[QUADRINHOS] Marvel NOW! – Parte 10: Savage Wolverine #1, New Avengers #2, Captain America #3 e Indestructible Hulk #3

A estréia da semana foi Savage Wolverine, novo título do mutante baixinho e invocado, agora escrito e desenhado pelo aclamado Frank Cho. Enquanto isto Jonathan Hickman continua surpreendendo os leitores com a escala dos desafios que vem impondo a seus heróis em New Avengers #2; Rick Remenber leva Steve Rogers a novas e chocantes descobertas em Captain America #3; e Mark Waid apresenta uma missão completa do Gigante Esmeralda como arma de destruição em massa da S.H.I.E.L.D. em Indestructible Hulk #3. Resumindo, uma ótima semana para os fãs do Universo Marvel. Mais detalhes nos reviews abaixo, que contém SPOILERS.

Savage Wolverine 01-000Savage Wolverine #1

Roteiro e desenhos de Frank Cho
Cores de Jason Keith

Depois de tantos anos explorando o passado confuso de James “Logan” Howllet, a decisão da Marvel em dar ao personagem um título que concentra-se mais na essência de quem é o homem por trás do codinome Wolverine, no lugar de explorar quem ele foi, é animadora. A verdade é que a editora deixou a tarefa de destrinchar a história pregressa do mutante nas mãos de um roteirista mediano (Daniel Way, responsável pelos roteiros de Thunderbolts, que até aqui vem sendo o título mais fraco da Marvel NOW!), decisão que contribuiu para torná-lo mais confuso do que já era. Assim, o desinteresse por esta parte da vida de Logan só aumentou entre leitores cada vez mais insatisfeitos com a qualidade das histórias que visavam esclarecer, e acabaram fazendo o oposto. Por tais motivos, um autor que não está disposto a mexer nessa confusão toda, mas em utilizar ao máximo todas as habilidades e poderes do baixinho, merece a atenção de quem gosta do personagem independente de sua história intrincada e cheia de contradições.

Savage Wolverine começa com uma equipe de agentes da S.H.I.E.L.D., auxiliados por Shanna, em uma missão cujo objetivo é mapear áreas remotas da Terra Selvagem, um paraíso pré-histórico preservado num bolsão de clima tropical no continente antártico. Ao aproximar-se de uma ilha com um monolito monstruoso esculpido numa montanha a nave em que estão entra em pane, e eles caem por lá. Oito meses se passam até que Wolverine, por razões até o momento inexplicadas, é teletransportado para lá (vemos apenas um facho de luz à distância no local onde ele aparece). Cabe ao herói descobrir as razões porque foi levado até lá, ajudar Shanna a fugir da tal ilha, e antes disto descobrir como desativar seja lá qual força o local possui que impede as pessoas de saírem dela.

A premissa está longe de ser original. Pra começar a imensa escultura feita a partir de uma montanha da ilha parece uma mistura de Cthulhu com o Homem-Coisa, e o mistério envolvendo a mesma, até onde foi apresentado, é bem mediano. Mas o objetivo do título não parece ser o de contar uma história muito inovadora, mas, acima de tudo, entreter. E isto ele o faz muito bem.

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Wolverine + sentidos aguçados = desorientação de poucos segundos

Frank Cho se destaca pelo modo como expõe, através de monólogos internos de Wolverine, as impressões de seus sentidos super aguçados, seu raciocínio e sua alta capacidade de analisar cada cenário em que se encontra, adaptar-se e sobreviver aos problemas que surgem nele.

Já como desenhista Cho merece um parágrafo a parte. Ele causou polêmica em vários trabalhos que fez para a Marvel, especialmente devido à sua predileção por desenhar as heroínas da editora de forma voluptuosa e despudorada. As capas censuradas de Cho são famosas. Ele já desenhou uma para Ultimate Spider-Man #100 em que Mary Jane aparecia com a bunda de fora (e fez outra idêntica para Hulk #1, trocando o Aranha e sua namorada pelo Gigante Esmeralda e sua prima), e criou, ao lado de Brian Michael Bendis, uma versão do vilão Ultron que tinha o mesmo físico de Janet Van Dyne, a heroína Vespa, e lutava contra os Vingadores nu(a),  claro que tendo sua nudez explícita (leia-se mamilos e genital) estrategicamente escondida por elementos cenográficos e outros personagens (bem no estilo da abertura do segundo filme de Austin Powers – relembre aqui). Mas seu caso mais famoso é a proposta original para uma mini-série da heroína Shanna. Cho queria que ela aparecesse nua em pêlo durante toda a aventura, que teve 4 edições. Claro que a Marvel não aprovou, mas isto não apagou a imagem que Cho criou de si mesmo como um autor incansável em suas tentativas de fazer um fan-service pra alegria dos leitores, algo que ainda não conseguiu totalmente. E como eu sou bonzinho, separei abaixo imagens de algumas das ilustrações de Cho que foram censuradas pela Marvel (com exceção de Ultron, que apareceu assim mesmo na HQ):

Acima vocês podem ver a ilustração original de Shanna que entraria na capa desta edição. Na capa aprovada ela ganhou algumas folhinhas milimetricamente distribuídas para não deixar seus glúteos totalmente expostos. Apesar da censura, o design da capa é bem pensado, e resume muito bem o que encontraremos nesta edição: selvagens, dinossauros e mulheres gostosas em trajes sumários, tudo aquilo que Cho adora desenhar.

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Tente prestar atenção na história que ela está contando.

Claro que foi proposital a escolha do autor por Shanna como “convidada especial.” Ele faz questão de tornar um prazer à parte cada quadrinho em que ela aparece. O desenhista é tão consciente disto, que nos presenteia com a página ao lado. Mas ela não é apenas um rostinho e corpão bonitos. Sua interação com Wolverine é igualmente prazerosa de se ler e ver, e rende uma ótima piada envolvendo aqueles bolsinhos que vários heróis usam acoplados ao cinto de seus uniformes, mas que raramente são usados (com exceção do Batman, claro).

Mas já falei demais das gostosas de Cho! É notável também o visual levemente influenciado por uniformes de lutadores de wrestler que ele usa para desenhar o traje do Wolverine (especialmente as botas). Muito provavelmente a decisão foi influenciada por uma história escrita e desenhada pelo brasileiro Rafael Grampá para a antologia Strange Tales II (que vocês podem ler na íntegra nesta coluna, em que o autor ainda explica todo o processo de produção da história).

Savage Wolverine 01-010

Tudo que você sonhou em ver nos filmes e desenhos animados em uma página.

E o Wolverine de Cho realmente faz jus ao novo título. Ele mal chega à Terra Selvagem e já é forçado a lutar contra um dinossauro. Seu segundo combate é com um bando de neandertais (literalmente), e envolve desmembramentos e decapitações. Portanto, o autor entrega ao leitor o que se espera de um herói com garras de adamantium e personalidade impulsiva e agressiva, que a todo o instante tenta controlar sua selvageria. Em suma, seu Wolverine sintetiza todos os principais caracteres pelos quais o personagem ficou conhecido e tornou-se um dos x-man mais queridos pelos leitores de quadrinhos e pelos espectadores que o conheceram nos filmes da Fox.

Boa estréia de um título que tem tudo para ser bem divertido de acompanhar, especialmente se Shanna continuar por perto por mais algumas edições.

New Avengers 002-Zone-000New Avengers #2

Roteiro de Jonathan Hickman
Desenhos de Steve Epting
Arte-Final de Rick McGyar com Steve Epting
Cores de Frank D’Armata

Nesta edição é revelado o motivo pelo qual o Pantera Negra convocou a ajuda dos Illuminati – um grupo do qual, vale lembrar, ele se recusou a fazer parte quando formado – , e a verdadeira natureza e extensão da ameaça apresentada na edição anterior.

Pra começar devo dizer que estou gostando muito do estilo de recapitulação adotado nas HQs escritas por  Jonathan Hickman na leva atual de títulos que está comandando na Marvel. Estou apostando que foi idéia dele, pois uma das características de seus trabalhos é a integração que existe entre a história e boa parte dos elementos gráficos que compõem toda a edição, incluindo páginas de recapitulações, e páginas extras com diagramas e relatórios que fornecem informações adicionais sobre algum elemento apresentado na trama (algo que ele usou muito quando escreveu o título do Quarteto Fantástico). Remetendo às recapitulações de séries de TV, ao invés de confiar apenas num texto informativo, ele usa a própria linguagem dos quadrinhos para criar uma montagem com quadros da edição anterior misturados com balões e recordatórios retirados da mesma, mas distribuídos numa nova combinação que comprime informações de forma a ajudar os leitores a relembrarem do que aconteceu até o momento. O resultado é ótimo.

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Quando dois regentes testam os limites da diplomacia.

Já na história em si Hickman também faz um exemplar exercício de recapitulação não expositiva de alguns dos desafetos e desentendimentos entre os personagens, a começar pela situação delicada existente entre o Pantera Negra e Namor. Durante a saga Vingadores vs. X-Men, o Príncipe Submarino, então possuído por uma parcela da Força Fênix, atacou Wakanda, que na época era o refúgio de Esperança, a Messias Mutante, principal motivo da crise, e hospedeira atrás da qual o Quinteto Fênix liderado por Ciclope estava, com o objetivo de torná-la a encarnação completa da entidade. Durante a batalha que se seguiu no reino outrora comandado por T’Challa, Wakanda sofreu grandes danos em sua infraestrutura, e milhares de wakandianos perderam suas vidas. Em apenas três páginas o autor consegue estabelecer toda a tensão gerada pela mera presença de Namor na Necrópolis de Wakanda.

Além disto o autor conseguiu criar um motivo bom o suficiente para apresentar resumidamente cada personagem dentro da história sem soar forçado. O mesmo valendo para a maneira orgânica com que pincela as histórias em que estiveram envolvidos ultimamente no Universo Marvel, sem forçar o leitor novato a ler o que veio antes para saber do que estão falando.

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Jonathan Hickman e seus diagramas mão-na-roda.

Elogiável também é a forma brilhante como o autor utiliza outro recurso que lhe é caro: gráficos e diagramas simples para explicar conceitos complexos, neste caso uma ameaça capaz de destruir universos inteiros.

E aqui chegamos à natureza da ameaça ao Multiverso, e o que será preciso para detê-la. Vale lembrar que minhas especulações a respeito do causador da crise estavam incorretas. No review da edição 1 eu disse que um título escrito por Hickman sempre carrega consigo “a promessa do conceito original expandir-se e enveredar por caminhos imprevistos e idéias fascinantes.” Para a minha surpresa esta edição impulsiona o que foi visto na anterior para um quadro ainda mais amplo do ela sugeria, o que é sempre animador, especialmente em uma HQ de super-heróis, que pedem problemas que desafiem todas as suas capacidades. Conforme o que foi revelado neste capítulo, os Illuminati ficam numa posição que a qualquer momento pode levá-los a enfrentar um dilema moral de implicações cósmicas, o que, por si mesmo, é um tema poderoso o suficiente para render grandes histórias. Eles já possuem os meios necessários para fazerem um grande sacrifício, e a opção é sedutora demais caso a situação adquira a urgência necessária para utilizá-la. Tudo isto aumenta nossas expectativas pelo desenrolar da trama.

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Capitão América ensinando que nem sempre vários gênios reunidos enxergam a solução mais simples.

Uma das possíveis soluções para a crise envolve o uso das Gemas do Infinito, que pedem um parágrafo só pra elas. Artefatos que por muitos anos foram cobiçados pelo vilão Thanos, cada uma das Gemas dão ao seu respectivo usuário poder sobre um dos 6 elementos fundamentais do universo: Alma, Tempo, Espaço, Mente, Realidade e Poder. Comparativamente é mais poderosa que o Cubo Cósmico (também conhecido como Tesseract, para quem assistiu Os Vingadores). Quando reunidas e acopladas à Manopla do Infinito, eleva seu usuário ao nível de poder de um deus. Anos atrás os Illuminati reuniram as Gemas, temendo novas crises envolvendo Thanos e outros vilões com más intenções quanto ao seu uso. Cada um dos membros ficou com uma delas, para evitar que um deles, em posse de todas, fosse seduzido pelo poder imensurável que elas representam (no início deste número um quadro informativo revela quem está em posse de qual gema). Diante do destaque ganho por Thanos no final do filme dos Vingadores; da promessa de que o vilão aparecerá em outros filmes do Marvel Studios nos próximos anos; da recém anunciada publicação de uma mini-série que contará a origem do personagem, escrita por Jason Aaron, com lançamento programado para abril; e agora com as Gemas do Infinito novamente ganhando destaque, especulo que talvez esteja nos planos da Marvel usar tanto o vilão quanto os artefatos cósmicos em algum grande evento, se não este ano, nos próximos. Por enquanto aposto em algo desta escala programado para eclodir em 2015, mais próximo da data de lançamento de Os Vingadores 2, o que levaria tanto os cinemas quanto a editora a capitalizarem sobre o uso deles. Conforme demonstrado pela Marvel em Vingadores vs. X-Men, seu time atual de roteiristas gosta de planejamentos a longo prazo, o que envolve soltar pistas sobre futuros eventos em vários títulos, mesmo quando programados para ocorrerem anos depois dos primeiros indícios surgirem. Um dos exemplos mais recentes é a saga Age of Ultron, que começa a ser publicada em março, mas teve as primeiras pistas de sua eclosão plantadas em 2007 (processo que foi explicado em detalhes neste artigo da IGN).

Voltando à história desta edição, destacam-se também os belos e eloquentes diálogos escritos por Hickman. Ele tem consciência de que está lidando com os indivíduos mais brilhantes do planeta, e demonstra entendê-los profundamente, pois cada palavra pronunciada é perfeitamente adequada à personalidade de cada um.

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Respeito e sabedoria em poucas palavras.

Mas se tem um aspecto dos trabalhos de Hickman que, confesso, não canso de analisar é a estrutura de seus roteiros. Seu controle sobre o ritmo e os recursos narrativos é um verdadeiro deleite para quem aprecia uma história bem construída. Ele sabe a hora certa de usar flashbacks e flashforwards; citar uma frase, monólogo ou diálogo visto algumas páginas antes – e, no caso desta edição, até mesmo uma página inteira apresentada fora de contexto na edição anterior – dentro de um novo contexto que expande seu significado quando em contraste com o que descobrimos nas páginas seguintes à primeira ocorrência dos mesmos. É tudo feito com invejável precisão, o que reforça o fato de Hickman estar se tornando um dos melhores roteiristas de quadrinhos da atualidade (alguns apostam que estamos testemunhando o surgimento de um novo Alan Moore).

Por tudo isto, New Avengers tornou-se desde já um dos títulos mais obrigatórios da leva atual da Marvel. Trata-se de um autor no auge de suas capacidades como contador de histórias, brincando com os melhores brinquedos da editora, mas levando muito a sério sua brincadeira. O lance aqui é elevar estes heróis a novos patamares, e tudo indica que conseguirá.

Captain America 003-Zone-000Captain America #3

Roteiro de Rick Remender
Desenhos de John Romita Jr.
Arte-final de Klaus Janson
Cores de Dean White com Lee Loughridge

Nesta edição Remender faz algo interessante ao apresentar flashbacks do passado de Arnim Zola antes de possuir sua forma atual, e mais um episódio da adolescência de Steve Rogers no Brooklyn. Com isto o autor contrasta a escalada da imoralidade, crueldade e psicopatia do vilão e o desenvolvimento da compaixão, idealismo e obstinação do futuro herói, desde jovem sempre disposto a defender os fracos dos valentões. Minha única ressalva com relação ao trecho de Steve são os diálogos entre os garotos, que usam palavras e expressões que não condizem com a idade dos personagens.

Steve Rogers enfrentando valentões no passado...

Steve Rogers enfrentando valentões no passado…

Depois de uma segunda edição tão carregada de dramaticidade, tensão e ação, nesta o  ritmo é desacelerado. Exceto por dois breves combates, um apresentando a resolução do gancho da edição precedente, e outro no final – que ensina a Steve Rogers, de maneira cruel e violenta, os riscos que corremos ao confiarmos em palavras de inspiração com o intuito de gerar revoluções sociais em culturas que desconhecemos -, no geral a história segue em relativa “calmaria” (se é que isto é possível quando estamos num ambiente cheio de hostilidade como a Dimensão Z).

Gosto dos pequenos detalhes introduzidos pela dupla criativa, como a revelação de que há funcionalidade nos botões existentes nas luvas do Capitão América, e a maneira como Remender escreve os diálogos dos alienígenas decifrados pelo Tradutor Universal, que levam em consideração o efeito “ao pé da letra”, e desconsidera nuances da linguagem, tornando as falas secas, literais e um tanto truncadas, além de gerar expressões que soam estranhas quando adaptadas para outra língua.

... e tiranos alienígenas no presente.

… e tiranos alienígenas no presente.

Infelizmente Romita apresentou neste número um de seus trabalhos mais irregulares, e claramente feito às pressas, especialmente no flashback de Steve Rogers, em que a proporção das cabeças de Steve e Deidre oscila entre um quadrinho e outro. Até dá pra interpretar esta oscilação e falta de capricho nos desenhos, que são pouco mais que rascunhos neste trecho, como um recurso usado pelo desenhista para indicar a imprecisão das lembranças do protagonista, e a impressão causada nele pelos fatos retratados (por exemplo, a cabeça levemente desproporcional de Deidre pode ser um indicativo de que a lembrança mais forte que ele guarda da menina é a beleza de seu rosto). Apesar destes deslizes, sua narrativa não decepciona nas poucas cenas de ação.

Mesmo desacelerando a narrativa neste número, Remenber consegue entregar pela terceira vez consecutiva um gancho poderoso, atordoante e instigante, que deixa o leitor ávido para ler o próximo capítulo, o qual promete ser, no mínimo, bizarro. Até aqui vem sendo uma das histórias mais empolgantes do Capitão América produzidas nos últimos anos, e Remenber parece muito disposto a nos surpreender a cada novo capítulo, algo que é sempre bem vindo quando bem feito, como é o caso até agora.

T-IK-03-000Indestructible Hulk #3

Roteiro de Mark Waid
Desenhos de Leinil Francis Yu
Arte-final de Gerry Alanguilan
Cores de Sunny Cho
Letras de Chris Eliopoulos

Seguindo sem pressa sua reinvenção de Bruce Banner, neste número Mark Waid apresenta nas primeiras páginas trechos de entrevistas com cientistas de várias áreas, todos candidatos a trabalhar com Banner no laboratório que a S.H.I.E.L.D. está montando pra ele. O autor usa a sequência pra ressaltar quão respeitado é Banner no meio científico, apesar de sua “maldição” (embora mais tarde nesta edição seja revelado um dos pontos em comum entre os quatro cientistas selecionados, que pode indicar que este “respeito” é mais conveniente do que autêntico da parte de alguns deles). Waid fornece indícios do que levou Banner a escolher cada um deles, enquanto são entrevistados por Maria Hill. Os que se destacam são Randall Jessup, rapaz que teve um pai alcoólatra violento (violência doméstica causada pelo pai é um dos elementos formadores da personalidade de Banner), e Melinda Leucenstern, a climatologista/astrofísica que conhece “várias técnicas psicológicas calmantes”, detalhes que certamente foram decisivos para serem selecionados por Banner. Além disto ele mesmo diz no final que sabe mais a respeito de cada um deles, informações que não revela para Maria Hill, o que dá mote para futuras surpresas, além de aumentar o elenco de coadjuvantes e, consequentemente, as possibilidades de novos problemas.

Mas o grande destaque desta edição é a missão do Hulk ao lado da S.H.I.E.L.D. Enquanto nas edições anteriores Banner recebeu um destaque maior – o que é natural, pois Waid precisava mesmo tirar um tempo para desenvolver o novo status do cientista no Universo Marvel -, agora passamos mais tempo com o Gigante Esmeralda.

Você sabe que um escritor conhece muito bem o personagem que está escrevendo quando faz uma cena como esta:

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Adoro o trabalho do letrista nas partes em que Banner cede o controle ao Hulk

Vale notar um detalhe: Hulk parece mais selvagem do que o normal, como se o fato de Banner agora ter mais liberdade para ser um cientista mais atuante tivesse como efeito colateral um Hulk mais livre para extravasar sua fúria. Assim a base da I.M.A. vista nesta edição, cheia de homenzinhos maus “esmagáveis”, mais parece seu playground do monstrão. Mas a cena que melhor exemplifica essa atitude “foda-se tudo e todos” é a do tanque de lava, que realmente dá medo.

O “chefão de fase” da vez é o Quintronic Man, um robô gigante que necessita de 5 pilotos controlando-o em sincronia. Se a idéia em si já é estranha, espere para descobrir o estado em que se encontram quatro deles. Para a minha surpresa, apesar do visual moderno, ele não é um personagem novo. Sua primeira aparição foi em Incredible Hulk #213, de 1977, mas teve pouco destaque nas últimas décadas, até ser tirado do limbo por Mark Waid.

Os desenhos de Leinil Yu estão mais caprichados nesta do que nas duas primeiras edições, assim como as cores de Sunny Cho (do trabalho dele eu destaco uma cena sem muita importância mas que gostei muito pelo trabalho de colorização: a externa que mostra os agentes na porta da casa do Professor Burke, onde ele captou com perfeição a luz do poente num fim de tarde). O Hulk esmagando no traço agressivo e hachurado de Yu é uma ótima combinação.

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Hulk em sua brincadeira favorita: esmagar homenzinhos.

E nesta edição finalmente descobrimos o que é e qual a função daquele robôzinho flutuante que apareceu ao lado do Hulk na capa da primeira edição, que mal é introduzido e já se envolve numa das melhores tiradas de humor deste número.

Mais uma edição em que Mark Waid mostra porque ele é conhecido por muitos leitores como o “superhero fixer”, trazendo à tona o essencial de cada personagem, e desenvolvendo-o a partir disto, muitas vezes desfazendo estragos que autores menos talentosos provocaram em abordagens equivocadas. Não descarto a possibilidade de estarmos acompanhando neste título o protótipo de um futuro filme solo do Hulk. O equilíbrio do “tempo de tela” entre Banner e Hulk, e seu envolvimento com a S.H.I.E.L.D., remetendo diretamente ao que vimos no filme d’Os Vingadores, já são indicativos de uma tentativa de aproximação das duas mídias. E vale lembrar que a Marvel NOW começou no mesmo ano em que o filme quebrou recordes de bilheteria, outro indício de que a reforma editorial tem como objetivo uma integração maior entre o cinema e os quadrinhos. Mas, até que novos filmes do Marvel Studios sejam anunciados, o importante é que a promessa de boas histórias em quadrinhos vêm se cumprindo em títulos como este.

E na semana que vem: as reestréias de Uncanny X-Force e Young Avengers, e as continuações de FF, Avengers e Uncanny Avengers (se a Marvel não adiar de novo o lançamento dela).