[QUADRINHOS] Marvel NOW! – Parte 16: Guardians of the Galaxy #0.1, Uncanny X-Men #2, Uncanny X-Force #2, Uncanny Avengers #4, Young Avengers #2, FF #4, Journey Into Mystery #649, Avengers Arena #5 e Thunderbolts #5

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Mais um passo foi dado esta semana para a renovação dos heróis cósmicos da Marvel com o lançamento de Guardians of the Galaxy #0.1. Além desta, saíram novas edições de todos os títulos “Uncanny” da editora: Uncanny X-Force #2, Uncanny X-Men #2 e Uncanny Avengers #4, e também Young Avengers #2, FF #4, Journey Into Mystery #649, Avengers Arena #5 e Thunderbolts #5. Pouco pra ler e sobre o que escrever, né?

Abaixo minhas impressões sobre elas, com ocasionais SPOILERS.

Guardians of the Galaxy0.1-000Guardians of the Galaxy #0.1

Roteiro de Brian Michael Bendis
Desenhos de Steve McNiven
Arte-final de John Dell
Cores de Justin Ponsor

Com apenas 10 anos de idade Peter Quill teve sua mãe assassinada, sua casa destruída, e seu primeiro confronto com alienígenas da raça Badoon, inimigos de J’Son, seu pai, que vieram para a Terra eliminar o herdeiro do trono de Spartax.

Esta edição serve apenas como uma prévia para a série dos Guardiões da Galáxia, que será oficialmente iniciada no número 1, programado para sair mês que vem. Por isto Brian Bendis decidiu dedicá-la totalmente ao líder da equipe, o Senhor das Estrelas, explicando sua origem desde o primeiro encontro de seus pais, 30 anos atrás, até o dia fatídico em que tornou-se órfão, e ganhou o objetivo de sua vida: defender a Terra de todos os problemas que infestam nossa galáxia, especialmente os Badoons e seu pai, que ele odeia pelo fato de tê-lo abandonado e sua mãe para voltar a lutar numa guerra sem fim da qual fugia quando caiu em nosso planeta.

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Os traços da personalidade de Peter são bem definidos em seus diálogos com a mãe, quando expõe sua opinião sobre o pai, e na briga que tem contra um valentão da escola para defender uma menina estrangeira. E, claro, na sequência do ataque dos Badoons à sua casa, quando Peter, mesmo chocado com a visão do cadáver da mãe, consegue se recompôr rapidamente para salvar-se e defender-se dos alienígenas.

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No final temos um rápido vislumbre dos Guardiões da Galáxia, já contando com o Homem de Ferro como membro recém-integrado à equipe, algo que deve ser explicado nas próximas edições, ou na série do herói.

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O traço detalhista de Steve McNiven funciona muito bem nas cenas de ação, dá credibilidade aos cenários e máquinas alienígenas, porém carece de expressões faciais e corporais mais naturais. Nada que realmente prejudique a leitura, é só um aspecto que pode melhorar. As cores de Justin Ponsor são um ótimo complemento à arte. Atmosféricas, elas combinam com o tom exigido por cada cena.

Enfim, não há muito o que comentar de uma edição que é bem direta no que se dispõe a contar, e funciona muito bem como introdução a personagens que já tiveram um título publicado entre 2008 e 2010 (que eu não acompanhei), que serão reapresentados nesta nova série como parte dos preparativos da Marvel para o filme dos personagens com lançamento programado para 2014.

Já conhecendo quão bom é Brian Michael Bendis em títulos de equipes, escrevendo ótimos diálogos e caprichando nas caracterizações dos personagens, dá pra dizer que vale a pena continuar acompanhando pra descobrir o que ele têm em mente para estes heróis. É um novo cenário que o autor começa a explorar, e pode sair histórias interessantes daí.

Uncanny X-Force 002-000Uncanny X-Force #2

Roteiro de Sam Humphries
Desenhos de Ron Garney
Arte-final de Danny Miki com Scott Hanna
Cores de Marte Gracia com Israel Gonzalez e Wil Quintana 

Edição mais “nervosa” e mais cheia de ação e pancadaria. O bom entrosamento entre a equipe em formação torna o desenrolar da história agradável e divertido de acompanhar. Sam Humphries dividiu a luta principal em duas “frentes”, com Psylocke lutando contra os usuários possuídos pela droga Tao, controlados pela mutante Ginny, enquanto Tempestade e Pigmeu enfrentam Espiral. Ambas desenhadas de maneira bem dinâmica por Ron Garney, que infelizmente ainda apresenta alguns sinais de um trabalho feito às pressas, embora também deva ser levado em consideração que pode ser culpa de um dos dois arte-finalistas, pois algumas páginas são melhor finalizadas que outras.

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O restante da edição é um jogo de gato e rato em que Tempestade, Psylocke e Pigmeu tentam localizar Espiral e a garotinha que, aos olhos deles, ela mantém como refém, embora a vilã a trate como um filha adotiva. Paralelo a isto outra sub-trama é introduzida: a futura ameaça do Fantomex Negro. E Bishop tem seu primeiro encontro com a nova X-Force, literalmente possuído pelo espírito de um urso! Ou seja, como era de se suspeitar, ele será o inimigo que forçará Espiral a ajudar o trio a derrotá-lo. Mas isto ficou pra próxima edição.

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Portanto, mais um número em que o escritor está testando as combinações entre os personagens. Felizmente ele entende de caracterizações e respeita a personalidade de cada um dos heróis, além de saber como criar pequenos conflitos entre eles para impulsionar a trama, mesmo em momentos de calmaria. Ainda está longe de ser um título tão marcante quanto a fase anterior da equipe, mas ainda há chances de melhorar.

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Roteiro de Brian Michael Bendis
Desenhos e cores de Chris Bachalo
Arte-final de Tim Townsend, Jaime Mendoza, Al Vey e Victor Olazaba

Então Emma Frost está sofrendo de crise de abstinência por sua telepatia estar desativada. Compreensível para uma mulher que passou boa parte de sua vida tendo que filtrar os pensamentos das pessoas ao seu redor pra ter um pouco de paz interior. A boa sacada de Bendis aqui é entender que para ela o processo se tornou tão natural, que estar mergulhada num oceano de pensamentos tornou-se confortador para ela, conforme o controle sobre seus poderes foi aumentando com o passar do tempo. Daí o fato de ela estar à beira de enlouquecer com o silêncio quase completo que agora a rodeia.

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Outra boa idéia do autor é botar Emma, Ciclope, Magneto e Illyana na mesma situação que os novos mutantes que recrutaram até o momento. Todos estão enfrentando juntos o desafio de entender como funciona seus poderes e de que forma controlá-los. É um ponto de partida curioso para esta nova formação dos X-Men, que fica melhor ainda quando rende cinco páginas de uma discussão de relacionamento bem escrita entre Scott e Emma, e outro daqueles casamentos perfeitos entre a arte e o texto que dão conta de ilustrar os processos mentais da telepata.

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O restante da edição é um daqueles momentos de respiro entre uma crise e outra, em que os professores se reúnem com os alunos para discutir o que ocorreu até agora, e temos uma noção melhor de quem é quem, e de como cada um está lidando com o fato de se descobrir um mutante. A maioria está apavorado, com exceção de Christopher Muse, o garoto com poderes de cura, que além de ser o mais empolgado com seu novo status de x-man, tem sérios riscos de se tornar o mais fanático defensor da Revolução Mutante. Dá até pra dizer que ele tem grandes chances de se tornar um futuro grande problema para Ciclope, talvez um extremista. Mas ainda é cedo para antecipar qualquer coisa. Talvez ele seja apenas um garoto empolgado, e não passe disto.

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Também vemos Fábio novamente usar seu maravilhoso e muito útil poder de gerar bolas douradas, e conhecemos todas as partes principais da nova Escola Charles Xavier Para Mutantes. A edição termina com todos acompanhando Tempus em uma visita à sua mãe na Austrália quando um problema surge prometendo o primeiro grande conflito da série. Tudo isto apresentado daquela forma cheia de pequenos bons momentos de interação e nuances de diálogos que tornou-se a especialidade de Brian Bendis, que ficam muito bons no traço limpo, caricato e expresso de Chris Bachalo, novamente mandando muito bem na colorização das páginas.

Uncanny Avengers 004-000Uncanny Avengers #4

Roteiro de Rick Remenber
Desenhos de John Cassaday
Cores de Laura Martin e Larry Molinar 

A batalha dos Vingadores contra o Caveira Vermelha e seus S-Men chega ao fim. Como na edição anterior a maior parte dos membros de ambas as equipes foram feridos, resta apenas duas principais frentes no confronto.

A primeira rende uma luta em que o poder de fogo é fundamental: Feiticeira Escarlate e Destrutor vs. Thor, que continua sob o controle do Caveira. Os três medem forças em cenas literalmente explosivas.

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A segunda é uma luta ideológica e psicológica entre o Capitão América e o Caveira Vermelha, na qual o vilão tenta quebrar a crença do herói num futuro brilhante para o seu país, lançando-o numa projeção mental do passado, presente e futuro dos Estados Unidos, como o Caveira o imagina caso seus planos sejam bem sucedidos.

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É neste seguimento que surge a referência clara a Dias de Um Futuro Esquecido, uma das sagas mais famosas dos X-Men, que já anda circulando pela internet desde que a edição foi lançada. O importante é reparar que ela dá a dica para o que acontece no flashforward das páginas finais (falo sobre ele daqui a pouco).

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Neste capítulo Rick Remenber deixa claro que não facilitará para os Vingadores. A batalha passa longe de ser definitiva, e as feridas deixadas são profundas, tanto nos heróis quanto na população de Nova York, que foi bastante afetada. É um quadro bem aterrador da cidade o que sobra na conclusão desde arco. Porém, o autor reserva o pior para as páginas finais.

Como eu havia dito no meu review sobre Captain America #4 na semana passada, uma das qualidades que mais aprecio do autor é seu empenho em jogar os heróis com quem trabalha em caminhos imprevistos. Se na edição 3 ele surpreendeu pela violência dos combates, nesta ele não apenas deixa um gosto amargo na boca dos protagonistas, como também oferece um vislumbre de um futuro que tinha tudo para ser distante, mas que ocorre apenas 3 meses depois dos eventos aqui retratados. O que impressiona não é apenas o cenário que encontramos, mas a quantidade de mistérios que Remenber conseguiu plantar em apenas duas páginas. Ele sabe vender seu peixe e deixar o leitor sedento por mais. Desde já estou muito curioso pra saber o que vem a seguir.

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Roteiro de Kieron Gillen
Desenhos de Jamie McKelvie
Arte-final de Mike Norton
Cores de Matthew Wilson

Kieron Gillen já começou a fazer graça nesta edição com suas páginas de recapitulação. Imitando o layout do Tumblr, ele brinca com a linguagem da internet pra deixar os leitores inteirados do que rolou na edição anterior. Não chega a ser tão divertida quanto as recapitulações de sua fase em Journey Into Mystery, mas pode ser que nas próximas edições isto mude.

Neste número infelizmente não rolou mais sequências de ação “videoclípticas”, mas as duas páginas em que Jamie McKelvie brinca com a quarta parede dos quadrinhos compensa a ausência.

Fora isto, a história avança devagar, com Hulkling e Wiccano, agora auxiliados por Loki, buscando uma maneira de mandar de volta para sua dimensão de origem a mãe falsa do primeiro, que se revela um parasita interdimensional. Os diálogos e os momentos mais intimistas dos personagens continuam se mostrando o forte da dupla criativa. Fica a expectativa para que na próxima edição a história volte a “esquentar” e os demais integrantes da equipe apareçam, preferencialmente protagonizando novas cenas estilosas de ação, que foi um dos pontos que mais chamaram atenção na edição de estréia.

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Roteiro de Matt Fraction
Desenhos de Michael Allred
Cores de Laura Allred

Este número já começa com uma discussão acalorada entre Alex Power e o Homem-Formiga sobre até que ponto a Fundação Futuro tem direito de depôr o Dr. Destino de sua posição de poder na Latvéria. Fiquei surpreso com a cena, que dura apenas duas páginas, mas apresenta um tom mais sério e maduro do que o visto nas primeiras edições. A discussão é boa e bem escrita, mas Fraction passa a impressão que sentiu que pesou um pouco a mão na seriedade. Por isto o restante da edição é uma comédia romântica, obviamente com adicionais que só uma história da Fundação Futuro poderia oferecer.

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Acontece que os Molóides não estão nem um pouco felizes em saber que Jennifer Walters, a Mulher-Hulk, terá um encontro com seu “amigo” Wyatt Wingfoot, e estão dispostos a arruinar uma possível noite romântica entre eles com a ajuda de Bentley-23. Daí pra frente vale tudo, desde hipnotizar o garçom do restaurante, até aumentar a temperatura de um pub e despertar um monstro gigante hibernando sob um lago.

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Enfim, muitas situações engraçadinhas, e tudo muito inocente e agradável de ler. No final a história serve ao propósito de arrumar um novo/velho par romântico para Jenny. É nostálgica em alguns momentos, pois Matt Fraction pega elementos da fase da Mulher-Hulk escrita e desenhada por John Byrne e traz à tona para desenvolver o relacionamento do casal.

No geral foi uma edição que considerei abaixo da qualidade apresentada nas três primeiras. O gancho final é, no mínimo, curioso.


Journey Into Mystery 649-000Journey Into Mystery #649

Roteiro de Kathryn Immonen
Desenhos de Valerio Schiti
Cores de Jordie Bellaire

Várias partes do mundo são invadidas por monstros vindos da ilha de monstruosidades onde Lady Sif e os guerreiros argardianos “berserkados” Einhar, Bodvar e Svip estavam presos até a edição passada. O Superior Homem-Aranha se une à frente de batalha de Nova York para deter um exército de homens-aranha (nada a ver com ele, apesar do nome).

A história é cheia de ação, passagens bem humoradas (o executivo que resolve se matar bem no meio da batalha e não consegue é a melhor, ao lado da chegada do monstro no centro de Tokyo), e participações rápidas de outros heróis (Felina, Fóton e Namor).

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Os desenhos de Valerio Schiti continuam sendo o grande atrativo do título, apropriados tanto para as cenas de ação como para as de humor, enquanto Kathryn Immonen prossegue transformando este primeiro arco numa homenagem à primeira fase de Journey Into Mystery, com muitos monstros gigantes com visual “antiquado”, e a rápida cena dentro de um bar em que um garotinho assiste o antigo desenho-(des)animado de Thor (que na época era feito com recortes de páginas das HQs desenhadas por Jack Kirby).

Mais uma série que vem se especializando em proporcionar uma leitura rápida, fluida e satisfatória. Diversão pura e simples.

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Avengers Arena 005-000Avengers Arena #5

Roteiro de Dennis Hopeless
Desenhos de Kev Walker
Cores de Frank Martin

O que você pode fazer quando tem um herói cuzão e é chegada da hora tirar proveito dele? Primeiro você explica porque ele é tão cuzão. Depois você o faz passar por uma situação que baixa a bola dele, e o faz sentir na pele quão cuzão ele é com as outras pessoas, e o quanto isto o afeta. No caso estou falando do loiro metido da capa aí ao lado, o Kid Briton, um correspondente de outra dimensão, e mais jovem, do Capitão Britânia, o herói inglês diretor da Academia Bradock. O poder dele, assim como do Capitão, depende de quão alta está sua auto-confiança, e é simplesmente irresistível vê-lo com o rabinho entre as pernas depois de ouvir umas verdades de sua namorada. Mas isto acontece no final. O interessante mesmo da edição é o que rola para movimentar a trama principal.

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Arcade, que estava sumido desde a primeira edição, resolveu reaparecer pra dar uma chacoalhada no seu joguinho. Talvez já antecipando a reação de alguns leitores ao ver que a maioria dos heróis presos no Mundo do Crime está apenas fazendo o necessário pra sobreviver, e evitando ao máximo entrar em conflitos mortais contra seus colegas de heroísmo. Por isto o vilão resolveu aumentar o grau de competitividade entre eles. Como? Dizendo que existem quatro zonas seguras em toda a ilha, e que é em apenas uma delas que eles encontrarão comida, medicamentos e água fresca. É, parece que agora vai rolar um bocado mais de sangue no lugar.

Enquanto isto Death Locket, como eu havia suspeitado na edição 2, volta a relembrar seus colegas de equipe do perigo que representa para todos que se encontram por lá. Parece que finalmente vamos entrar no lado “Batalha Real” da série. Bom sinal.

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Thunderbolts v2 005-000Thunderbolts #5

Roteiro de Daniel Way
Desenhos de Steve Dillon
Cores de Guru eFX

Depois de matarem um esquadrão inteiro de soldados do ditador suicida de Kata Jaya, o Justiceiro e a Elektra se beijam, protagonizando a cena de formação de um casal mais forçada dos últimos anos na Marvel. Como se isto já não fosse o suficiente, temos uma conversa chata e arrastada entre o Líder e Mercy e um monólogo insuportável do Deadpool.

Não façam como eu! Não leiam mais esse título horrível só pela obrigação sadomasoquista de terminar a leitura deste primeiro arco! Já lamento profundamente ter perdido meu tempo redigindo estes dois parágrafos. Esta HQ não merece nem isto.

Semana que vem: Age of Ultron #1, Cable and X-Force #5, Superior Spider-Man #5 e  Avengers #7.