[LIVROS] As infinitas referências da Torre Negra – parte 3

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Continuando nossa série sobre as incontáveis referências que Stephen King colocou nos livros da série A Torre Negra (parte 1 / parte 2), fechamos aqui o ciclo voltando à origem de tudo: o próprio autor. Além de figurar como personagem de sua própria história, em um plot twist estranhíssimo que tinha tudo pra ficar babaca mas (na minha opinião) funciona bem pra caramba, Stephen King salpicou elementos da Torre Negra em inúmeros outros livros seus (e vice versa), resultando em algo semelhante a uma teia de interconexões que tem a história de Roland em seu centro, como fio condutor e “portal” entre os diversos mundos visitados pela mente de Estevão Rei.

Em primeiro lugar, o personagem “exilado” de outra obra de King de maior destaque na série é o Padre Callahan, que apareceu pela primeira vez em A Hora do Vampiro (‘Salem’s Lot), de 1975.

Callahan e seu livro

Callahan e seu livro

Donald Callahan, o padre alcoólatra que termina seu livro de estreia fugindo da cidade de Jerusalem’s Lot após um malfadado encontro com um vampiro, é encontrado pela ka-tet (o grupo de Roland) na cidade de Calla Bryn Sturgis, onde foi parar após anos vagueando através de versões alternativas da América (atravessando as fronteiras entre universos paralelos por acaso), sempre entrando em conflito com vampiros e Homens Baixos ou can-toi , seres que à primeira vista parecem humanos, que usam carros grandes e antigos e usam roupas espalhafatosas, que têm um papel importante nos dois últimos livros da Torre Negra mas também aparecem em outras obras de King, como Desespero e Os Justiceiros (ambos de 1996, sendo o segundo publicado sob o pseudônimo Richard Bachman).

Pouco após reviver a história dos Sete Samurais / Sete Homens e um Destino junto com a ka-tet, Callahan encontra em uma biblioteca um pequeno livro chamado ‘Salem’s Lot, que conta uma história bastante familiar… a dele. Após uma breve crise de identidade, o conhecimento de que alguém escreveu sua vida como obra de ficção leva os heróis a buscar o autor, o próprio Stephen King, que se revela como peça central no destino dos mundos, ao contar a história da busca pela Torre Negra em seus livros. Inclusive, o acidente que King sofreu em 1999, no qual ele quase morreu, é um evento importante na série.

Uma vez que, dentro da série, os livros de Stephen King revelavam verdades profundas sobre o mundo, um grupo de personagens a serviço dos heróis passa a analisá-los cuidadosamente… e chegam à conclusão que o livro Insônia (1994) representa uma “chave” para compreender a Torre Negra. Um dos personagens deste livro é Patrick Danville, que reaparece bem no finalzinho da saga da Torre Negra (e tem um papel bastante importante), e que tem sonhos com a Torre e com Roland. Além disso, o Rei Rubro, antagonista principal da Torre Negra (apesar de aparecer só bem no final), é também o grande vilão de Insônia. Há também discussões sobre conceitos caros à nossa série, como kaka-tet e os universos paralelos que giram em torno da Torre.

O Rei Rubro

O Rei Rubro

Outro personagem recorrente na obra de Stephen King é o misterioso Randall Flagg (ou Walter O’Dim, ou Rudin Filario, ou Homem Sombrio, ou Homem Caminhante, entre inúmeros outros nomes), um vilão que aparece em inúmeros universos paralelos e em diversos pontos da História do Mundo Médio, ao longo de séculos ou mesmo milênios, levando a crer que ele não morre como as pessoas comuns (pelo menos não de velhice). Flagg aparece pela primeira vez em A Dança da Morte, de 1978, como um dos dois líderes que surgem para guiar a humanidade após uma praga devastar mais de 99% da população. (Aliás, em Mago e Vidro, quarto livro da série, Roland e companhia encontram uma versão alternativa da cidade de Topeka devastada por uma doença misteriosa, que definitivamente encontra-se no mesmo universo de A Dança da Morte.)

A segunda aparição de Flagg é no livro Os Olhos do Dragão (1986), no qual King se aventura na pura fantasia medieval, afastando-se portanto de seu estilo habitual. O mago sinistro é o grande vilão deste livro, mas ele também contém um rei Roland, do reino de Delain (que lembra Deschain, sobrenome do Roland de A Torre Negra), além de outras breves alusões a personagens e situações do Mundo Médio, como a bruxa Rhea de Coös. Posteriormente, Randall Flagg (sob outros nomes) aparece em O Vento na Fechadura (que, como já mencionado, encaixa-se na cronologia de A Torre Negra), bem como praticamente todos os outros livros da série, como o principal antagonista.

Randall Flagg, em sua versão de A Dança da Morte

Randall Flagg, em sua versão de A Dança da Morte

Outras ligações mais obscuras podem ser encontradas em outros livros de Stephen King. Em It (1986), por exemplo, o grande inimigo do palhaço Pennywise é uma grande tartaruga, que ao que tudo indica é Maturin, um dos 12 Guardiães das Vigas que sustentam o multiverso em A Torre Negra. O próprio Pennywise é extremamente semelhante a um inimigo do último livro da série, chamado Dandelo; se não são a mesma criatura, é bem capaz que sejam relacionados. Aliás, logo após enfrentar Dandelo, os heróis encontram um robô chamado Bill o Gago, apelido de uma das crianças de It. Este livro, aliás, se passa na cidade fictícia de Derry, que King usou também em inúmeras outras obras, como o já mencionado Insônia, além de Saco de OssosO Apanhador de SonhosNovembro de 63, entre outros.

O sexto livro da série, Canção de Susannah, apresenta Algul Siento, um local construído por agentes do Rei Rubro e que reúne personagens com habilidades psíquicas, retirados de várias versões alternativas de nosso mundo. Alguns destes personagens são retratados em outras obras de King, como Corações na Atlântida (1999), que introduz Ted Brautigan (além de conter os já mencionados Homens Baixos), e Tudo é Eventual (2002), que conta a origem de Dinky Earnshaw. Menções honrosas vão também para O Nevoeiro (1980), adaptado para o cinema, que mostra algo que aparenta ser uma thinny (fenômeno retratado no quarto livro da série, que abre um portal para o espaço entre dimensões, povoado por criaturas tenebrosas); A Casa Negra (2001, em parceria com Peter Straub, que menciona o Rei Rubro e seu trabalho para quebrar as Vigas da realidade; e O Talismã (1984, também em parceria com Peter Straub), cujo objeto-título tem semelhanças com a Torre Negra em si (sendo o centro de inúmeros universos), e que apresenta também o tema de “gêmeos”, versões da mesma pessoa em diferentes universos, um conceito importante para o universo de A Torre Negra.

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3 thoughts on “[LIVROS] As infinitas referências da Torre Negra – parte 3

  1. Parabéns pela matéria, uma das melhores séries que eu já li até hoje, teve gente que reclamou do final mas eu gostei, tudo é cíclico. Não li o Vento pela Fechadura ainda mas esta na fila. Abraço, longos dias e boas noites sai.

    • Que você tenha o dobro, sai. Eu também gostei do final, e a pequena mudança que acontece deixa a esperança de que a jornada possa chegar a um fim definitivo um dia. Com certeza uma das melhores séries literárias que eu conheço…

  2. Carrie a estranha, pode ser vista como uma telepata , será que ela não foi parar em “céu azul” depois do incidente em sua cidade? Tornando-se uma sapadora?

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