[MANGÁ] Love Hina, meu mangá preferido.

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Algumas séries se sobressaem em nossas vidas por possuírem boa narrativa, trama interessante e personagens bem elaboradas. Outras se tornam importantes por terem temática e linguagem ajustadas à realidade do leitor. Quando essas duas premissas são somadas, obtém-se o significado de Love Hina para mim.

Love Hina (ラブひな, Rabu Hina) marcou época. Trata-se de uma comédia romântica, um shonen criado por Ken Akamatsu, lançado no Japão em 1999 pela editora Kodansha, na Shonen Magazine. No Brasil, foi publicado pela editora JBC em 28 volumes. Foi uma das primeiras a seguir no estilo romance de harém, reproduzido muitas e muitas vezes depois, no qual o protagonista vê-se repleto de diversas mulheres que acabam se apaixonando por ele. Em 2013, a JBC relançou Love Hina em formato tankobon. Cada volume do tankobon corresponde a dois da primeira versão nacional, ao todo, 14 volumes.

Foram produzidos também: o anime com 25 episódios, dois minifilmes (de natal e primavera) e três OVAS, que são legais por dar, de alguma maneira, mais vida à história do mangá, mas que perdem muito em qualidade de imagem. O anime, em nosso país, chegou a ser veiculado pela Cartoon Network, no entanto, num horário ruim e com dublagem aquém das expectativas da maior parte dos fãs.

Para entender a relevância que confiro a essa obra é preciso conhecer um pouco da história.

Um garoto desajeitado vai parar numa pensão para garotas.

“Pode-se dizer que Keitarô Urashima não é a pessoa mais sortuda do mundo. Aos 18 anos, jamais beijou uma garota e já bombou duas vezes no vestibular da Toudai, a concorrida Universidade de Tóquio.

Desiludido, ele sai de sua casa e vai para a Pensão de sua avó. O que ele nem imaginava era que o lugar havia sido transformado em um dormitório só para meninas.

Como sua avó decidiu dar uma volta ao mundo, Keitarô acaba se tornando o gerente da Pensão Hinata.

Em meio a muita confusão, pouco a pouco, ele vai conquistando cada uma das moradoras.

Ao mesmo tempo, passa a se esforçar muito mais para entrar na Toudai e cumprir a promessa que fez a uma garotinha na infância. Os dois entrariam juntos na Universidade e viveriam felizes para sempre”.

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E esse é o ponto: a promessa que Keitarô Urashima faz em sua infância é algo do qual ele nunca desiste.

Muitas vezes, nós mesmos empenhamos nossa palavra para a concretização de um projeto, mas por variadas razões, acabamos abrindo mão dela e nos traindo. Esse personagem que é o alter ego do próprio autor – haja vista que o Akamatsu sensei já confessou ter sido um adolescente tímido, introspectivo, que usava óculos, gostava de desenhar e de nutrir paixões platônicas – jamais, por mais que a desesperança insistisse bater à sua porta, desistira do seu sonho.

Quando eu tinha dezessete anos, falhei no vestibular. Fiquei bastante frustrado, porque era bom aluno – não tanto aplicado; só tinha facilidade em aprender – e tinha dado como certo, antes mesmo de ter tentado, entrar numa faculdade de Publicidade. Também estava tendo meus primeiros contatos com o sexo oposto. Morava numa rua em que haviam muitas garotas bacanas e com quem, quase todo dia, me reunia. Com meu violão inseparável e outros amigos, tocávamos e cantávamos em frente a um condomínio de prédios. E é claro que a minha primeira paixão deveria ter pintado daí.

Meu melhor amigo, a quem devo muito agradecer por ter me apresentado Cavaleiros do Zodíaco e Vídeo Girl Ai, encontrou-se comigo num ponto de ônibus e levava consigo um exemplar de Love Hina.

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Em minha mente criativa de adolescente apaixonado, ao lê-lo, de imediato, identifiquei-me com o Keitarô, e passei a traçar paralelos entre a relação idealizada que eu tinha com aquela menina e a conexão que a protagonista tinha com uma garota brava, irrequieta, de óculos fundo de garrafas e tranças no cabelo: Naru Narusegawa.

narusegawa2Naru Narusegawa, a principal moradora da pensão Hinata, guardava muitos segredos sobre o seu passado. De forte personalidade, nervosa e irritada, vivia a agredir o Keitarô quando ele a apalpava ou a via seminua (com frequência numa onsen da pensão Hinata, um tipo de terma japonesa, de maneira acidental). Mas à parte tanta hostilidade, nos momentos-chave da trama, também se mostrava uma ótima pessoa, doce, romântica e carinhosa. Era destaque no cursinho pré-vestibular que frequentava, tendo obtido o primeiro lugar no simulado nacional.

Ao decorrer da história, Naru também se torna uma Ronin – no Japão feudal, um samurai desonrado que não seguia a um daimyo, ou seja, que não possuía um mestre. Ronin também é uma gíria atribuída àqueles estudantes que fracassam ao tentar ingressar no ensino superior. Dá para entender o motivo pelo qual tantos japoneses se suicidam na terra do sol nascente?

Percebendo a obstinação de Keitarô que, como já disse, passa longe de ser uma pessoa acomodada (cria um grupo de estudos, arruma um bico, aprende artes marciais, faz serviços domésticos na pensão e até viaja para o exterior para trabalhar), Narusegawa decide ajudá-lo nos estudos.

Esse cuidado e atenção do casal, de um para com o outro, sempre me fizeram sorrir calorosamente, a crer na existência de algo tão bonito e a projetar essa esperança em todos os meus relacionamentos.
Depois, Mutsumi Otohime se junta a eles, estudando para os três passarem no vestibular. Forma-se um triângulo amoroso entre eles, enquanto todos conseguem passar, finalmente. Acontece que Keitarô, devido a uma sucessão de eventos desastrosos, acaba não conseguindo se matricular.

ostresmosqueteirosjpgSabe aquela fantasia que a maioria dos meninos tem? De viver em meio a varias garotas? Essa sempre foi uma sacada intencional do Akamatsu sensei: todas as personagens femininas de Love Hina têm personalidades bem diferentes umas das outras, para agradar a todos os gostos. Apesar de ter tido um carinho especial pela Shinobu Maehara, a minha favorita sempre foi a Naru Narusegawa:.

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Elementos da cultura e do folclore oriental eram algo muito frequente, usualmente, usados como fundo cômico da trama. A “mascote” da série é a tartaruga muito fofa Tama-Chan, que pode voar e que vive sendo caçada pela Kaolla (a relação entre a Tama-Chan e a Kaolla faz lembrar da mania que o Alf tinha de dizer que o gato da família que o adotou na Terra daria um bom ensopado). A Motoko é a sucessora de guerreiros espadachim que utilizam o ki, a energia vital, para executar seus golpes. Em um dos capítulos, Love Hina faz referência à lenda chinesa Saiyuki (A Viagem ao Oeste) que narra a peregrinação da monja Tang Xuanzong para a Índia, em busca do Sutra (escrituras sagradas do budismo), acompanhada por um macaco chamado Sun Wukong. Essa personagem, Sun Wukong, também serviu de referência para Akira Toriyama compor Dragon Ball.

Os traços simples e precisos de Ken Akamatsu são um show à parte. A proporção utilizada na composição das personagens é um para cinco. Faz-se presente muitas imagens panorâmicas claras – porque, afinal de contas, o amor e a superação são palavras iluminadas. Usa-se muito movimento em cenas de ação. E a retratação dos olhos – ainda que seja característica de qualquer mangá exagerá-los, para exaltar as emoções – são algo ímpar: o mesmo tipo de olhar não se repete. Nunca. Como os sentimentos humanos, são únicos para cada instante.

É com extrema candura que observo e me refiro a este trabalho de arte. Falar de Love Hina é como contar um pouco de mim mesmo. Infelizmente, não posso me estender demais, uma vez que fazê-lo poderia estragar a experiência.

Espero sinceramente que, quem ainda não conheça, através dessa pequena introdução, possa se interessar em ler o mangá e vivenciar algo tão maravilhoso quanto tive em minha adolescência.

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