[QUADRINHOS] Marvel NOW! – Parte 8: New Avengers #1, All-New X-Men #5 e Iron Man #5

Com uma semana de poucos lançamentos do selo Marvel NOW! tivemos como maior novidade a estréia de New Avengers de Jonathan Hickman. Os outros dois foram as edições nº 5 de All-New X-Men e Iron Man, que fecharam o primeiro arco de ambas as séries.

Os reviews a seguir contém SPOILERS.

New Avengers 001-Zone-000New Avengers #1

Roteiro de Jonathan Hickman
Desenhos de Steve Epting
Arte-final de Rick Magyar
Cores de Frank D’Armata

Antes uma palavrinha sobre o grupo Illuminati em sua versão para o Universo Marvel. Originalmente formado por Homem de Ferro, Sr. Fantástico, Raio Negro, Namor, Professor Xavier e Dr. Estranho, ele consistia numa sociedade secreta em que cada membro representava uma vertente das diversas comunidades de meta-humanos e mutantes que habitavam o planeta, e possui como interesse comum a proteção da Terra. Sua formação ocorreu após uma crise de grandes proporções que ameaçou todo o planeta, a Guerra Kree-Skrull, em que duas raças alienígenas rivais usaram nosso planeta como campo de batalha. Apesar de nosso mundo escapar ileso, o ocorrido abriu os olhos destes líderes, que resolveram formar um conclave restrito com o intuito de prevenir que ameaças iguais ou maiores que aquela viessem a surgir.

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A formação original dos Illuminati.

Os Illuminati já começaram com desentendimentos entre eles, pois um dos convidados a integrá-lo, o Pantera Negra, então Rei da nação africana Wakanda, recusou-se a fazer parte da iniciativa por considerar o próprio conceito frágil demais para lidar com questões de âmbito global. Segundo ele, qualquer desacordo entre os integrantes sobre a melhor forma de lidar com uma crise poderia impedir que uma resolução mais urgente fosse alcançada.

Nos últimos anos os Illuminati enfrentaram várias crises, mas apesar delas, e de alguns membros que saíram no decorrer dos anos, atualmente o grupo mantém praticamente a mesma formação original, exceto pela ausência do Professor Xavier, que morreu durante o evento Vingadores vs. X-Men, e da recente adição do Capitão América, que inicialmente revoltou-se com a própria existência de tal grupo, mas acabou achando melhor fazer parte dele e ser uma espécie de consciência do mesmo, formado em sua maioria por indivíduos extremamente racionais.

Esta terceira encarnação do título New Avengers lidará com os Illuminati, inicialmente tendo que resolver um problema surgido em Wakanda. Esta primeira edição trata de apresentá-lo ao leitor sem pressa, tanto que toda a história é protagonizada apenas pelo Pantera Negra, e o restante do grupo só aparece no final da história.

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A formação atual.

Atualmente o Pantera Negra não é mais o Rei de Wakanda, um país africano que, ao contrário de seus vizinhos no continente, é uma nação tão próspera e rica em recursos e tecnologia quanto os países de primeiro mundo que conhecemos. Por uma série de eventos que não cabe neste review, o Pantera transferiu seu título para sua irmã, Shuri, e agora governa apenas a Necrópolis de Wakanda, funcionando como um representante no mundo dos vivos da terra dos mortos, e tendo acesso aos conhecimentos e poderes dos reis que governaram Wakanda desde sua criação (longa história, que integrou um dos últimos arcos escritos por Hickman no volume anterior de Fantastic Four, o que demonstra o apreço do escritor pelos personagens com quem trabalhou antes, e pela idéia de integrar os títulos pelos quais passou, criando um corpo coletivo para o seu trabalho na editora).

Esta primeira história não é tão carregada de simbolismos como sua estréia em Avengers (comentada aqui), mas Jonathan Hickman usa uma boa parcela de idéias interessantes, a começar pelo “rito de passagem” que vemos no início da edição, em que um grupo de adolescentes wakandianos estão concluindo uma série de provas que consistem numa versão moderna e tecnológica de rituais conhecidos de tribos africanas. É muito curioso vê-los usando uma mistura de trajes tradicionais com aparatos eletrônicos, e conversando tanto sobre encontrar uma tribo perdida quanto decifrar a estrutura de um homem artificial.

O grupo encontra um artefato no meio da floresta, e descobre que ele abre um portal para outro ponto do universo, que abriga um sistema solar parecido com o nosso, exceto pelo fato de possuir 12 planetas ao invés de 8. Atravessando o portal eles, ao lado do Pantera Negra, que aparece pra congratulá-los pela conclusão de seus testes, descobrem uma espécie de Terra paralela que está sendo invadida por um grupo de indivíduos que manuseiam um aparelho cuja função é destruir aquele planeta. E basicamente o resto da edição é o Pantera tentando impedir estes indivíduos de destruir o tal planeta, uma ação que gera perdas de ambos os lados, e dá ao herói a motivação que precisava para convocar os Illuminati.

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Em Wakanda até artefatos de civilizações antigas são maneiros.

É uma história cheia de mistérios, que começam logo na primeira página, com um monólogo/depoimento de Reed Richards aparentemente aceitando um destino inevitável para a Terra. Momentos como este acabam forçando o leitor a continuar acompanhando as próximas edições para descobrir o que se passa, e qual será a forma de intervenção dos Illuminati na crise atual.

Além disto esta primeira edição apresenta pistas de ligações entre o que Hickman está fazendo no título Avengers. Manifold, por exemplo, o segundo em comando no grupo de vilões comandados por Black Swan, carrega no peito um símbolo já visto no diagrama apresentado na primeira edição de Avengers, usado por um membro reserva do grupo que parece ser uma versão paralela dele em nosso mundo (no caso um aborígene com o poder de abrir portais entre um ponto e outro do espaço). Além disto, em Avengers #1 Steve Rogers foi acordado de um pesadelo por Tony Stark, que parecia ser uma reminiscência de uma reunião anterior dos Illuminati. Esta pista aponta para possibilidade de estarmos acompanhando uma história que se passa antes de Avengers #1. Só lembrando que também é dito em Avengers #1 que Hyperion veio de um universo morto, e nesta edição vemos um mundo inteiro ser destruído. Resta descobrir se o desenlace da situação presente influenciará de maneira significativa o que estamos acompanhando no título Avengers.

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Black Swan em primeiro plano, e Manifold em segundo, com um bando de soldados descartáveis que morrerão nas próximas páginas.

Agora uma atenção maior para o grupo misterioso de vilões. Além de Manifold, fomos apresentados à Black Swan, que fala sobre “pagar a oferenda” a um Grande Destruidor, que é “impaciente e seu apetite infinito.” Sim, eu também pensei no Galactus, ou em um ser parecido com ele. Pelo que concluí destes fragmentos de informação, o planeta visto no céu da outra Terra é o mundo natal do grupo, e eles são uma espécie de arautos da destruição de uma entidade que se alimenta de planetas, pois ela pergunta ao Pantera o que ele faria se ela dissesse que veio para matar um mundo. Também é curiosa a semelhança entre esta ameaça apresentada aqui, e aquela, representada pelo Jardim, introduzida em Avengers #1, pois eles também trazem consigo a possibilidade de assassinar um mundo, embora, no caso deles, também exista a chance de uma transformação, de uma evolução da vida planetária.

Não chegou a ser uma estréia tão retumbante quanto aquela vista em Avengers, mas New Avengers começou muito bem, cumprindo o dever de instigar o leitor a continuar acompanhando. E como estamos falando de mais um título escrito pelo Hickman, sempre há a promessa do conceito original expandir-se e enveredar por caminhos imprevistos e idéias fascinantes.

New Xmen 005-Zone-000All-New X-Men

Roteiros de Brian Michael Bendis
Desenhos de Stuart Immonen
Arte-final de Wade von Grawbadger com Craig Yeung
Cores de Marte Gracia com Jason Keith

Dois acontecimentos importantes marcam esta edição, que é a mais “calminha” deste arco de estréia. O primeiro é o destino do Fera, que desde a primeira edição estava perigando bater as botas, vítima de uma nova fase de sua mutação, que poderíamos chamar de “mutação terciária,” para dar continuidade à lógica do conceito introduzido por Grant Morrison no início da década passada, quando escreveu Novos X-Men (fase que a Panini vem relançando em encadernados nos últimos anos, e dos quais vale muito a pena correr atrás). O outro é o destino dos X-Men Originais vindos do passado. Cada um carrega consigo uma dose de surpresa, e a promessa de muito pano pra manga para tramas futuras.

Um detalhe que me incomodou nesta edição é que, após 4 números impecáveis no que diz respeito à qualidade do trabalho de arte, neste o título infelizmente apresentou uma leve queda na qualidade da arte-final e das cores, pois algumas páginas contaram com a finalização e colorização de outros profissionais, que certamente foram convocados pra dar uma força para Wade von Grawbadger e Marte Gracia. Mas não chega a comprometer a qualidade da história, que em compensação traz uma apresentação linda e nostálgica na qual Jean Grey passeia pelas memórias do Fera, enquanto ele é salvo de um ataque cardíaco por sua versão mais jovem.

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E assim uma heroína do passado descobre que a morte é apenas um incômodo temporário para os super-heróis do presente.

E por falar em interações entre versões jovens e maduras de um mesmo personagem, é preciso elogiar o trabalho de Brian Bendis com o Fera, de longe a melhor até agora no título. A parceria entre eles para salvar a vida do atual tem rendido momentos não apenas divertidos mas criativos, como naquele em que vemos o Hank McCoy atual apresentando suas teorias sobre sua condição para a sua versão jovem, e este, pelo “frescor” de sua vivência, enxergar uma solução que o atual não conseguia, tão absorto que está por problemas acumulados ao longo dos anos.

Depois temos o momento em que Jean Grey perde completamente sua “inocência” ao acessar as memórias de Hank a respeito de sua vida futura, o que rende uma das páginas mais belas, impactantes e, por que não?, dilacerantes da HQ. É um painel que comprime décadas de cronologia de maneira tão significativa que quase somos capazes de sentir a exaustão da personagem após receber uma carga tão densa de informações, sentimentos e emoções.

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Bendis e Immonen mostrando que fizeram a lição de casa.

E o autor também merece elogios por brincar um pouco com as especulações dos leitores a respeito do que seria feito dos X-Men originais quando e se eles fossem devolvidos ao tempo de onde vieram, demonstrando que não subestima nossa inteligência, e que não seguirá, ao menos por enquanto, pelo caminho mais previsível.

Reforçando o que eu já havia escrito sobre as edições anteriores, All-New X-Men provou-se a cada novo capítulo um título digno da atenção dos novos e dos velhos leitores das HQs mutantes. Sem dúvida merece figurar na lista de séries a acompanhar este ano.

Iron Man 005-Zone-000Iron Man #5

Roteiros de Kieron Gillen
Desenhos de Greg Land
Arte-final de Jay Leisten
Cores de Guru eFX

Nesta edição Gillen fez algo bem bacana, que foi lembrar-se de um tópico importante na fase anterior do Homem de Ferro escrita por Matt Fraction: a tentativa de Tony Stark viabilizar uma fonte de energia gratuita e oferecê-la para o mundo. Bom saber que o autor está disposto a dar continuidade a uma das melhores idéias de seu antecessor.

Mas, prosseguindo com a idéia central do arco atual, o escritor leva o herói ao espaço, onde está o último grupo em posse da última amostra de tecnologia Extremis, desta vez sendo usada para criar seres humanos capazes de sobreviver no espaço por longos períodos, e permitir que a humanidade finalmente conquiste novos mundos.

Não soa totalmente original, mas a maneira como o autor procura embasar suas idéias cientificamente e contextualizá-las compensa o investimento. Assim, temos Robins Hoods high-techs desta vez, que roubam tecnologia do presente para dá-la ao futuro. Uma mistura de piratas espaciais com cientistas visionários/loucos que funciona muito bem dentro da proposta de um desafio diferente e auto-contido por edição, que norteou este primeiro arco de Gillen no título.

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Diálogo aprovado por Warren Ellis.

Os diálogos continuam como o ponto mais positivo de seu trabalho até aqui, rápidos e cheios de idéias fascinantes e sacadas inteligentes, como devem ser na série de um herói que já se intitulou “test driver do futuro.”

E no final temos a já polêmica nova armadura do Homem de Ferro, que o levará por uma jornada pelo universo, tema que será o mote do novo arco, e envolverá o herói com a nova formação dos Guardiões da Galáxia, um dos próximos títulos da Marvel NOW!, com lançamento previsto para fevereiro e que, vale lembrar, será uma das próximas adaptações para o cinema do Marvel Studios, que será lançada ano que vem.

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“Só uma idéia que eu tive enquanto assistia o seriado de um super-herói japonês.”

Repito o que disse no review da primeira edição, Gillen é um autor que prefere começar com pequenas boas idéias, que aos poucos vão assumindo uma forma ainda maior, melhor e mais intrincada. Gostei do que ele fez nestas primeiras edições, pois demonstrou que conhece muito bem o personagem com quem está trabalhando e seu mundo. É uma reintrodução a ambos bem conduzida, e a construção gradativa de um cenário que será ampliado nas edições deste ano. Além disto, a idéia de tirar Tony Stark de sua zona de conforto, e levá-lo a interagir com outros mundos é renovadora, e é sempre bom ver velhos personagens tendo que lidar com novos desafios e trazer mais um bocado de amadurecimento para ele (algo que também vem ocorrendo no excelente Captain America de Rick Remender). Vale a pena continuar acompanhando.

Semana que vem: a estréia do já polêmico Superior Spider-Man, as edições nº 3 de Cable and X-Force, Avengers Arena e Fantastic Four e Thor God of Thunder #4.