[QUADRINHOS] Marvel NOW! – Parte 6: Cable and X-Force #2, FF #2, Thunderbolts #2, Journey Into Mystery #647, Avengers Arena #2

Semana passada a Marvel parece que entrou na onda de paranóia relacionada ao Apocalipse Maia e resolveu lançar edições de todos os seus principais títulos. Resultado: 10 títulos da Marvel NOW! para ler e sobre os quais comentar. Por isto resolvi dividir os reviews da semana em duas partes, sendo esta a primeira, enquanto a outra será postada dia 25.

Hoje falarei de Cable and X-Force #2, FF #2, Thunderbolts #2, Journey Into Mystery #647 e  Avengers Arena #2.

Os reviews a seguir contém SPOILERS.

Cable and the X-Force 02-000Cable and X-Force #2

Roteiros de Dennis Hopeless
Desenhos de Salvador Larroca
Cores de Frank D’Armatta

Após uma estréia que pouco me empolgou, esta edição apresentou uma melhora considerável com relação à primeira.

O que mais me incomodou na história de abertura foi a apresentação superficial e um tanto artificial dos personagens. Aqui Hopeless acertou mais o passo, e criou bons momentos de interação entre Esperança e Dominó, as únicas integrantes da equipe a entrarem em ação. É curioso ver como Esperança ficou mundialmente conhecida depois de Vingadores vs. X-Men, o que, por hora, a torna a única integrante da X-Force considerada uma heroína.

Outro detalhe que me agradou foram os bons diálogos. As piadas desta vez funcionam melhor, e até o Dr. Nemesis está mais suportável, além de desempenhar um papel importante para expôr a condição de saúde de Cable. É graças a ele que descobrimos que Nathan está com um inchaço no cérebro, novamente devido à cura do vírus tecnorgânico e à perda de seus poderes psíquicos. Como efeito colateral agora ele tem premonições, um detalhe que deve render bastante no título. Estranhamente ele recupera o movimento do braço esquerdo atrofiado, sem muitas explicações.

Hope Summers ainda vivendo da fama conquistada em Vingadores vs. X-Men.

Hope Summers ainda vivendo da fama conquistada em Vingadores vs. X-Men.

A história ainda não entra de cabeça em missões cheias de ação, tendo seu melhor momento na conversa entre Cable e Dominó, outro diálogo muito bem escrito que se sobressai quando comparado aos vistos na primeira edição.

Hopeless ainda cria dois bons ganchos, um relacionado à identidade dos responsáveis pela liberação do vírus combatido por Dominó e Esperança (as silhuetas lembram Deathlok e Conflito), e outro para a entrada de Colossus na equipe, que tem ligação com os problemas enfrentados por Ciclope e sua equipe em All-New X-Men.

Dominó tentando botar um pouco de bom senso na cabeça dura de Cable.

Dominó tentando botar um pouco de bom senso na cabeça dura de Cable.

No geral foi uma melhora significativa e que tornou mais clara a dinâmica da narrativa que será usada por Hopeless neste primeiro arco: flashs do presente, com a X-Force já sendo encarada como um grupo de terroristas mutantes, e histórias mostrando a formação da equipe e o que a levou ao status atual. Nada de novo aqui, mas que pode render boas histórias como esta, em que até os desenhos do Larroca melhoraram.

FF_2_TheGroup-000FF #2

Roteiros de Matt Fraction
Desenhos de Michael Allred
Cores de Laura Allred

Enquanto Matt Fraction faz uma história de super-heróis mais “tradicional” no título do Quarteto Fantástico, em FF, com a ajuda de Michael Allred, o autor tira proveito da liberdade de estar trabalhando com personagens menos conhecidos do grande público para extravasar numa abordagem mais inovadora.

O tom de sitcom super-heróica da primeira edição continua, com o texto de Fraction se mostrando bem mais descontraído que o tom usado pelo autor em Fantastic Four. Os diálogos do Homem-Formiga com as crianças são muito divertidos, assim como suas tentativas de manter o controle sobre a situação após convencer-se de que o Quarteto não voltará dentro do prazo prometido (e a cena em que ele espera os quatro minutos passarem é outro excelente momento de humor).

O Homem-Formiga às voltas com a infinita curiosidade infantil.

O Homem-Formiga às voltas com a infinita curiosidade infantil.

É incrível como Fraction consegue criar ótimas sketches humorísticas a partir das singularidades e dos absurdos inerentes às vidas dos personagens a cada página. Ao mesmo tempo o autor é hábil na inserção de referências saídas das décadas de histórias do Quarteto, auxiliado pela arte de Allred. A Máquina Que Faz “Boop Boop” por exemplo, além de render outra ótima piada, é claramente inspirada nos designs arrojados e intrincados de Jack Kirby. A escolha do primeiro vilão enfrentado pelo novo Quarteto é outra homenagem de Fraction e Allred ao passado dos personagens. E o autor ainda tira proveito de um elemento não tão conhecido das histórias do Quarteto, o Exoesqueleto Coisa, para transformar Darla Deering numa integrante útil para a equipe (só lembrando que ela é apenas uma cantora muito famosa e rica, namorada de Johnny Storm, o Tocha Humana). Mas o melhor é que todas estas referências surgem organicamente na história, não exigindo que o leitor saiba de onde elas vieram para curtir a forma como são inseridas na narrativa.

Apenas um dia típico na vida do Quarteto Fantástico.

Apenas um dia típico na vida do Quarteto Fantástico.

Importante salientar que Fraction não vive apenas de regurgitar referências conhecidas e obscuras, ele também usa um tom mais autoral na história, o que gera momentos inusitados e que beiram o insólito e o genial, como Medusa lutando de camisola contra o monstro gigante controlado pelo Topeira, e o detalhe da Mulher-Hulk quebrando o cetro do vilão no final da batalha.

Não adianta, FF é um dos títulos mais engraçados da Marvel ao lado de Wolverine and The X-Men de Jason Aaron, e só por isto já vale a leitura.

FF_2_TheGroup-015c

Thunderbolts 002-Zone-000Thunderbolts #2

Roteiros de Daniel Way
Desenhos de Steve Dillon
Cores de Guru eFX

A história praticamente mantém o nível da anterior. Acompanhamos relatos verbais sobre o evento que gerou a primeira missão da equipe: a detonação de uma arma de radiação gama, ordenada por um ditador local, que matou mais de 600 pessoas numa ilha próxima a Madripoor. Daí pra frente acompanhamos os primeiros passos da intervenção dos Thunderbolts, que buscam tirar do poder o responsável pelo genocídio.

Infelizmente a trama não chega a empolgar, e as personalidades de cada integrante não são tão contrastadas como era de se esperar. Há alguma implicância entre eles, algum desconforto, mas que não passa disto. Senti falta de um bocado de conflitos internos aqui, algo que talvez aconteça nas próximas edições. Mas curti a sacadinha visual de todos os integrantes da equipe usarem vermelho no uniforme, reforçando ainda mais a idéia de que são os Thunderbolts do Hulk Vermelho/General Ross.

Nem o decotão da Elektra fez esta edição decolar.

Nem o decotão da Elektra fez esta edição decolar.

Somente no final a história avança um pouco, quando o escritor confia na revelação da fonte de informações do Ross para criar algum interesse no leitor pela próxima edição. A tal placa torácica impregnada de radiação gama usada pelo Justiceiro também pode render alguma reviravolta, embora não seja tão promissora a possibilidade de vê-lo transformado num Hulk (há tantos atualmente no Universo Marvel que já perdeu a graça).

Assim, Thunderbolts continua como uma promessa não cumprida, que ainda tem muito o que melhorar pra ser uma HQ de equipe que compense a leitura. Por enquanto é uma candidata forte à primeira rodada dos inevitáveis cancelamentos.

JIM 647-Zone-000Journey Into Mystery #647

Roteiros de Kathryn Immonen
Desenhos de Valerio Schiti
Cores de Jordie Bellaire

A trama central desta edição pode ser resumida em uma série de situações que comprovam quão facilmente irritável Sif tornou-se após usar o Feitiço de Fúria no primeiro capítulo. Assim, acompanhamos os efeitos colaterais do mesmo vendo a guerreira provocar briga com todo mundo, uma lista que inclui um reles mortal, Fandral, Volstagg (indiretamente, ferindo sem querer uma de suas filhinhas) e Heimdall.

Neste número torna-se mais notável a importância das personagens femininas para o andamento deste arco inicial. Não apenas Sif, mas a filha de Volstagg, que leva Gudrun, sua esposa, a conversar com Heimdall, que é fundamental para o que ocorre com a protagonista no final da história. Isto sem esquecermos de Aerndis, a guardiã dos feitiços de fúria, e das mulheres encarregadas da limpeza de Asgard, que surgem aqui trocando idéias sobre o quanto os homens asgardianos são egoístas e não se importam com a durabilidade de suas construções e a higiene (e a implicância delas com Balder e os animais é bem divertida!). Mais um indício de que a intenção da autora é dar uma atenção até então inédita para a parcela feminina dos asgardianos.

Fandrall pagando caro por ser enxerido.

Fandral pagando caro por ser enxerido.

O destaque da história são os pequenos momentos envolvendo Volstagg, Gudrun e seus filhos, e a discussão entre os irmãos Sif e Heimdall. Os diálogos desta última são especialmente bem escritos, criando uma tensão crescente entre os personagens que, somado ao comportamento apresentado pela protagonista nas páginas anteriores, faz o leitor temer por um final fatídico, dado o teor das palavras trocadas entre eles, cada vez mais ásperas e insultantes.

Interessante como o feitiço lançado em Sif por Heimdall remete ao exílio imposto a Thor por Odin como punição por sua arrogância e imprudência, essencial para transformar o Deus do Trovão num super-herói da Terra.

Só uma pequena discussão entre irmãos.

Só uma pequena discussão entre irmãos.

Outro detalhe que vale mencionar é o monstro gigante que Sif encontra no local para onde foi transportada, que é outra homenagem de Immonen à história do título Journey Into Mystery (só lembrando que a publicação, em seus primeiros anos, foi uma antologia de histórias de monstros gigantes). E o design criado por Valerio Schiti remete diretamente ao visual das criaturas que costumavam aparecer nas HQs da década de 1950. Por detalhes como este e os descritos acima, é um título que está cumprindo bem a promessa de entreter e levar o leitor a lugares exóticos do Universo Marvel, ao mesmo tempo em que humaniza os habitantes de um reino habitado por deuses, seres mitológicos e reles mortais. Desperta curiosidade o bastante para continuar acompanhando.

Avengers Arena 002-Zone-000Avengers Arena #2

Roteiros de Dennis Hopeless
Desenhos de Kev Walker
Cores de Frank Martin com Jean François-Beaulieu

Depois do início um tanto corrido, que apresentou muito superficialmente a maioria dos adolescentes super-poderosos que estarão no tal “jogo de vida ou morte” (com exceção de Radioativa e Vigoroso, que foram o foco da primeira história), temos uma edição melhor resolvida em termos de desenvolvimento da premissa da série. Como o elenco reunido é muito extenso, o escritor usa um esquema parecido com o de séries de TV como Lost, e muda o foco para outro personagem, apesar de continuar a história exatamente do ponto onde a edição anterior parou.

Apesar de dedicar-se mais a Rebecca Ryker, a Death Locket, neste número Hopeless consegue apresentar melhor parte dos personagens e desenvolver as relações de um dos grupos aprisionados na ilha-armadilha de Arcade: a Academia Braddock (só lembrando que entre os adolescentes sequestrados há membros da Academia Vingadores e dos Fugitivos). Isto é importante para que passemos a nos importar com o destino de garotos e garotas que, para um leitor de primeira viagem, são completos desconhecidos. E como a trama central da série envolverá muitas mortes, é necessário que seu impacto seja sentido pelo leitor, que precisa antes envolver-se com o elenco.

Rebecca aprendendo quão difícil é fazer uma amizade quando metade de você se parece com um ciborgue assassino.

Rebecca aprendendo quão difícil é fazer uma amizade quando metade de você se parece com um ciborgue assassino.

Mas voltando a Rebecca, sua história tem mais força que a de Radioativa, protagonista do nº1. Se lá o pouco de envolvimento que tivemos com ela foi por causa de seu relacionamento com o falecido Vigoroso, aqui é mais pela força que a origem da Death Locket possui. Ela toca em temas pungentes, como perda de familiares, mutilação física e psicológica, e transformações traumáticas, para justificar os problemas de auto-estima, solidão e passividade enfrentados por Rebecca. E toda a questão da garota ser uma arma viva e ainda assim sofrer bullying de praticamente todos que encontra pelo caminho a torna um elemento imprevisível, e uma personagem interessante de acompanhar, pois, a qualquer momento, suas frustrações e mágoas podem emergir sob a forma de um ataque iniciado por seu sistema automático de defesa, que sobrepuja seu livre arbítrio, e põe em risco todos ao seu redor, incluindo seus atuais companheiros.

Os desenhos de Kev Walker também melhoraram, e ele é especialmente feliz ao desenhar as cenas de flashback de Rebecca usando visão em primeira pessoa para dar ao leitor a mesma sensação de aprisionamento sentida pela personagem, que acompanha sua própria transformação sem poder interferir, e sem ter muita consciência do que está sendo feito dela. E no decorrer da história este aprisionamento assume outra forma, quando Rebecca encontra uma hostilidade após outra ao ser vista mais como arma do que como uma adolescente assustada, sendo rejeitada por vários personagens enquanto busca estabelecer conexões emocionais que, consciente ou não disto, serão essenciais para que ela preserve sua própria humanidade.

O renascer de Rebecca Ryker, agora prisioneira de sua nova condição.

O renascer de Rebecca Ryker, agora prisioneira de sua nova condição.

A série começou a usar aqui parte do potencial que tem para crescer e tornar-se uma boa surpresa da nova safra de títulos. Fica minha torcida para que continue melhorando, pois a perspectiva de ver um Senhor das Moscas super-heróico começou a me agradar mais.

E no Natal uma nova leva de reviews sobre Thor, God of Thunder #3, Captain America #2, All-New X-Men #4, Indestructible Hulk #2 e Avengers #2.