[QUADRINHOS] Marvel NOW! – Parte 13: Fearless Defenders #1, Thunderbolts #4, The Superior Spider-Man #3, Avengers #5 e New Avengers #3

A estréia da semana foi a regular Fearless Defenders, de Cullen Bunn, com a nova versão dos Defensores, agora formada somente por mulheres (!). Ainda tivemos a 4ª edição de Thunderbolts, em que Daniel Way continua sua missão suicida de matar o leitor de tédio; Superior Spider-Man #3, onde Dan Slott prossegue surpreendendo com histórias divertidas, apesar do/e em grande parte graças ao Aranha-Octopus; e a dobradinha Avengers e New Avengers, nas quais Jonathan Hickman faz seu habitual agrado aos apreciadores de histórias bem contadas que eu não canso de elogiar (para a felicidade de uns e a impaciência de outros).

Vamos às análises da semana, cheias de SPOILERS sardentos, tediosos, cósmicos e apocalípticos.

Fearless Defenders 01-000The Fearless Defenders #1

Roteiros de Cullen Bunn
Desenhos de Will Sliney
Cores de Veronica Gandini

Fearless Defenders já nasceu como um título problemático, comandado por uma equipe criativa inexpressiva, e estrelado por personagens de terceiro e quarto escalão (embora gostosas).

A idéia é reunir um grupo de heroínas, em sua maioria pouco requisitadas nos grandes títulos da Marvel, e formar com elas uma nova versão dos Defensores, que por sua vez é um grupo que ao longo de sua existência já contou com formações inusitadas, sendo a mais conhecida composta por Hulk, Surfista Prateado, Doutor Estranho e Namor.

Fearless Defenders 01-004O título é uma consequência da mini-série Fear Itself: The Fearless, que por sua vez ocorreu imediatamente após a saga A Essência do Medo (e que dificilmente será publicada no Brasil). Nela, Valquíria – uma guerreira asgardiana escolhida por Odin para liderar o grupo de guerreiras mitológicas responsáveis por levar as almas de guerreiros honrados até Valhalla, o paraíso particular deles – recebe uma nova missão do Pai de Todos: recuperar os martelos usados pelos Dignos durante a saga, que após a derrota do Serpente, se perderam ao redor do mundo. Durante a mini-série Valquíria entrava em conflito com vários heróis, que tentavam impedi-la de recuperar os martelos, ao mesmo tempo que disputava uma corrida pela posse deles contra Pecado, a filha do Caveira Vermelha, uma das culpadas de toda a confusão ocorrida em A Essência do Medo. O resumo da história é que no final Valquíria salvou o dia absorvendo os martelos com sua alma, levando-os para outra dimensão, e morrendo no processo, para logo em seguida ser ressuscitada e ganhar uma nova missão: formar um novo grupo de Valquírias com heroínas mortais. É partindo desta idéia que Cullen Bunn dá início a Fearless Defenders.

Fearless Defenders 01-015A trama deste arco é bem “feijão com arroz”. Misty Knight, ex-namorada do Luke Cage, atualmente de rolo com o Punho de Ferro, e por muitos anos parceira de ambos na equipe/empresa Heróis de Aluguel, está em uma missão para recuperar um artefato antigo de um bando de contrabandistas armados num navio no meio de uma tempestade. Rola uma sequência de luta cheia de frases de efeitos (que soam muito artificiais). Corta pra ela se encontrando com a Dra. Annabelle Riggs, uma arqueóloga que descobre que o artefato é uma espécie de caixa de música asgardiana que ressuscita os cadáveres de guerreiros vikings (“coincidentemente” elas estão num sítio arqueológico cheio deles). Misty começa a lutar contra um bando de esqueletos vikings, e no meio da luta recebe o auxílio de Valquíria, que por sua vez é beijada na boca por Annabelle, que se revela lésbica (e o fato de ela ser sardenta e gostosinha já faz dela minha favorita). A batalha termina, e Valquíria resolve que é melhor ir pra Asgard consultar a Mãe de Todos (deusa que, na ausência de Odin, agora rege Asgard), acompanhada de Misty e Annabelle. E é isto.

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Just because I’m a frecklemaniac.

Não há nada de original na história. As piadas são fracas; as falas, claramente escritas para soarem estilosas, são muito forçadas; a “revelação” da sexualidade de Annabelle é súbita demais, denunciando a falta de talento do roteirista para desenvolver as personagens com naturalidade (é até cruel eu sugerir isto, mas comparem a construção da cena do beijo entre ela e Valquíria com aquela vista em Young Avengers #1, e ficará mais evidente a “punhetice” do autor).

Os desenhos de Will Sliney são medianos. Ele até consegue desenhar as mulheres com leveza e fragilidade – especialmente Annabelle, seu maior acerto aqui – , mas suas expressões faciais são “duras” e sofrem de alguns problemas de proporção.

Parecer final: o título não deve durar muito tempo. Cogitei seriamente parar de acompanhá-lo aqui mesmo, mas Annabelle me cativou, portanto, lerei mais algumas edições. Malditas sardas!

Thunderbolts 004-Zone-000Thunderbolts #4

Roteiros de Daniel Way
Desenhos de Steve Dillon
Cores de Guru eFX

Thunderbolts continua sendo o correspondente a um filme pornô sem cenas de sexo. Desde a primeira edição Daniel Way está movendo seus personagens de um lado para o outro; revelando novas informações sobre a nação onde realizarão sua primeira missão; sobre o ditador que planejam derrubar e sua relação com o governo dos Estados Unidos; sobre o passado de uma das “armas secretas” do Hulk Vermelho e sua relação com a ascensão do tal ditador ao poder… mas tudo isto feito da forma mais maçante possível.

A série até agora apresentou pouquíssimos conflitos verbais e físicos entre os integrantes dos Thunberbolts, algo que era esperado pela mistura tão inusitada de personagens que, em sua maioria, estavam mais habituados a carreiras solo antes do General Ross reuni-los (embora todos eles tenham integrado pelo menos um grupo ao longo de suas carreiras, foi por pouco tempo), o que torna a história ainda mais desinteressante. Pra piorar, até agora não houve nenhum confronto significativo entre os Thunderbolts e os inimigos deste primeiro arco.

Fora um “segredo” revelado aqui, e um fiapo de motivação introduzido ali, Daniel Way pouco faz pra nos importarmos pelo que está ocorrendo. Meu Deus!, o cara tem o Justiceiro, a Elektra e o Hulk Vermelho à disposição, e ele me faz uma história tão arrastada quanto a de um filme europeu de péssima qualidade protagonizado pelo elenco do filme Os Mercenários?!!

Com tudo isto temos mais uma edição fraca. Daniel Way conseguiu de novo escrever uma HQ totalmente dispensável. Dependendo do que [deixar de] acontecer no próximo número, paro com os reviews das edições avulsas, e volto a falar da série quando esse primeiro arco terminar. Isto se minha paciência (que até aqui foi muito generosa) não esgotar, e eu não largar a série antes da conclusão, o que não é nada difícil de acontecer.

Se até o Justiceiro concorda comigo é porque eu tô certo.

Se até o Justiceiro concorda comigo é porque eu tô certo.

SuperiorSpiderMan_3_TheGroup-000Superior Spider-Man #3

Roteiros de Dan Slott
Desenhos de Ryan Stegman
Cores de Edgar Delgado

Era uma vez dois gênios da ciência que se tornaram amigos quando ambos faziam parte de um grupo idealizado por um deles. Os dois envelheceram, seguiram caminhos distintos, mas voltaram a se reunir mais algumas vezes em nome da amizade, e do prazer de tentar, mais uma vez, matar aquele rapaz tagarela disparador de teias e piadas de mau gosto que era seu maior inimigo em comum. Anos se passaram até que um deles teve uma doença terminal, enquanto o outro continuou sua vida de crimes. O primeiro, antes de morrer, trocou de corpo com seu maior inimigo, enquanto o segundo formou um bando de ladrões voadores. O nomes destes dois amigos? Otto Octavius e Adrian Toomes, mais conhecidos como Dr. Octopus e Abutre.

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Nesta terceira edição de Superior Spider-Man, Dan Slott resolveu que era a hora de dar um tempo pras piadas e exageros e investir num arco dramático intenso que gira em torno de um dilema: ajudar um velho amigo a abandonar a carreira criminosa, ou puni-lo por um grande erro que cometeu?

Na história o Aranha-Octopus vai atrás do Abutre, disposto a ceder boa parte da fortuna que reuniu como resultado de seus crimes como Dr. Octopus, mas para isto ele terá que convencer seu velho amigo usando a máscara de seu maior inimigo. Isto rende uma trama que se não é tão densa quanto poderia ser, mas que mantém o interesse do leitor do início ao fim. É uma disputa acirrada entre a virtude recém-adquirida de um homem em processo de regeneração, e o orgulho cristalizado de um velho infeliz, que já deixou de acreditar há muito tempo que outro ser humano estaria disposto a ajudá-lo a dominar seu sentimentos mais vis.

SuperiorSpiderMan_3_TheGroup-003Slott sabe que não pode mudar tão drasticamente o tom da série, e por isto distribui ao longo da história passagens pontuais e acertadas de humor. A melhor delas acontece logo no início da edição. Ver o Homem-Aranha deixando de zoar o J. Jonah Jameson para, no lugar disto, massagear seu ego ao mesmo tempo que o insulta, sem ele perceber, é divertido demais pela ironia da cena.

Outra boa idéia usada pelo autor foi o modo como o “Ghost Peter” tem acesso a uma das lembranças de Otto, visitando-as como se estivesse dentro de um “filme holográfico”, que pode, inclusive, ser “pausado” quando seu “dono” pára de “assisti-lo”.

É justamente de uma destas lembranças que nasce a passagem mais dramática desta história, quando o Octopus-Aranha descobre que o Abutre o forçou a agredir fisicamente crianças durante a luta (lembram do review da edição anterior, quando me perguntei se os abutrinhos eram anões ou robôs? pois é. a resposta se revelou mais “perturbadora”). Isto leva Peter e o leitor de volta a um momento traumático e definidor da personalidade de Otto Octavius, ao mesmo tempo que dá ao “fantasma” de seu maior inimigo uma compreensão inédita sobre as motivações se seu antigo adversário. E as indagações que Peter levanta neste ponto crucial da narrativa são, no mínimo, intrigantes. Fica a minha torcida para que as possibilidades sejam exploradas.

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Outra fonte de tensão e suspense é a desconfiança de Carlie Cooler, a investigadora ex-namorada de Peter Parker, que promete gerar conflitos internos entre a consciência de Peter e Otto, que por sua vez pode se tornar cada vez mais ciente da presença do “fantasma” que assombra as reentrâncias de seu cérebro. A tentação de dar um fim na garota pode ser um dos próximos desafios que Otto Parker enfrentará em sua missão para tornar-se uma pessoa melhor e, assim, dar continuidade à sua carreira como Homem-Aranha.

Neste número Dan Slott se mostrou ainda mais à vontade e mais seguro na condução da história. Com isto o autor abrandou um pouco mais a fúria dos que detestaram a idéia do Octopus-Aranha quando foi anunciada. Até aqui a qualidade das histórias só está melhorando. E o mesmo pode ser dito da arte de Ryan Stegman, que desta vez  caprichou mais nos desenhos, ao contrário do ocorrido na edição anterior, que ele pareceu ter feito às pressas.

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Adendo especulativo de última hora

No final desta semana saiu esta notícia a respeito de Superior Spider-Man #9, com lançamento previsto para maio, da qual destaco o seguinte trecho: “O gibi mais quente dos quadrinhos chega a um ponto de virada que o deixará com ainda mais raiva do que você ficou depois de [ler] Amazing [Spider-Man] #700. É hora de saber quem irá viver, quem irá morrer e quem irá emergir como o primeiro, único e superior Homem-Aranha!” (Só lembrando que Amazing Spider-Man #700 foi a edição onde Peter Parker “morreu” com a mente presa no corpo original do Dr. Octopus, o que levou vários leitores a ameaçarem de morte Dan Slott).

Usando como base a notícia citada acima, e uma discussão que tive sobre ela com alguns membros do grupo The Comic Shop, do Facebook, comecei a pensar em qual seria esse evento que deixará os leitores com uma raiva maior do que a sentida após ler aquela história tão amaldiçoada. Isto me levou à seguinte pergunta: Que outra virada, em toda a história do Homem-Aranha nos quadrinhos, é tão odiada pela maioria dos fãs do personagem? A resposta veio fácil: a Saga dos Clones! E o que seria tão odioso quanto revelar que Peter Parker na verdade era um clone, ou que agora seu corpo é controlado pelo Dr. Octopus? Unir as duas maiores e mais odiadas reviravoltas já ocorridas com o personagem!

Calma que eu já vou explicar como imagino que isto ocorreria. Depois de ler três edições desta nova fase, um ponto que já ficou bem claro pra mim é que não vai demorar muito até que Otto Parker detecte com mais clareza a presença da consciência de Peter em seu cérebro. Isto pode gerar pelo menos duas reações:

1ª) Otto Parker tentará livrar-se de vez do “fantasma” de Peter;

2ª) Após conviver com as lembranças do rapaz, e sentir quão bom é ser respeitado e admirado como herói, Otto Parker lutará contra seus impulsos malignos, e buscará uma forma de trazer Peter de volta, porém, sem que isto afete sua nova carreira de combatente do crime.

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Superior Spider-Man #9

A primeira opção não merece ser discutida, pois é o caminho mais esperado, menos interessante, e com mais chances de apelar para a outro clichê: uma batalha interna da consciência de Peter e Otto pela posse do corpo (que é o que parece sugerir a capa de Superior Spider-Man #9, reproduzida ao lado). Já a segunda opção é a que tem mais potencial para emputecer muitos leitores.

Otto Octavius é um gênio da ciência orgulhoso e egoísta, e como tal, diante de um novo problema, ele buscará uma solução satisfatória. Além disto, ele está muito satisfeito do que já conseguiu realizar como Homem-Aranha, e tudo indica que continuará apreciando o desafio de tornar-se um herói melhor que seu antecessor. Logo, não duvidem que ele pensará num meio de se dar bem no final, mesmo ajudando Peter a voltar à ativa. Como? Permitindo que Peter retome sua vida, mas sem que ele volte a ser o Homem-Aranha! E já posso ouvi-los gritando pra tela de seus PCs, notes e ipads: MAS COMO É QUE PODE UMA PORRA DESSAS?!! Simples, meus caros: clones! Sim, aquela palavra que sempre dá calafrios nos leitores quando é associada a qualquer história do Homem-Aranha.

Não, por favor, DE NOVO NÃO!

Não, por favor, DE NOVO NÃO!

Meu chute – extremamente cruel e sacana, confesso – é que o Dr. Octopus clonará o corpo que está usando, e transferirá a consciência de Peter Parker para um clone de si mesmo, devolvendo ao rapaz o controle de sua vida, mas não da maneira esperada. Com isto Otto Parker continuará sendo o Homem-Aranha. Assim teríamos dois Peter Parkers, sendo que um deles com a consciência do verdadeiro, e o outro com a do Dr. Octopus.

E calma que não é só isto que pode acontecer! Outra possibilidade, dentro deste cenário, é Peter também voltar a ser o Homem-Aranha. Assim a Marvel terá dois Homens-Aranha, semelhante ao que aconteceu quando Steve Rogers e Bucky Barnes foram Capitães America ao mesmo tempo, logo após o primeiro “ressuscitar”. Ou, pode ser que o Otto Parker assuma uma nova identidade e codinome, e atue como um novo herói. Cogito até a possibilidade de, em algum momento, todos os personagens com temática “aracnídea” da Marvel se unirem numa espécie de “Corporação Aranha” para combater o crime em Nova York. Imaginem o Homem-Aranha, o Aranha Superior, o Aranha Escarlate e o Venom atuando juntos! (tá, viajei agora)

Mas, voltando aos fatos, a Marvel está faturando com Superior Spider-Man, e isto sempre será um fator que pode influenciar na forma como uma idéia será explorada pela editora, por mais “odiada” que ela seja num primeiro momento. Portanto, não é nada impossível que ela busque um meio de satisfazer tanto quem gosta do Peter como Homem-Aranha, como aqueles que estão gostando de ver a busca por redenção do Octopus-Aranha (muitos que detestaram a idéia estão começando a gostar dela, agora que viram ela funcionando). E uma das formas de manter os dois coexistindo, sem que um deles continue como um fantasma no cérebro do outro, seria a clonagem. Pode ser até que o clone termine sendo o Otto, enquanto Peter voltará para seu corpo original, mas daí o “fator emputecedor de leitores” se perde. Cogito até a possibilidade de voltarem a publicar The Amazing Spider-Man, agora zerada, e dentro da Marvel Now, para apresentar as histórias de Peter Parker como Homem-Aranha, enquanto continuarão publicando Superior Spider-Man com as aventuras de Otto Parker.

Sim, eu sei que é uma idéia tão absurda e odiosa quanto a troca de corpos e toda a confusão com os clones na década de 90, mas se queremos chegar perto da raiva que Slott e a Marvel estão buscando despertar nos fãs do Aranha, é melhor chutarmos alto nos palpites. Se eu passei perto da verdade só descobriremos em maio, mas deixo aqui registrado este meu “momento Dan Slott”. Espero não receber muitas ameaças de morte depois desta.

Avengers 05-Zone-000Avengers #5

Roteiros de Jonathan Hickman
Desenhos de Adam Kubert
Cores de Frank Martin

E Hickman continua pondo em prática seu plano de tornar cada vez maior a abrangência da atuação dos Vingadores no Universo Marvel. Se nas três primeiras edições vimos uma intervenção da equipe em Marte, e na quarta a revelação de que um de seus novos integrantes veio de outro universo, nesta acompanhamos nossos heróis ajudando parte da Guarda Imperial Shi’ar a lidar com uma invasão em outra galáxia. A missão da vez vem de outro dos novos membros da equipe, a Esmagadora (Smasher, no original), cuja origem é revelada neste número.

Pra quem não conhece muito da história da Guarda Imperial Sh’iar, ela é uma espécie de “tropa de elite” do Império Shi’ar, composta pelos melhores soldados das raças alienígenas que fazem parte dele. Ela é subdividida em várias classes, uma delas sendo a subclasse Esmagador. Anos atrás o primeiro Esmagador, durante um ataque contra o Império arquitetado por Cassandra Nova (a “irmã” do Professor Xavier), recebeu da Imperatriz Lilandra a missão de partir para a Terra e alertar os X-Men da ameaça que estava vindo pra cima de nosso planeta. Devido a complicações durante sua chegada ao nosso mundo, o Esmagador caiu num descampado em Iowa, danificando seu traje. É a partir da lasca de uma das lentes de seus exo-óculos que “nasceu” a Esmagadora atual (isto pode parecer forçado aqui no texto, mas é bem explicado pela história).

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Nasce a Esmagadora.

É admirável como Hickman pega uma cena sem muita importância dentro do arco Imperial, dos Novos X-Men de Grant Morrison, e transforma na semente de uma nova heroína, brincando novamente com o tema que iniciou sua fase nos Vingadores: a faísca que inicia um incêndio, ou, neste caso, um fragmento que reconstrói o traje do qual era uma parte, e gera uma nova versão do herói que o vestia.

Também é importante observar que a história deste número fala de “heranças” passadas de uma geração para outra, seja ela entre membros de uma mesma família ou de heróis de diferentes épocas. Izzy Dare, a nova Esmagadora, não apenas ganha um título que já pertenceu a outros indivíduos de diferentes raças alienígenas (“Heróis geram heróis.”), mas também recebe de seu avô a revelação de que ela faz parte de uma família destinada a singrar o espaço. O avô de Izzy se chama Dan Dare (observem o verso do cartão que ele entrega à neta no final da edição), que por sua vez é o nome um herói britânico, criado na década de 1950, protagonista de uma série de aventuras espaciais em quadrinhos. Apesar do personagem originalmente não fazer parte do Universo Marvel, Hickman sugere nesta edição que Dan conheceu o Capitão América quando jovem, e que o pai de Izzy o considera louco por causa das histórias que o velho sempre contou de suas aventuras no espaço (“Pensei que ele era louco a minha vida inteira…”). Outra boa sacada é estabelecer que Izzy Dare é formada em astronomia, indicando sutilmente que seu interesse pelo espaço é uma inclinação inata.

Outros destaques desta edição:

  • Tony Stark começa a decifrar a linguagem que Adam usa para se comunicar. Apesar de oferecer parte da chave para decodificar as falas do personagem nas edições anteriores, ainda não é o suficiente pra dar algum sentido a elas (sim, eu, como bom nerd, tentei).
  • O breve diálogo entre Bruce Banner/Hulk e Esmagadora antes de entrarem na luta é aquele tipo de cena que me deixa sorrindo feito bobo de tão bem escrita que foi. O detalhe de Banner pedindo pra Esmagadora segurar seus óculos antes de se transformar no Hulk é um toque de gênio, e o final da conversa é o melhor momento da edição:avg_5_hulk_smasher
  • “Eles estavam fugindo de alguém.” Seria este “alguém” o mesmo responsável pela crise do Multiverso, atualmente sendo encarada pelos Illuminati em New Avengers? Não sei. Mas está claro que trata-se de mais uma pista para Infinity, o próximo evento multi-séries da Marvel, oficializado esta semana pela editora, que começará em maio com o lançamento da edição preparada por Jonathan Hickman e Jim Cheung para o Free Comic Book Day (o dia do ano em que as editoras de quadrinhos americanas distribuem HQs gratuitamente nas comic shops, especialmente produzidas para o evento, e geralmente trazendo teasers de seus maiores lançamentos para o segundo semestre). Como pode ser visto no teaser abaixo, não resta muitas dúvidas de quem está por trás da nova encrenca cósmica. E somado ao que aconteceu esta semana em New Avengers, a suspeita se confirma (mais detalhes no review a seguir).

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New Avengers 003-Zone-000New Avengers #3

Roteiro de Jonathan Hickman
Desenhos de Steve Epting
Arte-final de Rick Magyar
Cores de Frank D’Armata

Nesta edição Henry McCoy, o Fera dos X-Men, entra para os Illuminati, se revelando o herdeiro da Gema da Mente que estava com o falecido Professor Xavier. Um detalhe que chama a atenção é o visual do personagem, que ainda está com aquela aparência mais felina, o que indica que a história se passa antes dos eventos mostrados em All-New X-Men #1 (se ainda não leu, confira minha resenha sobre a edição aqui).

New Avengers 003-Zone-007

O grupo está disposto a evitar a resolução mais temida pelo Capitão América: a realização de um ato de extrema maldade para salvar seu mundo. Por isto eles resolvem reunir as Gemas do Infinito quando detectam a ocorrência de mais uma Incursão, fenônemo espaço-temporal que prenuncia a proximidade de uma Terra de um universo paralelo em rota de colisão com o nosso.

A sequência em que as Gemas são reunidas, invocando a Manopla do Infinito, é importante especialmente por dois motivos:

1º) Pela rápida aparição das entidades cósmicas que detectam a reunião dos artefatos, mesmo estando em pontos diferentes do universo. Entre elas se destaca, obviamente, Thanos, que chama mais atenção ainda por Steve Epting ter desenhado o personagem exatamente com a mesma pose em que ele aparece no final do filme Os Vingadores (ou seja, a Marvel não está fazendo o menor esforço para esconder que a intenção é mesmo estabelecer uma “sincronia” entre a versão cinematográfica e a quadrinhística de seus universos ficcionais).

2º) Pela lição que os Illuminati dão ao Capitão América, delegando a ele a tarefa de usar a Manopla para, literalmente, empurrar um universo inteiro de volta para o seu devido lugar. Com isto eles não só deram ao idealizador do plano a responsabilidade por sua execução, como puseram à prova a crença do herói numa resolução pacífica do problema. Pouco antes do Capitão vesti-la, o Homem de Ferro deixa bem claro que a Manopla não pode tornar uma idéia real se o seu usuário não acreditar na possibilidade de realizá-la.

O resultado disto:

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Obs.: A imagem acima é uma montagem com cenas da edição ligeiramente fora do contexto em que apareceram.

Outro detalhe importante nesta sequência é a retroalimentação detectada pelo Homem de Ferro pouco antes de todas as gemas serem destruídas, e a Gema do Tempo desaparecer. Isto, somado ao fato de Black Swan conhecer as Gemas do Infinito – estabelecendo, desta forma, que elas também existem em seu universo – levanta algumas questões: Ocorreu ali uma interferência externa, proveniente de outro universo, que provocou a destruição das Gemas? Algo ou alguém tirou proveito da situação e roubou a Gema do Tempo? Ou seu sumiço foi mais uma “medida de segurança” do próprio artefato, que se escondeu em algum ponto do tempo? E mais: existe uma relação mais direta entre Black Swan e o tal Grande Destruidor/Rabum Alal, responsável pela crise do Multiverso? Seria por isto que ela é capaz de detectar a chegada da Incursão ao mesmo tempo em que a máquina construída pelos Illuminati? Rabum Alal é Thanos? Thanos existe em mais de um universo?

Além de todas as especulações que consegue despertar com mais este capítulo de New Avengers, Hickman continua realizando um trabalho exemplar de caracterizações, escrevendo ótimos diálogos como a rápida conversa entre Reed Richards e Black Swan, e o denso e claustrofóbico debate entre o Capitão América e os demais membros dos Illuminati no final da edição, que ainda cumpre a tarefa de revelar ao leitor de onde veio aquele pesadelo do qual ele foi despertado por Tony Stark em Avengers #1 (o que não deixa de ser uma grande ironia, se revermos aquela cena considerando o que foi revelado nesta edição). Certamente um fato que no futuro afetará profunda e (talvez) fatalmente o relacionamento entre todos os presentes naquela sala.

Mais uma vez sinto-me no dever de informar que New Avengers continua sendo um dos títulos mais indispensáveis da Marvel, tanto pela excelente qualidade das histórias, como pela importância que sem dúvida elas terão na construção da saga Infinity.

Sobre All-New X-Men #6 e 7, Iron Man #6, e os próximos capítulos de Marvel Now!

All New X-Men 006-Zone-000Alguns de vocês devem ter reparado que parei de escrever sobre All-New X-Men após a edição 5, e como esta semana já foi lançada a edição 7, mais Iron Man #6, que dá início ao segundo arco da série do latinha, me senti na obrigação de esclarecer porque parei de escrever sobre os dois títulos.

A idéia desta série de reviews é cobrir apenas os primeiros arcos de todos os novos títulos (com exceção de Morbius, porque aquilo é caça-níquel demais pra eu desperdiçar meu tempo), portanto, no caso destes dois, meu trabalho terminou após as 5 primeiras edições, que encerram o primeiro arco de ambos. Mas continuo acompanhando-os e recomendando muito a leitura, tanto pela qualidade das histórias, como pela importância que elas certamente terão no futuro do Universo Marvel de um modo geral.

All New X-Men 007-Zone-000All-New X-Men está num momento em que os X-Men originais estão se adaptando à sua nova condição de viajantes no tempo vindos do passado passar uma temporada no presente. Brian Michael Bendis continua explorando de maneira exemplar, divertida e nostálgica a premissa, tirando proveito do conhecimento de leitores mais antigos para atingi-los em cheio com referências pinçadas de histórias clássicas, mas fazendo isto com inteligência, sem tornar suas histórias dependentes do conhecimento cronológico dos novatos, o que é muito importante numa fase planejada para atrair novos leitores. Além disto, a presença da equipe original nos dias de hoje promete impactar profundamente na crescente comunidade mutante, além de envolver-se em novos conflitos contra a facção de X-Men liderada por Ciclope. E para as próximas edições da série está prevista a aparição da Guarda Imperial Shi’ar, que virá para a Terra investigar o reaparecimento de Jean Grey, que desde a época em que foi hospedeira da Força Fênix é vista com maus olhos pelo império alienígena. Ou seja, é mais uma parte do cenário cósmico que a Marvel está armando para a saga Infinity (reparem que no teaser pôster dela o Gladiador, líder da Guarda Imperial, aparece no caco logo abaixo do nariz de Thanos).

Iron Man 006-Zone-000Iron Man entrou num novo arco que promete ser mais leve e descontraído que o anterior, além de encaminhá-lo para sua participação no título dos Guardiões da Galáxia, com lançamento previsto para março, e que também será uma das séries relacionadas a Infinity.

Kieron Gillen definitivamente sabe escrever Tony Stark com naturalidade! Na edição 6, que saiu esta semana, os diálogos estão muito divertidos. Além disto, o autor já começou a plantar algumas pistas para seu próximo arco, que revelará novas informações sobre a origem do Homem de Ferro, conforme foi anunciado esta semana (confira o teaser abaixo).

Origem-Secreta-Homem-de-Ferro

Portanto, continuem acompanhando All-New X-Men e Iron Man, independente de eu estar escrevendo sobre eles ou não, pois ainda estão valendo o tempo investido. Dependendo do que vier à tona nas próximas edições, posso voltar a escrever rapidamente sobre eles.

Por enquanto, após o lançamento de todos os principais títulos programados para a Marvel Now, meus planos incluem continuar as análises das edições das duas séries dos Vingadores escritas por Jonathan Hickman, pela importância que elas terão ganhar nos próximos anos do Universo Marvel. Esta nova fase da editora está ainda mais ligada às adaptações para o cinema devido ao sucesso estrondoso que o filme dos Vingadores fez, por isto é esperado que ambas as mídias influenciem-se mutuamente com uma frequência cada vez maior, então julgo importante continuar escrevendo pelo menos sobre os dois principais títulos da franquia.

Mas tudo dependerá da maneira como os próximos títulos da Marvel Now influenciarão seu universo ficcional como um todo. Portanto, não descarto a possibilidade de voltar a escrever sobre alguns daqueles que abandonar nas próximas partes desta série. E vale lembrar que em março também começa a primeira grande saga da editora pós-Marvel Now, Age of Ultron, que tentarei cobrir.

ageofu10

E agora chega de Marvel Now, que esse post já ficou maior do que o recomendável!

Na próxima semana: Avengers Arena #4, Cable and X-Force #4, Fantastic Four #4, e as reestréias de Secret Avengers e Uncanny X-Men!