência, que pedia um impacto visual mais visceral. E quando é apresentado o resultado do que ele fez, tudo parece artificial e limpo demais, ao contrário de que se esperaria de uma história que começou com um clima pesado de terror, e que já havia apresentado, poucas páginas antes do desfecho, cenas de violência mais gráfica.

Assim, novamente, Iron Man apresenta uma história que não consegue ser mais do que apenas boa, como ocorreu na primeira edição. Resta torcer para que a conclusão deste primeiro arco na próxima edição volte a apresentar a mesma qualidade, tanto nos roteiros quanto na arte, vista nas duas edições anteriores. E que a Marvel, passado este primeiro momento em que lançou mais de uma edição por mês, dê um descanso para que seus artistas produzam no ritmo ideal para que não haja mais problemas como os vistos aqui. Tanto Land como Gillen podem ser melhores do que isto.

E semana que vem suarei mais do que em todas as semanas anteriores desta série de reviews, pois teremos nada menos do que DOZE lançamentos da Marvel NOW!, todos continuações de séries das quais falei nas semanas anteriores: Captain America #2, Avengers #2, Avengers Arena #2, Uncanny Avengers #3, Cable & X-Force #2, FF #2, Journey Into Mystery #647, Thor – God of Thunder #3, Indestructible Hulk #2, All-New X-Men #4 e Thunderbolts #2. UFA! Se o mundo não acabar dia 21, a próxima parte deve, excepcionalmente, atrasar um pouco mais, e sair no Natal. Até lá!