[QUADRINHOS] Marvel NOW! – Parte 9: Superior Spider-Man #1, Thunderbolts #3, Avengers Arena #3, Fantastic Four #3, Cable and X-Force #3 e Thor God of Thunder #4

Esta semana falo da estréia de The Superior Spider-Man, das terceiras edições de Thunderbolts, Avengers Arena e Cable and X-Force e de Thor: God of Thunder #4.

Os reviews a seguir contém SPOILERS.

SuperiorSpiderMan_1_TheGroup-000The Superior Spider-Man #1

Roteiros de Dan Slott
Desenhos de Ryan Stegman
Cores de Edgar Delgado

Antes devo confessar que não leio Amazing Spider-Man, a principal série mensal do Homem-Aranha até dezembro passado, desde o final da saga Guerra Civil, e isto foi em 2008. Na época, na série solo do personagem, como consequência do Homem-Aranha ter revelado em público sua identidade secreta, a Tia May foi vítima de uma tentativa de assassinato encomendada pelo Rei do Crime. Isto fez com que ela ficasse à beira da morte. Não foram poucas as tentativas de salvar a vida da velhinha, incluindo (pasmem!) todas as mais altas tecnologias disponíveis num mundo que conta com gênios como Reed Richards, Tony Stark e Hank Pym. Mas não teve jeito. Isto forçou o herói a fazer o famigerado pacto com o demônio Mephisto, que recebeu como pagamento o amor de Peter por Mary Jane. Resultado: além de salvar a vida da Tia May, Mefisto apagou as memórias que todas as pessoas DO MUNDO (ou pelo menos aquelas que tomaram conhecimento disto) tinham de Peter Parker tendo um relacionamento com Mary Jane, incluindo seu casamento com ela. Como efeito colateral isto ainda apagou das mentes de todos a tal revelação da identidade secreta, e ainda trouxe de volta à vida o até então morto Harry Osborn, filho de Norman Osborn, o Duende Verde (não me perguntem como, porque não sei).

Claro que tudo isto gerou muita polêmica na época, pois a razão por trás dessa bagunça toda foi que a Marvel precisava encontrar uma forma para desfazer o casamento de Peter com Mary, a fim de tornar o personagem mais relevante para os leitores mais jovens. Segundo o alto escalão da editora, alguém que passasse a acompanhar a série do herói naquela época e o encontrasse já casado, e trabalhando como professor em uma escola de ensino médio, ao invés de ainda estar solteiro e cursando a faculdade, se sentiria perdido, caso tivesse como referência apenas os filmes de Sam Raimi. Obviamente que leitores mais velhos torceram o nariz, ameaçaram de morte editores e escritores da Marvel, entre outras manifestações de revolta que sempre acontecem quando alguém mexe demais num personagem mais antigo e querido por muitos.

Depois disto, segundo soube por alguns amigos que continuaram acompanhando o título do personagem, parece que as histórias foram melhorando conforme deixaram pra trás os contorsionismos cronológicos. E tudo correu relativamente bem, até o final do ano passado, quando as últimas edições da série anterior do Aranha apresentaram uma das histórias mais polêmicas já protagonizadas pelo herói desde A Saga dos Clones (e se você não sabe o que aconteceu nesta, sorte a sua).

O resumo da ópera é o seguinte: o Dr. Octopus estava com um câncer terminal, e diante disto resolveu se redimir, e fazer o máximo de bem para o mundo enquanto ainda lhe restava tempo. Usando seu amplo conhecimento científico ele começou a desenvolver tecnologias que ajudassem a sanar grandes males de nosso planeta, como o buraco na camada de ozônio por exemplo, entre outros. Só que daí, em seus dias finais, o vilão concluiu que o que ele havia feito ainda não era suficiente, e foi além. Otto (Ottinho, para os íntimos e aracnídeos trolladores tagarelas) encontrou uma forma de transferir sua mente para o corpo de Peter Parker, e fez isto de forma que o rapaz sequer percebeu, até já ser tarde demais. Quando o domínio do vilão se tornou completo, ele expulsou Peter de dentro de seu corpo, e o jogou dentro do corpo moribundo em que estava. Dessa forma o Dr. Octopus virou o Homem-Aranha, enquanto Peter Parker tornou-se a contragosto um de seus maiores inimigos.

Como se isto não bastasse, na edição final de Amazing Spider-Man, a de número 700, lançada na última semana de 2012, o Octopus-Aranha tomou uma atitude ainda mais drástica para impedir que toda a situação fosse revertida por uma nova troca de corpos. Usando seu novo e jovem corpo, ele entrou em confronto com Aranha-Octopus, que usava seu corpo decrépito para tentar recuperar o controle do seu corpo original, e o matou, eliminando de uma vez por todas qualquer possibilidade de Peter Parker voltar a assumir seu verdadeiro papel.

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Octopus-Aranha matando seu corpo e seu maior inimigo.

Por tudo isto as expectativas em torno deste Homem-Aranha Superior não são nada boas. Fazer leitores antigos – e mesmo os novatos, que assistiram O Espetacular Homem-Aranha nos cinemas ano passado – engolirem grandes mudanças já é difícil, imagine convencê-los de que vale a pena acompanhar um título em que o corpo de seu herói favorito agora é controlado pela mente de um de seus inimigos mais conhecidos. Esta é a tarefa que o roteirista Dan Slott, arquiteto de toda essa nova fase, têm em mãos.

O Superior do título reflete muito bem a postura de Octavius como Homem-Aranha, um herói que, literalmente, se acha melhor que a versão anterior do personagem, e deixa seu orgulho e a vontade de mostrar que é o mais inteligente no recinto influenciarem suas ações. Ele deixa claro seu desprezo por quem julga indigno de sua atenção, e seu desejo de ser o centro das atenções, a ponto de acionar a imprensa para que ela registre sua luta contra o Sexteto Sinistro, os inimigos que enfrenta nesta primeira edição.

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Grandes poderes, grandes responsabilidades e agora um grande ego.

A idéia de botá-lo de cara confrontando uma versão menos “digna” de seu antigo grupo é boa, pois torna o embate tanto físico quanto simbólico, já que o Sexteto é um dos “pecados” que o Octopus cometeu durante sua carreira criminosa, e agora ele recebe a chance de redimir-se ao combatê-lo. Não chega a ser uma idéia original, mas funciona relativamente bem.

Durante suas duas lutas com o grupo a postura deste novo Homem-Aranha fica mais evidente. Ele é um herói que usa todos os seus conhecimentos científicos para derrotar seus inimigos, a ponto de decidir injetar em seus inimigos nanorobôs de rastreamento, uma estratégia muito invasiva que talvez Peter Parker não empregaria, mas que Octopus faz sem hesitar. Também deu pra entender porque Dan Slott se referiu ao novo Aranha em algumas entrevistas como um pouco parecido com o Batman, pois há semelhanças, como a obstinação de ambos em atingir a máxima performance como combatente do crime. A diferença é que o Octopus-Aranha toma decisões moralmente duvidosas, o que o deixa sempre numa posição em que ele pode botar todos os seus esforços a perder, e manchar a reputação d0 herói que ele roubou para si.

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Octopus apreciando duas das “belas vantagens” de ser Peter Parker.

Mas o novo Homem-Aranha também é um personagem problemático. Ele pode tanto render uma seqüência de histórias que tratará da redenção de um vilão conhecido dos fãs do Aranha, como um teste de paciência para quem não suporta a idéia desde que ela foi divulgada, e detesta cada manifestação de antipatia deste novo-velho personagem. Além disto, Slott não é um grande escritor. Seus diálogos são bem canastrões, assim como o comportamento de praticamente todos os personagens. Suas caracterizações são superficiais e estereotipadas. E também fiquei um pouco decepcionado com o fato do autor terminar a história já deixando uma pista sobre como Peter Parker voltará, meio que tentando fazer uma média com quem não está gostando da idéia, e garantindo que ela tem prazo de validade, apesar de já ter garantido que durará pelo menos um ano.

Já nos desenhos Ryan Stegman se sai melhor que seu parceiro criativo. Seu estilo dinâmico e caricato se encaixa muito bem num título do Homem-Aranha.

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O Superior Homem-Aranha literalmente mostrando suas garras.

E é isto. Uma história boa, longe do desastre que muitos antecipavam, mas que poderia ser melhor do que foi em mãos mais talentosas. A boa notícia é que Dan Slott escreve de um jeito que não dá pra levar totalmente a sério o que está acontecendo, tanto que para as próximas edições já existe a promessa de um Aranha-Sinal (!) e de um parceiro mirim (?!) para o novo herói. Se tudo isto render histórias divertidas já terá valido a pena, e para os fãs do Peter resta esperar que este ano passe logo e ele retome seu lugar.

Thunderbolts 003-Zone-000Thunderbolts #3

Roteiros de Daniel Way
Desenhos de Steve Dillon
Cores de Guru eFX


Thunderbolts chega à sua terceira edição sem muito para ser comentado e muito menos elogiado. Sinceramente me deu preguiça escrever este número.

História mediana em que pouco acontece, e a “surpresa” da edição anterior resulta apenas numa longa conversa distribuída ao longo da edição entre o Deadpool e o Hulk Vermelho, em que o primeiro faz o de sempre: tagarelar, soltar piadinhas, e fazer a sacada final da edição.

A idéia de botar o Justiceiro para treinar um grupo de rebeldes que querem derrubar o ditador que controla sua nação-ilha é uma das poucas que salvam esta edição, mas não passa disto.

Como se os roteiros pouco inspirados de Daniel Way já não fossem o suficiente para desmerecer o título, Steve Dillon está fazendo um dos trabalhos mais fracos e inexpressivos de sua carreira, e isto vindo de um desenhista que já é considerado por muitos leitores um artista limitado. Aqui parece que ele está desenhando no piloto automático, e muito longe da qualidade que apresentou em seus gloriosos anos ilustrando Hellblazer e Preacher.

Reforço que até aqui Thunderbolts é um título fadado ao cancelamento, a menos que Daniel Way esteja escondendo o melhor para as próximas edições, o que parece muito longe de ser verdade. De repente nas mãos de um Warren Ellis o título se tornasse espetacular, mas não é sempre que temos essa sorte, infelizmente.

Avengers Arena 003-Zone-000Avengers Arena #3

Roteiros de Dennis Hopeless
Desenhos de Kev Walker
Cores de Frank Martin

Estou contente por minha primeira impressão sobre Avengers Arena ter se revelado precipitada, pois vem sendo um prazer acompanhá-lo e vê-lo melhorando a cada edição.

Hopeless usou novamente o esquema de concentrar-se numa personagem pouco conhecida e explorar seu passado, tornando-a interessante aos olhos do leitor. Desta vez conhecemos Cammi, a garota com traje espacial que apareceu rapidamente na 2ª edição. Ela é uma criminosa especialista em roubos espaciais com a personalidade da Tenente Ripley. Sua história não é tão impactante e comovente quanto a de Rebecca Walker, apresentada na edição anterior, mas suas motivações se tornam mais claras, e conseguimos simpatizar com a personagem, mesmo ela ficando a maior parte da história com a cara amarrada.

Interessante também é a rápida conversa que Cammi tem com o Falcão de Aço, um ex-integrante dos Novos Guerreiros, que já foi um dos principais grupos de adolescentes da Marvel, agora já crescido. Nela descobrimos que a vida dele não é muito diferente das de atores que fizeram sucesso quando crianças ou adolescentes, e pelo resto de suas vidas foram lembrados pelos papéis que interpretaram na infância e adolescência. No caso dele, muitos ainda o encaram como um adolescente, apesar de já estar na casa dos vinte.

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Falcão de Aço falando sobre a vida dura de ser um ex-herói adolescente.

Avengers Arena tem se mostrado à altura de sua premissa, valorizando seus personagens, no lugar de usá-los apenas para causar impacto nos leitores com mortes gratuitas, algo que eu temia quando li a primeira edição. Nesta percebe-se um cuidado e carinho do autor por seus protagonistas, e isto é fundamental para que continuemos com eles no decorrer da série.

Além disto, a série segue um caminho muito apropriado para sua premissa, ao potencializar os problemas comuns dos adolescentes, como baixa auto-estima, insegurança e complexos de inferioridade relacionados à aparência, falta de popularidade e reconhecimento, num cenário em que é vital que os mesmos sejam superados, pois dependem disto para sobreviverem. Isto nos leva a outra questão inerente a esse tipo de história, a da angústia que surge de relações que se formam dentro de um cenário em que qualquer amigo ou aliado que fizermos pode morrer no próximo minuto. Nada que já não tenhamos visto em outras histórias, mas que soa como novidade quando usado num mundo habitado por adolescentes com super-poderes.

Esta edição ainda introduz um mistério à trama que pode ser visto como o correspondente ao Monstro de Fumaça da série Lost, ou ao “monstro” do livro O Senhor das Moscas, uma ameaça cuja natureza os personagens desconhecem e que está caçando os participantes do jogo doentio de Arcade, sem dar-lhes a menor chance de se defenderem, o que ajuda a aumentar a apreensão num cenário que já é cheio de perigos.

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E mais uma vez sinto-me obrigado a elogiar o trabalho de Kev Walker no título. Seus desenhos, que na primeira edição pareceram apressados e inseguros, melhoraram muito, especialmente no uso de sombras e nas expressões faciais. E ajuda ainda mais ele contar com um colorista tão competente quanto Frank Martin, que vem fazendo um ótimo trabalho. Nesta me agradou particularmente a forma como trabalhou as cenas de flashback, dando a elas um tom impreciso e enevoado que remete à forma como enxergamos nossas lembranças na mente. Está longe de ser um recurso original, mas sempre funciona quando bem feito e integrado ao tema da história e ao que ela se propõe.

Até aqui uma das melhores surpresas da Marvel NOW!, e um título que tem grandes chances de se tornar muito querido por uma parcela fiel de leitores.

FantasticFour_3_TheGroup-000Fantastic Four #3

Roteiros de Matt Fraction
Desenhos de Mark Bagley
Cores de Paul Mounts

Nesta edição Reed continua escondendo da família o motivo da viagem do Quarteto pelo Universo, enquanto Ben está passando por uma crise de depressão em plena virada de ano (curiosamente Matt Fraction fez algo pouco comum em histórias em quadrinhos de super-heróis, informando a data exata em que a história se passa). Nenhuma grande novidade em nenhuma das duas idéias.

Ainda que seja uma história mais movimentada que a das primeiras edições, Fraction continua se contendo no tom e no nível de “fantasticidade” das situações vividas pelo Quarteto, quando em comparação ao seu trabalho em FF, como se ainda não tivesse encontrado uma história realmente boa pra contar.

O Quarteto tendo que escapar da ameaça de um planeta vivo está longe de ser novidade em histórias do grupo, e a forma como a idéia foi desenvolvida não é nada fora do comum. A impressão que se tem é que o escritor está guardando suas melhores cartas para FF, enquanto usa neste título histórias mais convencionais. O problema é que isto acaba prejudicando a performance de Fraction no conjunto formado pelos dois títulos, especialmente em comparação ao que Jonathan Hickman fez antes dele, quando  mergulhou de cabeça em grandes idéias, e tirou proveito das possibilidades que ambos ofereciam.

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Finalmente um bocado de ação!

Apesar disto, Fraction acerta a mão quando trabalha o aspecto familiar do Quarteto, pegando situações típicas de uma família e misturando com as singularidades que só uma HQ de super-heróis permite. Assim, é divertido ver Franklin e Valeria tentando convencer o pai a deixar que um deles seja o primeiro a pisar no novo planeta que ele descobriu.

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As vantagens de ter um pai elástico.

E Mark Bagley melhorou um pouco com relação às edições anteriores, especialmente porque esta história tem mais ação, ao contrário das anteriores, que é a especialidade do desenhista. Seu traço, apesar de continuar mediano, como sempre foi na minha opinião, é mais valorizado pela paleta de cores vibrantes usada por Paul Mounts, dando ainda mais energia às sequências de ação.

Fica a torcida para que o Fraction perca parte da “timidez” que o está impedindo de levar o Quarteto por caminhos imprevistos, cenários mais vibrantes, e idéias mais revigorantes.

Cable and the X-Force 03-000Cable and X-Force #3

Roteiros de Dennis Hopeless
Desenhos de Salvador Larroca
Cores de Frank D’Armatta

O forte do título até aqui, além do planejamento das missões – que é bem construído, e demonstra a facilidade com que o autor estabeleceu entre os personagens o entrosamento necessário para que formassem uma equipe eficiente -, é a forma como Hopeless está lidando com o relacionamento de Cable, Dominó e Esperança. São as cenas protagonizadas pelos três as que rendem alguns dos melhores momentos desta edição, como naquela em que Esperança fica toda empolgada querendo batizar o grupo de X-Force, e é repreendida por Cable.

E Cable está bem divertido neste título. Seu jeitão curto e grosso, claramente inspirado em Clint Eastwood, rende situações que se tornam engraçadas pelo nível de truculência, como quando ele dá um sinal para o Dr. Nemesis acertar Esperança com dardos tranquilizantes quando ela passa a insistir demais em participar de sua missão, ou na maneira nada sutil com que invade um prédio.

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Cable e toda a sua discrição.

Acho importante destacar o cuidado que Hopeless tomou de impedir que a “vilã” da vez fosse apresentada apenas como uma preconceituosa extremista, dando à personagem um mínimo de motivação e profundidade.

Os desenhos de Larroca voltaram à qualidade que possuíam quando desenhou o título do Homem de Ferro, o que torna a história desta edição mais agradável de ler.

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Forge e mais um de seus brinquedinhos livrando ele de um apuro.

A série continua sendo um bom entretenimento, com a X-Force sendo retratada como um grupo mutante especialista em missões furtivas para prevenir ameaças que correm o risco de gerarem crises de que os  mutantes podem ser culpados, iniciando cenários em que eles são perseguidos e exterminados (um futuro pós-apocalíptico que sempre ameaçou despontar no horizonte desde a seminal Dias de um Futuro Esquecido, da dupla Chris Claremont e John Byrne). Parece uma HQ dos anos 1990 escrita na linguagem dos dias atuais, o que dá à série uma pegada nostálgica bem vinda, especialmente por quem começou a ler quadrinhos naquela época.

Thor 004-Zone-000Thor: God of Thunder #4

Roteiros de Jason Aaron
Desenhos de Esad Ribic
Cores de Ive Svorcina

Conforme este primeiro arco se aproxima da conclusão as três linhas temporais paralelas entram num equilíbrio maior. Embora a capa sugira que se focará mais na versão idosa do protagonista, o que acontece aqui é uma história que concentra-se em igual medida nas versões do presente e do futuro, com alguns momentos reservados para sua versão mais jovem. Porém todos os seguimentos trazem mais revelações da natureza e dos planos de Gorr do que propriamente de Thor (embora haja insights da mente do deus idoso no início, que ajudam a criar o background do mundo que habita no futuro).

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Thor, um deus cansado de viver e de lutar.

Tornou-se mais claro nesta edição que um dos principais temas do arco atual, e mesmo de toda a fase de Aaron no título do personagem, é o tempo, as mudanças que ele traz, e o quanto pode ser perigoso quando um inimigo encontra uma forma de voltá-lo contra seres poderosos o suficiente para serem considerados deuses. Com a revelação de que há viagens no tempo envolvidas no plano de Gorr, a relevância de ser uma história que se espalha através de três eras distintas, e três fases da vida do protagonista, se torna maior. Assim, Gorr revela-se uma ameaça que se espalhou através do tempo, e como indica o final desta edição, deve ser combatido nesta arena infinita, usando dos mesmos métodos que ele parece ter usado para atingir Thor e outros deuses em sua missão de extermínio de todos os panteões do universo.

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O que é necessário para enlouquecer um deus.

Interessante também como Gorr deixa mais claro nesta edição que ele não considera nenhum deus intocável e invencível, e parece que sequer os considera deuses de fato, mas somente seres de carne, ossos e tripas, que revelam suas fraquezas conforme suas defesas e resistências são quebradas por seus instrumentos de tortura e morte.

Descobrimos também mais sobre os métodos de Gorr, que faz questão que os deuses vejam seus pares morrerem e relatem o que eles enxergam enquanto são mortos.  Ele parece acreditar que no momento em que morrem, ou vêem outros de deuses morrendo, eles revelam parte de um segredo que deseja descobrir. Segredo este que parece ter ocupado um papel fundamental para levá-lo ao Palácio do Infinito, provável único local onde encontraria poder para voltar ao ponto do tempo para o qual deseja viajar. E as implicações dessa viagem são intrigantes. Estaria ele disposto a enfrentar o primeiro deus do Universo, talvez o criador dele, e cumprir seu maior objetivo: matar todos os deuses?

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Resta a dúvida se a saga de Thor vs Gorr será encerrada na próxima edição, ou servirá de estopim para uma trama maior, e se Aaron tem uma idéia ainda mais expansível quanto esta, pois um serial killer que mata deuses através do tempo é difícil de superar, mas não impossível para um roteirista como ele.

Até que suas intenções se tornem mais claras, o roteirista nos deixa com mais um bocado de mistérios que se acumulam, aumentando o interesse e a curiosidade do leitor sobre a última parte deste primeiro arco. Por tudo isto continua como um dos títulos mais obrigatórios da Marvel NOW!

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