[LIVROS] O DRAGÃO DE GELO, de George R.R. Martin (resenha)

o dragão de gelo

tradução de Cilon Mello

George R. R. Martin ficou mundialmente conhecido por seus livros compostos por guerra, traição, putaria e politicagem (nem sempre nesta ordem, nem sempre separados). Então, quando se sabe que ele lançou um conto infantil, a primeira reação que se tem é “espera, eu tenho que ler isso!”. Este é “O Dragão de Gelo”.

A conto versa sobre a menina Elsa Adara, que nasceu com uma estranha relação simbiótica com o inverno e suas criaturas, em um mundo de fantasia onde a guerra cada vez se aproxima mais. Sendo tocada pelo inverno como era, eventualmente Adara se torna amiga da mais rara e arredia de todas as criaturas: um dragão de gelo.

The-Ice-Dragon-Preview

É realmente impressionante como George Martin consegue criar um cenário de fantasia em poucas páginas, com suas próprias regras e mitologias. Neste mundo, dragões são comuns – ao ponto que o rei tem sua guarda de cavaleiros de dragão – com exceção dos raros e indomáveis dragões de gelo.

Com isso você pode perceber que o tom do conto é bastante melancólico, não é como se alguém estivesse esperando outra coisa, mas ao mesmo tempo consegue ser poeticamente bonito. Se de um lado os adultos falam sobre a guerra, pessoas mutiladas e queimaduras, Adara versa sobre castelos de neve, lagartos de gelo que se desmancham com um toque, e voar em um dragão.

Meio que lembra um pouco “O Labirinto do Fauno” (com cenas de “Como Treinar Seu Dragão“), acredito que esse é um bom comparativo para o tom da coisa toda, são dois mundos paralelos, até o momento em que as realidades se encontram.

Como dá pra ver, a construção é realmente muito boa – dado que é uma narrativa tão curta – e George Martin sabe realmente escrever muito bem, mesmo quando não tem ninguém casando ou ninguém com os peitos de fora. Curioso que o que ele chama de “infantil” seria algo apenas normal, mas isso meio que faz parte da construção do eu lírico do autor.

Falando no autor, não tem como deixar de reparar no pequeno culto à sua personalidade: entre os capítulos do livro, o nome do autor é jubilado como se fosse a coisa mais importante do livro, mais do que o próprio título do livro.

George Martin criança do inverno

Sem mentira que TODO SANTO capítulo tem a logomarca dele em letras garrafais e amigáveis, maior do que o próprio nome do capitulo

Aí já fica feio, seu tio Martin…

Outro problema é que o livro é meio carinho para o tamanho dele (média de R$ 17 por uma leitura que dá no máximo uma hora e pouca). Em contrapartida, o livro tem ilustrações e uma capa lindíssima, é de um autor puta badalado, e tem censura livre para todas as idades – não necessariamente infantil, mas com certeza leve – o que torna ele ideal para dar de presente. Essa dica foi de graça, de nada 😉

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nota-3