[QUADRINHOS] Marvel NOW! – Parte 14: Uncanny X-Men #1, Secret Avengers #1, Fantastic Four #4, Avengers Arena #4 e Cable and X-Force #4

O início da Revolução Mutante em Uncanny X-Men #1; a S.H.I.E.L.D. montando sua própria equipe de Vingadores em Secret Avengers #1; a história de amor de Reed e Sue em Fantastic Four #4; os Fugitivos entram pra valer no jogo mortal de Arcade em Avengers Arena #4; e algo sai muito errado em Cable and X-Force #4. Tudo isto e mais um pouco nos reviews a seguir, que contém SPOILERS.

Uncanny X-Men v3 001-000Uncanny X-Men #1

Roteiros de Brian Michael Bendis
Desenhos e cores de Chris Bachalo
Arte-final de Tim Townsend, Jaime Mendoza e Al Vey

Uncanny X-Men é o título mais antigo protagonizado pelos X-Men. Com esta ele já teve três versões. A primeira, iniciada em setembro de 1963, marcou a primeira aparição do grupo de heróis mutantes e terminou com 544 edições em outubro de 2011. O término da primeira coincidiu com o final da saga O Cisma (publicada recentemente no Brasil pela Panini em X-Men #131 e 132), que justificou a estratégia da Marvel em dividir o principal título dos X-Men em dois, sendo o outro Wolverine and the X-Men, comandado por Jason Aaron. Esta segunda versão teve 20 edições publicadas entre novembro de 2011 e outubro de 2012, quando foi concluída ao mesmo tempo que a saga Vingadores vs. X-Men, marcando o término de mais uma fase dos mutantes da Marvel.

Esta terceira versão de Uncanny X-Men é o resultado de uma nova divisão dos X-Men, que agora têm três facções principais, esta comandada por Ciclope; a equipe liderada por Wolverine; e o grupo original que veio do passado para o presente, cada um com seu próprio título (respectivamente Uncanny X-Men, Wolverine and the X-Men e All-New X-Men).

A qualidade da maioria dos títulos ligados à marca X-Men oscilou muito na última década, mesmo contando com a colaboração de autores respeitados como Ed Brubaker, Matt Fraction e Kieron Gillen. Cada um deles contribuiu para que os X-Men não caíssem no completo marasmo, e pavimentaram o caminho que levou a Vingadores vs. X-Men encabeçando sagas como Complexo de Messias, Segundo Advento e O Cisma, mas, salvo estas, e alguns arcos escritos por eles, no geral a qualidade foi bem irregular.

Há uma ironia no fato de Brian Michael Bendis, o escritor responsável pela quase extinção dos mutantes no desfecho da saga Dinastia M, ser agora o cabeça da Revolução Mutante (que é tanto o movimento de apoio crescente às atuações de Ciclope, apresentado neste primeiro número de Uncanny X-Men, como também é a nova estratégia da Marvel para fortalecer a marca X-Men a partir de Marvel NOW). Portanto, faz sentido que o autor aproveite o momento para anunciar, tanto no contexto dos títulos que está comandando, quanto no mercado de quadrinhos, que sua intenção é revolucionar as HQs mutantes, e é muito adequado que uma das séries seja sobre um grupo de mutantes revolucionários.

Uncanny X-Men v3 001-006Um dos pontos estabelecidos pelo autor neste primeiro número é que Ciclope virou um ídolo de toda uma parcela da sociedade que se sente excluída por ela e pelas autoridades. Com isto Bendis trouxe de volta o apelo original que os X-Men tinham quando suas histórias funcionavam como metáforas fantasiosas de uma grande variedade de problemas sociais relacionados a divisão de classes, castas, etnias, e todo o preconceito e segregação que deram origem e sustentação a eles. Ser mutante no Universo Marvel atual é mais do que ser uma pessoa nascida com poderes especiais, mas também alguém disposto a abraçar uma causa que desafie as ações das autoridades destinadas a perpetuar sua condição de excluídos da sociedade. Os mutantes são o ápice destes párias sociais, pois nasceram com poderes realmente capazes de desafiar e derrubar “O Sistema”.

Uncanny X-Men v3 001-010Claro que uma revolução num quadrinho de super-heróis nunca está completa sem que os personagens ganhem um novo visual. Por isto toda a equipe de Ciclope já aparece vestindo novos uniformes e usando novos cortes de cabelo. A quase onipresença de cores escuras, couro e elementos levemente sadomasoquistas dão um ar de ambiguidade ao grupo. E reparem na dica que Bendis dá sobre o posicionamento de um dos integrantes com relação ao grupo ao fazer com que ele use uma cor que o destaca dos demais, algo que se confirmará no final da edição.

Como escritor de quadrinhos experiente que é, Bendis faz o que se espera da primeira edição de um título zerado para atrair novos leitores: uma rápida e eficaz reapresentação dos X-Men quando eles se apresentam pela primeira vez com o novo visual durante uma crise em San Diego provocada pelo surgimento de um novo mutante. É neste ponto que também somos informados que quatro dias se passaram desde a primeira aparição de Tempus, a garota que pode parar o tempo, em All-New X-Men #1. Nota-se que ela ainda está insegura quanto ao uso de seus poderes, e também chama a atenção quanta confiança ela e Christopher Muse, outro novo integrante dos X-Men, demonstram sentir por Ciclope e os demais.

Outra ótima sacada visual desta primeira história é a forma usada por Chris Bachalo para representar o impacto causado pela chegada dos Sentinelas. Os quadrinhos de toda a sequência de combate entre os X-Men e os robôs gigantes aparecem inclinados como se o peso deles afetasse o equilíbrio das páginas. Não é um recurso inédito e genial, mas funciona muito bem e torna as cenas de ação ainda mais dinâmicas.

Uncanny X-Men v3 001-012

Neste número de estréia Bendis deu prosseguimento à idéia de que os poderes de Ciclope, Magneto e Emma Frost estão desregulados. Emma parece “travada” no modo pele de diamante, aparentemente impossibilitada de usar sua telepatia. Magneto não consegue usar seu controle sobre o magnetismo na potência máxima, sendo forçado a atacar os Sentinelas com disparos precisos, ao invés de esmagá-los como faria no auge de seus poderes (e ainda assim ele sofre para conseguir moldar pistolas na forma de flechas e dispará-las contra os robôs). Já as rajadas de Ciclope agora explodem para todos os lados (algo já visto em All-New X-Men #4), e lembram um pouco fogo da Fênix, que pode, em parte, explicar o aspecto de seus poderes agora.

A jogada que o Bendis faz com a identidade do informante misterioso da S.H.I.E.L.D. é outra idéia muito bem executada, pois consegue deixar o leitor em dúvida durante a maior parte da história. Foi uma ótima sacada a careca e as falas ambíguas. Uma mistura de orgulho ferido e inveja aparentemente são os principais motivos da decisão tomada pelo personagem. E Bendis parece sugerir que ele voltará à sua inclinação original, embora por um caminho pouco esperado.

E a sofisticação da arte de Chris Bachalo combina muito bem com a proposta do título. O desenhista possui um estilo que foi “depurado” com o passar dos anos. No início de sua carreira seus desenhos eram mais rebuscados – eu diria até que mais poluídos visualmente – , e de difícil leitura. Hoje seus traços são mais limpos e arrojados, e bem mais agradáveis aos olhos, e se beneficiaram muito quando o desenhista passou a cuidar da colorização de suas páginas, que é bem caprichada.

Se é o início de uma fase revolucionária dos X-Men só as próximas edições dirão, mas sem dúvida é um solo fértil o preparado por Brian Bendis neste primeiro capítulo.

Secret Avengers 01-000Secret Avengers #1

Os Vingadores Secretos é uma das principais consequências da saga O Cerco. No final dela, após passar um ano inteiro comandando a M.A.R.T.E.L.O., uma versão “maligna” da S.H.I.E.L.D., e sua própria equipe de Vingadores, totalmente formada por vilões disfarçados de integrantes da equipe original, Norman Osborn perdeu seu cargo depois de sua fracassada guerra contra o reino de Asgard. Steve Rogers assumiu o lugar de Osborn, virou comandante, e passou a reagrupar o que restou da S.H.I.E.L.D. e dividiu os Vingadores em três grupos principais. Um deles era desconhecido do resto do mundo, pois, semelhante ao que Osborn fez com seu grupo clandestino de Thunderbolts durante a fase Reinado Sombrio, Rogers notou que havia a necessidade de um grupo capaz de realizar missões delicadas, que não podiam ser do conhecimento público, com o intuito de deter grandes ameaças em potencial antes que elas eclodissem e ameaçassem o mundo. Basicamente esta é a premissa que norteou boa parte da versão anterior da equipe, que em sua última missão salvou o mundo de um apocalipse robótico, planejado por um grupo chamado os Descendentes, que queriam transformar toda a raça humana em robôs. Apesar de não haver citações diretas ao personagem central, é provável que elementos usados no arco escrito por Rick Remenber voltem a aparecer na saga Age of Ultron. Só por isto recomendo a leitura, que tem algumas idéias bem surtadas envolvendo praticamente todos os personagens robóticos do Universo Marvel (a fase de Remenber começa a sair aqui no Brasil este mês pela Panini em Capitão América e os Vingadores Secretos #20). Mas isto é assunto pra quanto a saga começar.

nick-fury

Nick Fury do Universo 616.

Antes de falar desta nova versão dos Vingadores Secretos, é importante esclarecer parte da história de Nick Fury Jr., um dos cabeças desta nova equipe. O personagem surgiu na mini-série Cicatrizes de Batalha (Battle Scars, no original, publicada recentemente pela Panini em Avante, Vingadores! #57), trama que se passa imediatamente após a saga A Essência do Medo. Na história acompanhamos um soldado chamado Marcus Johnson que tem a mãe assassinada sob circunstâncias misteriosas, e começa a ser caçado por vários mercenários, além de ter sua vida salva e acompanhada de perto pelo Capitão América e a S.H.I.E.L.D. No final da mini-série foi revelado que o rapaz é filho do Nick Fury, que, pra quem não sabe, no Universo Marvel Tradicional (também conhecido como Universo Marvel 616) é branco.

Cicatrizes de Batalha foi um pretexto em 6 edições para transformar o novo personagem numa versão negra de Nick Fury dentro do Universo 616, a fim de aproximá-lo ainda mais da versão do cinema. No final da história Marcus Johnson assume o nome que desde sempre foi seu por direito: Nick Fury Jr. Enquanto isto seu pai dá a entender que está muito perto de pendurar as chuteiras, pois a Fórmula Infinito – uma variante do Soro de Supersoldado, que deu origem à super-resistência e força muscular do Capitão América, e que no caso dele desacelerou seu envelhecimento – está perdendo o efeito, por isto agora a idade vai começar a cobrar seu preço. Duvido muito que o personagem sumirá de uma vez por todas, pois ele já foi dado como morto algumas vezes. Mas os planos atuais da Marvel tem como objetivo dar mais visibilidade ao seu filho. Pra completar sua transformação, Nick Jr. decide raspar o cabelo com gilete e deixar crescer um cavanhaque. Pouco sutil, né? Também achei. E como se isto não bastasse, Cheese, seu melhor amigo do exército, que o ajudou durante toda a mini-série, também ganha um novo nome. Podem adivinhar qual é? Phil Coulson! Isto mesmo, é o já famoso Agente Coulson dos filmes da Marvel, que só passou a existir no Universo 616 a partir desta mini-série. Forçadas de barra à parte, o que realmente importa é se ambos serão bem integrados e utilizados daqui pra frente.

tumblr_m9j6iaOlBX1r4wd1ko1_500

Nick Fury Jr. e o Agente Coulson

Daí chegamos a esta nova versão dos Vingadores Secretos. Enquanto no título Indestructible Hulk a Comandante Hill garantiu a cooperação de Bruce Banner e, por consequência, do Gigante Esmeralda, que será usado em missões nas quais houver a necessidade de uma destruição em massa estratégica, neste título a Diretora Johnson, por intermédio do Agente Coulson, põe em prática um plano da agência cuja finalidade é criar sua própria equipe de Vingadores (sim, porque outra equipe deles nunca é demais num mundo que já conta com seis grupos que usam o nome).

Nesta primeira edição acompanhamos o recrutamento do Gavião Arqueiro e da Viúva Negra, e somos apresentados ao conceito principal da série. Basicamente os integrantes receberão implantes nanotecnológicos que apagarão as memórias referentes às missões que realizarem para a S.H.I.E.L.D..

scr_avg_1_12a

Nos quadrinhos o Agente Coulson não é tão legal quanto nos filmes.

Outro ponto que compensa ser esclarecido é a rápida menção que a Comandante Hill faz de uma operação fracassada que Nick Fury comandou anos atrás. Na época ele reuniu integrantes dos Vingadores para ajudá-lo a tirar do poder Lucia von Bardas, então primeira ministra da Latvéria, que estava financiando a tecnologia de super-criminosos. Ao término da missão os heróis tiveram suas memórias apagadas, mas o processo não funcionou como era esperado, e pra piorar von Bardas, dada como morta durante a missão, voltou para vingar-se dos responsáveis por sua queda e transformação (ela teve seu corpo mutilado e foi convertida num ciborgue). Apesar dos heróis terem derrotado von Bardas, Nick Fury teve que abandonar o posto de diretor da agência, pois a missão não foi aprovada pelo presidente dos Estados Unidos (tudo isto foi apresentado na mini-série Guerra Secreta, publicada pela Panini em 2005 – não confundir com Guerras Secretas, o famoso crossover da editora que deu início às super-sagas da Marvel). A saída de Fury marcou o início de uma fase turbulenta da S.H.I.E.L.D., quando ela teve como diretores, na sequência, por Maria Hill, Tony Stark, Norman Osborn, Steve Rogers, e atualmente Daisy Johnson. Tudo isto levou a divisão de desenvolvimento da agência a ser muito cuidadosa na criação dos novos implantes apagadores de memória.

A edição também brinca um pouco com o fato de agora existir um Nick Fury negro. E os desenhos de Luke Ross não escondem que a intenção da Marvel é fortalecer ainda mais a relação de seu universo dos quadrinhos com o do cinema. Semelhante à sua versão do Universo Ultimate Marvel, Nick Fury Jr. também teve o rosto desenhado para parecer com o de Samuel L. Jackson, e o do Agente Coulson é claramente inspirado no de Clark Gregg, ator que o interpretou nos filmes da Marvel.

scr_avg_1_14b

Mas o destaque fica mesmo para a primeira missão da dupla Gavião Arqueiro e Viúva Negra (os dois integrantes revelados até o momento, apesar da capa deixar uma pista sobre o próximo a entrar pra equipe): impedir que um traficante de armas húngaro, conhecedor de magias negras, venda seus conhecimentos para uma das células terroristas da Al Qaeda. Uma das técnicas que ele pretende vender dá ao usuário a capacidade de teleportar-se para qualquer lugar do mundo, incluindo o interior da Casa Branca! É um bom ponto de partida para uma série de espionagem.

scr_avg_1_15a

A trama principal é cheia de mistérios, e ainda apresenta uma reviravolta no mínimo intrigante no final da história. Outra fonte de mistério da narrativa, que Nick Spencer faz questão de esconder e alardear que está fazendo isto, é o motivo usado para convencer a Viúva e o Gavião a toparem ter suas memórias mexidas pela S.H.I.E.L.D.. Aparentemente é algo relacionado ao passado deles, talvez um vilão com o qual fazem questão de lidar pessoalmente. Ou seja, um motivo a mais para continuar acompanhando a série.

Secret Avengers é um título que promete boas histórias de espionagem, e várias conspirações. Pode ser um dos “herdeiros” do legado que Ed Brubaker deixou com sua passagem pelo título do Capitão América, o precursor dessa recente leva de quadrinhos mais “realistas” e sombrios ambientados no Universo Marvel. É uma boa pedida pra quem prefere uma abordagem diferenciada dos personagens vistos no cinema. Vale a pena dar uma conferida nas próximas edições.

FantasticFour_4_TheGroup-000Fantastic Four #4

Roteiros de Matt Fraction
Desenhos de Mark Bagley
Arte-final de Mark Farmer
Cores de Paul Mounts com Edgar Delgado e Rain Beredo

Esta edição de Fantastic Four foi lançada um dia antes do Valentine’s Day, que nos Estados Unidos corresponde ao nosso Dia dos Namorados. Esperto como é, Matt Fraction aproveitou a data para dedicar um número inteiro a Reed e Sue Richards, um dos casais mais antigos do Universo Marvel. Assim, enquanto o Quarteto Fantástico entra pela primeira vez em contato com uma recém-descoberta civilização alienígena, paralelamente é contada a história do início do relacionamento de Reed e Sue, dando aos leitores que começaram a ler as histórias do grupo a partir da Marvel Now a oportunidade perfeita para conhecerem melhor os personagens. Testemunhamos a primeira vez que Reed viu Susan; o primeiro encontro; o primeiro beijo; o primeiro desentendimento… Resumindo, o amor está no ar! (Sim, eu acabo de usar a frase de efeito mais manjada pra esse tipo de situação. Sue me!)

FantasticFour_4_TheGroup-002

Para isto Fraction novamente dá uma desacelerada na história, voltando a reforçar que sua intenção é pintar um retrato mais intimista do Quarteto Fantástico, com um foco maior nos relacionamentos familiares, dentro de um contexto de ficção científica super-heróica, ao invés de  escrever aventuras grandiosas e cheias de ação.

Reed continua preocupado por estar escondendo o verdadeiro motivo de sua “aventura educacional” pelo universo, e temendo a repercussão que isto terá em seu relacionamento com Sue e os demais membros do Quarteto. E Ben volta a sofrer episódios de depressão numa viagem que até agora só tornou mais aguda sua solidão, acentuada pelo confinamento em uma nave espacial. Mas numa história cujo narrador é um Reed cada vez mais temeroso pelo futuro de sua família, quem acaba se destacando mais é Susan, maior alvo das atenções e preocupações do marido.

ffour_sue

ffour_loveA Mulher Invisível já foi recebida várias vezes como uma deusa ou uma rainha predestinada a governar civilizações alienígenas, mas desta vez Matt Fraction resolveu transformar este tema recorrente numa extensão dos sentimentos do Sr. Fantástico por sua esposa. O que começa como um grande mistério – que acaba ajudando o líder do Quarteto a enxergar quão importante é a solução do problema que tem nas mãos, e o quanto a resolução dele depende do apoio de sua família – , termina como uma bela declaração de amor ao estilo Quarteto Fantástico (“If there was a woman a whole world should worship, it’s you.”).

Pode não agradar quem gosta de aventuras mais grandiosas, ou quem prefere histórias com mais ação, mas não deixa de ser uma bela mistura de romance e ficção científica que aproxima um pouco mais os personagens de seus leitores.

Avengers Arena 004-000Avengers Arena #4

Roteiro de Dennis Hopeless
Desenhos de Alessandro Vitti
Cores de Frank Martin

A série ainda está na fase de aprofundar um pouco mais o conhecimento do leitor a respeito dos personagens. Com mais este número já dá pra enxergar a estrutura usada por Hopeless. A primeira edição foi dedicada ao casal Radioativa e Vigoroso, membros da Academia Vingadores; a segunda a Rebecca Ryker, mais nova integrante da Academia Braddock; a terceira a Cammi, única garota que até o momento prefere não fazer parte de nenhum grupo; e esta a Nico e Chase, dois membros dos Fugitivos. Se este é um padrão que se repetirá nas próximas edições ainda não dá pra saber, mas é uma estratégia que está conseguindo criar entrosamento entre os personagens, e empatia entre alguns deles e os leitores.

Avengers Arena 004-003Apesar de ter apenas Nico e Chase como representantes dos Fugitivos em Avengers Arena, esta edição é mais focada no garoto, cuja história é recontada brevemente aqui, revelando um pouco sobre a relação dele com os pais e relembrando momentos marcantes de seu grupo. Em duas páginas Hopeless reapresenta de forma simples, curta e eficiente o passado de Chase, algo que é sempre elogiável quando se trata de quadrinhos.

Avengers Arena 004-011Neste capítulo ocorre a primeira tentativa de aliança entre dois grupos distintos, os Fugitivos e parte da Academia Vingadores. Novamente são os bons diálogos entre os heróis adolescentes o ponto forte de Hopeless, que vem se mostrando cada vez mais dedicado a humanizar os heróis e criar interações convincentes entre eles, e menos preocupado em matar um personagem por edição. Embora nesta pelo menos um deles fique gravemente ferido, o fato serve para criar novos conflitos entre os diferentes participantes do jogo mortal armado por Arcade (que parece estar “puxando as cordas” para que estes desentendimentos se intensifiquem a seu favor). E o acontecimento que marca o final da edição é uma reviravolta interessante para o personagem envolvido.

Avengers Arena 004-014Alessandro Vitti substitui Kev Walker nos desenhos deste número. Seu estilo é mais consistente que o de seu colega. Dá pra notar uma segurança maior no traço, que é bem valorizado pelo sempre competente trabalho de colorização de Frank Martin.

Antes de encerrar preciso falar sobre um detalhe que me incomodou muito nesta edição: a capa engana-trouxa! Se o leitor espera encontrar uma luta entre a X-23 e o Falcão de Aço, vai terminar a leitura frustrado, pois não há sequer um encontro entre os dois personagens na história. Estratégia sem vergonha da Marvel! Mas, apesar disto, a história compensa.

Cable and the X-Force 04-000Cable and X-Force #4

Roteiro de Dennis Hopeless
Desenhos de Salvador Larroca
Cores de Frank D’Armata

Até aqui foi a edição mais movimentada do título, que continua apresentando diálogos divertidos e boas dinâmicas entre os personagens. Mas Hopeless comete um bocado de descuidos no desenrolar da história. Pra começar, O QUE DIABOS o Dr. Nemesis está fazendo com uma bomba tranquilizante de dinossauros numa missão em uma fábrica de junk food? E que história é aquela das vítimas do vírus voltarem ao normal VESTINDO AS MESMAS ROUPAS QUE USAVAM antes da transformação?! Minutos antes elas não passavam de bolhas de carne nuas! Por acaso voltamos pra década de 80 e ninguém me avisou? É subestimar demais a inteligência do leitor…

cable_xforce_4_07a

Exageros e erros de continuidade à parte, o autor revela nesta edição a identidade de uma das silhuetas misteriosas que apareceram na edição 2. Como eu havia suspeitado era mesmo Deathlok. E se a outra metade da minha suspeita estiver correta, seu chefe é mesmo o vilão Conflito, clone do Cable que já deu muito trabalho no passado. Um dos problemas que ele causou foi a disseminação do vírus Legado em meados da década de 90, que matou vários mutantes, e levou um tempão pra ter uma cura desenvolvida. Ironicamente agora ele parece indiretamente envolvido na disseminação de um vírus que afeta só humanos normais (a história levanta a suspeita que foi Deathlok o responsável por infectar os empregados da fábrica com o vírus Girth).

cable_xforce_4_09a

Outro ponto intrigante é Cable voltando a usar telecinésia. É algo que pode indicar uma nova eclosão de seus outrora vastos poderes mutantes, mas só o tempo dirá se ele alcançará os mesmos níveis extraordinários que ele já possuiu. Vale lembrar que Nate Grey, sua contraparte surgida durante a saga Era do Apocalipse, tinha uma telecinésia tão poderosa que lhe permitia manipular átomos e criar construtos humanóides com consciência. Isto porque ele nunca foi forçado a empregar sua telecinésia para conter o avanço de um vírus em seu organismo, como ocorria com Cable. Agora que ele já não possui mais esta “barragem biológica” contendo seus poderes, talvez seja uma questão de tempo até eles voltarem com tudo.

cable_xforce_4_13a

Aparentemente este é o final do primeiro arco, pois com o desfecho da missão na fábrica da Eat-More são esclarecidas as circunstâncias que levaram a X-Force de Cable a ser considerada uma célula mutante terrorista. Nada muito além do previsível. A expectativa agora é para ver como eles vão lidar com suas novas vidas de fugitivos, especialmente com os Vingadores do Destrutor em seu encalço, isto sem contar outros supergrupos, o “vilão misterioso” e as premonições enigmáticas de Cable. E não podemos esquecer que ele deixou Esperança de castigo em casa, e ela parece estar muito puta com ele no teaser da próxima edição. É, eu diria que ainda vale a pena acompanhar.

E na próxima semana: Nova #1, Savage Wolverine #2, Captain America #4, Indestructible Hulk #4, Superior Spider-Man #4, Thor: God of Thunder #5 e Avengers #6!