[LIVROS] Você já leu algum livro de Diana Wynne Jones?

Alvíssaras, seus lindos e suas belas!

Começo logo bombardeando-os [terrorista hoje]: Conhecem o livro O Castelo Animado? E O Castelo no Ar? A Casa dos Muitos Caminhos? [E o Jorge?]

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Bem, se a resposta para todas essas perguntas é um sonoro e educado “Não”, continuem em minha companhia que vou já apresentá-los e vocês poderão encetar uma feliz amizade. Pegue seu prato de bolinhos, sua toalha [quem leu e quem não leu O Guia do Mochileiro das Galáxias sabe que é importante ter uma toalha] e vem comigo!

Todos esses três livros compõe uma série, apesar de um não constituir propriamente uma continuação do outro, estando interligados apenas pela questão espacial e pelo aparecimento de alguns personagens em todos os livros. Escritos pela inglesa Diana Wynne Jones, aluna da St. Anne’s College, em Oxford, onde teve aulas com  C.S. Lewis e com J.R.R. Tolkien [UOU, PUTA EVEJA DESSA MULHER!]. Escreveu mais de 40 livros e é bem conhecida pelos escritores e leitores do ramo da fantasia, porém não tanto no Brasil, onde apenas algumas de suas obras foram traduzidas.

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Diana e acho que a gata chama-se Jo ou Hook [pelo menos, na minha cabeça]

Por que ler estes livros?

Well, meus nerds seduzentes, eles têm episódios divertidos, personagens bem construídos, magia, narrativa perfeita do ponto de vista mítico aristotélico e os espaços em que se passam as histórias são muito legais, especialmente A Casa dos Muitos Caminhos. Os pontos fortes dos livros da Diana: o quanto são divertidos, a imprevisibilidade e as personagens!

Em O Castelo Animado [o título original é Howl’s Moving Castle – bem melhor, né?!], a jovem Sophie, a mais velha de duas irmãs, é amaldiçoada, aparentemente sem motivo nenhum, pela Bruxa das Terras Desoladas, tornando-se uma senhora de, sei lá, 60 anos [era como ela se sentia mesmo, almaticamente falando].

Sem dúvida, um castelo futurista! [ou surrealista]. Imagem do anime do diretor Hayao Miyazaki [aliás, parabéns pelos 74 anos].

A partir daí, decide sair de casa e acaba indo parar no Castelo do Mago Howl, supostamente um jovem que seduz as moças e devora seus corações [não há como negar, uma simpatia de pessoa]. Sophie simplesmente força sua entrada no castelo, faz um pacto com o seu demônio de fogo, Calcifer, que diz que irá libertá-la do feitiço-velhice [pegue um Renew!] se em troca ela libertá-lo também de algum feitiço que ele não pode dizer qual é, mas quer ser libertado [c’est la vie].

Ela fica no castelo no maior estilo louca-intrometida, e há um detalhe muito legal, que é o castelo estar, tipo, localizado em quatro lugares: a maçaneta da porta é pintada de quatro cores e, de acordo, com a cor “selecionada”, você sai na cidade de Ingary ou no País de Gales, por exemplo. E em cada lugar, Howl, o dono do castelo, tem, de certa forma, uma identidade diferente.

Talvez, você conheça o anime, se gostou, leia o livro [você sabe que sempre é melhor], se não gostou, leia o livro [continua melhor].

Enfim, esse é só o começo. Destaco, apenas, que Sophie descobre que tem poderes mágicos também, relacionados à palavra, tipo ela pode dar vida às coisas [eee, rapaz!]. Há uma batalha mucho loca entre a Bruxa e o Howl. E a Sophie com ciúme é o demônio. Há também um pouco de pedofilia [acho que a Diana andou batendo um papinho com os japoneses].

Em O Castelo no Ar, Abdullah, um jovem muito do seu imaginativo [a vida dele era tediosa e ele não era lá corajoso para sair voluntariamente mundo afora, então, o jeito é fantasiar mesmo] compra um tapete voador que o leva ao jardim do Sultão de Zanzib, onde conhece a bonita e encantadora Flor da Noite [cara, vejo problemas, repito, vejo problemas! Filhas de Sultão sempre são belas e sultões sempre bipolares, mandando matar por nada – é só ler As Mil e Uma Noites].

Tá, a partir daí, Abdullah se verá em uma situação complicada, pois ele atrapalhou os planos do Sultão, conhecerá um gênio mal-humorado que adora realizar os desejos de forma a que tudo dê errado no final, uma gata estranhíssima [aliás, atenção ao tapete, ao gênio e à gata], e ainda tem o tal do castelo na nuvem, ou a nuvem no castelo [ou um caso sério de esquizofrenia]. Amigos, vou parar por aqui, pois corro o risco de revelar uns spoilers do tipo que não é bom saber a não ser lendo. Esse livro tem uma pegada árabe bem interessante, então, vá no poder do sândalo e divirta-se com as loucuras dessa história. O vilão é um djim, aliás!

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Haja loucura! Fanart by huatingrue in deviantArt.com

Por fim, em A Casa dos Muitos Caminhos, Charmain, uma jovem rata de biblioteca [sentido figurado, sentido figurado], tem que tomar conta da casa de um tio-avô mago que irá fazer uma cirurgia [algo assim]. Tudo muito simples, a menina ficará sozinha na casa, que parece abandonada e pequena, mas [tem que ter um mas] a casa é de um mago e, como tal, tem que ter suas anormalidades, e a desta é que dobrou para determinado lado da sala, você pode ir parar na biblioteca, onde dobrando para a esquerda você pode ir parar no salão de dança, e ao dobrar para direita pode ser que dê no laboratório, ou em Cair Paravell [ok, não é tão perfeita assim a casa], enfim, tem que ter cuidado, pois é um verdadeiro labirinto, só parece pequena e faz jus ao nome “muitos caminhos”.

Outro ponto legal da casa é que você, tipo, bate na mesinha de chá e pede o lanche, bem ele aparece! [eu disse que a casa era legal] Só tem que prestar atenção e dizer exatamente o que se quer, senão vem qualquer coisa. Certo, a história envolve ainda um rei que está meio na decadência, kobolds revoltados, um Luboque [bicho sinistro que é só desgraça], e os loucos Sophie, Howl e Calcifer, contratados para desvendar o mistério que assola aí a decadência do rei.

Charmain meets the Lubbock by Phillip Hilliker site Minotaur Studios

Charmain meets the Lubbock [Lindo, não?!] Fanart by Phillip Hilliker in MinotaurStudios.net

Então, é isto, seres inteligentes que ousam viver neste mundo, leiam e divirtam-se com essa trilogia bem escrita. Aliás, aproveito para explicar por que a considero perfeita do ponto de vista mítico aristotélico. Bem, porque nada sobra, e a narrativa é organizada de maneira perceptivelmente cíclica.

Com base na obra Poética [essa é o point literário!], de Aristóteles, no mito, a ação corresponde a um todo uno e de certa extensão. Uno porque as ações devem ser coerentes, organizadas, ligadas umas às outras e completas, não podendo iniciar nem terminar ao acaso, e se um capítulo da história fosse retirado, sendo esta um todo, o mito ficaria incompleto ou alterado. [se você pode retirar uma informação de uma história sem prejuízo à mesma, é porque é bom você tirar, meu filho]. Quanto à extensão, não pode ser nem muito reduzido nem muito longo, mas do tamanho que a memória possa assimilar e ver o conjunto. Esses livros são assim narrativamente e, portanto, dignos de sua atenção, meu caro ser e minha cara senhorita.

nota-4

Claro que você pode não gostar, mas leia, forme sua opinião com base na sua experiência e proteja sua toalha. Até a próxima, com mais tiros no cozinheiro!

P.S.: Os livros saíram todos pela editora Galera Record. Você pode comprá-los nos links abaixo:

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